A Família Burke no Brasil       - 1919-2006

 
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1 - RAÍZES - (1170-1919)

 

Os Antepassados dos Burke & Roggemann           

A família dos Burke no Brasil, do ponto de vista genético, começou de fato como família Burke & Roggemann. Ela pode ser vista como uma árvore nascida em solo brasileiro, mas cujas raízes mais profundas encontram-se enterradas nos Estados Unidos, na Irlanda e na Alemanha (antiga Prússia). Da Irlanda veio a linhagem dos Burke, e da Alemanha a linhagem dos Roggemann. Essas duas raízes se fundiram duplamente, nos Estados Unidos, quando Peter Sebastian Roggemann se casou com Theodora Margaret Burke e John Ulic Burke se casou com Emma Anna Roggemann.(Peter era irmão de Emma, e Theodora irmã de John)

Devido ao costume patriarcal de se colocar o sobrenome do pai e não o da mãe nos filhos, a árvore nascida do casamento de Peter Sebastian Roggemann com Theodora Margaret Burke se tornou a família Roggemann (desenvolvida nos EUA), enquanto que a árvore nascida do Casamento de John Ulic Burke com Emma Anna Roggemann se tornou a família Burke, desenvolvida no Brasil, a partir de 1919.

As histórias registradas das origens mais remotas das duas famílias começam, do lado dos Burke, na Irlanda, em 1170, com a chegada de um imigrante da família de Burgo vindo da Normandia (ver mais nas notas no final deste capítulo e no Apêndice). Somente centenas de anos mais tarde é que aparece o primeiro registro oficial de um Burke irlandês possivelmente mais diretamente ligado aos Burke brasileiros, com Dominick Burke (1694-1764). Do lado dos Roggemann o registro mais antigo é de Henneke Roggemann, na Prússia, em 1490.

Apesar da existência de uma vasta documentação a respeito dos vários ramos de Burke na Irlanda, a linha de ascendência direta dos Burke brasileiros é muito mal documentada. Dela constam apenas: Dominick Burke (1694-1764), que casou com Elizabeth Comerford; Peter Ulic Burke (1798-1868); Peter Nicholas Burke (1829-1905), que emigrou em 1850 para os EUA, onde se casou com Jane Elizabeth Quin (1837-1925), nascida em Nova York, filha de Edward Quin (1794-1855) e Margaret Mary Kernan (1813-1844); Charles Francis Paul Burke (1861-1935) e John Ulic Burke (1891-1978), que casou com Emma Anna Roggemann (1895-1989), e que emigrou para o Brasil em 1919.

Peter Nicholas Burke (1829-1905) teve seis filhos nos EUA: Edward Quin Burke (1859-1913); John Ulic Burke (1860-1893); Charles Francis Paul Burke (1861-1935); Margaret Mary Burke (1863-1943); Sarah Burke (1865-1955) e Thomas Daly Joseph Burke (1868-1955). 

Charles Francis Paul Burke, nascido em 09/10/1861, em Nova York, casou em 1887 com Henrietta Elizabeth Genevieve Blume, nascida em 1864 (filha de Theodor Blume e Caroline E. André). Eles tiveram os seguintes filhos: Theodora (Theo) Margaret Mary Burke (1888-1961), Florence Mary Josephine Burke (1890-1967), John Ulic Mary Burke (1891-1978), Charles Francis Mary Burke (1893-1967), Henrietta Adele Mary Burke (1894-1966), Edward Joseph Mary Burke (1895-1895), Gertrude Agnes Mary Burke (1897-1965), Alphonsus Mary Burke (1898-1898). Em maio de 1899, a esposa de Charles, Henrietta, deu ainda à luz dois gêmeos natimortos, e pouco dias depois ela faleceu, aos 35 anos de idade, deixando seis filhos órfãos. O nome Mary, que aparece em todos os filhos do Casal Charles & Henrietta, foi dado apenas no batismo e não aparece nos registros oficiais.

Após a morte de Henrietta, os seis filhos do casal, com idades entre 2 e 11 anos (John tinha 8 anos), foram colocados em internatos educacionais, em Rockaway, N.Y., e ali ficaram até 1903, quando Charles casou, em segunda núpcias, com Julia Eleanor Martin, nascida em 1865. Eles, então, voltaram a viver com o pai Charles e a madrasta Julia. O novo casal não teve filhos. (Veja mais sobre esse período em Documentos Memoráveis).

