Senhor dos Anéis - 1

A estrada em frente vai seguindo 
Deixando a porta onde começa. 
Agora longe já vai indo, 
Devo seguir, nada me impeça; 
Em seu encalço vão seus pés, 
Até a junção com a grande estrada, 
De muitas sendas através.
Que vem depois? Não sei mais nada 


rês anéis para os Reis-Elfos sob este céu 
Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores, 
Nove para os homens mortais fadados ao eterno sono, 
Um para o senhor do Escuro em seu escuro trono 
Na terra de Mordo onde as sombras se deitam. 
Um Anel para todos governar, Um Anel para encontrá-los, 
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los 
Na Terra de Mordor onde as sombras se deitam. 


estrada em frente vai seguindo
Deixando a porta onde começa.
Agora longe já vai indo, 
Devo seguir, nada me impeça; 
Por seus percalços vão meus pés, 
Até a junção com a grande estrada, 
De muitas sendas, através. 
Que vem depois? Não sei mais nada. 


obre a lareira arde a chama, 
E sob o teto há uma cama; 
Mas nossos pés vão mais andar, 
ali na esquina pode estar 
Árvore alta ou rochedo frio 
Que ninguém soe ninguém viu. 
Folha e relva, árvore e flor, 
Deixa passar, aonde for! 
Água e monte vão chegando, 
Vai passando! Vai passando! 

Talvez te espero noutra esquina 
Porta secreta ou nova sina. 
E se hoje nós passarmos por elas, 
Amanhã podemos revê-las 
E seguir a senda secreta 
Que o sol e a Lua têm por meta. 
Maça e espinho, noz e ameixa, 
Deixa passar! Deixa passar!
Pedra e areia, lagoa e vargem, 
Boa viagem! Boa viagem! 

Lá atrás a casa, em frente o mundo, 
Muitas trilhas ao vagabundo, 
Pelas sombras do anoitecer, 
Té a última estrela aparecer. 
Agora o mundo já não chama, 
Voltemos para a casa e para a cama,
Nuvem, sombra, dúbia neblina, 
Deixa a retina! Deixa a retina! 
Água e comida, luz e chama, 
E já pra cama! Já pra cama. 


ranca-de-Neve! Clara Senhora! 
Reinas além dos Mares Poentes! 
És nossa Luz aqui nesta hora 
No mundo das árvores onipresentes! 

Ó Gilthoniel! Ó Elbereth! 
De hálito puro e claro olhar! 
Branca-de-neve, a ti nossa voz 
Em longes terras, além do Mar. 

Estrelas que, no Ano sem Sol, 
Pela sua mão fostes semeadas, 
Em campos de vento, em claro arrebol, 
Agora sois flores prateadas. 

Ó Elbereth! Ó Gilthoniel! 
Inda lembramos, nós que moramos 
Nesta lonjura, em matas silentes, 
A luz dos astros nos Mares Poentes 


antemos o banho do fim do dia 
que da sujeira nos alivia! 
Tonto é quem cantar não tente: 
Ah! coisa nobre é Água Quente. 

Doce é o som da chuva que cai, 
e do riacho que saltando vai;
melhor que chuva ou riacho ondulante
Á Água Quente e vaporizante.

Água fria podemos mandar
goela abaixo e nos alegrar; 
melhor é cerveja no copo da gente
e lombo abaixo Água bem Quente. 

Bela é a Água do alto a saltar 
em fonte limpa suspensa no ar; 
mas nunca fonte, tão doce és 
como Água Quente debaixo dos pés. 


deus vamos dar à casa e ao lar! 
Pode chover e pode ventar, 
Vamos embora antes da aurora, 
Mata e montanha atrás vão ficar. 

A Rivendell vamos onde elfos achamos 
Em descampados e por entre ramos; 
Por trechos desertos seguimos espertos, 
O que vem depois não divisamos. 

Na frente o inimigo, atrás o perigo. 
Dormindo ao relento, o céu por abrigo. 
Até que por sina a dureza termina, 
Finda a jornada, cumprido o castigo. 

