A Família Burke no Brasil       - 1919-2006

 
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Além das fotos e figuras inseridas ao longo do texto deste livro, os Burke guardam muitas outras fotografias dos primeiros tempos da família no Brasil. Algumas delas estão nesta coletânea, onde falam muito de perto aos corações daqueles que foram seus protagonistas. Para as futuras gerações, provavelmente, essas imagens não serão mais que meras curiosidades sobre a história dos primeiros Burke brasileiros, mas, mesmo assim, eles esperam  que elas continuem a dizer algo aos seus corações.

 

 

 

Dos sete primeiros Burke brasileiros, cinco (Mary, Peggy, John, Carlito e Teta) nasceram quando a família morava em Santo Amaro, e dois (Tommy e Eddy) nasceram quando ela vivia em Água Fria. Nesta foto tirada em 1934, estão: Teta, com 10 anos, segurando Eddy, com 2 anos; Carlito, com 8 anos, abaixando-se para pegar alguma coisa, e Tommy, com 3 anos, olhando para o fotógrafo. Em maio do ano seguinte, Carlito morreu de leucemia.

 

Depois que os Burke passaram a viver no campo, sempre tiveram alguns cavalos. Nesta foto de 1935, Eddy monta o imponente Magnésia e Tommy o decrépito Branquinho. Num passeio até Pires, a sela virou, e Tommy ficou pendurado de cabeça para baixo sob a barriga do Branquinho, com um pé entalado no estribo, mas depois de algum tempo o pangaré parou e Tommy conseguiu se soltar, com apenas um grande susto. 

 

Naqueles tempos não se podia comprar sorvete em Água Fria. Os Burke tinham uma máquina rústica de fazer sorvete. Era uma tina de madeira, no interior da qual havia uma cuba de aço inox, no interior da qual havia umas pás movidas por uma manivela. Na  cuba, colocava-se a mistura, e ao seu redor, colocava-se gelo picado. Depois de cerca de uma hora de muito esforço virando a manivela, conseguia-se um bocado de sorvete cremoso. Esta foto foi tirada logo depois de retirar o sorvete da máquina. John (à esquerda) lambe o dedo, Teta (à direita) e Tommy (à esquerda) lambem as pás; Eddy prepara-se para dar um espirro, e Peggy diverte-se olhando a cena.

 

Nos primeiros anos depois de John Ulic Burke e Emma Anna Roggemann terem se mudado para o Brasil, a nova família, que aqui se desenvolvia, costumava receber a visita de "Grandpa" (Vovô Charles Francis Burke – pai de John) e "Grandma" (Vovó Julia E. Martin – madrasta de John). Eles viajavam de navio (a aviação comercial estava apenas começando). Nesta foto, de 1936, aparecem (a partir da esquerda): Emma, Júlia e Tommy. Estão no tombadilho do navio no qual Julia, que tinha ficado viúva no ano anterior, ia regressar aos Estados Unidos depois de sua visita ao Brasil.

 

 

 

Os Burke moraram em Perus de 1939 a 1941, na chácara destinada ao superintendente da fábrica da Cia de Cimento Portland Perus. Nesta foto aérea, a chácara aparece no alto do morro e entre nuvens brancas de finíssimo pó de cimento, saídas das chaminés da fábrica. O pó ia se depositando sobre as casas, e, com a umidade, formava uma crosta dura e esbranquiçada. O largo caminho passava em frente ao portão da chácara e descia até a fábrica, distante 1 km, aproximadamente.

 

Esta foto foi tirada na chácara de Perus em 1940. John (de terno) está ao lado de João Passos; Tommy veste o uniforme do Colégio São Bento; Eddy, de terninho claro, está ao seu lado. Atrás do Eddy está Rosa Suzuki. A menininha que aparece na frente é Suzy, filha da Rosa.

No ano seguinte, Teta se casou com João Passos, que trabalhava na Estação Perus, da SPR – "São Paulo Railway".

 

 

Em 1940, Peggy estava "quase noiva" de Orlando Graner, um estudante de medicina. Naqueles tempos, as moças não podiam ficar a sós com os rapazes, e Tommy-Eddy  (acompanhados de Wolf) costumavam acompanhar o par por toda parte ¾ serviam de "vela", como se dizia. Pouco tempo depois que esta foto foi tirada, Peggy foi para Convento das Cônegas de Santo Agostinho, para se tornar freira, onde permaneceu até 1970. Algum tempo depois de deixar o convento, casou-se com Victor Franck.

