É maravilhoso como a verdade pode libertar alguém de seus medos, fobias, traumas, etc

A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA

Uma verdade inconveniente

                                                                                                Osni de Figueiredo

Fator a ser considerado é que o estudo teológico é marginalizado porque ele incomoda, é inconveniente. É como se fosse uma pedra no sapato dos manipuladores da Bíblia. Quanto menos conhecimento as pessoas possuírem, mais facilmente serão controladas. É um comportamento assumido pelas seitas, nas quais o líder se encarrega de pensar pelos adeptos e implanta um método sutil de controle total.

Enquanto a teologia se opor aos modismos e ventos de doutrinas que não coadunam com a Palavras de Deus e que levam muitos crentes à fantasias místicas e subjetivas que beiram à heresias, ela continuará sendo menosprezada.

A letra mata?

A letra a que Paulo se referiu não pode ser identificada como sendo o estudo (conhecimento) teológico. Até porque o apóstolo era um dos doutores da igreja (At 13.1) e jamais poderia pensar assim. Acerca de Coríntios 2.6, Paulo estava falando sobre a superioridade da nova aliança sobre a antiga. A morte causada pela letra realmente é espiritual, porém, é bom salientar que se trata de uma alusão ao código escrito da lei mosaica. A lei mata porque demanda obediência irrestrita, mas não proporciona poder para isso. É representada pelas tábuas de pedra (3.3). Por outro lado, o espírito vivifica porque escreve a lei de Deus em nossos corações, trazendo-nos a vida em medida muito maior do que realizava sob a antiga aliança. É representado pelas tábuas da carne (3.3). Portanto, como podemos ver, o texto comentado não fundamenta, em qualquer instância, a rejeição aos estudos teológicos. (Portal EscolaDominical: Elvis Brassaroto Aleixo Bacharel em Teologia pelo ICP - Instituto Cristão de Pesquisas, onde, atualmente, desenvolve ministério como diretor-teológico e redator-chefe da revista Defesa da Fé.)

É maravilhoso como a verdade pode libertar alguém de seus medos, fobias, traumas, etc. a verdade tem uma grande capacidade libertadora e regeneradora, pois  Cristo é a verdade (Jo14.6). É imprescindível que aquele que se aproxima de Deus o conheça ou ao menos se esforce para conhecer o Deus da Bíblia Sagrada, digo o Deus da Bíblia Sagrada porque muitos por negligência conhecem apenas o deus apresentado pelos estudiosos da Bíblia tendo apenas uma idéia parcial acerca de Deus, uma idéia deformada acerca de Deus, são pessoas que se contentam apenas em “ouvir falar” de Deus e correm o risco de se apegar a uma idéia distorcida daquilo que Deus realmente é se tornando presa de interesses vários que existe neste rentável “negócio” chamado “meio evangélico” do quais não poucos tem cuidado ser (o evangelho) fonte de ganhos financeiros, na verdade existe ganho, porém em contentamento (Ef 6. 5-6).

Tanto na vida secular quanto na vida evangélica a ignorância é interessante para os mal intencionados, pois a ignorância cria dependência enquanto o conhecimento da verdade liberta esclarecendo todas as coisas, a ignorância é escuridão para os olhos sendo necessário condutores, enquanto o conhecimento da verdade é luz e esclarecimento, diz um provérbio que os justos são libertados pelo conhecimento (Pv 11.9).

O povo é constituído na sua maioria de pessoas simples, sem muitas letras, sem recursos, o que tem chamado a atenção de oportunistas para compor os seus  ensinos segundo as conveniências de seus corações gananciosos, presunçosos (II Tm 3.1 á seguir).

As seitas exigem “obediência cega”, se alimentam da ignorância, é assustador como tem crescido o número de seitas no mundo inteiro, levando cativos milhares de milhares de almas incautas após si, são ovelhas sem pastor, rebanhos inteiros sendo conduzidos ao sabor de pessoas gananciosas trazendo escândalo ao evangelho de Cristo, haja vista as ultimas notícias que circula na mídia de um pastor evangélico e sua esposa que estão presos nos Estados Unidos acusados de crimes financeiros não só lá como também aqui no Brasil confirmando a palavra que diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm 6.10).

