A Família Burke no Brasil       - 1919-2006

 
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4 – VIVENDO EM PERUS E RETORNANDO À ÁGUA FRIA

(1939-1951)

 

Um Período de Grandes Mudanças

Quando Mr. Burke foi transferido em 1939 para a superintendência da fábrica de cimento em Perus, ele mudou-se com a família para a casa destinada ao superintendente, que ficava numa grande chácara, quase no topo do morro que começava ao lado da estação de Perus (da SPR). Ela distava cerca de um quilômetro da fábrica. Dali tinha-se uma vista de todo o grande vale por onde passava a ferrovia, de boa parte da vila de Perus e dos grandes morros ao seu redor.

Vista aérea da fábrica de cimento da Cia. Perus em 1939. A linha férrea começava ao lado da estação Perus, da SPR (escondida sob a fumaça à esquerda da foto), atravessava toda frente da fábrica e seguia rumo à Água Fria. Na parte de baixo da foto estão oficinas, escritórios, laboratórios, residências da vila operária. No canto esquerdo inferior (entre as árvores) aparece a "Casa Grande", pensão na qual Mr. Burke morou de 1926 a 1928. Um pouco para a direita dos silos da fábrica, vê-se dois caminhos que se juntam na entrada da fábrica (logo acima do vagão que transportava cimento). O caminho de baixo vinha diretamente da estação da SPR. O caminho de cima passava bem em frente da casa na chácara dos Burke, que aparece meio escondida entre as nuvens de fumaça da fábrica (finíssimas partículas de pó de cimento).

 

A casa do superintendente da fábrica de cimento Perus, possuía duas grandes salas, lareira, três dormitórios, cozinha, banheiro e uma ampla varanda na frente. Nos fundos, rente ao barranco, havia uma garagem (que servia de depósito), um banheirinho e uma despensa. Sobre essas dependências externas foi construído um apartamento, com dois quartos, banheiro e ampla varanda. A chácara tinha jardins, horta, árvores frutíferas, roça, pasto, estábulo, galinheiro, tanque para patos, gansos e marrecos; quadra de tênis, cancha de bocha, quiosque e churrasqueira. O pasto e os estábulos eram ocupados pelos cavalos "Baio" de cor creme, e "Ghosty" ("Fantasminha"), totalmente branco, que os Burke montavam para passeios pela região. Nesta foto (tirada vários anos depois de os Burke terem morado ali), aparecem a casa do superintendente e uma composição da EFPP saindo da estação de Perus rumo à Água Fria.   

 

 No carnaval de 1939, as grandes amigas de infância e adolescência de Emma, Frances Hennessy e Anna Colligan, vieram dos Estados Unidos visitar os Burke e levam Mary e Peggy para passear no Rio de Janeiro. Tommy e Eddy se vestiram a caráter para recebê-las... Na outra foto (inverno de 1940), tirada num dia de churrasco, estão: Mr. Burke, com seu inseparável capacete; D. Emma; Tommy, com pedaços de carne nas mãos e na boca; Eddy, segurando uma garrafa de refrigerante (Tubaína), e Teta, espiando por sobre o ombro de D. Emma.

 

Nesta foto de 1939, aparecem: Mary, com 19 anos (pouco antes de adoecer); John, com 16; Peggy, com 18, ao lado de seu "quase noivo" (Orlando Graner, estudante de medicina); Tommy, com 8 e Eddy, com 7 anos de idade. A rede devia ser super resistente...

Nesse mesmo ano, Mary adoeceu e o diagnóstico acusou tuberculose. Foi internada num sanatório especializado em Campos do Jordão, pois o único tratamento receitado para o mal na época era "boa alimentação e muito repouso, num clima  de montanha" (não havia vacinas, remédios ou antibióticos para tuberculose naquele tempo). Durante o tempo em que lá esteve, conheceu no sanatório José Gonçalves (desenhista ilustrador de obras médicas), que se recuperava depois de ter se submetido à operação "costela" (para isolar e desativar o pulmão afetado). Mary e José se enamoraram e ficaram noivos, mas como Mary não apresentava melhoras no seu estado, John e Emma resolveram alugar uma casa em Mogi das Cruzes, onde Mary foi morar, tendo como acompanhante a Rosa Suzuki.

