|
Itinerário Viagem
América do Sul Saímos da rodoviária de Florianópolis no dia 18 de Julho à 1:00 hs da manhã. Seguimos em direção ao Sul do Brasil com previsão de chegada em Santiago em 44 hs. "Infelizmente", ou melhor dizendo, felizmente a maior cordilheira do mundo - Cordilheira dos Andes - estava bloqueada pelo governo Argentino, pois a neve impedia a subida dos carros. A empresa Puma, na qual viajávamos, decidiu descer até o Sul da Argentina (perto de Bariloche) para então entrar no Chile. Dormimos na belíssima cidade de "Vila Estreita" - mais uma noite no ônibus - pois chegamos depois das 20:00 hs e as cordilheiras já estava fechada. Entramos pela X Região do Chile (o Chile possui XII - faltava pouco pra Patagônia...pq não descemos mais?). Um total de 4 dias e 6 horas sem banho...
O calor do dia escondia o terrível frio da noite. Simplesmente congelamos. Foi impossível dormir, mas ainda bem que as 4 da manhã saía nossa excursão para os Gisers (agua fervendo que sobe a superfície da terra quando em contato com o magma). Neste mesmo dia me despedi do Alexandre que permaneceria mais 1 dia na cidade e depois iria para a Bolívia a caminho do Brasil. Como eu não havia ido ao Peru e estava tão perto não pude deixar de seguir sozinho mesmo. Nas primeiras horas de viagem em direção a Arica, cidade de Fronteira com o Peru, senti várias sensações nunca sentidas antes. Era a primeira vez que viajava sozinho e logo no trajeto mais crítico. No ônibus pude desfrutar do por do sol mais lindo que já havia visto. O ônibus rumava para dentro do sol. Na imensidão do deserto apenas as montanhas dos andes com seus gelos eternos erguiam-se ao fundo jorrando tons alaranjados, azuis e cinzas. Nunca vou me esquecer daquela imagem e daquela sensação de liberdade e insegurança. Depois de uma tentativa de assalto de dois Peruanos na cidade de Tagna, divisa com Chile, peguei um ônibus para Cuzco, a capital do império inca. Na madrugada, nosso ônibus foi parado por um grupo de rapazes armados com pedras e pedaços de madeira exigindo dinheiro para que pudéssemos seguir viagem. Foi o que fizemos. Continuei meu trajeto em direção a Puno às margens do lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo, com 3.838 metros acima do nível do mar. Era comum encontrar ilhas flutuantes que os índios locais faziam para viver. Era hora de voltar para casa, mas um súbito desaparecimento de parte de meu dinheiro tornou a volta ainda mais louca. Estava a mais ou menos 6 dias de ônibus de Florianópolis e como felizmente o dinheiro que tinha não dava para pegar um avião de volta tive que percorrer toda a Bolívia. Que chato não?:) A aventura estava quase completa. Chegando no Brasil na cidade de Cárceres (a 3 horas do Estado do Acre), depois de muitas conversas com as pessoas da região, decidi que não poderia deixar de visitar o Parque da Chapada dos Guimarães, pois iria para Cuiabá (depois de "errar" o caminho de volta - o trem da morte ficaria mais perto para voltar) e a Chapada ficava a 1 hora de ônibus. Perdi a conta de quantos banhos de cachoeira tomei. Aproveitei para me lavar... Cheguei em Florianópolis, depois de lindas horas no ônibus (na verdade eu já estava me sentindo uma poltrona), na terça-feira, dia 7 de Agosto, com um pequeno atraso de 7 dias. Por "sorte", a UFSC estava em greve... Conclusão: Foram mais de 20 conexões de ônibus, neve do sul dos Andes, calor e frio no Deserto do Atacama, um por do sol maravilhoso, um lago brilhante, muita cultura, aprendizados forçados, lugares remotos e grandes amizades. Esta foi minha pequena viagem e esta é minha vida... Galeria
de Fotos
|