VISÃO ESPÍRITA DAS DOÊNÇAS:

 

Ergue a Fronte


Quando a dor te apareça,
Não te ausentes da
prova.

Aquilo que se apura
Nasce do sacrifício.

O buril fere a pedra,
Faz-se a pedra obra-prima.

No trabalho que faças,
O Céu trabalha em ti.

Ergue a fronte, coragem!...
A vida te pertence.

Ninguém pode afastar-te
Do programa de Deus.


(Emmanuel)

 

A razão da dor passa despercebida pela grande maioria das pessoas.

“Há criaturas doentes que lastimam a retenção no leito e choram aflitas, não porque desejam renovar concepções acerca dos sagrados fundamentos da vida, mas por se sentirem impossibilitadas de prolongar os próprios desatinos” (Emmanuel, Pão Nosso).

 

Mas nada acontece por acaso. Seguimos um amplo e abrangente manancial de causa e efeito.

 

“Tudo na Natureza tende ao equilíbrio. Quando adotamos práticas que violam as Leis Naturais, provocamos um desequilíbrio e a Natureza reage, causando uma desarmonia nos centros de força que regem o perispirito.

A prática do mal opera lesões imediatas em nossa consciência, que, desarmonizada, ela própria desajusta os centros de força do perispírito.

Lesionado, o perispírito transmite a lesão ao corpo físico, que funciona, assim, como uma espécie de dreno, eliminando as células doentes e permitindo a sua restauração, através da renovação por meio de células sadias. Desse modo, todas as doenças por que passa o nosso corpo físico, quando não decorrentes do desgaste natural provocado pelo tempo têm a sua gênese numa desarmonia espiritual causada pelo próprio espírito, ao violar as leis naturais. As doenças são necessárias para recolocá-lo em harmonia com a Lei, devolvendo-lhe o equilíbrio” (Rodrigues).

 

O Livro dos Espíritos nos indica que o exagero de nossos instintos animais em detrimento de nossas aspirações superiores, desequilibra nossa organização física, favorecendo o desenvolvimento de patologias.

 “714. Que pensar do homem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento dos seus gozos?

— Pobre criatura, que devemos lastimar e não invejar, porque está bem próxima da morte!

714-a. É da morte física ou da morte moral que ele se aproxima?
— De uma e de outra. O homem que procura, nos excessos de toda espécie, um refinamento dos gozos, coloca-se abaixo dos animais, porque estes sabem limitar-se à satisfação de suas necessidades. Ele abdica da razão que Deus lhe deu para guia e, quanto maiores forem os seus excessos, maior é o império que concede à sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, a decadência, a morte mesmo, que são a conseqüência do abuso, são também a punição da transgressão da lei de Deus (KARDEC, LIVRO DOS ESPÍRITOS)”.

Esse abuso mencionado por Kardec, pode ocasionar conseqüências em outras reencarnações, podendo o espírito inclusive participar do planejamento das futuras reencarnações, dependendo é claro do seu grau de consciência.

“Antes da reencarnação, no balanço das responsabilidades que lhe competem, a mente, acordada perante a Lei, não se vê apenas defrontada pelos resultados das próprias culpas. Reconhece, também, o imperativo de libertar-se dos compromissos assumidos com os sindicatos das trevas. Para isso partilha estudos e planos referentes à estrutura do novo corpo físico que lhe servirá por degrau decisivo no reajuste, e coopera, quanto possível, para que seja ele talhado à feição de câmara corretiva, na qual se regenere e, ao mesmo tempo, se isole das suges­tões infelizes, capazes de lhe arruinarem os bons propósitos” (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA).

Desta forma, assistimos a diversas anomalias físicas e mentais.

Patronos da guerra e da desordem, que esbulhavam a confiança do povo, escolhem o próprio encarceramento na idiotia, em que se façam despercebidos pelos antigos comparsas das orgias de sangue e loucura, por eles mesmos transformados em lobos inteligentes; tribunos ardilosos da opressão e caluniadores empeçonhados pela malícia pedem o martírio silencioso dos surdos-mudos, em que se desliguem, pouco a pouco, dos especuladores do crime, a cujo magnetismo degradante se rendiam, inconscientes; cantores e bailarinos de prol, imanizados a organizações corrompidas, suplicam empeços na garganta ou pernas cambaias, a fim de não mais caírem sob o fascínio dos empreiteiros da delinqüência; espiões que teceram intrigas de morte e artistas que envileceram as energias do amor imploram olhos cegos e estreiteza de raciocínio (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

