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Aprofundamento à vírgula e ponto-e-vírgula Muitos homens, preferem o caminho do dinheiro
Diante disso você pergunta: "Mas tenho que saber toda aquela análise sintática que vi na escola?" Seria bastante oportuno, mas não é necessária a análise sintática completa. Somente alguns conceitos são fundamentais, os quais você conhecerá nas linhas que se seguem. O principal conceito sintático que você deve conhecer é o sujeito: é o ser sobre o qual dizemos algo. Para achá-lo, basta perguntar "Quem?" a qualquer verbo. Quase todos os verbos têm um sujeito. Quando vamos corrigir um texto, temos que nos acostumar a perguntar "Quem?" a todos os verbos que escrevemos, a fim de identificar imediatamente cada sujeito. Peguemos a frase título: "Muitos homens, preferem o caminho do dinheiro". Perguntemos ao verbo: quem prefere? Sujeito: muitos homens. Está vendo? Agora você pode conhecer a primeira regra da vírgula: não separe o sujeito de seu verbo por vírgula! Logo, a forma correta seria Muitos homens preferem o caminho do dinheiro (sem a horrenda vírgula divorciando o sujeito do verbo). Outros exemplos: O homem que estuda vive mais (quem vive mais? O homem que estuda é o sujeito; sem vírgula, portanto); As mulheres choraram; os homens dançaram (quem chorou? As mulheres é o sujeito; sem vírgula, portanto; quem dançou? Os homens é o sujeito; sem vírgula, é claro); etc.
Quando o sujeito for muito extenso, também é lícita (permitida) a vírgula. Exemplo: Aqueles três homens de ternos laranja que se encontram de fronte ao mercado da esquina, parecem suspeitos. Qual é o sujeito do verbo parecer? Quem parece? Aqueles três homens de terno laranja que se encontram de fronte ao mercado da esquina... veja o tamanho da sucuri! Pode usar a vírgula, quando o sujeito for extenso! - Que preciso saber para virgular bem?
Para começar, é interessante notar que a ordem natural das frases é a seguinte: A) sujeito; B) verbo; C) complementos; e D) circunstâncias. O sujeito e o verbo você já conhece. Para encontrar o sujeito, pergunte Quem? a todos os verbos que vir pelo texto (aliás, para acertar a vírgula, acostume-se a detectar todos os sujeitos de seu texto; se usou um verbo, já lhe pergunte Quem?, a fim de saber quem é o seu sujeito). E os complementos? Como o próprio nome diz, são os termos que completam os verbos e nomes. Por exemplo, o verbo amar, na maioria das vezes, não tem sentido sem um complemento. Imagine alguém lhe dizendo: "Eu amei..." Não faltou algo? Afinal, quem ama ama alguma coisa. Esse alguma coisa é o complemento do verbo. Exemplos de complementos verbais (em negrito): Todos precisam de carinho; Ao shopping-center fui com minha irmã; Os alunos, bastante quietos, assistiam ao filme emudecidos...; etc. Os complementos, além de verbais, podem ser nominais, quando completam o sentido de um nome: necessidade de carinho; O amor à pátria era fantástico; Não há necessidade de chorar; etc. As circunstâncias (expressas pelo que a Gramática chama de advérbio e palavra denotativa) são as condições em que a frase (ou o que nela está expresso) se estabelece. As circunstâncias mais comuns são as de tempo, lugar, modo, intensidade, afirmação, negação, dúvida, etc. Exemplos ( as circunstâncias vêm em letra escura): Os ministros não se encontraram ontem, na