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A força intelectual do livro carrega uma reforma política e cultural, e uma busca de valores éticos para combater o crime organizado e a hipocrisia das lideranças. Estuda também nas entrelinhas do drama romanceado uma acomodação das elites, diante da contravenção e do contrabando, que destrói os cofres públicos. Analisa com alguma parcimônia as relações políticas da máfia, e as relaciona com a diluição do poder do Estado. Finalmente combate a sonegação conhecida, e fixa condições de protesto dos que produzem, diante da imobilidade política e da corrupção. Reforma política e cultural
Reforma política e culturalO estudo da política e da cultura do continente em que moramos é uma responsabilidade crescente, dado o grande número de interferências que se cruzam atravessando patamares hegemônicos, e instruindo condutas nem sempre as mais adequadas para o fortalecimento da livre determinação democrática. Quem lê o livro respira num ambiente carregado de novas necessidades, mal resolvidas em épocas passadas pela pressa do homem em impor o seu domínio, contendo as idéias que lhe parecem as melhores, e por falta de uma reflexão mais completa as transformações foram acontecendo sem um aprofundamento político e cultural. Por isto algum tempo depois voltam todas as condições negativas, com novas forças estampadas nas crises antigas, que se transformaram em crises modernas, sem tocar nem de leve na essência do mal que tentaram apagar. O que muitas vezes acontece, é uma camuflagem criada sobre os problemas para dar a impressão de que o assunto foi resolvido, mas os livros de história se sucedem com interpretações variadas, dando a impressão que mudaram apenas as aparências, devido ao desenvolvimento humano que provocou transformações sucessivas na sociedade, deixando para traz a transformação política e cultural por deficiências variadas, que precisamos pensar novamente e esta é a proposta corajosa desta obra.
O crime organizado e a hipocrisia das liderançasEstamos ainda atrasados na busca de soluções para a segurança social que é o patrimônio maior de uma nação, e todas as soluções acabam sendo paliativas por não nos prevenirmos contra as causas do mal, fazendo apenas um exercício tímido de busca de soluções políticas, deixando a cargo da sociedade mal formada a repressão dos crimes que acontecem nas ruas, mas ninguém se preocupa em prevenir a população destes ataques, criando leis que orientem a justiça no julgamento das raízes do crime organizado, porque estas estão protegidas pela hipocrisia das lideranças políticas e sociais. O livro provoca uma reflexão profunda deste tema, que é sempre moderno porque se arrasta pelos séculos sem uma mudança significativa, já que esta precisa se amoldar em uma transformação cultural que conduza a uma reforma política e social.
Acomodação das elitesÉ fácil fazer vista grossa quando a desgraça não nos afeta, e costumamos achar incompetentes os que não conseguem se defender, e quanto mais a contravenção e o contrabando fazem amigos com presentes e mordomias, habilmente colocadas em baixo da porta de algumas lideranças, mais a força das elites se mistura aos interesses dos contraventores, que passam a ocupar posições de destaque na vida pública e a controlar os principais órgãos, e como geralmente estes representantes são cobertos de honrarias e prestígio, sendo até defendidos com intensidade emotiva pelos que se beneficiam, e isto causa um grande mal para a sociedade, que não descobre que os seus líderes estão amordaçados pela acomodação, provocada pela necessidade de se aliar a estes representantes poderosos, para melhor desfrutar as benesses do poder.
As relações políticas da máfiaA condução política de um país não está necessariamente subordinada ao crime organizado, mas é fato e notório que traficantes e contrabandistas contam com a proteção política de parlamentares e dirigentes do poder executivo, que se misturam a representantes do povo traindo a confiança da nação, que estarrecida condena quando a imprensa noticia este tipo de relação, mas nada pode fazer porque sai um chega outro, num contínuo vai e vem, que só vai parar quando a cultura penetrar no seio da população, que esclarecida vai tomar providências, mas no momento todas as democracias do planeta sofrem esta agressão aos valores éticos e sociais. O livro mostra isto com grande ênfase, pois lá na idade média junto de reis e imperadores, como cá nas democracias ocidentais junto de presidentes e primeiros ministros, a história não mudou muito, e precisa ser reavaliada em todas as suas expressões políticas e culturais.
A imobilidade política e a corrupçãoNão há nada que prejudique mais um país do que a imobilidade política diante da corrupção, pois isto afeta e corrompe os melhores valores da sociedade representativa, levando a desordem social pois o povo perde a confiança em seus representantes, e abandona os princípios latentes da democracia, ainda muito tênues pela falta de respeito às instituições, provocada pelos espertalhões que rodeiam muitos políticos influentes, engessando completamente o poder do Estado e orientando as relações políticas, para benefício de alguns líderes que ficam muito poderosos e cercados de mordomias, e desgraça da população que quando descobre, se revolta, buscando a justiça com as próprias mãos, provocando o caos que leva a revoluções, que só muda o lado ideológico no poder sem resolver coisa alguma. Na idade média não havia democracias mas muita corrupção e imobilidade política, e se formos buscar as causas da corrupção que se arrastam até os dias atuais, vamos ter que analisar detidamente as relações do poder do Estado na organização política da sociedade.
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