 

 

Fotos da família de Charles F. Burke. Na primeira (de 1902), aparecem: Theodora (no alto); Charles F. Burke (no centro); na esquerda John; na direita Charles; no centro, Florence, Gertrude (no joelho do pai) e Henrietta. Na segunda foto (de 1906), aparecem (do canto esquerdo superior para a direita): Theodora, Florence, John, Charles, Henrietta e Gertrude.

Depois que John Ulic Burke, se casou com Emma Anna Roggemann e o casal veio viver no Brasil, em 1919, Charles e Julia vieram várias vezes, de navio, visitar a nova família que aqui se desenvolvia. Quando Charles, no início de 1935, sentiu que estava chegando ao fim de sua vida, começou a dizer que não morreria antes do mês de maio, provavelmente lembrando-se dos seus dois filhos gêmeos natimortos e de sua primeira esposa que haviam morrido em maio de 1899. De fato, ele faleceu no dia 1o. de maio de 1935, em Nova York, aos 74 anos de idade. Coincidentemente, seu neto Charles Francis Burke, filho de John Ulic Burke, faleceu exatamente um mês depois, no Brasil, com apenas 9 anos de idade. Julia Eleonor só veio a falecer em 1964, aos 99 anos de idade.

 No tronco dos Roggemann, a história registrada começa com Henneke Roggemann, nascido em 1490 na Prússia. Depois, vem uma série de Roggemann, cerca de dez gerações, durante as quais aparecem os nomes de família Limberg-Roggemann e Limberg Von Roggemann. Três irmãos Limberg Von Roggemann (Clemens, Caspar e Therese) emigraram para os EUA, N.Y., em 1856. Clemens (1829-1870) permaneceu nos EUA, usando apenas o sobrenome Roggemann. Seus dois irmãos que foram para a Austrália adotaram apenas o sobrenome Limberg, dando origem aos ramos australianos da grande família Limberg-Roggemann.

                    

 

Um descendente americano de Clemens Roggemann (Limberg Von Roggemann) foi Sebastian Peter Roggemann (1862-1902), que se casou com Elizabeth Forschback (1864-1920). Desse casamento, nasceram: Peter Sebastian Roggemann (1886-1981), Margaret Roggemann (1888-1955), Emma Anna Roggemann (1895-1989) e Elizabeth Gertrude(Elsie) Roggemann (1899-1960)

 

 

Esta foto é chamada pela família Roggemann de Peter Forschback 1870 Road House Nesta casa, nas proximidades de Nova York, nasceu, em 1864, Elizabeth Forshback (a menina  em frente da janela), que 31 anos mais tarde se tornou mãe de Emma A. Roggemann. Na porta está Peter, de avental, e na outra janela a mãe de Elizabeth, Margaretha Shott. Na casa funcionava uma espécie de empório. Alguns anos mais tarde, a casa foi destruída por um incêndio, sendo erguida outra no mesmo local.

 

                                  

 

O Casal John Ulic Burke e Emma Anna Roggemann, pouco antes de seu casamento em 13/10/1919 e embarque para o Brasil, onde acabaram se radicando para o resto de suas vidas. 

O casal Peter Sebastian Roggemann & Theodora Margaret Mary Burke tiveram os seguintes filhos: Peter Sebastian Roggemann (1916-1998), John Francis Roggemann (1917-1927), Paul Joseph Roggemann (1919-1995), Francis Adam Roggemann (1920-1990), Mary Constance Rose Roggemann (1922), Charles David Roggemann (1923), Theodora Marie Roggemann (1924), Gertrude Roggemann (1926), Joseph Thomas Roggemann (1927-2001) e Elizabeth Jeanne Marie Roggemann (1929-1997). 

Um fato interessante foi que quatro anos antes de John e Emma se casarem, em 13/10/1919, a irmã de John, Theodora (Theo) Burke, havia se casado com Peter Sebastian Roggemann, irmão de Emma. O casal Peter Sebastian Roggemann e Theodora Margareth M. Burke (Roggemann), permaneceu nos Estados Unidos, fundando um novo ramo dos Roggemann naquele país, enquanto que o casal John Ulic Burke e Emma Roggemann (Burke) veio para o Brasil em 1919, dando origem ao ramo brasileiro da família Burke. As duas novas famílias praticamente não tiveram mais contato, exceto por uma ou outra visita e trocas esporádicas de correspondência.