festa do Presidente da república (tempo e lugar, respectivamente); Os dois se abraçaram agressivamente (modo); Talvez nos tenha sido melhor essa situação (dúvida); etc. Ficando claras essas quatro definições, já podemos começar a entender melhor a vírgula. Primeira regra: A vírgula deve ser usada para separar sujeitos, verbos, complementos ou circunstâncias que não estejam ligados pela conjunção e. Exemplos: Homens, mulheres, animais e crianças se desesperaram (usou-se a vírgula para separar os sujeitos homens, mulheres, animais; crianças não foi precedido por vírgula porque está acompanhado do e); Eles choraram, gritaram, beberam e morreram (usou-se a vírgula para separar os verbos choraram, gritaram, beberam; morreram não foi precedido por vírgula porque está acompanhado do e); Todos amam a TV, o rádio, as fofocas e a família (usou-se a vírgula para separar os complementos a TV, o rádio, as fofocas; a família não foi precedido por vírgula porque está acompanhado do e); O evento acontecerá no sábado, às 15h, no Hotel Fênix [usou-se a vírgula para separar as circunstâncias no Sábado (tempo), às 15h (tempo), no Hotel Fênix (lugar)]. Segunda regra: A vírgula marca o deslocamento da ordem natural das frases. Como já vimos, a normal é A B C D (A - sujeito; B - verbo; C - complementos; D - circunstâncias). Veja este exemplo: Os funcionários da embaixada encontraram o presidente durante o encontro internacional. A (sujeito) - Os funcionários da embaixada B (verbo) - encontraram C (complemento) - o presidente (quem encontra encontra alguém) D (circunstância) - durante o encontro internacional (tempo) Usar-se-iam duas vírgulas para isolar um elemento deslocado dessa ordem natural. Exemplo 1: A B, D, C - Os funcionários da embaixada encontraram, durante o encontro internacional, o presidente (a circunstância está isolada entre vírgulas, por estar fora de sua posição natural, que seria no final da oração); Exemplo 2: A, D, B, C - Os funcionários da embaixada, durante o encontro internacional, encontraram o presidente; Exemplo 3: D, A B C - Durante o encontro internacional, os funcionários da embaixada encontraram o presidente. Observações: Quando o elemento deslocado estiver no começo da frase, usa-se, obviamente, apenas uma vírgula, depois dele; se vier no final, o sinal vem antes. Quando no meio da oração, deve vir entre vírgulas. Deve haver duas!!! - Então todo elemento deslocado vem com vírgula?
Os marinheiros, pelo menos dizem por aí, não se comportaram na nova cidade. E, como não bastasse, aterrorizaram as mulheres do porto, que, por serem bastante recatadas, ficaram chocadas. Veja que os elementos em negrito são interferentes. E estão entre vírgulas. Se os excluirmos, a frase continua tendo sentido: Os marinheiros não se comportaram na nova cidade. E aterrorizaram as mulheres do porto, que ficaram chocadas. As três orações presentes a esse trecho estão na ordem natural, e, por isso, não levam vírgula: Oração 1 - Os marinheiros (A); comportaram-se (B); na nova cidade (D - lugar); Oração 2 - Os marinheiros (A - aparece na oração anterior; é um sujeito oculto, pois sabemos quem praticou a ação, apesar de não aparecer na oração); aterrorizaram (B); as mulheres do porto (C); Oração 3 - As mulheres (A - esse sujeito está sendo substituído pelo pronome que); ficaram (B); chocadas (C).
