
opos trincados e pratos
partidos!
Facas cegas,
colheres dobradas!
É isso que em Bilbo causa gemidos-
Garrafas
em cacos e rolhas queimadas!
Pise em gordura, corte a toalha!
Sobre o tapete jogue os
ossinhos!
O leite entornado no
chão se coalha!
Em casa porta há manchas de vinho!
Jogue
essa louça em água fervente;
Soque bastante com esse bastão;
Se nada quebrar por mais que se
tente;
Faça rolar;
rolar pelo chão!
Isso é o que Bilbo Bolseiro detesta!
Cuidado! Cuidado com os pratos de
festa!
ara além das montanhas
nebulosas, frias,
Adentrando cavernas, calabouços cravados,
Devemos partir antes de o sol
surgir
Em busca do pálido ouro encantado.
Operavam
encantos anões de outrora,
Ao som de martelo qual sino a
soar
Na profundeza onde dorme a incerteza,
Em antros vazios
sob penhascos do mar.
Para o antigo Rei e seu elfo
senhor
Criaram tesouros de grã nomeada;
As pedras plasmaram, a
luz captaram
Prendendo-a nas gemas do punho da espada.
Em
colares de prata eles juntaram
Estrelas floridas; fizeram
coroas
De fogo-dragão e no mesmo cordão
Fundiram a luz do sol
e da lua
Para além das montanhas nebulosas, frias,
Adentrando
cavernas, calabouços perdidos,
Devemos
partir antes de o sol surgir
Buscando tesouros há muito esquecidos.
Para seu uso taças foram talhadas
E harpas de
ouro. Onde ninguém mora
Jazeram perdidas e suas cantigas
Por
homens e elfos não foram ouvidas.
Zumbiram pinheiros sobre a montanha,
Uivaram os ventos em noites
azuis.
O fogo vermelho
queimava parelho,
As árvores-tochas em fachos de luz.
Tocaram os sinos chovendo no vale,
Erguiam-se pálidos
rostos ansiosos;
Irado o dragão feroz se insurgia
Arrasando
casas e torres formosas.
Sob a luz da lua fumavam
montanhas;
Os anões ouviram a marcha final.
Fugiram do abrigo
achando o inimigo
E sob seus pés a morte ao luar
Para além
das montanhas nebulosas, frias,
Adentrando cavernas, calabouços
perdidos,
Devemos partir antes de o sol surgir
Buscando
tesouros há muito esquecidos.
i! Que você está tramando?
Aonde você está indo
?
Os pôneis mal andando!
O rio vai fluindo
Ei!
tra-la-la-láli
Aqui embaixo no vale!
Ei! O que você está
buscando?
O que você está fazendo?
A lenha
fumegando,
E as tortas lá se assando!
Ei!
tril-lil-lil-lesta
O vale está em festa
ha!
ha!
Ei! Aonde você está indo
As barbas sacudindo
?
O que olseiro vem trazendo
E Dwalin e Balin
Para
nosso vale
Em junho!
ha! ha!
Ei! você não vai
ficar ?
Você não vai fugir !
Os pôneis vão pastar!
O
sol já vai sumir!
Ficar é bem melhor
E ouvir com
atenção
Até o amanhecer
A nossa canção
ha!
ha!
ate! Rebate! É opaco o buraco
Agarra, petisca!
Prende, belisca!
Descendo, descendo à cidade dos orcs
Se vai,
meu rapaz!
Quebra! Requebra! Esmigalha,
estraçalha!
Martelos e travas! Gongos e aldravas!
Soca, soca,
no fundo da toca!
Ho! Ho!, meu rapaz.
Zunido, estalido! Chicote,
estampido!
Bate e martela! Chora e tagarela!
Trabalha,
trabalha e não atrapalha!
Em meio à bebida, alegres da
vida,
Os orcs tocam no fundo da toca
Lá embaixo,
rapaz!
m cinco pinheiros, quinze passarinhos,
Brisa de fogo
os mantém quentinhos!