Sabe-se da existência de muitos outros Burke, em várias partes do mundo, mas sobre eles não se dispões de informações que permitam avaliar até onde teriam uma origem comum. A única coisa que se pode ter certeza é que todos teriam começado na Irlanda, com os de Burgo. O mais famoso deles foi Edmund Burke (1729-1797), nascido em Dublin, que se tornou um notável político e escritor inglês, líder do pensamento conservador, e um dos maiores oradores do seu país. Já nos Estados Unidos, os mais conhecidos foram Thomas Martin Aloysius Burke, que veio a se tornar o quarto bispo de Albany, de 1894 a 1911; Kenneth Duva Burke (1897-1993), filósofo e crítico literário, e William Bourke Corcaran (1884-1957), orador e estadista. (sobre outros Burke notabilizados, ver o Apêndice).

Resumindo, o casal John Ulic Burke & Emma Anna Roggemann, que emigrou para o Brasil em 1919, teve a seguinte origem mais recente (últimos 500 anos):

 

Linha de ascendência de John Ulic Burke: (pelo lado paterno) 

- Possivelmente um dos MacWilliam Iochtar Burke [ramo dos Burke que viviam em Sligo,   Irlanda, por volta de 1500]

- Várias gerações de Burke não identificados

- Dominick Burke  (1694-1764)  [Irlanda. Casou com Elizabeth Comerford]

- Burke (não identificado)

- Peter Ulic Burke (1798-1868) [Offaly, Irlanda]

- Peter Nicholas Burke (1829-1905) [Mayo, Irlanda . Emigrou para os EUA em 1850. Casou com Jane Elizabeth Quin (1837-1925) ]

- Charles Francis Paul Burke (1861-1935) [Nasceu em N. York.Casou (1) com Henrietta Elizabeth Genevieve Blume  (1864-1899), e (2) com Julia Eleanor Martin (1865-1964)]

- John Ulic Burke (1891-1978) [Nasceu em N.York. Casou em 1919 com Emma Anna Roggemann (1895-1989).Emigrou para o Brasil em 1919]

 

Linha de descendência de Emma Anna Roggemann: (pelo lado paterno)

- Henneke Roggemann  (1490-?)  [Prússia]

- Henneke Roggemann  (1520-1600)

- Volpert Roggemann  (1550-?

- Volpert Roggemann  (1580-?)

-  ? Roggemann  (1615-1643)

- Ebert Roggemann  (1640-?)

- Heinrich Roggemann  (1661-1746)

- Anna Catharina Roggemann  (1690-1758)

- Christian Limberg (1707-1787) [casou com  Anna Eva Maria Elizabeth Roggemann (1719-1797)

- Johann Heinrich Limberg-Roggemann  (1740-1810)

- Johann Heinrich Caspar Limberg-Roggemann  (1771-1816)

- Johannes Josef Heinrich Limberg-Roggemann  (1795-1848)

- Clemens Limberg Von Roggemann  (1829-1870) [Emigrou para os EUA em 1856]

- Sebastian Peter Roggemann  (1862-1902) [Casou com Elizabeth Forschback (1864-1920)]

- Emma Anna Roggemann  (1895-1989) [Nasceu em N. York. Casou em 1919 com John Ulic Burke (1891-1978).Emigrou para o Brasil em 1919.

Todos os verdadeiros Burke (com ou sem esse nome) do Brasil carregam consigo, em maior ou menor grau, uma mistura de genes Burke e genes Roggemann (conforme porcentagem que consta da Relação Nominal). Do ponto de vista genético, são, portanto, todos Burke-Roggemann. Para uma rápida visão dos antepassados mais recentes, veja a Árvore Genealógica 6-A

 

Documentos Memoráveis         

 

Dos primeiros anos de John Ulic Burke e Emma Anna Roggemann no Brasil, restam agora poucas relíquias: o passaporte de John, de 1916, onde consta business in Brazil, Argentina and Uruguay; o passaporte de John e Emma de 1919; um aparelho para medir granatura de papel (espessura e resistência); um cheque de US$100.00 (que nunca foi descontado); um relógio de sala; uma mesa de jantar circular; o anel de brilhante que John deu a Emma quando se casaram; uma tijelinha para doces que os pais de Emma (Sebastian Peter Roggemann e Elizabeth Forschback) ganharam quando se casaram; uma bíblia contendo anotações manuscritas sobre nascimentos, casamentos e mortes de membros da família; um baú de viagem; a certidão de casamento de John e Emma e também várias cartas e fotos antigas.