 

Os Burke costumavam passar suas férias de julho na praia. Nos primeiros anos iam à Guarujá, depois à Bertioga. Quando começaram a freqüentar Bertioga, ficavam na "Pensão Bessa", de Ronald Besser, pegada ao forte São João (construído em 1547, o mais antigo do Brasil), onde hoje está o Parque dos Tupiniquins. Depois, passaram a se hospedar na "Pensão Paulista", uns quinhentos metros adiante, com frente na praia. A Pensão pertencia a Elias Nehme, que também era o dono do único armazém de secos e molhados da vila. O armazém ficava ao lado do pontal de embarque-desembarque das lanchas que faziam a única ligação entre Santos e o Distrito de Bertioga. Nesta foto, de 1940, tirada em frente da Pensão Paulista, está a dupla Tommy-Eddy.

 

Em 1949, Tommy-Eddy, com alguns amigos, acamparam na Prainha (do lado de fora da Ilha de Santo Amaro, em frente da Bertioga). Foi nesta canoa, emprestada de um caiçara, que Tommy e Milton Veras, uma manhã, atravessaram o canal para comprar pão e um filme fotográfico na vila. Como não encontraram o filme, foram até a colônia de férias do SESC, onde havia uma lojinha que vendia filmes. Lá chegando, Tommy viu e conversou com Maria Therezinha, com quem veio a se casar em 1954. Nesta foto, tirada da ilha, vê-se, do outro lado do canal, a vila de Bertioga, o morrinho Buriquioca (casa dos macacos, em Tupi, do qual se originou o nome Bertioga) e, ao fundo, a Serra do Mar.

 

Quando a família Burke mudou de Perus para São Paulo, foram morar numa casa alugada na Rua Tanabi (paralela à R. Turiassu, travessa da R, Germaine Buchard, no bairro Perdizes). A casa era um sobrado, com três pavimentos. Esta foto foi tirada em 1943 na entrada da casa, e nela estão Mr. Burke, Tommy e Eddy. Em frente deles, vê-se uma grande pedra de calcáreo branco, encontrada numa das pedreiras de Água Fria. Nessa ocasião, Mr. Burke estava morando sozinho em Água Fria e vinha visitar a família nos fins de semana.

 

Quando Tommy e Eddy cursavam o "Científico" no Colégio São Bento, costumavam passar as férias em Água Fria. Em companhia de Milton Veras (filho do médico da Cia de Cimento Perus), viviam suas aventuras "naturistas" de jovens. Uma delas era irem nadar no Rio Juqueri, perto da estação Entroncamento, da Estrada de Ferro Perus-Pirapora (cerca de 5 kms de Água Fria). Gostavam de mergulhar de cima da ponte, onde aguardavam a passagem de um trem, saltando no último instante, antes de serem atropelados, para desgosto do maquinista, que tocava desesperadamente o apito da locomotiva ¾ "O primeiro a pular é um covarde", diziam ...

 

Quando Tommy se formou no Colégio São Bento e foi estudar Agronomia no Rio de Janeiro, Eddy mudou-se para o sítio em Mogi das Cruzes, para começar uma granja de galinhas. Nesta foto, de julho de 1952, Eddy (com um machado no ombro) está entre Tommy (com a foice) e "Téco (Carlos Iriarte, guatemalteco, colega do Tommy). O menino é o Joãozinho (J. Burke Passos). A velha casa de taipa ("casa do Papai Noel"), que aparece entre o que restou de um pomar decrépito de pereiras, pertencera ao  velho de barbas brancas, seu Hernesto. Em 1955, quando Tommy, já formado e casado com Maria Therezinha, veio morar no sítio, eles demoliram a velha casa e limparam toda a área para plantar batata, amendoim, milho, pimentão etc.

 

Tommy e Eddy sempre gostaram muito de pescar. Desde pequenos, e toda vez que surgia uma oportunidade, pescavam em qualquer lugar em que houvesse algum tipo de peixe. Em 1998, em companhia do Paulinho e de um amigo ("a quadrilha") foram pescar no Pantanal de Mato Grosso, no Rio Cuiabá , na região do município de Barão de Melgaço. Foram até Cuiabá de avião comercial e de lá, de caminhonete, por uma estradinha terrível, até a pousada do Rio Mutum, onde se hospedaram para uma pescaria de quatro dias.