Estranhos pássaros, todas desasados!
Que
vamos fazer com esses coitados?
Assá-los vivos ou à
cabidela;
Frita-los, ferve-los, servir na panela?
Queimar,
queimar, samambaia e abeto alvar!
Mirrar, sapecar! a tocha que
chia
A noite ilumina pra nossa alegria
Ya hey!
Assar
e tostar, fritar e torrar!
Que haja barbas ardentes e olhos
vidrados;
Cheiro de cabelos e ossos queimados
em cinzas
jazendo
expostas ao relento!
Assim vão os anões
morrendo,
e ascendendo a noite para nosso deleite,
Ya
hey!
Ya-harri-hey!
Ya hoy!
o campo ressecado vento havia,
mas na floresta nada se
movia:
Trevas soturnas, diurnas, noturnas,
coisas turvas o calor
escondia.
O vento desceu dos montes gelados
rugindo em
ondas qual mar agitado;
os ramos fremiam, a floresta
bramia,
de folhas o chão estava forrado.
De Oeste para
Leste o vento em festa;
cessara o movimento na floresta,
mas
aguda e fatal, pelo pantanal,
sua voz sibilante uiva e
protesta.
Assobia o capim curvando as flores,
batem os
juncos, seguem-se temores:
sobre o lago agitado um céu
calado,
nuvens correndo rasgadas e horrores.
As desertas
montanhas lá se vão,
Varre ele agora a toca do dragão:
trevas
e negrume, pedras em cardume,
fumaça impregna o ar de
escuridão.
Deixa o mundo e sua fuga continua,
sobre os
mares da noite ele recua.
Ao som doce da brisa a lua
desliza,
acende-se uma estrela e a luz flutua.
ranha velha e gorda tecendo sua teia!
Velha e gorda aranha,
você não me apanha!
Aranhinha! Aranhinha!
Você não vai
parar?
Largue dessa teia e venha me pegar!
Aranhoca,
aranhoca, você é só barriga,
Aranhoca, aranhoca, você é uma
boboca!
Aranhinha! Aranhinha!
Você já vai descer?
Não
pode me prender: aqui em cima estou na minha!
Aranha gordona,
aranha bobona,
tecendo a teia pra me pegar.
Minha carne é
gostosa, é a mais saborosa,
mas você não consegue me
achar!
Eu estou aqui, aranhinha malvada;
você é gorda,
você é modorrenta.
Você não me pega, por mais aplicada,
em sua
teia gosmenta.
escendo a escura e rápida corrente
Retorna para a
terra de tua gente!
Deixa o fundo dos antros da entranhas-
O
norte e suas íngremes montanhas
Onde a floresta grande e
tenebrosa
Convive com as sombras pavorosa.
Para além do
arvoredo vai, desliza,
Para o mundo da murmurante
brisa
Passando corredeiras e espraiados
Remansos de juncos
delicados,
Pela névoa que branca sobrevoa
As águas noturnas
das lagoas!
Segue, segue as estrelas que de assalto
Tomaram os
céus e brilham lá no alto
Muda teu rumo pelo amanhecer
Por
rápidos e areias vais descer,
Para o sul, sempre em frente para o
sul!
Buscando a luz do dia, a luz do sol,
De volta as tuas
pastagens, aos teus prados
De onde pascem tuas ovelhas e teu
gado!
De volta aos teus jardins sobre as colinas
Onde há
amoras inchadas e docinhas.
Já sob a luz do dia, à luz do
sol,
Para o sul, sempre em frente para o sul!
Descendo a
escura e rápida corrente
Retorna para a terra de tua
gente!
Rei sob a montanha,
O Rei da pedra
lavrada,
Senhor das fontes de prata,
Vai voltar a sua
morada!
Á sua cabeça sua coroa,
Á sua harpa cordas
novas;
Seu palácio ecoará
Ao som de antigas
trovas.
A floresta na montanha
E a grama e o sol se
agitam;
Sua riqueza jorra em fontes;
Rios de ouro
palpitam.