 

O LIVRO DE MALAQUIAS É DIRIGIDO Á QUEM?

 

Para mostrar um exemplo clássico de engano divulgado em nosso meio (vê que não é só as seitas que tem engano) e que tem achado guarida no seio de nosso povo como sendo a própria “vontade de Deus” examinemos o famoso e “magico” verso citados pelos arrecadadores de dízimo que se encontra em Malaquias 3.10 “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.” Façamos uma pequena exegese do texto em apreço.

 É de conhecimento geral que não se pode ter uma compreensão clara do texto sem consultar o seu contexto (os versos anteriores e posteriores ao texto e outros assuntos relacionados ao texto), neste caso aconselho a ler o livro inteiro (afinal, é pequeno, 4 capítulos apenas). Ao fazer-mos isto, veremos que se trata de uma profecia de Deus através do profeta Malaquias onde o Senhor pessoalmente fala com os sacerdotes da época (sacerdotes estes da antiga aliança, da geração de Leví, um dos filhos de Jacó, tribo escolhida para o sacerdócio no antigo testamento, da mesma espécie que pediu a crucificação de Jesus) que, alias, tendo a incumbência de proteger o conhecimento de Deus, desviaram o caminho do Senhor, por isto Deus os fez desprezíveis diante do povo (Ml 2.8e9).

 No capítulo 2.1, o Senhor diz para quem era a mensagem que se desenrolaria “Agora, ó sacerdotes, este mandamento e para vós”, mas dizem os nossos instrutores atuais que é para o povo que Deus esta falando, e que  é o povo que esta  roubando á Deus, os lábio dos sacerdotes deveria dizer o verdadeiro conhecimento para que o povo tivesse confiança em procurar a instrução, porem eles se desviaram do caminho e fizeram muitos tropeçarem (Ml 2.7-8) é interessante que nos seus cultos, havia algo parecido com “quebrantamento”, quem olhava para suas orações ficavam impressionados com as lágrimas que se derramavam de seus rostos diante do Senhor, porem não queriam conserto, não queriam deixar seus ganhos altos, o divórcio entre outras conveniências e por isto suas adorações podia impressionar a congregação, mas não era aceita diante de Deus (Ml 2.13).

 

Diante de tal quadro, no capítulo 3 o Senhor anuncia a vinda do Messias pela insatisfação do atual sistema sacerdotal, mas avisa que este novo pacto trazido pelo próprio Senhor seria como o sabão do lavandeiro, limparia esta sujeira toda, Ele seria uma testemunha veloz contra aquele que defrauda o trabalhador, pessoas que não querem trabalhar, mas viver de ganhos alheios esfolando os necessitados (Ml 3.1 ao 5), coisas que estavam ocorrendo largamente naqueles dias e que tornava aquela geração digna de ser destruída, porem o Senhor não o faria, pois Deus tinha feito uma promessa  para seu servo Abraão e não mudaria (Gn17.7 Dt 4.31) o chamado de Deus era para que os sacerdotes se voltassem para Deus, pois há muito tempo eles tinham deixado de cumprir a lei adotando um modo “alternativo”  de adorar que o Senhor não aceitava, a palavra “tornar” traz a idéia de que ouve uma subtração de algo, um roubo na verdade, mas pode o homem roubar a Deus? “mas vós me roubais” disse o Senhor, os sacerdotes estavam roubando, desviando os recursos que eram para haver mantimento na casa do Senhor e consumindo com seus próprios deleites, e o povo igualmente, vendo estes desvios deixaram de crer e trazer os dízimos que era exigido na Lei, quando o povo via os sacerdotes nos seus devido lugares, dizimavam, (No mesmo dia foram nomeados homens sobre as câmaras do tesouro para as ofertas alçadas, as primícias e os dízimos, para nelas recolherem, dos campos, das cidades, os quinhões designados pela lei para os sacerdotes e para os levitas; pois Judá se alegrava por estarem os sacerdotes e os levitas no seu posto. Nee 12.44), mas agora eles se ausentaram de seus compromissos, por causa disto, segundo a Lei, eram amaldiçoados os sacerdotes e toda a nação (Ml 3.5ao9). Diante deste quadro o Senhor faz um desafio, uma prova que o Todo Poderoso permitiu que fosse feito entre o homem e Deus para restaurar a credibilidade que havia se perdido pelo desmando  dos sacerdotes, “voltem a trazer os dízimos e as ofertas para novamente Ter mantimento na minha casa e eu  tirarei a maldição e ainda abençoarei as plantações de toda a nação”(Ml 3.10). (paráfrase)