Foto tirada em 1939, em Água Fria, no alto da pedreira 2. Teta havia conhecido João Passos em Perus e estavam namorando. Mary está sobre um monte de pedras, atrás de João. Mr. Burke está atrás da carroça e Tommy e Eddy dentro dela. Ao fundo vislumbra-se a chácara com a grande casa dos Burke.

Em 1940, Tommy, com 8 anos, e Eddy, com 7, foram colocados internos no Colégio São Bento, em São Paulo, tendo o mesmo "triste destino" do irmão John, que havia sido colocado lá em1931. (ver o porquê do "triste" em "Curiosidades e Historinhas").

Em fevereiro de 1941, Peggy, com 20 anos, rompeu com Orlando, decidiu se tornar freira e foi para o convento das Cônegas de Santo Agostinho, em São Paulo. Nunca ficou muito claro se ela rompeu com Orlando para ser freira, ou se foi ser freira porque rompeu com orlando. Nesta foto ela aparece no dia em que completava seu jubileu de freira.

Em 14/07/1941, Teta se casou com João Ferreira Passos, que trabalhava como despachante na estação de Perus, e o novo casal foi morar numa casa da ferrovia. "Passos", como era chamado, havia nascido em 23/03/1913, em Geremoabo, no sertão da Bahia, e quando moço havia tomado parte numa brigada para-militar (uma "volante") que perseguia o bando do famoso cangaceiro Lampião através do sertão nordestino (ver Apêndice E). Em agosto de 1942, Passos foi transferido para a Estação do Ipiranga, em São Paulo, e o casal mudou-se para o bairro do Ipiranga e depois para Vila Prudente, onde nasceram seus filhos Mary e João.

Foi nessa ocasião que Mister Burke e Dona Ema compraram um sítio, com aproximadamente cinco alqueires, em Mogi das Cruzes (parte da antiga fazenda "Caraças"), "para", como diziam eles, "quando nos aposentarmos". Pagaram por ele vinte contos de réis (o salário de John naquela época era de seis contos por mês, que equivaleria, possivelmente, a cerca de 10.000 dólares, hoje). Batizaram-no "Sítio Sétimo Céu".

Em 1941 Mr. Burke foi reconduzido pela Companhia Perus para Água Fria, porque as pedreiras estavam tendo muitos problemas. O casal decidiu, então, estabelecer uma segunda moradia em São Paulo, para facilitar a educação de John, Tommy e Eddy (libertando-os do internato). Alugaram uma casa na Rua Tanabi, no bairro de Água Branca, para onde D. Ema e os três filhos se mudaram (ver próximo capítulo).

Mister Burke retornou à Água Fria, para viver sozinho na antiga casa, que tinha sido "espichada" mais um pouco, com a adição de mais um dormitório, uma cozinha e um banheiro, e dividida "ao meio", para acomodar também a família do médico residente da Companhia: primeiro, Dr. José de Oliveira Ramos e sua esposa D. Celeste, e depois, Dr. Milton Spencer Veras e sua mulher Margarida ("D. Margot"). Algum tempo depois, Dr. Milton e família mudaram-se para Perus, e aquela parte da casa foi ocupada por um engenheiro de minas canadense (Roque Lavoie e sua esposa Berta), contratado pela Cia Perus para ajudar Mr. Burke na administração das pedreiras. Roque recebeu um jeep, o que veio facilitar muito os trabalhos da superintendência.

Ali, Mister Burke passava a semana, sendo a casa cuidada por uma empregada, a Albertina, que não resistia à tentação de comer tudo que Mr. Burke guardava na geladeira... Ele ia visitar a família em São Paulo nos fins de semana.

Nessa ocasião, a Via Anhangüera estava em fase final de construção, e logo surgiu uma linha de ônibus que ia da Lapa, em São Paulo, até Gato Preto, e família passou a utilizá-la nas suas idas e vindas entre São Paulo e Água Fria. No trecho entre Gato Preto e Água Fria (cerca de 7 kms), continuavam a usar o trem "Eme", o "caranguejo", ou a "baratinha" da Cia Perus.