Felizes correm os riachos,
Queimam os lagos
brilhando,
Não á pranto nem tristeza
Porque o Rei está
voltando!
ob a montanha alta e sombria
De novo o Rei em seu
trono está!
Morto o inimigo, o dragão do perigo,
E sempre
assim o mal tombará.
Cortante é a espada, comprida a
lança,
Rápida, a flecha, forte, o portão;
Nem teme agouro quem
busca seu ouro
Nossos anões justiça terão.
Operavam encantos
anões de outrora
Ao som do martelo qual sino a soar
Na
profundeza onde dorme a incerteza,
Em salas vazias sob penhascos no
ar.
Em colares de prata eles juntaram
A luz das estrelas;
fizeram coroas
De fogo-dragão e do mesmo cordão
Tiraram o som
de harpas e loas.
O Rei da montanha de novo domina!
Ó vós
que passais, ouvi seu clamor!
Vamos correr, não á tempo a
perder!
De amigo e parente o Rei quer dispor.
Pelas
montanhas gritemos todos
"Vamos voltar para o nosso
tesouro!"
Eis ao plantão o Rei de plantão,
Suas mãos cheias de
gemas de ouro.
Sob a montanha alta e sombria
De novo o Rei em
seu trono está!
Morto o inimigo, o dragão do perigo,
E sempre assim
o mal tombará.
eco está o dragão,
Seus ossos espalhados;
A
armadura partida,
O esplendor humilhado!
Se em ferrugem morre
a espada,
Coroa e trono perecem
Com a força e com o
ouro
Que os homens favorecem,
Aqui a grama vai
crescendo,
As folhas se agitando,
Á água clara
correndo,
E os elfos vão cantando.
Venha!
Tra-la-la-láli!
De volta para o vale!
Mais brilhante que
as gemas,
Muito mais, são as estrelas,
A lua é bem mais
branca
Do que a prata, venha vê-la;
Mais ilumina o
fogo
Ao anoitecer no lar
Do que o ouro lavrado
Então
por que vagar ?
Oh! Tra-la-la-láli!
Volte para o
vale!
Ei! Aonde você vai,
Tão tarde
regressando?
O rio vai correndo,
E as estrelas
queimando!
Aonde vai tão carregado,
Tão triste e
deprimido?
Aqui os elfos e suas damas
Recebem o
oprimido
Com tra-la-la-láli!
Volte para o
vale!
Tra-la-la-láli
Fa-la-la-láli!
Fa-la!
m jubilo cantemos em uníssono!
Nas copas sopra o vento
e sobre a grama,
Abre-se a lua, florescem as estrelas,
A torre
da Noite luz derrama
Em júbilo cantemos todos juntos!
A
relva é macia, os pés têm asas!
O rio é de prata, vão-se as
sombras;
É belo o mês de maio em nossa casa.
Cantemos baixinho,
tecendo-lhe os sonhos!
Sem nunca deixa-lo, embalemos seu
sono!
O errante repousa! Seja leve o travesseiro!
Dorme e
sonha tranqüilo! Amieiro e salgueiro!
Calado, Cipreste, até o dia
romper!
Desce, Lua, do céu! Escura seja a terra!
Silêncio,
Carvalho, Freixo e Espinheiro!
Águas, calai, até a luz abrir na
serra!
stradas sempre em frente vão,
Sob copas, sobre pedras
a passar,
Por cavernas sempre sem sol,
Por rios que nunca vêem
o mar:
Sobre a neve que o inverno semeia,
Pelas flores que
junho cultua,
Sobre seixos, sobre o verde capim,
E sob as
montanhas da lua
Estradas sempre em frente vão
Sob nuvens
e estrelas a passar,
Mas os pés que percorrem os caminhos
Um
dia para casa vão voltar
Olhos que fogo e espada conheceram
E em
antros de pedra horror pungente,
Um dia verdes prados recontemplam
E
as colinas e as matas de sua gente.