Vamos pensar no seguinte trecho do tópico acima: E, como não bastasse, aterrorizaram as mulheres do porto. Notou a presença do e? Pois é... ele é uma conjunção, elemento responsável por ligar orações ou termos da oração. Vamos entender melhor esse conceito? Observe estas duas orações, a título de ilustração: Os diretores da multinacional são egoístas; têm ajudado bastante os funcionários ultimamente. Primeiramente, sei que são duas orações porque há dois verbos (um deles - têm ajudado - é uma locução verbal, porque são dois verbos que valem por um), certo? O.k.! Como poderíamos unir essas duas orações? Usando uma conjunção, claro! Ela funciona como um conectivo, uma espécie de cimento: Os diretores da multinacional são egoístas, MAS têm ajudado bastante os funcionários ultimamente. Foi escolhida a conjunção mas em virtude de a segunda oração introduzir uma idéia contrária à expressa pela primeira. Se alguém nos diz que fulano é egoísta, espera-se que este não ajude ninguém, não é verdade? Bem, sempre que usamos uma conjunção para ligar orações, urge termos em mente que esse elemento conectivo introduz uma oração. Isso mesmo! Se há conjunção, na maioria das vezes ela introduz, inicia uma oração. Voltemos ao exemplo antigo: E, como não bastasse, aterrorizaram as mulheres do porto. Qual é a oração que a conjunção e introduz? Se você respondeu aterrorizaram as mulheres do porto, acertou! A oraçãozinha como não bastasse está entre a conjunção e a oração que ela introduz, atrapalhando o caminho. É por isso que se devem usar duas vírgulas. Elas isolam qualquer elemento que esteja interferindo na ordem natural da frase. Outros exemplos: 1) Os meliantes demonstraram melhora; entretanto, como era de se esperar, não demoraram a fazer nova rebelião; 2) Isso não é justo porque, como o senhor mesmo sabe, eu não fui registrado em sua empresa; 3) Eles nem têm diploma. E, mesmo assim, ganham mais que os outros. Veja que os elementos em negrito poderiam ser retirados da oração, sem prejuízo ao sentido. Como estão "atrapalhando" a seqüência das orações, devem vir isolados pelas vírgulas. Contudo, se esse elemento for de pequena extensão (exemplo 3), podem-se omitir as vírgulas: (...) E mesmo assim ganham mais que os outros. Detalhe importante: nesses elementos pequenos que interferem no meio da oração, usam-se duas vírgulas ou nenhuma. Em hipótese alguma pode-se usar apenas uma ("E mesmo assim, ganham..."). - Antes do e, nunca haverá vírgula, certo?
Há outra situação em que a vírgula antes do e é obrigatória. Para entendê-la, voltemos ao conceito de conjunção: elemento que liga orações ou termos da oração. Repare neste exemplo: Floriano, muito cansado da viagem, e sua esposa deitaram cedo. O termo muito cansado da viagem está atribuindo uma qualificação a Floriano, e vem isolado por duas vírgulas. Veja que as vírgulas isolam esse termo. Obrigatoriamente deve haver duas vírgulas. Ou duas, ou nenhuma... Quê? Não entendeu o que é um termo isolado? Veja este outro exemplo, para o qual lhe forneceremos uma regra prática: As roupas, sujas como pau de poleiro, e a barba por fazer denunciavam-lhe a algazarra noturna. A vírgula antes do e faz par com a antes de sujas. Elas isolam o termo sujas como pau de poleiro. Tanto isso é verdade que, se eliminarmos o termo isolado, a frase continuará a ter sentido: As roupas f e a barba por fazer (...). Viu? Os termos isolados podem ser retirados da frase... legal, né? - A vírgula com vocativo Oi Fernando? Essa frase está certa?
A vírgula antes de mas, de porque e de outras conjunções E vírgula antes do mas? Existe? É de praxe (mas não obrigatório) separar por vírgula as orações (lembre que oração é todo enunciado que possua um verbo ou uma locução verbal) que indicam idéias contrárias (como é o caso da oração introduzida por mas), tempo, causa, finalidade, lugar, explicação, condição, conseqüência, modo, conformidade, proporção, etc. A vírgula torna-se mais elucidante quando essas orações aparecem antes de outras. Vindo depois, a vírgula não é obrigatória, mas deve ser usada caso sua omissão comprometa a clareza e o sentido da frase. Exemplos (as vírgulas entre parênteses são dispensáveis): Muitos tentam, mas poucos conseguem (a oração grifada indica idéia contrária); Eu fiquei deveras feliz(,) quando cheguei a casa (a oração grifada indica tempo); Quanto mais se aprende, menos se sabe (a oração grifada indica proporção e vem antes da outra); Cheguei perto dela(,) a fim de que me contasse todos os seus segredos (a oração grifada indica finalidade); Tudo está aqui, de acordo com o que combinamos (a oração grifada indica conformidade); Sem se cuidar, penará muito! (a oração grifada indica condição e vem antes da outra), etc.