Em 1946, D. Emma deixou Tommy e Eddy em São Paulo, sob os cuidados de Teta e Passos, e voltou para junto de Mr. Burke, em Água Fria. Ficaram morando lá até 1951, quando Mr. Burke, após 25 anos de trabalho na Cia. de Cimento Perus, resolveu pedir demissão (sem qualquer direito a indenização ou a aposentadoria). Essa atitude, meio intempestiva (semelhante à que tomara em 1926 na Cia Light) foi tomada porque a companhia, à qual ele dedicara a maior parte de sua vida profissional, foi vendida pelos proprietários canadenses ao grupo Abdala (do deputado João J. Abdala), e porque, como disse ele, "Não vou trabalhar nem um dia para aquele ladrão!".

Mr. Burke e D. Emma disseram, então, adeus para sempre à Água Fria, e se mudaram para o sítio em Mogi das Cruzes, levando consigo poucos bens e muitas lembranças, e onde ficariam até o fim de suas vidas. Pouco depois, a Cia de Cimento Perus, sob a nova administração, entrou num período de muita agitação, com greves (coisa que nunca tinha acontecido antes), inclusive com a intervenção de uma tropa militar na fábrica, pois começou a faltar cimento na praça. Mr. Burke, no sítio, dizia: "Eu bem que estava adivinhando..." (Ver mais sobre a venda da Cia Perus e seu declínio nos Apêndices C).

 

 

Curiosidades e Historinhas

           

No dia em que os Burke se mudaram de Água Fria para Perus, levaram consigo "Wolf" (Lobo), o cachorro policial da família, e, ao chegarem à nova casa, prenderam-no numa corrente, com medo que ele, estranhando o local, aprontasse alguma. Mr. Burke voltou para Água Fria para tratar da mudança do resto das coisas que tinham ficado lá, onde passou a noite. Quando acordou na manhã seguinte, ficou espantado ao ver Wolf, molhado e sujo, abanando o rabo e pulando de satisfação ao ver seu dono. A surpresa foi causada pelo fato de que Mr. Burke tinha deixado Wolf acorrentado em Perus, a vinte quilômetros de Água Fria, pouco antes do anoitecer. Telefonou imediatamente para a família dando a notícia, o que foi motivo de alegria, pois todos es-

tavam muito preocupados com o desaparecimento do cachorro querido (cedinho haviam encontrado a corrente arrebentada e nem sinal do Wolf). Todos ficaram muito admirados, especialmente por ele ter voltado até Água Fria, em poucas horas, na escuridão da noite, por um caminho desconhecido, não pela ferrovia, mas por um percurso mais direto pela mata, subindo e descendo morros, e atravessando rios e riachos, o que explicava o fato de ter chegado totalmente molhado e enlameado.

Talvez um dos maiores traumas da vida de Tommy e Eddy, tenha ocorrido quando eles foram colocados em 1940 para estudar, como internos, no Colégio São Bento. É fácil imaginar a "tortura" de dois moleques ¾ que nunca tinham ficado longe dos pais e irmãos; que tinham sido criados soltos, pescando, caçando, nadando pelados em rios e lagoas, "pintando e bordando", e que nunca tinham freqüentado uma escola ¾ se verem trancados num colégio de monges beneditinos, bem no meio da maior cidade do Brasil. Não bastasse isso, foi simplesmente terrível terem que se submeter a uma disciplina "nazista" (como diziam), tendo que se levantar às seis, assistir missa na capela antes de tomar café (uma vez por semana eram obrigados a se confessar e comungar); assistir aulas o dia todo, somente interrompidas por um intervalo para o almoço e um pequeno "recreio" no pátio de terra. Eram obrigados a rezar antes de comer, tinham que ficar em silêncio, e comer arroz e feijão (comida que os Burke simplesmente não gostavam), e carne com um molho ralo ("carne humana", como a chamavam). Após o jantar, tinham que voltar à sala de aula, para estudar e fazer as lições, e depois ir à capela para rezar, antes de irem para o grande dormitório "dos menores", cujas grandes janelas davam diretamente para o Largo São Bento, de onde, em vez de sons de sapos, grilos e corujas, com os quais estavam acostumados, só se ouvia o barulho dos bondes que por ali circulavam.