“Receosos de voltar ao convívio dos malfeitores que, um dia, elegeram por associados e irmãos de luta mais íntima; criaturas insensatas, que não vacilavam em fazer a infelicidade dos outros, solicitam nervos paralíticos ou troncos mutilados, que os afastem dos quadrilheiros da sombra, com os quais cultivavam rebeldia e ingratidão; e homens e mulheres, que se brutalizaram no vício, rogam à frustração genésica e, ainda, o suplício da epiderme deformada ou purulenta, que provoquem repugnância e conseqüente desinteresse dos vampiros, em cujos fluidos aviltados e vômitos repelentes se compra­ziam nos prazeres inferiores (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Se alguma enfermidade irreversível te assinala à ves­te física, não percas a paciência e aguarda o futuro. E se trazes alguém contigo, portando essa ou aquela inibição, ajuda esse alguém a aceitar semelhante di­ficuldade como sendo a luz de uma bênção. Para todos nós, que temos errado infinitamente, no caminho longo dos séculos, chega sempre um minuto em que suspiramos, ansiosos, pela mudança de vida, fatiga­dos de nossas próprias obsessões (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Emmanuel também nos alerta para as enfermidades silenciosas em curso. Que não aparecem a olhos nus, e muitas vezes nos esforçamos por esconder.

“Na forja moral da luta em que temperas o caráter e purificas o sentimento, é possível acredites estejas sempre no trato de pessoas normais, simplesmente porque se mostrem com a ficha de sanidade física. Entretanto, é preciso pensar que as moléstias do espírito também se contam. O companheiro que te fala, aparentemente tranqüilo, talvez guarde no peito a lâmina esbraseada de terrível desilusão. A irmã que te recebe, sorrindo, provavelmente carrega o coração ensopado de lágrimas. Surpreendeste amigos de olhos calmos e frases doces, dando-te a impressão de controle perfeito, que sou­beste, mais tarde, estarem caminhando na direção da loucura (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

“Enxergaste outros, promovendo festas e extasiando poder, a escorregarem, logo após, no engodo da delinqüência. É que as enfermidades do espírito atormentam as forças da criatura, em processos de corrosão inacessíveis à diagnose terrestre. Aqui, o egoísmo sombreia a visão; ali, o ódio empeçonha o cérebro; acolá, o desespero mentaliza fantasmas; adiante, o ciúme converte a palavra em látego de morte... Não observes os semelhantes pelo caleidoscópio das aparências (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Portanto, ninguém também reage por acaso. Somos mais ignorantes do que maus, e cada reação prescinde de um passado do qual fazemos parte.


Se alguém te fere ou desgosta, debita-lhe o gesto menos feliz à conta da moléstia obscura de que ainda se faz portador. Se cada pessoa ofendida pudesse ouvir a voz inarticulada do Céu, no instante em que se vê golpeada, escutaria, de pronto, o apelo da Misericórdia Divina: «Compadece-te!» Todos somos enfermos pedindo alta. Compadeçamo-nos uns dos outros, a fim de que saibamos auxiliar. E mesmo que te vejas na obrigação de corrigir alguém — pelas reações dolorosas das doenças da alma que ainda trazemos —, compadece-te mil vezes antes de examinar uma só (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Desta forma, devemos ter compreensão com os ataques dos que nos cercam. E a nossa inocência é sempre aparente, ao contrário não estaríamos à mercê destes percalços.

“Considerando as elevadas missões dos Espíritos que se agigantaram nos louros da virtude, refutamos nos compromissos anônimos que rogamos, com ardor, em nós e por nós. Encontraste o marido ideal e a abastança doméstica; no entanto, recebeste no próprio sangue o filho retardado que te corta o coração por difícil problema. Um dia, compreenderás que, noutras épocas, foi ele o companheiro que induziste à loucura (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Dispões de títulos respeitáveis para luzir nos encargos mais nobres e padeces uma esposa mentalmente fixada na fronteira do hospício. Um dia, compreenderás que, em estradas distantes, foi ela a parceira menos feliz, em cujos pés colocaste lama escorregadia, para que resvalasse, desamparada, na esquina do sofrimento. Tens dinheiro e instrução, mas carregas um pai irascível e intransigente, que mais se assemelha a um tigre de sentinela. Um dia, compreenderás que ele vive assim por defeitos da educação que lhe impuseste em outra existência (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Também as condições sócio-econômicas estão de acordo com nossas necessidades.

