NÃO HÁ UM QUE FAÇA O BEM
“Sua fé pode te salvar?”.
Por Osni de Figueiredo
A
bíblia é o livro mais vendido do mundo, já foi traduzido para quase todas
línguas no mundo, é lido por devotos, céticos, especuladores, gananciosos, por
uma ampla turba se tornando o livro mais conhecido de todos os tempos.
No
início as verdades divinas eram passadas de pessoa para pessoa de maneira
verbal (Dt 6:6.7), depois, Deus falava á Moises que passava para o povo na
forma escrita (Ex.24:3,4), quando o povo de Israel voltou do cativeiro
Babilônico foi necessário passar os livros existentes para o aramaico, para que
o povo pudesse entender, pois, muito deles não compreendia mais o Hebraico.
Alexandre
o grande, ao fazer a helenização criou uma situação de desconforto para os
amantes da bíblia sendo mais uma vez preciso passar os santos textos para a
língua corrente, o grego Koiné (Septuaginta). Depois para o latim (Jerônimo), o
alemão (Lutero), etc, sempre houve
esforço para se entender as sagradas letras a fim de se lapidar condutas, caminhar
para a perfeição do indivíduo, hoje temos bíblias de todo o jeito para todos os
gostos e objetivos, porem temo que não estamos acertando o alvo (esta é a definição de pecado), será que
ter conhecimento do que esta escrito nos torna melhores? É justificado os que
conhecem ou os que praticam a palavra de Deus? (Jo 13:17) Somos chamados
“crentes” por crer em Deus, questiono, o que é crer em Deus, crer que Ele
existe? Saber que Ele é bom? Se alguém dissesse que acredita neste escritor sem
saber o que eu disse ou deixei escrito, estaria esta pessoa dizendo a verdade? Se
alguém disser que crê em Deus, mas não se disciplina pelas advertências dEle,
estaria este dizendo a verdade? O diabo sabe da existência de Deus, cita a
bíblia de cór (Mt 4) crê que estremece, não podemos de maneira nenhuma ter esta
mesma conduta diante de Deus, o evangelho tem se alastrado de maneira
surpreendente, como uma grande empresa que aumenta a produção, mas deixando a
qualidade cair, entenda o leitor que não me refiro aqui a uso e costumes que
são variáveis de lugar para lugar e de pouca referencia bíblica, mas me refiro
á hombridade, valores reais e perceptíveis ao meio em que vivemos, elementos que
venham realmente nos fazer diferentes no meio de uma geração corrupta e
perversa, demonstrações de justiça superior aos demais.(Mt.5: 20)
Gosto
das palavras dita por Tiago que vem alertar “sua fé pode te salvar?” (Tg 2:14)
por trazer á consciência a necessidade de obras dignas de quem se diz salvo, é
um séqüito inseparável sem o qual o primeiro seria desmentido, obra não produz
fé, mas fé com certeza produz obras.
É
ponto passivo que evangelho é transformação, onde esta essa transformação? O nosso “evangelho” tem gerado vaidade
pessoal, sentimento de grandeza, tem gerado prepotência, religiosidade, autojustificação
entre outros males, é comum ver pastores e pseudopastores clamar contra a roupa
que se veste ou a maquiagem que se usa, mas coisa rara é os ver clamar contra a
mentira, a falta de sinceridade, a inveja, o descaso em relação ao menos
favorecido, o desamor, a desonra de contratos, o julgamento temerário, a
acepção de pessoas, é grande a lista de valores plenamente bíblicos que são
ignorados em troca de valores veniais.