Vamos embora! Vamos embora! 
Vamos partir antes da aurora! 


vós que vagais pela terra sombria 
confiai! Porque, embora negra se estenda,
termina a floresta algures algum dia,
e o sol que se are penetra sua tenda;
e o sol que levanta, o sol que anoitece, 
o sol que termina, o dia que começa. 
Pois a leste e oeste a floresta perece... 


rio haja nas mãos, no coração e na espinha, 
e frio seja o sono sobre a pedra daninha: 
que nunca despertem de seu pétreo leito,
nunca, até a lua morta, até o sol desfeito. 
Ao soprar negro dos ventos os astros vão morrer, 
e eles sobre os outros ainda irão jazer, 
até que o lorde escuro sua mão soerga 
sobre o mar morto e sobre a terra negra. 


xiste um lugar, alegre e antigo
Ao pé da colina rara; 
Lá tem cerveja tão escura
Que o Homem da lua veio á procura 
Uma noite e encheu a cara. 
O dono tem um gato alcoólatra 
Que sabe tocar violino; 
Em cima agudo, embaixo grave, 
No meio serrote fino. 

O dono tem um vira-lata 
Que adora ouvir piadas; 
Quando o povo está animado, 
Empina a orelha concentrada 
E ri a bandeiras despregadas. 

Tem também vaca chifruda 
Orgulhosa como a rainha; 
Ela gosta de música a beca, 
Rebola o rabo e arremessa 
Dançando solta sozinha. 

Ai! Os lindos pratos de prata 
E os talheres em quantidade! 
Há aos domingos um par convidado, 
E tudo é polido e cuidado 
ao sábado pela tarde. 

O Homem da lua vai bebendo, 
O gato toca com bossa; 
Prato e garfo dançam na hora, 
Rebola a vaca lá fora 
E o vira-lata o rabo coça. 

O Homem da lua pede mais uma 
Sob a mesa depois cai; 
Dorme e sonha com mais cerveja, 
Vai-se a noite benfazeja, 
E a aurora chegando vai. 

Diz o dono ao gato alto: 
- Os cavalos brancos da
Lua Rinchando mordem o freio; 
Mas seu dono dorme feio 
E o sol já se insinua 

O gato então de novo ataca 
num som de acordar finado: 
Vai serrando enquanto pode 
E o dono o Homem sacode:
- são mais de três - diz o coitado.&;nbssp;

O Homem levam para a colina 
E o enrolam na própria Lua, 
Os cavalos atrás galopando, 
Qual veado e vaca saltando, 
E um prato pula pra rua. 

Mais depressa toca o violino; 
o vira-lata põe-se a ladrar, 
Cavalo e vaca de bananeira; 
Querer dormir é brincadeira: 
Todos voltam a dançar. 

Pingue! Pongue! As cordas se partem! 
A vaca pula para a Lua, 
O vira-lata põe-se a rir, 
Um prato ameaça a fugir 
Com colher que não é sua. 

A Lua redonda foi embora, 
E o sol que agora vai surgir 
Não acredita no que vê, 
Porque, apesar do amanhecer, 
Agora todos vão dormir 


il-galad foi um Elfo-rei 
que ao som das harpas cantarei: 
foi o último livre a reinar 
entre essas Montanhas e o Mar. 

Longa sua espada, a lança esguia, 
Seu elmo ao longe resplandecia; 
Milhões de estrelas lá no céu 
Refletiam-se em seu broquel. 

Há muito tempo foi-se embora, 
e ninguém sae onde mora; 
sua estrela na escuridão, 
e Mordor onde as sombras vão. 

...incompleta... 


s folhas longas, verde a grama, 
Esguia é a cicuta e a umbela; 
No prado há uma luz que se derrama 
De um céu de estrelas a fulgir. 
Tinúviel dançando bela, 
Ao som de flauta oculta inflama; 
Há estrelas nos cabelos dela 
E no seu manto a reluzir. 