Os sacerdotes passavam a idéia da impunidade, quem fazia corrupção prosperava, quem era mais esperto prevalecia, este negócio de arrependimento, tristeza pelos pecados era tolice, pois  os soberbos se davam bem, os enganadores prosperavam nas custas dos outros, e que Deus não mais se importava com o comportamento dos homens, mas o Senhor tem um livro de registro diante de si e aguarda com paciência o dia do julgamento (Ml 3.10 ao 17).

 

DÍZIMO É DA GRAÇA OU DA LEI?

 

Denuncio o engodo que hoje se faz o gritante engodo de querer trazer este mandamento da Lei “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas” (Mt 23.23). (Neem12.44, Hb 7.5).Ora! a Lei já foi cumprida por nosso Senhor Jesus Cristo, não devemos trocar o sacrifício de Jesus pela antiga aliança “Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.(Gl 3.10) E  “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.”(Gl 5.18) Lei esta que foi trocada pela graça como anunciou Deus pelo próprio Malaquias (3.1).

Por causa da incapacidade dos homens em seguir uma lei extremamente perfeita para ser seguida por seres imperfeitos, Deus enviou um novo pacto ou novo acordo, contrato, conserto como plano de salvação onde não impera o fazer humano mas a justificação de Deus pela fé  “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que se cale toda boca e todo o mundo fique sujeito ao juízo de Deus;  porquanto pelas obras da lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado.  Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas;  isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção.

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.”(Rm 3. 19 á 24). Seria loucura voltar a velhice e maldição da lei,” agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?”(Gl 4.9).

 Além de querer trazer algo da antiga aliança, querem ainda fazer uma interpretação faccionada, fragmentada, rasgada ao meio dizendo que não se pode exigir de Deus coisa alguma em troca dos dízimos dados e que devemos dar sem pleitear nada em troca, devemos dar o exigido sem não reivindicar o prometido, devemos dar apenas por amor á obra de Deus, e ele cumprirá a sua parte do combinado no versículo se ele bem quiser, ora, mas é o próprio Deus no texto que diz para fazer prova dele, é Ele que garante em troca tirar a maldição (que, aliás, hoje não existe mais na vida de nenhum crente sincero, independente do dízimo conf.Gl3.13) e abrir as janelas do céu e mandar chuva para irrigar suas plantações abastecendo seus celeiros,como não poderiam os que se submetessem a esta prova reivindicar algo nela contido e garantido por aquele que não mente nem engana e não muda suas promessas? (Ml 3.6)

Só me ocorre uma explicação para tão desastroso ensino, como este rudimento da Lei já não esta mais em vigor na atual dispensação da graça e era um tratado de Deus para com Israel, não se confirmará hoje, como bem temos observado, nem sempre os dizimistas da graça são contemplados com as “janelas do céu aberta e benção tão grande que advenha extraordinário suprimento de bens materiais” como o prometido em Ml 3.10, então a solução para não verem esta fonte de renda ficando na Antigüidade da lei como deveria estar, ensinam a suprimir esta parte da promessa de Deus, assim o povo não decepciona em dar o dízimo, como a maioria não examina o texto para não discordar do seu pastor, continuam a carregar um fardo do antigo pacto e são mantidos calados com medo de entrarem em infidelidade e desobediência, porem não desobediência á Deus, pois não estamos mais debaixo da lei e sim da graça. Os Crentes bereanos, que foram tão elogiados por Paulo, seriam problemáticos para estes (Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim. At 17.11)

 

O HUMANISMO CRISTÃO

 