Vivendo
num sistema capitalista onde a corrida pelo bem terreal é alucinante, o crente
tem que refletir e considerar os seus caminhos segundo a palavra de Deus, Jesus
considerou a riqueza como sendo um “senhor” (Mt 6:24) o seu senhorio é notória
em toda a terra, a necessidade nos aperta de todos os lados que chega a obscurecer
os nossos olhos não nos deixando ver com clareza quais são os verdadeiros
valores, como se o fim justificasse os meios, onde para não padecer
necessidade, não perder dinheiro, ou perder lucro, tudo é válido. Todos foram
entorpecidos pela vida secular, todos se curvaram diante de mamon, não há um
que faça o bem, não há um que esteja pronto a sofrer dano pela vitória de seu
semelhante, tirar se si mesmo para favorecer outrem, ninguém quer se envolver
com dificuldades alheias, não tem tempo pra isto, não quer perder nada com
isto, todos mantém uma distancia segura dos amigos e até dos parentes para não
aumentar seus compromissos, todos se distanciaram do maior de todos os
mandamentos, amar o próximo como a ti mesmo, todos buscam somente o que é seu,
se dar bem é mais importante, fazem negócios truculentos, enganam e não se
sentem mal, só cumprem o que dizem se não os atrapalhar em nada, exigem todos os seus direitos e ignoram os
direitos dos outros.
Fazer
negócio com as pessôas hoje se tornou uma “caixinha de surpresa”, não se sabe
se vão tentar nos tapear ou não, se cumprirão o que prometeram ou não, o fato
de ser crente não é mais preponderante, ao contrario, é motivo de desconfiança,
pois são indivíduos que afirmam o que se deveria ser, mas não o que se é, há
uma falsidade ideológica patente.
Agrava-se
neste caso, pois quem sabe o certo e faz o errado sua culpa é maior, os
conhecimentos se multiplicam, pregações novas são geradas em caudal, mentes
imaginosas e férteis unidas á boa oratória resultam em fenomenais preleções que
nos levam até o céu, arrancam ovações, aquece nossos cultos, mas quando voltam
para a vida cotidiana, tudo ficou na esfera espiritual como se existisse um
universo paralelo onde um comportamento é adequado á vida “real” e outro á vida
“religiosa”, há quem não mistura religião com trabalho, religião com negócio,
religião com vida privada, ou seja, nestes momentos se desviam. A constancia com que fazemos isto nos torna cada vez
mais insensível ao Espírito Santo nos cauterizando, de tanto ouvir já não se leva
á serio, de tanto falar já não nos importamos tanto, se tornou comum, ao ouvir
uma mensagem ficam imaginando onde poderia ser melhorada, onde o pregador
errou, ou apenas se mantém no âmbito da mera admiração. Nos acariciam frases como:
“-é assim mesmo, ninguém é perfeito”, “não sejas demasiadamente justo, porque
destruiria a ti mesmo?” (Ecl 7:16), e assim prossegue a caminhar não sei pra
onde, o que apresentaremos ao Senhor, na sua vinda? Temo que o inimigo de nossas
almas tenha nos cegados a visão e o entendimento a ponto de já não conseguirmos
identificar para onde estamos indo, a desconsideração ao modelo bíblico se
tornou tão comum que nem percebemos que faz mal, é como se a bíblia fosse
apenas para se ser admirada, estudada para fazer exposição de conhecimento e
fazer demonstração de nossa “espiritualidade”.
Pessôas
que experimentaram mudanças no começo da sua fé (como nós mesmos), aos poucos,
vendo o desleixo de seus irmãos vão se deixando levar ampliando a margem de
tolerância, perdem o primeiro amor, com isto não só são desclassificados como
fazem tropeçar aos que estão em redor, são nuvens sem água, apascentam a si
mesmo sem temor, são arvores duas vezes mortas.(Jd 12), mas tem jeito ainda
pela palavra que diz “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e
Cristo te iluminará”.(Ef 5:14)
Tenho
certeza que Deus tem os seus separados deste mundo desregrado, que ainda
conserva-se como luz nas trevas, como quem passa pela lama sem se sujar, vive
no mundo sem o mundo viver neles, que ainda acreditam que Deus é poderoso e
fiel para justificar os homens de boas obras e implacável contra os maus e
hipócritas, Oxalá seja eu contado com estes. Para muitos o dia da vinda de
Jesus não será dia de festa, mas dia de angustia, de densas trevas que jamais
os esconderão, dia de tardio arrependimento.
Nisto são manifestos os filhos de Deus,
e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não
ama a seu irmão. I Jô. 3.10
Se no dia chamado hoje ouvires a voz do Espírito
Santo, não endureça seu coração.(Hb.3:15)