Vamos a outros exemplos, adotando a seguinte regra prática: vírgula necessária antes de porque substituível por que; caso contrário, usemos o sinal de pontuação se a oração da esquerda for média ou grandinha. 3) Não era muito fã de trabalho(,) porque a família lhe ensinou assim (não cabe que no lugar desse porque - causal; a vírgula é facultativa, já que a oração da esquerda não é tão grande); 4) É bom ela vir logo, porque não tenho muita paciência (cabe que no lugar desse porque - explicativo; usemos a vírgula); 5) O Governo insistiu em não assinar o acordo com os demais países, porque julgou improcedentes as acusações (não cabe que no lugar desse porque - causal; apesar disso, é interessante usarmos a vírgula, haja vista a grande extensão da oração da esquerda). Como percebemos, quando o porque é causal (não cabe que), devemos confiar nos ouvidos, que nos acusarão a necessidade ou não da pausa. - Como se comporta a vírgula com pois, entretanto, todavia, etc.?
As conjunções porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto - que introduzem idéias contrárias, assim como o mas - obedecem à mesma regra do pois. A diferença é que no pois, dependendo de sua posição, há mudança de sentido (explicativo ou conclusivo); as outras conservam o valor adversativo (idéias contrárias) independentemente de aparecerem no início da oração (com uma vírgula antes, separando-a da anterior) ou no meio dela (isolado por vírgulas). Exemplos: Esperei bastante, contudo não desanimei; Esperei bastante. O desânimo, contudo, não tomou conta de mim; Aquele garoto come muito, no entanto continua magro; Aquele garoto come muito. Continua, no entanto, magro; etc. Obs.: As conjunções porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto podem iniciar frases após ponto. Nesse caso, pode-se usar a vírgula depois: Muitos compareceram à festa daquele garoto. Contudo, ele não tem amigos de verdade. - A vírgula antes do pronome que e de expressões explicativas E a vírgula antes do "que"? Para usá-la corretamente, você deve ter em mente um conceito muito importante: o pronome relativo. É... entre várias funções, o que pode desempenhar a de pronome relativo. E é antes do pronome relativo que a vírgula costuma aparecer de maneira equivocada. Pronome relativo é toda palavrinha que retoma um nome. Veja este exemplo: Renata é a mulher que eu amo. Para saber se o que é pronome relativo, basta conferir se ele retoma um nome (esse nome não precisa ser, necessariamente, um nome de pessoa; pode ser qualquer substantivo ou, ainda, pronome ou numeral). O nome que vem antes do que é mulher (...a mulher que eu amo). Vamos tentar colocar mulher no lugar do que, para ver se a oração que o que introduz continuará a fazer sentido: a mulher eu amo. Opa! Fez sentido! Para ficar ainda melhor, é só inverter a ordem da oração: eu amo a mulher. Se o que retomou um nome, pode-se dizer com certeza que é um pronome relativo. E há outro detalhe, também importante: todo pronome relativo introduz uma oração (enunciado com verbo), que estará ligada a um nome. Veja só: Renata é a mulher que eu amo. Viu? A oração que eu amo está ligada ao nome mulher. Vejamos mais um exemplo: As músicas de que gosto não constam no elepê. A oração que o que introduz é de que gosto (se houver preposição - a, de, com, em, para, sobre, etc. - antes do que, ela entra na oração que ele introduz). O nome que vem antes do que é músicas (...músicas de que gosto). Se colocarmos músicas no lugar do que, a oração fará sentido: de músicas gosto (ou gosto das músicas). Pronto! O que é pronome relativo! E a oração que ele introduz está ligada a um nome: As músicas de que gosto não constam no elepê. Outro exemplo: Todos nós queremos que ela melhore. O que introduz a oração que ela melhore. Será que ele é pronome relativo? Será que retoma um nome? Vamos