Em nome de uma falácia, adotam inflamados discursos dizendo que não damos nem pagamos os dízimos, e sim devolvemos, pois tudo é de Deus e ele nos exige que devolvamos a décima parte disto para ele, como se a bíblia pudesse ser alterada ao bel prazer de interesses particulares, acompanhem estes textos: Gn 14.20 diz dar – Gn 28.22 diz dar – Nm 18.21 diz dar – Nm 18.24 diz oferecer – Dt.12.11 diz oferecer – Dt 14.22 diz dar – Mt 23.23 diz dar – Lc 11.42 diz dar – Lc 18.12 diz dar – Hb 7.4 diz dar – Hb 7.9 diz pagar, fiz uma pesquisa minuciosa e não consegui encontrar nenhuma menção “devolver”, chegando a conclusão que é uma alteração humana na tentativa de convencer o povo a dizimar mais, ignorando a advertência de Ap 22. 18 e 19 – Pv 30.5e6. E quantos são os que se gabam por ter seus nomes escritos em listas de dizimistas no murai da porta da congregação, nunca leram que por esta mesma causa o profeta Amos profetizou contra o povo de Deus, trazendo punições terríveis? Vinde a Betel, e transgredi; a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e cada manhã trazei os vossos sacrifícios, e de três em três dias os vossos dízimos. E oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai ofertas voluntárias, publicai-as; pois disso gostais, ó filhos de Israel, diz o Senhor Deus. Por isso também vos dei limpeza de dentes em todas as vossas cidades, e falta de pão em todos os vossos lugares; contudo não vos convertestes a mim, diz o Senhor. (Amos 4:4á6)

 

PARA QUE ERA O DÍZIMO?

 

Por falar em acrescentar, vejam isto; o versículo de Ml 3.10 diz qual a aplicação dos dízimos “para que haja mantimento em minha casa” este mantimento visava atender as necessidades pessoais dos sacerdotes porque a eles não era permitido ter propriedade, terras, eram então sustentados pelos dízimos pois naquele tempo sem terras para criação e plantação não havia modo de sustento (Nm 18.24), quando diz “abrir as janelas do céu esta falando em mandar chuva para o crescimento da lavoura, ao ser derramada esta benção, “dela” adviria a maior abastança, e o devorador que dizem ser “demônios”, na verdade era pragas que atacavam as lavouras de acordo com o Ml 3.11. Compare Ml 3.10 com Dt 28.12 (depois surgiram muitas meios de sustento, Paulo fazia tendas, Pedro era pescador, Jesus era carpinteiro), e era também para os órfãos, os estrangeiros, as viúvas, os necessitados que vinham buscar ajuda na casa do Senhor, mas trocaram a palavra escrita na bíblia sagrada mantimento, por manutenção, se tornou  comum e o povo já se acostumou a ouvir sem protestar dizerem “vamos recolher os dízimos e ofertas para a manutenção da obra do senhor”, mas é isto o que diz as escrituras? Mantimento, (embora em uma de suas acepções seja manutenção), traz a idéia de alimento, víveres, gêneros alimentícios enquanto manutenção tem como entendimento gastos com a conservação de algo, entendo ter sido trocada a palavra mantimento por manutenção para fugir da responsabilidade de atender com os dízimos, aos necessitados, os pobres que nos procurarem, canalizando esta arrecadação para outros propósitos, (não desmerecendo o propósito em si, mas questiono o desvio da aplicação de verba de uma finalidade prevista na bíblia para aplicar em outro lugar) como construção de mais igrejas (físicas e não humana, templo é dinheiro) e salários exorbitante dos pastores que no geral é bem acima da média do povo contribuinte, deixando o atendimento aos pobres que deveria ser pela lei (“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita do terceiro ano, que é o ano dos dízimos, dá-los-ás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem.”Dt 26.12) o real objetivo deste tributo, as custas de mais uma arrecadação chamada “campanha do quilo” ou “assistência social” ou outro nome qualquer que se de a esta nova coleta que não consegue atender quase ninguém, (eu mesmo trabalhei na distribuição destes escassos alimentos), todas as demais necessidades são atendidas através de uma nova arrecadação, pois neste idolatrado dízimo não se mexe, os missionários, os enfermos, aqueles que sofreram uma tragédia inesperada, os desempregados, não há exceção, é avisado á todos os dirigentes de congregação que do dízimo não se tira para nada, falo com conhecimento, pois já dirigi congregação, e o povo geme, só Jesus para os atender.