                   

Parte do passaporte de John U. Burke, de 1916, quando ele, ainda solteiro, veio para o Rio de janeiro a serviço.

 

                                          

                 As fotos de Casal John e Emma, do passaporte de 1919

 

Entre os documentos memoráveis, também foram encontradas várias cartas bem antigas, algumas das quais contém passagens muito significativas, que revelam o modo como os Burke que deram origem ao ramo brasileiro da família enxergavam a vida e os acontecimentos. A seguir, estão as algumas peças daquela correspondência. (As cartas originais foram todas escritas em inglês e as traduções foram feitas por Thomas J. Burke, procurando faze-las o mais literalmente possível). 

Quando Henrietta Elizabeth Genevieve Blume, a mãe de John Ulic Burke, faleceu em maio de 1899, com 35 anos de idade, em conseqüência de um aborto de dois gêmeos, ela deixou 7 filhos, 3 meninos e 4 meninas, com idades de 2 a 11 anos. John estava com 8 anos. O pai das crianças, Charles Francis Paul Burke, com 38 anos, que trabalhava no The National Park Bank of New York, não tendo como cuidar pessoalmente delas, colocou-as todas em internatos educacionais. Ali permaneceram até que em 1903 Charles se casou com Julia Eleonor Martin, com 38 anos, quando voltaram a viver juntos novamente, agora sob os cuidados da madrasta Julia. Dentre as cartas daquela época, as três seguintes, de Charles para seu filho John, são especialmente reveladoras:

(carta de 07/06/1900)

 

           

(tradução)

The National Park Bank of New York

June 7, 1900

Meu próprio querido menino John:

Eu devo escrever e lhe agradecer por sua carta muito bonita que você me mandou. Eu estou tão orgulhoso do meu querido menino por saber que ele pode escrever e soletrar tão bem, e faz papai muito feliz receber uma bela carta que seu próprio querido menino escreveu com sua própria preciosa mão. Como é que você sabe, meu menino, que o papai valoriza aquelas suas belas linhas mais do que ele consegue dizer ao seu pequeno homem? Papai guardará a primeira carta de John junto com aqueles pequenos tesouros que ele guarda com muito cuidado, pois ele tem muitos deles, e então, algum dia, você ficará surpreso quando Papai o mostrar ao seu menino, pois eu nunca me apartarei dele, meu pequeno filho. Você será um homem então, meu menino, um grande e bom homem eu espero e rezo. Porque você sabe que não serve para nada crescer a menos que a gente cresça bem, e papai anseia ver todos os seus queridos meninos e meninas crescerem para se tornar bons e verdadeiros homens e mulheres, Agora, meu próprio menino, você pode facilmente crescer bem se você apenas se lembrar desta pequena regra: Nunca pense, nunca diga, nunca faça o que for mau. Agora, aprenda essa linha de forma que você a saiba até domingo para seu sempre amante ,  Papai. 

(carta de 14/06/1900)

The National Park Bank of New York

June 14,1900

Meu próprio querido pequeno homem:

            Papai sabe que seu querido menino tem estado a esperar por um longo tempo por uma carta dele, então ele escreverá para seu pequeno homem apenas para lhe dizer que ele ama seu menino com todo seu coração, e que ele pensa nele muitas vezes durante o dia. Você sabe, menino, eu penso que os corações dos bons pais devem ser feitos de borracha, porque não importa quantas pequenas pessoas se apertam dentro deles sempre existe lugar para todas elas, pelo menos isso é verdade com o coração do papai, pois todos os seus queridos meninos e meninas lhe são os mais preciosos.[...] Você sabe, meu menino, que você crescera bom se você for bom enquanto você for menino, e você será um menino muito bom, meu pequeno homem, se você apenas pedir ao bom Jesus, que um dia foi menino como você, para lhe ajudar. Reze a ele e a sua virgem mãe, e tenha cuidado para nunca pensar, dizer ou fazer o que é mau, e você será um bom e feliz menino e homem, e algum dia um brilhante santo com Deus e sua querida mamãe, e, eu espero, com o seu sempre amante papai..