“Acalentas projetos superiores, exaltando anseios de ascensão e sonhos de arte; no entanto, gastas o próprio corpo, dobrando a cerviz sobre o tanque ou lavando pratos e caçarolas. Um dia, compreenderás que para sermos livres é preciso escravizar-nos, por algum tempo, ao pé daqueles que, por algum tempo, nos foram também escravos. Percebes a grandeza da obra de que te responsabilizas, sem achar colaborador que te dê mão no trabalho, arrostando, sozinho, a obrigação de fazer. Um dia, compreenderás que te valias, ontem, da confiança alheia para tiranizar os que mais te amavam, e lutas, hoje, desentendido, para te libertares da violência (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Possuis conhecimentos admiráveis e legiões de amigos que tudo fazem por ajudar-te; contudo, amargas penosa anormalidade orgânica, à maneira de espinho oculto. Um dia, compreenderás que a mutilação e a deformidade, a inibição e a moléstia constituem remédios nos pontos fracos da própria alma. Desfrutas mediunidade notável e não consegues outro mister que não seja o consolo e o apaziguamento na própria casa. Um dia, compreenderás que carecias de longo tempo, desempenhando a função de bússola viva para alguns poucos viajantes do mundo, arrojados por ti mesmo nas trevas das grandes provas (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

“Bendize as dores desconhecidas que te pungem, silenciosas! Agradece as ocupações ignoradas que pediste alegremente, na Vida Espiritual, e que, muita vez, exerces chorando na vida física. Se ninguém, na Terra, te anota o serviço obscuro, recorda que Deus te vê! Se todos te desprezam, à face das tuas atividades supostas insignificantes e humildes, ainda mesmo por entre lágrimas, regozija-te nelas, aguardando o futuro. Ninguém consegue realmente ser grande, quando não aprendeu a ser pequenino (EMMANUEL, JUSTIÇA DIVINA)”.

Além de entendermos as doenças e deformações orgânicas como oportunidades de aprendizado e verdadeiras bênçãos para o nosso projeto maior de evolução constante. Cabe-nos perceber as atitudes das hoje como decisivas para a colheita no amanhã.


Seja na ingestão de alimento inadequado, por extravagâncias à mesa, seja no uso de entorpecentes, no alcoolismo mesmo brando, no aborto criminoso e nos abusos sexuais, estabelecemos em nosso prejuízo as síndromes abdominais de caráter urgente, as úlceras gastrintestinais, as afecções hepáticas, as dispepsias crônicas, as pancreatites, as desordens renais, as irritações do cólon, os desastres circulatórios, as moléstias neoplásicas, a neurastenia, o traumatismo do cérebro, as enfermidades degenerativas do sistema nervoso, além de todo um largo cortejo de sintomas outros, enquanto que na crítica inveterada, na inconformação, na inveja, no ciúme, no despeito, na desesperação e na avareza, engendramos variados tipos de crueldade silenciosa com que, viciando o próprio pensamento, atraímos o pensamento viciado das Inteligências menos felizes, encarnadas ou desencar­nadas, que nos rodeiam (EMMANUEL, RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS)”.

Exteriorizando idéias conturbadas, assimilamos as idéias conturbadas que se agitam em torno de nosso passo, elementos esses que se nos ajustam ao desequilíbrio emotivo, agravando-nos as potencialidades alérgi­cas ou pesando nas estruturas nervosas que conduzem à dor. Mantidas tais conexões, surgem frequentemente os processos obsessivos que, muitas vezes, sem afetarem a razão, nos mantêm no domínio de enfermidades — fan­tasmas que nos esterilizam as forças e, pouco a pouco, nos corroem a existência (EMMANUEL, RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS)”.

A ciência médica da atualidade depois de muito tempo alheia a influência da psique, ou numa abordagem mais ampla, mente ou espírito. Vêm ultimamente considerando esta influência como preponderante na determinação do binômio saúde-doença.

De acordo com nova pesquisa apresentada no periódico Psychosomatic Medicine, o risco de desenvolver doença cardíaca pode ser maior se a hostilidade aumentar com a idade. Pessoas que não se sentem joviais com a idade podem estar se colocando em maior risco para doença cardíaca. Homens e mulheres que tem aumento do sentimento de hostilidade entre o final dos seus 40 anos podem dobrar o risco para: Obesidade, depressão, e viver menos do que eles esperavam, diz Llene C. Siegler da Duke University Medical Center e colegas (Siegler L. C., Psychosomatic Medicine, 23/10/03).  

