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Dissertação


 Dissertação é um estudo teórico de natureza reflexiva, que consiste na ordenação de idéias sobre um determinado tema. A característica básica da dissertação é o cunho reflexivo-teórico. Dissertar é debater, discutir, questionar, expressar ponto de vista, qualquer que seja. É desenvolver um raciocínio, desenvolver argumentos que fundamentem posições. É polemizar, inclusive, com opiniões e com argumentos contrários aos nossos. É estabelecer relações de causa e conseqüência, é dar exemplos, é tirar conclusões, é apresentar um texto com organização lógica das idéias.

 A dissertação, geralmente, é feita em final de curso de pós-graduação, stricto sensu em nível de mestrado, com a finalidade de treinar os estudantes no domínio do assunto abordado e como forma de iniciação à pesquisa mais ampla.

 Na monografia (dissertação) para a obtenção do grau de mestre, além da revisão da literatura, é preciso dominar o conhecimento do método de pesquisa e informar a metodologia utilizada na pesquisa.

 Dissertação científica, ou simplesmente exercitação, é o trabalho feito nos moldes da tese, com a peculiaridade de ser ainda uma tese inicial ou em miniatura.

 A dissertação tem ainda finalidade didática, uma vez que constitui o grande treinamento para a tese propriamente dita.

  Chama-se memória a dissertação sobre assunto científico, literário ou artístico, destinada a ser apresentada ao governo, a uma corporação ou academia.

- Tipos de dissertação

 A dissertação consiste na explanação ou discussão de conceitos ou idéias. Ela pode ser expositiva ou argumentativa.

 Na dissertação expositiva, o autor apresenta uma idéia, uma doutrina e expõe o que ele ou outros pensam sobre o tema ou assunto. Geralmente faz a amplificação da idéia central, demonstrando sua natureza, antecedentes, causas próximas ou remotas, conseqüências ou exemplos.

 Na dissertação argumentativa, o autor quer provar a veracidade ou falsidade de idéias; pretende convencer o leitor ou ouvinte, dirige-se à sua inteligência através de argumentos, de provas evidentes, de testemunhas.

Se a dissertação é objetiva, o tratamento dado ao texto é impessoal, com argumentação lógica partindo de elementos gerais e indo para os particulares. Na dissertação subjetiva, o autor dirige-se não só à inteligência, mas também, de modo pessoal, aos sentimentos de quem ele pretende convencer. Além da emoção, às vezes há ironia, sarcasmo, ridículo.

São partes importantes da dissertação a introdução, o desenvolvimento e a conclusão

- Exemplos de dissertação

 Através de dois textos distintos, a dissertação pode ser exemplificada:

"A fim de aprender a finalidade e o sentido da vida, é preciso amar a vida por ela mesma, inteiramente; mergulhar, por assim dizer, no redemoinho da vida, somente então apreender-se-á o sentido da vida, compreender-se-á para que se vive. A vida é algo que, ao contrário de tudo criado pelo homem, não necessita de teoria, quem apreende a prática da vida também assimila sua teoria".

Wilhelm Reich. A Revolução Sexual. Rio de Janeiro, Zahar, 1974.

 O texto expõe um ponto-de-vista (finalidade da vida é viver) sobre um assunto-tema (no caso, o sentido e a finalidade da vida). Além de apresentar um ponto-de-vista do autor, o texto faz também a defesa desse ponto-de-vista: onde ele defende os motivos que fundamentam a opinião de que a prática intensa de viver é que revela o sentido da vida.


 "Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. (...) Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. Não estou me referindo a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase possível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada... Lembrando-me agora com saudade da dor de escrever livros."

 Clarice Lispector. A Descoberta do Mundo.

- Criando uma dissertação

 Partes que compõem a dissertação:

* Introdução - deve ser breve e anuncia ao leitor o que será desenvolvido no texto.
* Desenvolvimento - representa o corpo do texto; aqui serão desenvolvidas as idéias propostas na introdução; é o momento em que se defende o ponto-de-vista acerca do tema proposto.
* Conclusão - serve para finalizar o que foi exposto; deve ser breve e não pode conter nenhuma idéia nova e nenhum exemplo; trata-se de um resumo da dissertação como um todo.


- Dicas para escrever uma boa dissertação

1. Só abordar na introdução e na conclusão o que realmente estiver no desenvolvimento.
2. Evitar períodos muitos longos ou seqüências de frases muito curtas.
3. Evitar, nas dissertações tradicionais, dirigir-se ao leitor.
4. Evitar as repetições exageradas e umas próximas das outras, tanto de palavras, quanto de informações.
5. Manter-se rigorosamente dentro do tema.
6. Evitar expressões desgastadas, "batidas".
7. Utilizar exemplos e citações relevantes.
8. Não usar a própria religião como argumento.
9. Fugir das palavras muito "fortes".
10. Evitar gírias e termos coloquiais.
11. Evitar linguagem rebuscada.
12. Evitar a argumentação generalizadora e baseada no senso comum.
13. Não ser radical.
14. Ter cuidado com palavras duvidosas como coisa e algo, por terem sentido vago; prefirir elemento, fator, tópico, índice, item etc.
15. Após o titulo de uma redação não colocar ponto.
16. Não usar chavões, provérbios, ditos populares ou frases feitas.
17. Não usar questionamentos no texto, sobretudo na conclusão.
18. Jamais usar a primeira pessoa do singular, a menos que haja uma solicitação do tema.
19. Repetir muitas vezes as mesmas palavras empobrece o texto; lançar mão de sinônimos e expressões que representem a idéia em questão.
20. Só citar exemplos de domínio público, sem narrar seu desenrolar, fazendo somente uma breve menção.

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