 

(carta de 27/11/1900)

The National Park Bank of New York

November 27/1900

Meu próprio querido menino John:

            Deus abençoe meu querido pequeno homem no dia do seu nono aniversário, pois será nessa data importante que você receberá. Sim, que o bom Deus o abençoe meu próprio querido menino e o mantenha puro, verdadeiro e honesto, para que cada aniversário sucessivo deste dia encontre meu menino fazendo a grande obra da vida para a qual todos estamos neste mundo, ou seja, fazer o certo e odiar o  mal.

Este é desejo de aniversário do papai para seu menino, e este é o desejo da querida mamãe que hoje olha para baixo do céu para seu menino lembrando tão amorosamente e carinhosamente que foi a nove anos hoje que Deus lhe mandou seu primeiro pequenino filho, e, enquanto ela relembra a grande alegria daquele dia, ela ama seu menino com um profundo e suave amor, que só é dado aos puro santos de Deus que o vêm face a face. Portanto, meu menino, você procurará pensar nela com freqüência neste seu aniversário. Lembre-se o quanto ela verdadeiramente o ama e que ela vela por ti e reza por você sempre com um amor maior até mesmo do seu próprio sempre amante papai. 

            Vinte dois anos depois dessas ternas cartas terem sido escritas, John tinha crescido e se tornara o homem forte, bom e correto com o que tanto sonhara seu sempre amante pai.   Estava casado com Emma Anna Roggeman, vivia no Brasil, em Santo Amaro, e já tinha duas filhas, Mary e Margaret. Havia seguido e continuaria a seguir durante o resto de sua vida aquela regra de ouro que havia aprendido quando pequeno do seu pai: Nunca pense, nunca diga, nunca faça o que for mau.  

 

 

Notas Complementares

 

  A Irlanda

            Sabe-se que a ilha da Irlanda (Eire) foi habitada por caçadores e pescadores desde 6000 a.C. Quando os celtas (povo de origem indo-européia) passaram a ocupá-la, por volta 2000 a.C., o território já era dominado por mais de cem pequenos reinos independentes, lutando entre si, destacando-se os de Ulster e de Connaught. Em 795 os noruegueses (vikings) invadiram a região e a dominaram pelos próximos 200 anos, dando-lhe o nome de Eire. Em 1175 o Eire passou para o domínio da Bretanha (nome da Inglaterra, que estava sob o domínio dos celtas e dos bretões do noroeste da Europa). A população da região sempre foi predominantemente católica, até que por volta de 1547 foi introduzido oficialmente o protestantismo, com o que se revoltou a maioria católica, que conseguiu restaurar o catolicismo como religião oficial em 1553. Mas novas lutas entre católicos e protestantes voltaram a acontecer entre 1559 e 1652, especialmente nos condados do norte, onde se concentrava a população protestante. Em 1801 o Eire passou a fazer parte do reino da Grã-Bretanha e Irlanda.

  Em 1921 a Irlanda tornou-se oficialmente estado livre, mas sob domínio do soberano inglês. A independência somente ocorreu de fato em 1937, quando o nome Eire se tornou oficial, mas os seis condados da Irlanda do Norte, predominantemente protestante, permaneceriam sob o domínio inglês, até o dia em que eles decidissem se queriam fazer parte do Eire. Em 1985 foi assinado um acordo pelo qual a Irlanda do Norte ficava unida à Grã-Bretanha, mas protestantes e católicos nunca conseguiram chegar a um acordo sobre essa questão e continuam até hoje a brigar entre si e com os ingleses, inclusive com exércitos clandestinos de libertação praticando atos de terrorismo.