No dia da volta, a condução que devia levá-los de volta ao aeroporto não apareceu. A proprietária da pousada pediu por radio a vinda de um táxi aéreo de Santo Antônio de Levergê, para apanhá-los. O percurso desde a pousada até o pasto de pouso do táxi aéreo, foi feito numa grande "voadeira" com dois motores de popa, atravessando a Baia de Cia Mariana e subindo um trecho do Rio Cuiabá.  O pequeno avião pousou no pasto de uma fazenda próxima, no qual os quatro passageiros, com toda sua tralha e bolsas cheias dos dourados que haviam pescado, e mais o piloto, cheio de cicatrizes no rosto, espremeram-se para o vôo de retorno. Não sem algum suspense e muitos pulinhos, o aviãozinho recheado finalmente ganhou altura e seguiu acompanhando o curso do Rio Cuiabá até Santo Antônio de Levergê. Ao avistar a pista asfaltada, o piloto dirigiu o avião diretamente para ela, e quando estava quase a tocar a pista, 

desviou-o para o lado e pousou na faixa de areia ¾ "É pra economizar pneu. O asfalto novo é muito áspero", explicou o piloto. Para três dos passageiros, esse foi o "vôo do terror", pois, com exceção do Tommy, era a primeira vez na vida que tinham posto os pés num teco-teco. De Santo Antônio de Levergê até Cuyiabá, eles e as tralhas foram transportados numa caminhonete (aquela que deveria tê-los apanhado na pousada do Rio Mutum.

 

No mapa e da região da aventura estão assinalados: a "Estrada do terror", por onde a quadrilha chegou até a pousada; o "Território de pesca da quadrilha" no Rio Cuiabá, e o percurso do "Vôo do Terror" de retorno à civilização. A "curva da bunda molhada" é onde Tommy ficou dependurado num galho sobre o rio com os fundilhos dentro d'água, quando ele amarrava o barco ao galho e o barco saiu de baixo, levado pela correnteza....).

 

Em 1997 a pescaria tinha sido na represa do Rio Tietê, em Pereira Barreto. Em quatro dias os Burke pescaram mais de 80 quilos de tucunaré. Nesta foto, tirada no fim de um dia de pescaria, estão: Paulinho (segurando o maior peixe do dia); Eddy (ao fundo), Tommy e Carlinhos.

 

Quatro casais que não pertenciam diretamente à família Burke, vieram se ligara a ela via casamento de seus filhos com quatro dos primeiros Burke brasileiros. Eles aparecem nesta página.

 

Nesta foto, de 1969 (nas bodas de ouro de John e Emma), vemos Walderino Vasconcelos Dantas (1880-1975) e Eulália Pedrosa Dantas (1895-1973) espiando por sobre seu ombro. Eles eram os pais de Cecília (1923) (ao lado), que casou com John Ulic Burke (1923-1982). Eulália era sobrinha de D. Paulo Pedrosa, abade do mosteiro São Bento. Eles viviam em São Bento do Sapucai. Muitos anos antes desta foto, Walderino tinha perdido completamente a visão.

 

Antonio Marçal da Silva (1898-1996) e Sylvina Maria de Souza (1900-1979), os pais de Maria Therezinha do Carmo (1931), que casou em 1954 com Thomas Joseph Burke (1931). Os pais de Antonio e de Sylvina eram portugueses da Ilha da Madeira. Esta foto é de 1977, e foi tirada na casa da filha caçula, Clarice.

 

Jacob Jorge (1908-1974) e Rachid Salomão (1899-1975), eram os pais de Elza Jacob Jorge (1934-2000), que casou em 1955 com Edward Burke (1932). Jacob e Rachid eram imigrantes libaneses, que se estabeleceram em Mogi das Cruzes. Esta foto foi tirada durante o casamento de Edward e Elza.

 

José Passos (1884-1946) e Maria Neves (1886-1979), nascidos na Bahia, os pais de João Ferreira Passos (1913-2001), que se casou em 1941 com Henrietta Burke (1924). (ver no Apêndice E mais sobre a vida aventurosa de João nos sertões do nordeste antes dele vir para São Paulo)

                    

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