Não bastassem essas torturas, eles eram obrigados a participar de exercícios do batalhão da escola, e desfilar fardados pelas ruas da cidade em dias comemorativos. Não é de admirar que Tommy, até hoje, às vezes, ainda sonha estar "no São Bento" e acorda assustado... Na sua opinião, compartilhada por Eddy, se há uma coisa que mereça ser chamada de "pesadelo", essa coisa foi o internato no Colégio São Bento. Felizmente ele durou só a "eternidade" de um ano letivo (no ano seguinte, mudaram para o regime um pouco menos terrível de semi-internato).

Quando Mr. Burke e D. Emma compraram o sítio, que ficava a 800 metros da estrada para Capela do Ribeirão (Km 4,5), foi lhes dito que aquela estrada iria ser prolongada até a praia da Bertioga, logo. Os Burke sempre sonharam com o dia em que poderiam descer com freqüência até a praia, coisa que costumavam fazer nas férias, desde os tempos de Água Fria, indo de trem até Santos e tomando a barca até Bertioga. Lá, hospedavam-se na Pensão Besser (ao lado do antigo forte), bem em frente da entrada do canal, e mais tarde na Pensão Paulista, do Seu Elias Nehme, uns quinhentos metros adiante, na frente da praia. Mas a estrada Mogi-Bertioga foi aberta somente muitos anos mais tarde pela Prefeitura de Mogi das Cruzes (gestão de Valdemar da Costa Filho), e depois assumida pelo Governo do Estado, quando só a família do Eddy ainda vivia em Mogi (ver 6 – Voltando a Viver no Campo).

John, Tommy e Eddy gostavam de "tomar banho" e "nadar" no riozinho que passava pela vila de Perus, perto da fábrica e ia desaguar no Rio Juqueri, perto de Caieiras. O local preferido ficava do outro lado da vila, distante uns dois quilômetros de onde moravam. Naquele ponto, o riozinho se alargava, formando um remanso, no centro do qual havia uma ilhota. Nadavam pelados, deixando a roupa estendida na relva. John nadava muito bem (mais tarde veio a se tornar campeão de nado livre dos 800 e 1.500 metros nos jogos universitários). Tommy e Eddy, só sabiam nadar "cachorrinho", ficando sempre bem perto da margem, onde dava pé. Um dia, John levou Tommy e Eddy até a ilhota e voltou para a margem, deixando-os ilhados, e insistindo para que eles voltassem sozinhos. Diante da falta de confiança dos dois irmãos em sua capacidade de vencer aquela distância, onde não dava pé, John resolveu blefar. Vestiu-se e disse que ia voltar para casa e deixa-los ali, e começou a ir embora. Meio desesperados, Tommy e Eddy se atiraram na água e sem muita dificuldade conseguiram chegar à margem. Eufóricos e confiantes, voltaram várias vezes até a ilhota...

Alguns dias depois desse glorioso acontecimento, os três estavam peladinhos e felizes na ilhota, quando surgiu um policial fardado, dizendo que não seria mais permitido nadar sem roupa ali, porque algumas mulheres que moravam perto dali, e de onde podiam avistar os moleques nadando pelados, tinham ido à delegacia reclamar. O guarda disse que se fossem pegos novamente sem roupa, seriam presos... Passados mais alguns dias, numa tardinha, lá estavam eles novamente nusinhos e felizes na margem do rio, quando viram o guarda se aproximando. Pularam na água e nadaram para a ilhota, pensando que o guarda não poderia prendê-los lá. O policial não se atreveu a entrar na água, apenas passou um tremendo sabão nos moleques, pegou todas as roupas deles e foi embora, dizendo que se quisessem reavê-las, teriam que ir até a delegacia. Assustados, resolveram esperar até que a noite chegasse, e depois irem para casa no escuro, para não serem vistos.

