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RODRIGUES, Neidson. Lições do príncipe e outras lições.
18.ed. |
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Formar boas tartarugas parece ter sido o objetivo dos processos educacionais e políticos da educação desenvolvidos no mundo ocidental nos últimos anos. Temos educado os homens para aprenderem a e defenderem contra todas as ameaças externas, sendo apenas reativos. Ensinamos o espírito da covardia e do medo. Precisamos assumir o desafio de educar o homem para desenvolver o instinto da águia. A águia é o animal que voa acima das montanhas, que desenvolve seus sentidos e habilidades, que aguça ouvidos, olhos e competência para ultrapassar os perigos, alçando vôo acima deles. É capaz, também, de afiar as suas garras para atacar o inimigo, no momento que julgar mais oportuno. As nossas escolas têm procurado fazer com que nossas crianças se recolham para dentro de si e percam a agressividade - o instinto próprio do homem corajoso capaz de vencer o perigo que se apresenta. Temos criados, neste país, uma geração-tartaruga, uma geração medrosa, recolhida para dentro de si. E estamos todos impregnados por esse espírito de tartaruga . Não temos coragem para contestar nossos dirigentes, para nos opor às suas propostas e criar soluções alternativas. Agimos de maneira reativa, negativa, covarde. Temos ensinado às nossas crianças que os nossos instintos são pecaminosos. A parte mais rica do indivíduo, que é a sua sensibilidade - sua capacidade de amar e odiar, sua capacidade de se relacionar de maneira erótica com o mundo -, tem sido desprezado. Temos ensinado o homem a ser obediente, servil, pacífico, incompetente e a depositar todas as suas esperanças num poder maior ou no fim das tempestades. Quando ensinaremos aos nossos alunos que eles não precisam se esconder diante das ameaças, porque todos nós temos capacidade de alçar vôo às alturas, ultrapassando as nuvens carregadas de tempestades e perigos? Temos ensinado às nossas crianças a se arrastar como vermes, e, porque se arrastarem como vermes, elas se tornam incapazes de reclamar se lhes pisam na cabeça. O que desejamos, afinal, desenvolver em nós mesmos e nos jovens? O instinto da tartaruga ou o espírito das águias ? |
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