uando o escritor inglês J.R.R. Tolkien publicou, em 1954, A Sociedade do Anel, o primeiro dos três volumes do épico contemporâneo O Senhor dos Anéis, o jornal The London Sunday Times declarou que, dali em diante, o mundo estava dividido em dois tipos de pessoas: “aqueles que leram O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda irão lê-lo”. Nunca antes um autor tinha ousado criar um épico que rivalizasse com lendas clássicas, sendo, além disso, acessível a leitores de todas as idades e nacionalidades. O sucesso do livro foi imediato, alimentando imaginações ávidas ao redor do mundo e conquistando mais de 100 milhões de leitores.

gora, a lenda criada por Tolkien finalmente ganha vida nas telas, empreendimento que exigiu uma das mais colossais produções cinematográficas de todos os tempos. Tudo porque entre os apaixonados pela obra de Tolkien estava o diretor Peter Jackson, realizador de Almas Gêmeas e Os Espíritos. Jackson acreditava que O Senhor dos Anéis estava pronto para sua primeira adaptação completa para o cinema, porém, também estava ciente de que seria preciso talvez a mais ambiciosa produção jamais realizada. Havia uma chance, ele pensava, de que a tecnologia em efeitos visuais tivesse alcançado um nível que permitisse retratar as lendas e paisagens sonhadas por Tolkien, de modo a corresponder a sua brilhante imaginação.

esde o princípio estava claro para o diretor que se tratava de uma tarefa gigantesca. Jackson aceitou a empreitada e começou trabalhando em cima de uma trilogia de roteiros num processo que levou três anos. Também tomou outra decisão no início do desenvolvimento da produção: fazer os três filmes - A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei - de uma vez, algo que nunca tinha sido feito no cinema. A decisão de Jackson resultou na quebra de recordes no que se refere a tempo, recursos e mão-de-obra para uma única produção. Agora, milhões de fãs no mundo inteiro esperam ansiosos a estréia do filme, que tem tudo para se transformar numa série tão cultuada quanto Guerra nas Estrelas.


m enredo fantástico


praticamente impossível descrever em poucas palavras o universo fantástico criado pelo perfeccionista Tolkien. Na história, o hobbit (ler “As Raças que Habitam a Terra-média) Frodo Bolseiro (Elijah Wood) deixa sua tranqüila vida para protagonizar uma extraordinária aventura. Ele herda de seu tio (Bilbo Bolseiro) um anel mágico de grande importância. Posteriormente, o mago Gandalf (Ian McKellen) descobre que esse anel não é um anel qualquer, mas sim o Um Anel, criado pela força maligna Sauron para dominar a todos e conquistar a Terra-média. Saruman - O Branco (Christopher Lee), líder dos magos que foi seduzido pela força do anel, passa a buscá-lo desesperadamente, pois nele se encontra grande parte da força de Sauron. Mas o Um Anel passou agora a ser do herdeiro de Bilbo, o hobbit Frodo Bolseiro (Elijah Wood). Frodo, junto a um grupo de leais hobbits e homens, um mago, um elfo e um anão, que formam a Comunidade do Anel, terá de enfrentar muitos perigos até chegar às Montanhas de Fogo em Mordor, reino negro de Sauron, para destruir o anel no mesmo local em que ele foi criado e, assim, evitar que a Terra-média mergulhe nas sombras.


fidelidade


eter Jackson e os produtores sabiam desde o início que o sucesso de O Senhor dos Anéis dependia de sua fidelidade à obra de Tolkien. Ciente disso, Jackson modificou o mínimo possível a obra. Detalhista, o diretor manteve o filme tão leal ao livro quanto lhe foi possível. Alguns personagens secundários, por exemplo, foram cortados - um deles é Tom Bombadil, o morador mais antigo da Floresta Velha. As mulheres, por outro lado, receberam mais espaço na trama, principalmente a princesa élfica Arwen (Liv Tyler), que pouco é citada no primeiro livro. O romance entre ela e Aragorn (Viggo Mortensen) deve passar pelos três filmes. Em A Sociedade do Anel serão vistas também algumas cenas que foram citadas apenas no segundo livro, como a captura de Gandalf por Saruman ou a partida secreta de Frodo e Sam para Mordor. Mas, levando-se em conta a política meramente comercial da indústria cinematográfica, pode-se contar com um filme bastante fiel à história original.

s declarações oficiais dizem que cada filme mostrará, o mais fielmente possível, a história contida em cada um dos livros da trilogia. Um prólogo no início do primeiro filme irá contar a história da Terra-média de forma geral e do Um Anel de forma particular. Uma das cenas vistas no início será a da Guerra da Última Aliança entre os elfos e os homens.

segundo e o terceiro filmes conterão prólogos para tornar as continuações mais inteligíveis. Assim, o fim do primeiro filme conterá algum material do início do segundo e o segundo alguma coisa do final do primeiro e assim por diante.

s custos

ara transpor a epopéia de Tolkien para as telas, Peter Jackson teve a liberdade de gastar US$ 190 milhões. O montante pode parecer pouco para filmar três filmes carregados de efeitos especiais de uma vez só. Para se ter uma idéia, as filmagens de apenas um filme da série Guerra nas Estrelas custaram US$ 120 milhões. Mas o que pouca gente levou em consideração é que os custos de produção na Nova Zelândia, onde os três filmes foram rodados, são bem menores que os da América do Norte. Em geral, todas as taxas e valores são até 50% menores que no mercado americano, permitindo que um orçamento inicial de US$ 120 milhões se transforme em algo entre US$ 300 e 360 milhões de dólares.

belas paisagens da Nova Zelândia

Os três filmes foram produzidos na Nova Zelândia, onde a geografia local é bastante diversificada e vários dos seus cenários naturais são de fazer inveja a qualquer país do mundo. Suas formações geológicas são relativamente novas, contando com uma ampla variedade de cenários: cordilheiras, praias, vulcões, florestas e cadeias de montanhas. A famosa minissérie Xena - A Princesa Guerreira é filmada na Nova Zelândia e um número crescente de novas produções está buscando por este país, levando em conta seus belos cenários e seus preços bem inferiores à média norte-americana.

claro que nem tudo que se vê no filme A Sociedade do Anel é composto apenas de paisagens da Nova Zelândia. Em algumas cenas, a paisagem é realçada por sofisticadas imagens digitais.

primeiro filme, A Sociedade do Anel, estréia mundialmente no natal de 2001 em todo mundo menos no Brasil, onde estréia apenas em janeiro. O motivo, especula-se, foi evitar um embate com o filme Xuxa e os Duendes e Harry Potter e a Pedra Filosofal.

segundo filme, chamado As Duas Torres, será lançado no natal de 2002 e o terceiro, O Retorno do Rei, em dezembro de 2003.

inda é cedo para dizer se O Senhor dos Anéis vai se transformar numa série tão cultuada e de sucesso de bilheteria quanto Guerra nas Estrelas, mas sem dúvida os espectadores não passarão incólumes ao poder do Anel.

 

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