Entre os anos de 1845 e 1849 a região foi assolada pela grande fome e uma epidemia de tifo, fazendo com que enormes levas de irlandeses emigrassem para os EUA. Mas as emigrações continuaram bastante intensas ainda até por volta de 1900. Foi nessa ocasião que chegaram aos Estado Unidos os primeiros Burke, com esse nome, e muitos outros descendentes dos de Burgo e Burke, muitos com nomes de família trocados. (ver abaixo Origem do nome Burke e também o Apêndice)

John Ulic Burke (1891- 1978), o fundador do ramo brasileiro dos Burke, dizia que seu avô e seu bisavô, Peter Nicholas Burke (1829-1905) e Peter Ulic Burke (1798-1868), respectivamente, tinham vivido em Sligo, no Oeste da Irlanda, porém, nos registros oficiais consta que ambos nasceram em Swinford, Condado de Mayo. Provavelmente isso se deva ao fato de que o condado e a pequenina cidade de Sligo ficam muito próximos da cidade de Swinford, que é bem maior, e onde suas mães teriam ido para darem à luz seus filhos (ver mapa no Apêndice). De qualquer forma, essa região da Irlanda foi o berço dos de Burgo irlandeses, que deram origem aos Burke e a várias outras famílias que simplesmente mudaram seus nomes por causa dos desentendimentos e lutas entre eles. (Para mais detalhes sobre a história da Irlanda e dos Burke, veja o Apêndice).

 

A Normandia e os Normandos (origem européia continental dos Burke)

            A Normandia é uma região ao noroeste da França, à margem do Canal da Mancha, entre a baía do Sena e o golfo de Saint Malo. Foi ali que se deu a invasão da Europa pelas forças aliadas em 1944, no famoso Dia D, da II Grande Guerra. A Normandia foi habitada desde o período paleolítico, e foi conquistada por vikings e normandos. Com o passar dos anos, foram se formando pequenos principados e reinados, como em toda a Europa. Daquela região saiu Guilherme I o Conquistador, que em 1066 conquistou a Inglaterra. Dali, cem anos mais tarde, saíram os de Burgo, que deram origem aos Burke da Irlanda. A linhagem dos de Burgo foi reconstituída diretamente até o Conde Burgo, Carlos Magno, Pepino o Pequeno, Charles Martel (o Martelo), Clóvis o Grande, e até quase 100 anos antes de Cristo, com Cassander de Sicambri, que combateu o imperador romano César. É bem possível que daí tenha se originado a lenda de que os Burke brasileiros têm sangue azul.

           

- Origem do Nome Burke

            Em maio de 1170, um membro da família de Burgo emigrou da Normandia para a Irlanda. Chamava-se William de Burgh (ou talvez Fitz Adelm de Burgo) e recebeu de Henry II, rei da Inglaterra, uma grande extensão de terras em Connacht, na Irlanda (na região onde hoje ficam os condados de Galway, Mayo, Sligo e Roscommon). Cinqüenta anos mais tarde, o filho dele, Richard de Burgo, construiu um castelo ali, como parte de sua campanha para tomar posse das terras que haviam sido doadas ao seu pai. Com o passar dos anos os de Burgo foram se espalhando por toda a Irlanda e Inglaterra, e o nome de Burgo foi se modificando (anglicisando), passando por de Burgh, Burke e também Bourke, mas finalmente se generalizou como Burgh e Burke. É quase certo que de Burgo (de Burgh) significasse do burgo, da cidade.

            Em pouco tempo, os vários sub-ramos dos de Burgo (Burke) foram se separando e brigando entre si, inclusive assumindo outros nomes como MacDavie, MacHugo, MacRedmond, MacGibbon e MacSeóinín. (Mac significando o filho de). A principal separação entre os Burke foram dos MacWilliam Uachtar Burke, de Galaway, e MacWilliam Iochtar Burke, de Mayo. Essas contendas acabaram fragmentando a grande família em três clans: os ClanRickarde Burke, em Galway; os MacWilliam Iochtar Burke, em Mayo, e os ClanWilliam Burke, no Sul de Tipperary . (Para mais detalhes, ver o Apêndice).