E Beren vem dos montes frios, 
Perdido entre a ramagem, 
Seguindo o som de élficos rios,
Andou sozinho em seu sofrer 
Por entre as falhas da folhagem 
Vê flores de ouro de atavios 
Que ela traz sobre a roupagem 
E no cabelo há anoitecer. 

Seus pés curados por magia 
De seu cansaço da jornada; 
E forte e lépido seguia 
Pegando raios de luar. 
E leve em fuga baila a fada
Por bosques, de elfos moradia; 
De novo só a caminhada, 
Ele em silêncio a espreitar. 

Ouvia o som da fugitiva 
Com pés de tília por leveza; 
Do chão saía música viva, 
De valos fundos um trilar. 
Já cicuta perde a beleza 
E uma a uma pensativas 
Da faia as folhas com tristeza 
No chão do inverno vão rolar. 

Seguindo sempre, longe andou, 
Dos anos folhas viu caindo; 
Com lua a estrela ele avançou, 
O céu gelado viu bramir.
O manto dela a luz luzindo, 
Quando num topo ela parou
Dançando e assim com seu pé lindo 
Névoa de prata fez fremir. 

No fim do inverno ela retorna,
Sua voz desata a primavera 
Qual cotovia ou chuva morna, 
Qual água ova a borbulhar. 
Viu ele flores de elfos e era 
O pé da ninfa; e nova forma, 
Com ela quis dançar, quisera 
Por sobre a grama namorar. 

Mas ela vai, quando ele vem. 
Tinúviel! Tinúviel!
Com o nome dela ele a detém, 
Pois ela pára para ouvir. 
A voz prende Tinúviel, 
Beren avança, Beren vem, 
Sobre ela a sina então desceu! 
Nos braços dele vai cair. 

Seus olhos fitam seu olhar 
Por entre a sombra dos cabelos; 
A luz que treme do luar 
Viu dentro dela reluzir
Tinúviel detém apelos, 
Imortal fada de encantar;
Envolve o amor em seus cabelos 
E braços brancos a luzir. 

Foi longa a estrada de sua sorte, 
Por pedras, frio e meia-luz; 
E férreos halls com porta forte, 
Em mata escura e sem aurora.
O Mar que afasta se introduz, 
Mais uma vez sorri a sorte; 
Na mata canta o par, só luz, 
Que há muitos anos foi-se embora.

...incompleta... 


roll no calabouço, só sem alvoroço, 
Sentado resmunga, roendo um velho osso; 
Por anos sem conta, roia a mesma ponta, 
Pois carne jamais encontrava. 
Rosnava! Chiava! 
Sentado, sozinho, em seu calabouço,
E carne jamais encontrava. 

Surge Tom agora de bota e espora. 
E já vai dizendo: - O que você devora ? 
Parece, isso sim, a canela do tio Tim, 
Que devia estar em sua sepultura. 
Dura! Escura! 
Já faz um tempão que meu tio foi embora, 
E eu achava que estava em sua sepultura.

- Bem, diz o safado, o osso foi roubadooo. 
Mas pra que é que serve um osso enterrado? 
Já estava bem frio, feito gelo o titio, 
Antes de eu pegar sua canela 
Bela! Gela! 
E ele quis dar para um velho coitado, 
Já que não precisava mais dela. 

Diz Tom: - Não consigo entender como o amigo, 
Se ter permissão, vai e leva consigo 
Chanca ou canela de minha parentela. 
Então me dá logo esse osso! 
Grosso! Insosso! 
É dele, eu te digo, o que tinha consigo. 
Então me dá logo esse osso! 

- Por uma bagatela, diz Troll tagarela,,, 
Também como você e rôo sua canela, 
Essa carne macia, que gostosa seria! 
Deixa eu dar uma mordida.
Urdida! Ardida! 
Já cansei de roer essa velha canela. 
To a fim de você por comida.

Mas quando Troll julgava que o jantar agarrava,
Percebeu que sua mão nada mais segurava. 
Rápido, num zás, Tom passou para trás 
E meteu-lhe a botina. 
Sina! Atina! 
Um bom chute no assento, Tom pensava, 
E agora vai ver que ele atina! 