tentar pôr o nós em seu lugar: "nós" ela volte. Puxa! Não tem nada a ver! Não fez sentido... Se não retomou um nome, esse que não é relativo. E pode ver que a oração que ele introduz não está ligada a um nome, mas a um verbo: Todos nós queremos que ela melhore. A oração que ela melhore completa o verbo queremos. E nunca devemos separar por vírgula um verbo de seu complemento. Bem, provavelmente você já deve ter compreendido o que como pronome relativo. Já sabe que ele sempre introduz uma oração. Pois é justamente essa oração que pode ou não ser isolada por vírgula(s). Tudo vai depender de seu significado, que pode ser restritivo ou explicativo. Vamos entender?: Veja estes dois exemplos: 1) O homem que fuma vive menos; 2) O homem, que é um ser vivo, deve rever suas atitudes. Observe que a oração que fuma não vem entre vírgulas; a que é um ser vivo, por sua vez, aparece isolada. Por que isso aconteceu? Você deve ter percebido que ambas são introduzidas por um que relativo, certo? Tudo bem... isso é importante! Vejamos qual dessas orações restringe, delimita o significado do nome a que está ligada. Nos dois casos, o nome é homem, não é? A oração 1) que fuma está restringindo o significado de homem. De todos os homens do mundo, a oração que fuma restringe, delimita, aponta somente aqueles que fumam. Isso quer dizer que a frase em questão não se refere a todos os homens do mundo. Diz respeito somente àqueles que fumam. Por isso, a oração que fumam é restritiva. A oração 2) que é um ser vivo não restringe nada. Ela nos fornece uma idéia essencial do homem: todos os homens são seres vivos. É, portanto, explicativa Perceba que ela não nos traz novidade alguma. Tanto isso é verdade que ela poderia ser excluída da frase, sem prejuízo ao significado: O homem f deve rever suas atitudes. Viu só? As explicativas sempre aparecem com vírgula. As restritivas, nunca! O duro é saber quando a oração é restritiva ou explicativa... É nada... Tenha em mente que a restritiva restringe, delimita. Seleciona um ser entre vários. A explicativa somente explica algo que é essencial ao ser a que se refere. Antes de conferirmos novos exemplos, adotemos o seguinte raciocínio lógico: uma oração só poderá restringir um nome se ele pertencer a um grupo, não é verdade? Claro!!! Como delimitarei, restringirei um ser que é único? Não é possível! Logo, todas as orações iniciadas por pronome relativo que estiverem ligadas a um nome único serão explicativas: sempre com vírgula. Vamos a alguns exemplos: 1) (...) a reserva é rasgada pela BR - 376, que liga Curitiba ao interior do Estado; 2) Uma empresa demoliu a estrada asfaltada que levava ao parque; 3) A erosão está fortíssima. O problema, que atinge outras áreas, não foi controlado a tempo. É interessante, antes de mais nada, notar que todas as orações grifadas estão ligadas a um nome (BR - 376, estrada asfaltada e problema, respectivamente). E o que, nas três orações, retoma os nomes. Isso nos faz ter a certeza de que, em todos os casos, ele é relativo. Em 1), a oração que liga Curitiba ao interior do Estado foi separada por vírgula porque é explicativa. Não restringe BR - 376. Aliás, como poderíamos restringir a BR - 376? Há várias estradas com esse nome por aí? Claro que não. Por esse motivo, a oração ligada a ele só poderia ser explicativa... e com vírgula. Em 2), a oração que levava ao parque restringe, delimita o nome estrada asfaltada. Existem diversas estradas asfaltadas, e a referida oração restringiu, delimitou uma. No exemplo 3), a oração que atinge outras áreas explica o nome problema. Perceba que já sabemos algo sobre o nome problema. Ele se refere a erosão, que aparece um pouco antes. Desse modo, não se poderia restringir o problema, tendo em vista que se falava de um já especificado. A oração é explicativa (com vírgula), portanto.