 

- Origem do Nome Ulic

Tornou-se prática na família de Burgo, e depois entre os Burke, darem ao filho mais velho de cada casal o nome de Guillaume (William, Guilherme), uma homenagem a Guilherme I - O Conquistador, nascido na Normandia em 1028, que havia invadido e conquistado a Inglaterra em 1066 e a governou até sua morte em 1087. Com o passar dos tempos, Guillaume (William) foi sofrendo uma contração gaélica (gaélico = língua falada na Irlanda) e se tornou Ulick, e depois Ulic. Esse costume foi mantido por Peter Ulic Burke (1798-1868), quando, em 1837, na Irlanda, deu ao seu filho mais velho o nome de John Ulic Burke (do qual nada mais se sabe). O mesmo aconteceu nos EUA, em 1891, quando Charles Francis Paul Burke (1861-1935) deu ao seu filho mais velho o nome de John Ulic Burke (1891-1978) (que veio a emigrar para o Brasil em 1919). O fato se repetiu no Brasil, em 1923, quando John Ulic Burke deu ao seu filho mais velho o seu mesmo nome, e novamente  quando este também deu ao seu filho mais velho o nome de John Ulic Burke (1946). Possivelmente este seja o último Burke no Brasil a carregar em seu nome o Ulic, já que ele não o colocou em Thiago Nogueira Burke (1975), seu filho mais velho. Parece que nos Estados Unidos não existe mais ninguém com Ulic em seu nome. Talvez na Irlanda ou na Inglaterra ainda existam alguns, mas sobre eles nada se sabe. O mais provável é que por lá o Ulic tenha sido substituído novamente pela sua forma inglesa William(s).

 

A Prússia (região de origem dos Roggemann)

A Prússia se originou numa região situada às margens do mar Báltico, habitada no século III por uma população de origem eslava. O território ocupado foi crescendo e no século XIII tornou-se um ducado. Foi ali que no século XV aparece o primeiro registro de um Roggemann (Henneke). No século XVIII se tornou o reino de Hohenzollem. Em 1918 foi transformado no estado alemão da Prússia, da República de Weinmar. Depois da II Grande Guerra, terminada em 1945, parte do seu território foi anexado pela União Soviética e parte pela Polônia. Com a reorganização política da Alemanha, em 1947, a Prússia foi oficialmente extinta.

 

 - Origem do nome Roggemann

Sobre o nome de família Roggemann não se tem certeza, contudo sabe-se que Roggen em alemão é centeio e man é homem. Assim, o mais provável é que os primeiros Roggemann (ou Roggeman, com um n) teriam sido agricultores que produziam centeio. É uma longa tradição em línguas de origem anglo-germânicas formar palavras e nomes próprios pela junção de duas ou mais palavras, por exemplo, fisherman (pescador), junção de fish (peixe) e man; o sobrenome Zimerman, uma fusão de Zimer (quarto) com man, o Camareiro. Assim, é bem possível que o nome Roggemann tenha surgido a partir da fusão de roggen e man, ou seja O homem que cultiva centeio. Essa suposição se reforça pelo fato de que Henneke Roggemann (1536-?) era dono de uma fazenda em Niederreiste Sauerlands, em Westfalen (Westphalia). Descendentes diretos dele ainda são donos daquela propriedade agrícola. Chamam-se, agora, Limberg e moram em Meschele, perto de Reiste.  O nome Reiste aparece em documentos pela primeira vez em 1231. O nome NiederReiste significa Baixo Reiste (fica numa parte menos elevada que Reiste), a 100 km a Leste de Düsseldorf.

Outra possibilidade, mas menos provável, seria a de que o nome Roggemann teria se originado de Rogue, significando uma pessoa sem princípios, um malandro, ou alguém que está sempre fazendo  alguma artimanha. Roggeman, então, seria o malandro, o desordeiro, ou coisa do tipo. Ainda outra possibilidade (que consta em dicionários), seria a de que rogue viria do Latim rogare, rogar, pedir. Assim,  Roggeman seria  O homem que roga,  O Pedinte. De qualquer forma, o primeiro Roggeman deve ter sido um agricultor que cultivava centeio ou, na pior das hipóteses, um desordeiro, ou um pedinte, ou tudo isso ao mesmo tempo...

O emprego indiferente de um ou dois  n no sufixo man era prática comum na Prússia, mas em épocas mais recentes se tornou costume distinguir um alemão (mann, com dois n) de um judeu (man, com apenas um n). Por isso, sabe-se que os Roggemann não são de origem judia, mas sim prussiana.

 

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