A Família Burke no Brasil       - 1919-2006

 
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HISTÓRIA DA PERUS-PIRAPORA

"Perus-Pirapora Mining and Railroad Company"

Texto de Nilson Rodrigues; tradução de Thomas J. Burke

 

ORIGEM       

Nos idos de 1890, a indústria da extração de calcáreo estava muito ativa na região abrangida pelas cidades de Caieiras, Cajamar [Água Fria, Sant'ana do Parnaiba e a  parte norte-nordeste de São Paulo.

Naqueles tempos, esse tipo de indústria estava crescendo devido à indústria da construção civil em são Paulo, ávida por esse produto. Um grupo de empreendedores decidiu criar uma companhia para explorar o calcáreo na região de Gato Preto (Cajamar) e transportar o produto final para São Paulo, usando uma conexão na estação da SPR (São Paulo Railway Co), a ferrovia de bitola larga ligando São Paulo a Jundiai. Seria uma companhia mista, formada por um sistema minerador/ferroviário. Seu nome era CIEFPP [Companhia Industrial e Ferroviária Perus-Pirapora], iniciais brasileiras de "Perus-Pirapora Mining and Railroad Company".

 

NOME

O nome Perus-Pirapora foi escolhido devido ao projeto original. A finalidade principal da ferrovia era ligar os trilhos da SPR em Perus com a vila santuário de Pirapora, distante 40 km de Perus. Naqueles tempos, Pirapora era uma vila importante, com milhares de visitantes por mês, na busca de milagres...

O verdadeiro objetivo do projeto era de fato o transporte de pacotes de cal até a estação de Perus. O projeto e respectivo nome foram apenas um jeito de conseguir a permissão do governo para construir a estrada de ferro.

 

OPERAÇÕES             

A inauguração das operações da companhia foi no dia 5 de agosto de 1914.

O equipamento rodante foi adquirido da Baldwin (locomotivas) e produtos Belgas (carros de passageiros e de carga). A bitola escolhida foi 60 cm, devido a restrições de espaço. A extensão total entre  Perus e Gato Preto era 20 quilômetros.

Em Gato Preto foram construídos 5 fornos [caieiras], a fim de aumentar as atividades mineradoras daqueles tempos. Desde as minas [pedreiras] até os fornos [caieiras] foram empregadas pequenas locomotivas Decauville e vagonetas.      

 

A INDÚSTRIA DE CIMENTO           

Em 1926, as grandes jazidas de calcáreo atraíram a atenção de uma companhia canadense de Montreal. A quantidade de calcáreo no sub-solo era significativa, assinalando um bom futuro para a companhia. Assim foi fundada a "Brazilian Portland Cement Co", a primeira companhia de cimento no Brasil.

O local para a mineração escolhido foi a vila de Água Fria [Cajamar], muito perto de Gato Preto. A fábrica de cimento seria em Perus, devido à proximidade com os trilhos da SPR. As funções foram ampliadas e uma extensão da linha férrea foi construída para chegar até Água Fria, para o transporte da rocha calcárea  entre as pedreiras e a fábrica.     

 

MUDANÇAS DE NOME 

Em 1940, a companhia foi dividida em duas, a mineradora e a ferrovia. A ferrovia tornou-se "Estrada de Ferro Perus-Pirapora", funcionando com uma entidade separada, transportando cal e pedra calcárea para a fábrica de cimento. A permissão para do serviço de passageiros era entre Perus e Km 16, de acordo com os termos da concessão inicial. A CIEFPP original foi extinta.

 

FIM DA PROPRIEDADE CANADENSE       

Pelos fins dos anos quarenta, o governo brasileiro encontrava-se no "processo de nacionalização" de todas as indústrias que ainda estavam sobre controle estrangeiro. A "Brazilian Portland Cement Co" foi vendida pelos canadenses em 1951 para João José Abdalla, então Secretário do Governo do Estado de São Paulo. Foram incluídos na negociação a ferrovia e as minas em Cajamar. O nome da nova companhia também foi nacionalizado para "Companhia de Cimento Portland Perus". A ferrovia foi mantida como uma companhia separada, conservando seu nome, "Estrada de Ferro Perus-Pirapora".     

 

INTERVENÇÃO        

Em 1974, o complexo sofreu uma intervenção devido ao não pagamento de tributos. Grandes áreas de terras também foram tomadas pelo governo, para pagamento dos tributos atrasados. Nessa ocasião, a fábrica sofria com muita poluição, devido à má manutenção do equipamento. A produção estava no seu auge, mas os prejuízos à atmosfera também eram altos, causando protestos da população contra a poluição.

Durante aquele tempo, o material rodante estava adornado com a manchete "CEIPN", que significa  Conselho de Empresas Incorporadas ao Patrimônio Nacional.

Em 1981, o governo não estava satisfeito com os resultados da companhia, e os movimentos populares contra a poluição eram fortes. Então, o complexo foi vendido de volta aos Abdalla. O nome mudou para "Fábrica Nacional de Cimento Perus", e o nome da ferrovia foi mudado para "Ferrovia Perus-Pirapora Ltda.".      

 

FIM DAS OPERAÇÕES         

Em 1983, a poluição causada pela fábrica não era responsabilidade de ninguém, e os ganhos eram pequenos devido às más condições dos equipamentos. A fábrica foi à falência, e a ferrovia, não tendo mais o que transportar, cessou suas atividades, depois de praticamente 70 anos em operação. O serviço de passageiros já não era mais disponível, pois Abdalla o tinha eliminado em 1972. Nos seus últimos dias de operação, o trem básico era um comboio de gôndolas com pedra calcárea, e um vagão de passageiros no seu fim, para o transporte de empregados.

Por essa ocasião, nada menos que 10 locomotivas estavam ativas. Algumas eram mantidas em boas condições, algumas não. Pode-se supor que duas ou três máquinas pudessem funcionar com pequenos serviços de manutenção.

 

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