Mas dura qual caroço, é a carne com osso 
De um Troll instalado em seu calabouço 
Melhor é chutar uma pedra tumular, 
Porque assento de Troll nada sente. 
Mente! Tente! Riu Troll quando 
Tom gemeu e alvoroço, 
Sabendo o que um dedão sente. 

E Tom hoje anda coxo, depois que voltou mocho, 
Seu pé sem botina está sempre meio roxo. 
Mas Troll numa boa, continua sempre á toa, 
Roendo seu osso roubado 
Dado! Fado!
Sentado, só, velho e chocho, 
Roendo seu osso roubado! 


ärendil foi um marinheiro 
que veio em Arvernien morar:
cortou madeira de Nimbrethil, 
fez um navio para viajar; 
teceu as velas com fios de prata, 
também de prata é a iluminação; 
qual cisne a proa foi esculpida, 

e a luz dá vida a seu pavilhão. 
Com armadura de antigos reis, 
malha de anéis, qual manto real,
broquel brilhante de runas cheio, 
vai protege-lo de todo mal; 
pro arco um chifre deu-lhe um dragão,
de ébano bom as flechas que tinha;
de fio de prata era o gibão, 
de calcedônia era a bainha; 
valente espada de aço fino, 
e adamantino elmo o respalda; 
pena de água traz por enfeite, 
e sobre o peito linda esmeralda.

Sob o luar, sob as estrelas,
viajava pelas praias do norte; 
como encanto, confuso ia 
além dos dias da terra da morte 
quer do rangido do Gelo Estreito, 
das sombras leito em campo gelado,
quer do calor e da lava ardente, 
rápido sempre saída por um lado; 
por águas negras longe trafega,
até que navega em Noite do Nada 
e vai passando sem encontrar
praia brilhante ou luz desejada.
Vêm procura-los os ventos da ira 
e cego gira em mar sem promessa; 
de Oeste a Leste tudo impreciso, 
e sem aviso à casa regressa. 

Voando chega até ele Elwing 
a há chama enfim na treva a queimar; 
mais que diamante brilha e resplende 
o fogo ardente de seu colar. 
com a Silmaril ela o ataviou 
e o coroou com a luz vivente; 
sem medo então, com fogo no olhar,
vai navegar, e na noite quente
lá do Outromundo além do Mar, 
surge o troar de forte tormenta 
em Tarmenel, um vento poder;
por rota incerta, rara e agourenta,
leva seu barco, num sopro mordaz,
poder feroz de morte no ar
e mares tristes e abandonados
de lado a lado ele viu passar 

Por noites Noiteterna reconduzido, 
en antro estampido de andas que vão
por Mares sem luz de costas profundas
mortas no fundo desde a criação;
foi lá que ouviu em praias de pérolas
onde da terra a música cessa, 
onde na espuma à ondas rolando
de ouro amarelo jóias à beça. 
Viu a montanha subindo calada, 
na tarde sentada sobre os joelhos
de Valinor, enquanto Eldamar 
olhava o mar além dos escolhos. 
Errante em fuga da noite vai 
e a um porto enfim atracar;
na Casadelfos verde e bonita,
o ar palpita e, cor de luar, 
sob a colina de Almarin, 
brilham num vale diafanizadas,
iluminadas torres de Tírion 
no Lago Sombra sempre espelhadas. 

Lá descansou das duras andanças, 
música e dança por lá aprendeu, 
mil maravilhas foram contadas 
e harpas douradas alguém lhe deu. 
De branco élfico foi revestido 
e, precedido por luzes sete,
passando por Calacilian 
na terra arcana e vazia se mete. 
Viu salões imemoriais
com os anais de anos sem conta,
do antigo Rei viu reinos sem fim
em Ilmarin do do Monte na ponta
novas palavras então aprende
de homens grandes e elfos matreiros 
além do mundo onde há visões
que só se expõe a forasteiros. 