Não... Qualquer palavrinha que retome um nome é pronome relativo. E introduz uma oração, que, como já vimos, pode ser separada por vírgula(s) ou não. Outros pronomes relativos: onde, quem, cujo, o qual, a qual, quanto, etc. Exemplos: 1) Meus parentes moram em Ribeirão Preto, onde a água é mais límpida; 2) Josias é um homem a quem devo muito respeito; 3) Não tenho tempo para essa garota, cujas ofensas já aturei o bastante. Em 1), onde retoma o nome Ribeirão Preto (a água é mais límpida em Ribeirão Preto). A oração que ele introduz - onde a água é mais límpida - é explicativa, porque se refere a um ser único (Ribeirão Preto). No segundo exemplo, a oração a quem devo muito respeito está ligada ao nome homem. E obviamente o está restringindo: de todos os homens existentes, esse é um a quem devo respeito. No exemplo 3), a oração cujas ofensas já aturei o bastante está ligada ao nome garota, que é um ser único, já delimitado pelo pronome essa (...essa garota). Pela frase, supõe-se que o falante já conheça a moça. Se é um ser único, não pode ser especificado. A oração a ele ligada, logo, é explicativa (com vírgula). Detalhe importante: lembre-se de que, se retirarmos as orações explicativas, não haverá grandes prejuízos ao sentido da frase. Imagine os exemplos 1) e 3) sem as explicativas: 1) Meus parentes moram em Ribeirão Preto f ; 3) Não tenho tempo para essa garota f . Tudo certo, não? Porém, se retirarmos a oração restritiva de 2), a frase teria o sentido original prejudicado: Josias é um homem f ...??? Viu só?
É interessante reiterar que o elemento explicativo pode ser retirado da frase. O reitor da UEL f assinou convênio. Como só há um reitor, a ausência do nome não compromete o sentido da frase. Todavia, se retirarmos o nome restritivo em O professor da UEL João Freitas foi considerado... ("O professor da UEL f foi considerado"), o leitor simplesmente não saberá quem foi o dito-cujo, uma vez que há vários professores na universidade, e o nome delimitaria esse grupo. Outros exemplos: 1) O Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, viajou à Itália; 2) O presidente Fernando Henrique Cardoso viajou à Itália. Notou a diferença nas duas frases? Na primeira, FHC é explicativo, pois refere-se a um ser único (só há um Presidente da República) e, por isso, pode ser retirado da frase (O Presidente da República f viajou à Itália). Em 2), FHC é restritivo, porque delimita, restringe a palavra presidente (existem vários presidentes no Brasil... de empresas, instituições, clubes, etc.) Não pode, pois, ser excluído da frase. Se o nome da pessoa, entretanto, vier em primeiro lugar, a qualificação sempre estará isolada por vírgula(s), por ser termo explicativo: João Freitas, professor da UEL, foi considerado...; Jackson Testa, reitor da UEL, assinou...; Fernando Henrique Cardoso, Presidente da República, viajou...; etc. A vírgula em expressões como isto é, ou seja... Isto é, ou seja, ou melhor... isso vem entre vírgulas?
A vírgula em tanto... quanto Tanto ele, quanto ela são meus amigos... essa vírgula existe?
A vírgula em expressões como e sim, e não Antes de e sim
se usa a vírgula? E a vírgula antes de como? Há vírgula antes do etc.? Alguns gramáticos usam, outros não. Estes dizem que, pelo significado – e outras coisas –, a vírgula é dispensada, pois já existe o e (sabe-se que, geralmente, antes do e não há a vírgula). O argumento é bom, mas os modelos (leia-se A Vírgula, de Celso Pedro Luft) são mais fortes. Grandes autores e obras – inclua-se o Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa, documento de valor legal de nosso idioma – usam a vírgula. E eu, como um bom seguidor, também a adotei. Antes de etc., estará a minha vírgula. Sempre. Ponto-e-vírgula Para separar duas orações coordenadas que já contenham
vírgulas: Para separar duas orações coordenadas, quando elas são
longas: Para separar enumeração após
dois pontos: |
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