Pesquisadores da Stanford University Medical Center afirmam que uma boa noite de sono pode ser uma arma na luta contra o câncer. O trabalho desses pesquisadores está entre os primeiros a fazer a ligação entre o bem-estar mental e a recuperação do câncer. Estudos anteriores descobriram que as pessoas com câncer que passam por terapia de grupo ou têm forte apoio social se saem melhor do que aquelas com apoio social mais fraco. A questão é como os fatores psicológicos exercem influência nas células cancerígenas (Brain, Behavior and Immunity, Stanford University Medical Center, 02/10/03).

Marly Molina relata uma experiência clínica de esquizofrenia, onde o passado comprometedor vem à tona, reclamando reconsiderações e refazimentos.

Quando L. C. veio para a primeira sessão, trazia um diagnóstico de seis anos de Esquizofrenia, com sucessivas internações.

Em nenhum momento do tratamento, houve regressões clássicas, pois para mim ele vivia regredido, e os conteúdos que afloravam, mostravam sobremaneira toda uma história de rituais de magia com uso de substâncias alucinógenas, entrega do ego em troca de necessidades momentâneas e assim por diante, não só desta vida, como também em cenários que indicavam pertencer a períodos remotos da história (outras vidas).

A esquizofrenia mostra um quadro de cisão do ego, onde conteúdos inconscientes fluem livremente à consciência, impedindo viver a realidade imediata, pois os conteúdos se misturam.

O processo requeria perceber e diferenciar a natureza dos conteúdos, trazendo-o à realidade aqui e agora, e ajudar o paciente a fazer o mesmo.

Sei que o mais importante deste trabalho foi minha visão ampliada a respeito da consciência humana e das possibilidades de freqüências alternativas vivenciadas por esta, além de, sempre ouvir e respeitar os conteúdos trazidos pelo paciente, acreditando neles.

Desde que foi diagnosticada, sua patologia era controlada por psicotrópicos que "garantiam" sua estabilidade física e emocional.

Em determinado momento do processo (após alguns meses de terapia), os medicamentos deixaram de fazer o efeito esperado e seu psiquiatra pediu que fosse realizado o Teste de Rorschach, a fim de avaliar suas condições emocionais. Após um período de expectativa de ambas as partes (minha e do paciente), pois é demorada a avaliação deste teste, eis que para nossa surpresa, seu diagnóstico "deveria" ser alterado, pois não apresentava mais nenhum sinal de esquizofrenia, e sim um comprometimento expressivo na afetividade.

É claro que neste momento deveríamos lidar com outro fator: a alteração do diagnóstico e de como viver sem ele depois de seis anos.

Mais alguns meses de terapia e o paciente sentiu-se apto a seguir sem meu auxilio.

Ainda tenho notícias deste paciente. Voltou a trabalhar, casou-se e talvez como qualquer ser humano, tenha dificuldades a serem superadas, mas não mais limitado a um rótulo um tanto quanto comprometedor.

Fica evidente que toda Psicopatologia deve ser revista, face à ampliação que a terapia de vidas passadas introduz (MOLINA).

 

 

 

 

Bibliografia:

 

RODRIGUES, S. As Doenças na Visão Espírita. Rio de Janeiro - 30/09/2005. <http://www.irc-espiritismo.org.br/arquivos/pv300905.pdf>. Visitado em 21/02/06.

 

MOLINA, M. (Membro Certificado e Diretora de Ética da Associação Brasileira de Estudo e Pesquisa em Terapias de Vivências Passadas - ABEP-TVP e Psicóloga). <http://groups.msn.com/tk218r/general.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=1651&LastModified=4675409532275091218>. Visitado em 21/02/06.

 

EMMANUEL (Psicografado por Francisco Cândido Xavier, Pão Nosso). 

<http://guia.heu.nom.br/doencas.htm>. Visitado em 21/02/06.

 

ANDRÉ LUIZ (Psicografado por Francisco Cândido Xavier)

<http://guia.heu.nom.br/doencas.htm>. Visitado em 21/02/06.

 

EMMANUEL (Psicografado por Francisco Cândido Xavier)

<http://guia.heu.nom.br/doencas.htm>. Visitado em 21/02/06.

 

SIEGLER, L. C. E COLABORADORES (Duke University Medical Center). Risco de desenvolver doença cardíaca pode ser maior se a hostilidade aumentar com a idade. Psychosomatic Medicine, 23/10/03

<http://www.emedix.com.br/not/not2003/03out22car-pm-hrm-coracao.php>. Visitado em 21/02/06.

 

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Questão 714.

EMMANUEL (Psicografado por Francisco Cândido Xavier). Justiça Divina, pg 102, 113 e 126.

EMMANUEL (Psicografado por Francisco Cândido Xavier). Religião dos Espíritos, pg 165.

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