Foi construído novo navio 
todo mithril e al cristalino,
proa brilhante, mas ninguém rema
ou vela trema em mastro argentino: 
a Silmaril sou única luz, 
que ele conduz qual flâmula 
em chama para brilhar junto a Elbereth
que reaparece e logo derrama 
imortais asas para o transporte,
traça-lhe a sorte sempre sua,
zarpar por céus sem litoral 
por trás do sol e da luz da lua.

Das Sempreiguais, colinas pacatas
onde cascatas tecem seu rede,
levam-nos a asas, farol errante, 
Além do grande Monte Parede.
Do Fim-do-Mundo ele desvia
e gostaria de achar a trilha 
do lar, por entre sombras vagando, 
sempre queimando qual astro em ilha 
sobrevoando a névoa ele vem,
chama do além que ao Sol é Clarão,
é maravilhosa de um novo dia
onde águas cinza do Norte vão. 

Por sobre a Terra Média passou 
e ali soou a voz de quem chora,
donzelas élficas e mulheres
dos Dias Antigos, de anos de outrora. 
Mas sobre si levava sua sorte, 
da Lua, até a morte, estrela fadada
a ir queimando sem se deter
para rever sua terra amada; 
pra todo o sempre nesta missão, 
sem que descanso tenha à frente,
longe levar da lâmpada a flama 
qual Porta-chama do Ponente. 


Elbereth Gilthoniel, 
silivren penna míriel 
o menel aglar elenath! 
No-chaered palan-díriel 
o galadhremmin ennorath, 
Fanuilos, le linnathon 
nef aear, sí nef aearon! 


rocure a Espada que foi quebrada: 
Em Imlandris ele está; 
Mais fortes que as de Morgul encantos 
Conselhos lhe darão lá. 
E lá um sinal vai ser revelado 
Do Fim que está por vir, 
E da Ruína de Isildur já acordada, 
E do Pequeno que já vai surgir 


entado ao pé do fogo eu penso 
em tudo que já ví, 
flores do prado e borboletas
verões que já vivi;

As teias e as folhas amarelas 
de outonos de outros dias, 
com névoa e sol de manhã,
no rosto as auras frias. 

Sentado ao pé do fogo em penso
no mundo que há de ser 
com inverno sem primavera 
que um dia hei de ver. 

Porque há tanta coisa ainda
que nunca vi de frente: 
em cada bosque, em cada fonte
há um verde diferente. 

Sentado ao pé do fogo eu penso
em gente que se esfez, 
e em gente que vai ver o mundo 
que não verei de vez 

Mas enquanto sentado eu penso 
em tanta coisa morta 
atento espero os pés voltando 
e vozes junto à porta. 


mundo jovem, verde o monte, 
E limpa era a lua a fronte; 
Sem peia pedra, rio então, 
Vagava Durin na solidão. 
A monte e vale nomes deu, 
De fonte nova ele bebeu; 
No Lago-Espelho foi se mirar 
E viu um diadema estelar, 
Gemas em linha prateada, 
Sobre a fronte ensombreada.

O mundo belo, os montes altos, 
Nos dias antigos, sem sobressaltos 
Em Gondolin e Nargothrond, 
Dos fortes reis que agora vão 
No mar do oeste além do dia: 
Belo o mundo Durin via. 

Rei era ele em trono entalhado, 
Salão de pedra encolunado, 
No teto ouro, prata no chão, 
E as fortes runas no portão. 
A luz da lua, de estrela e sol 
Presa em lâmpada de cristal, 
Por noite ou nuvem não tolhida, 
Brilhava bela toda a vida. 

Lá martelava-se a bigorna, 
Lá esculpia-se a letra que orna; 
Lá se forjavam punho e espada, 
Abria-se a mina, erguia-se a casa. 
Perla, berilo e opala bela, 
Metal plasmado feito tela, 
Broquel, couraça, punhal, machado, 
Lança em monte, tudo guardado. 