Dizem ainda os mais ousados que quem não se submete a este ensino estranho à graça, são ladrões, ameaçam com maldições previstas na lei, expõem á vergonha e á discriminação fazendo uma lista onde só é mencionado os que se submeteram, impedindo que atuem nas igrejas qualquer um que não se submeter como se a chamada de Deus não importasse, e sim o dinheiro do crente, como se a lei ou parte dela fosse apta para salvar alguém, tamanha é a confusão deste engano que seus ensinadores que acusam de ladrões os que estão na graça, nem eles admitem que o não-dizimista esteja condenado, porem tem a falta de temor em chamá-los de ladrão, ora sabemos que ladrão não é salvo conforme I Cor 6.10 e Dt 24.7 mas os próprios coletores de dízimos reconhecem que o dízimo não é um pré-requisito indispensável para a salvação pois não podem contrariar o texto que diz que a salvação é pela graça através da fé, não vem das obras (Ef.2.8). Assim, a teologia destes está edificada sobre o intento de síntese entre os pensamentos humanista e bíblico.

 

NÃO USEMOS DISTO PARA NÃO CONTRIBUIR

 

Amados, não devemos usar de tal liberdade para transformar a ganância destes em avareza da nossa parte, pois onde estaria a gratidão e o amor á obra de Deus? A avareza é idolatria, é isto que o mestre ensinou quando disse que não podemos servir á dois senhores em Mt 6.24, sem dinheiro não se constroem igrejas, não se paga contas, não se compra terrenos nem se assalaria os dignos obreiros (I tm 5.18), contribua com abundância para obra do Senhor conforme um coração tocado por Deus faz, (“Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e aquele que semeia em abundância, em abundância também ceifará,”ICor.9.6), não precisamos mais da força legalista de valor estipulado, temos a liberdade de contribuir com alegria e não por necessidade, mas pela bondade, gratidão, amor, com espontaneidade. (Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra; IICor 9.7e8) sem vigilância ou prestar contas á homens (Mt 6.3), pois é esta a nova forma financeira de sustento da obra do Senhor, que, á exemplo da antiga, também é respaldada de infalível promessa.

Claro que  a obra de Deus precisa de dinheiro para se manter, porem entende o autor destas linhas que Deus não precisa e nunca lançará mão de engano, mal interpretação de textos, alteração de texto ou um acréscimo da lei ao sacrifício inaudito de Jesus para que sua obra sobreviva nesta terra, a Congregação Cristã do Brasil não aderiu a este engodo e tem sobrevivido muito bem, seus templos são próprios e padronizados, seus  adeptos andam bem vestidos e a maioria tem bons carros e são abençoados.

É o desejo de qualquer grupo religioso Ter um povo que não questiona, não pensem por si mesmo, mas que tenha como sagrado tudo o que os seus líderes decidirem que falem a suas línguas sem questionamento, submissão absoluta á seus autoritarismo, aceitem e serão aceitos rejeitem e serão rejeitados, quem assim proceder tem realmente “chamada de Deus”, enquanto agir assim será utilizado e aceito, porem se começarem a pensar, questionar, perguntar, não mais servirão para eles, com certeza Martinho Lutero não serviria para eles, nem Zwínglio (ver apêndice), nem Calvino nem os demais reformadores, com suas idéias diferenciadas da doutrinas vigentes no clero.

 

A conclusão é; dar o dízimo ou não dar não altera a benção de Deus sobre a vida do crente, muito menos trará maldição, é importante contribuir com a obra de Deus com espontaneidade e liberalidade, porem, quem usa de engano Deus o julgará.

 

Osni de Figueiredo é Cooperador na Ass. de Deus setor sede j. Ângela

Certificado em teologia pelo ICP Instituto Cristão de Pesquisa e em liderança bíblica.