Quando escureceu, saíram nusinhos e foram para casa, atravessando toda a vila e a passarela sobre a estrada de ferro, ao lado da estação de Perus, se escondendo atrás de postes ou em terrenos baldios sempre que viam o vulto de alguma pessoa se aproximando. Quando finalmente chegaram em casa, a família estava preocupadíssima, pois Tommy e Eddy nunca chegavam em casa depois de escurecer. A preocupação virou um misto de alívio e espanto ao verem os dois chegando do jeito que vieram ao mundo... e logo contando o que acontecera.  No dia seguinte, Mr. Burke foi com os dois (devidamente vestidos) até a delegacia, para pedir desculpas, prometer que o fato nunca mais se repetiria, e reaver as roupas. O delegado pediu mil desculpas pelo acontecido, dizendo que o soldado não sabia que os moleques eram filhos de Mr. Burke, pois se soubesse, ele nunca teria feito o que fez. Tommy e Eddy saíram com cara de estarem arrependidos, mas por dentro estavam felizes da vida, pois a fala do delegado significou para eles que dali em diante poderiam nadar pelados sempre que quisessem, e que o guarda nunca mais iria perturbar "os filhos do Mr. Burke"... Mas a festa durou pouco, pois logo se viram internos no Colégio São Bento em São Paulo. Até hoje, Tommy e Eddy não sabem explicar o motivo pelo qual se recusavam a levar seus shorts de banho quando iam nadar. Provavelmente, mais um daqueles mistérios insondáveis da mente humana...

Tommy e Eddy mantiveram seu fascínio por nadar em rios durante muito tempo. Nesta foto. eles estavam com 17 e 16 anos, respectivamente, e aparecem (agora com trajes de banho...) entrando no Rio Juqueri, em companhia de amigos da família Veras, perto da estação do Entroncamento da E.F.P.P.

 Um dia, D. Emma mandou Tommy ir até o barbeiro, que ficava ao lado da estação, para cortar o cabelo, dizendo que era para pedir ao barbeiro para passar a "maquina zero" na cabeça toda. Tudo corria normalmente, até o momento em que o barbeiro foi chamado com urgência por algum motivo e saiu apressado, dizendo que voltaria logo e deixando o freguesinho na cadeira, com metade de um lado da cabeça raspada e a outra metade cabeluda. Passado mais de uma hora sem sinal do barbeiro, Tommy desceu da cadeira, tirou a toalha de envolta do pescoço e foi embora para casa. No caminho, as pessoas olhavam espantadas ao vê-lo com aquele estranho corte de cabelo... D. Emma quase caiu de costas quando viu Tommy chegar em casa daquele jeito... Depois do susto e dos devidos esclarecimentos, D. Emma resolveu esperar até o dia seguinte para mandá-lo de volta ao barbeiro, para terminar o corte e pagar os quatrocentos réis que devia pelo serviço. O coitado teve que passar pelo suplício de ver as pessoas olharem admiradas para ele outra vez..., mas, no fim, Tommy pôde voltar para casa com a cabeça em ordem (externa e internamente...).  

Outra traquinagem da dupla Tommy-Eddy foi quase atear fogo na casa, quando decidiram acabar com os pernilongos que ficavam escondidos durante o dia na despensa. Pegaram um montão de jornais velhos e meteram fogo nele... Felizmente alguém conseguiu jogar água no "exterminador de pernilongos" antes que a coisa acabasse num grande desastre pirotécnico...

Foto da vila de Perus em 1948. Tommy e Eddy, junto com membros da família Veras, sobem o caminho que ia da estação de Perus até a casa onde os Burke viveram de 1939 a 1942 no alto do morro (agora ocupada por outra família). A estação ficava bem no centro da foto (parcialmente escondida por árvores). À esquerda da estação e ligeiramente acima, ficava o campo de futebol do clube SPR. Ao lado esquerdo do vagão de passageiros da Cia de Cimento Perus (que aparece um pouco abaixo e à esquerda da estação) vê-se algumas das casas da rua principal da vila, e pela qual Tommy e Eddy passavam indo e voltando dos banhos no riozinho, e por onde, num memorável anoitecer, passaram totalmente nus.

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