O povo então não se cansava; 
Toda a montanha retumbava 
Ao som de harpas e canções 
E trombetas junto aos portões. 

O mundo é cinza, velho o monte, 
Da forja o fogo em cinza insonte; 
Sem som de harpa ou martelada: 
No lar de Durin, sombra e nada. 
Sobre a tumba raio nenhum 
Em Moria, em Khazad-dûm 

Mas inda há estrela que reluz 
No Lago-Espelho, sem vento e luz. 
A sua coroa no lago fundo 
E Durin dorme sono profundo. 


onzela élfica de outrora 
Brilhava a luz do sol: 
No manto branco de ouro orla, 
Nos pés prata de escol. 

Estrela presa sob a testa, 
Luz no cabelo dela; 
Qual sol dourado na floresta 
De Lórien a bela 

Longas melenas, alva tez, 
Linda era e descuidada;
Ao vento ia com rapidez 
De folha desfolhada. 

Junto as quedas de Nimrodel, 
Na água clara e fria, 
Sua voz de prata lá no céu 
Rebrilhando descia.

Não há ninguém que saiba agora 
Se em sombra ou luz está; 
Perde-se Nimrodel outrora, 
Nos montes vagará 

O barco élfico atracado, 
Por monte protegido, 
Por muitos dias ficou ao lado 
Do mar enfurecido. 

Um vento Norte a noite corta 
Com gritos e estertor, 
E o barco élfico transporta 
Por maré de vapor. 

Manhã sombria de terra em sombra, 
Montanha acinzentada, 
Além de altas, arfantes ondas, 
Plumas de espuma e nada. 

Amroth contempla o litoral! 
Já longe do escarcéu, 
A amaldiçoa o barco o qual 
Lá deixou Nimrodel. 

Em Elfo-rei outrora houvera, 
Senhor de vale e planta; 
Abria em ouro a primavera 
Em Lórien que encanta 

Do leme ao mar se foi num salto 
Qual flecha desferida, 
Nas águas fundas vem do alto, 
Falcão em sua descida. 

Fluía o vento em seu cabelo, 
A espuma o envolveu; 
Assim foi visto forte e belo, 
De cisne o nado seu. 

Porém do Oeste não vieram 
Palavras ou sinais; 
Os elfos novas não tiveram 
De Amroth nunca mais.

...incompleta... 


antei as folhas, de ouro folhas, e folhas vi brotar: 
Cantei o vento e o vento veio os galhos farfalhar. 
Além do Sol, da Lua além, no Mar espuma havia, 
Em Ilmarin dourando a praia uma Árvore crescia. 
Em Eldamar na Semprenoite com astros se ostentava, 
Onde Eldamar da bela Tirion os muros encontrava.
Cresceram lá as douradas folhas no ramos anuais 
Enquanto o pranto de elfos cai aquém de nosso cais.
Ó Lórien! Já vem o inverno, o dia sem flor nem vida; 
As folhas na água vão caindo do rio em despedida. 
Ó Lórien! Já por demais do Mar estive deste Lado, 
Entrelacei em coroa murcha o alanor dourado 
Se barcos eu cantasse agora, que barco iria voltar, 
Que barco me conduziria por tão vasto Mar? 


i! Laurië lantar lassi súrinen, 
Yéni únótimë ve rámar aldaron! 
Yéni ve lintë yuldar avánier 
mi oromardi lisse-miruvóreva 
Andunë pella, Vardo tellumar 
nu luini yassen tintilar i eleni

ómaryo airatári-lírinen.

Si man i yulma nin enquantuva?
Na si Tintallë Varda Oiolossëo 
vê fanyar máryat Elentári ortanë 
ar ilyë tier undulávë lumbulë 
ar sindanóriello caita mornië 
i falmalinnar imbë met, ar hísië 
untúpa Calaciryo míri oialë. 
Si vanwa na, Rómello vanwa, Valimar! 

Namárië! Nai hiuvalyë Valimar.
Nai elyë hiruvalyë Valimar.
Nai elyë hiruva. Namárië!

 

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