[email protected]om.br  -  http://osni.blog.terra.com.br

(se não concordou, não me deteste, conteste-me com argumentos bíblicos, terei prazer em te ouvir).

 

                A Reforma de Zwínglio nos Cantões Alemães do Norte da Suíça

 

       Huldreich Zwínglio (1484-1531) pertence também à primeira geração de reformadores. Com ele, as forças descontentes com Roma se uniram para uma reforma da igreja. Seu pai era fazendeiro e juiz de Wildhaus. Tinha, pois, sua família uma renda que lhe permitia receber uma boa educação para o sacerdócio. Depois de freqüentar a Universidade de Viena, foi em 1502 para a Universidade de Basiléia, onde se formou em Bacharel em Artes, em 1504, vindo a receber o grau de mestre dois anos depois. O humanismo dos professores interessara-lhe. Erasmo era o seu ídolo; as ciências humanas, o seu maior interesse. Pouco lhe interessava a teologia.

Entre 1506 e 1518, serviu como pastor em Einsieden, um centro de peregrinos. Aí começou a se opor a alguns abusos como o sistema romano das indulgências e a imagem negra da Virgem Maria, ridicularizando-os à moda de Erasmo. Quando o Novo Testamento grego de Erasmo veio à luz, em 1516, Zwínglio copiou as cartas de Paulo de um exemplar emprestado até ter o seu. Ao deixar Einsieden, ele era um humanista bíblico. Chamado para pastorear em Zurich, começou seu trabalho no começo de 1519. Nessa época, definiu sua posição contra o engajamento de mercenários suíços no serviço estrangeiro, em razão das influências corruptoras que via exercidas sobre os homens alistados neste serviço; Zurich proibiu a prática em 1521.

Uma epidemia de peste bubônica em 1519 e o contato com as idéias luteranas levaram-no a uma experiência de conversão. Zwinglio levantou a primeira bandeira da Reforma quando declarou que os dízimos pagos pelos fiéis não eram exigência divina, sendo, pois, o seu pagamento uma questão de voluntariedade. Isto abalou as bases financeiras do sistema romano. Por essa época, estranhamente, o reformador se casou às escondidas com uma viúva, Anna Reinhard, em 1522. Só em 1524, legitimou ele publicamente esta união ao se casar publicamente.

Quando os cidadãos invalidaram a prática do jejum quaresmal, sua argumentação foi o ensino de Zwinglio sobre a autoridade exclusiva da Bíblia. Como a liturgia romana começava a se alterar com as modificações introduzidas, as autoridades católicas resolveram promoveria um debate público em que Zwinglio sozinho enfrentaria a todos. Depois disso, então, os líderes civis eleitos pelo povo escolheriam a fé que a cidade e o cantão adotariam. Foi por isso que a Reforma nos cantões do norte da Suíça começou por uma iniciativa oficial.  Para o debate, Zwinglio preparou 67 Artigos, onde insistia na salvação pela fé, na autoridade da Bíblia, na supremacia de Cristo na Igreja e no direito dos sacerdotes ao casamento. Condenavam-se, também, as práticas romanas não aprovadas pela Bíblia. O conselho da cidade decidiu-se pela vitória de Zwinglio e suas idéias ganharam logo condição de legalidade. As taxas de batismo e sepultamento foram abolidas; monges e freiras receberam permissão para se casarem; o uso de imagens e relíquias foi proibido. Em 1525 a Reforma se completou em Zurich com a supressão da missa. O ensino de Zwinglio de que a última palavra pertence à comunidade cristã, que exerceria sua ação com base na autoridade da Bíblia frutificou na reforma suíça: nela, igreja e Estado estavam unidos teocraticamente, sustentou a autoridade absoluta da Bíblia, nada permitindo em religião o que não fosse autorizado pela Bíblia. A insistência de Zwínglio na Bíblia como fundamento da ação dos pregadores encorajou a formação de conceitos baseados na Bíblia.

 

       Fonte: O Cristianismo Através dos Séculos – Uma História da Igreja Cristã, Editora Vida Nova, Capítulo 28.

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