REPRESSÃO
Girlane L. Glazar - 08/2006
Não devemos reter nossas lágrimas. São elas nossas energias emocionais que se materializam e precisam ser expressas.
Chorar é muito natural. Quando estamos em contato com nossas emoções e sentimentos, sabemos o que eles nos querem dizer e mostra nossas carências e nossas relações com os outros.
Quase todos nós aprendemos como sentir ou como esconder nossas emoções na infância. A formação da nossa personalidade está ligada, sem contar a outros tantos fatores, ao aprendizado da vida atual. Fatos e atitudes semelhantes costumam provocar nas crianças emoções comparáveis; portanto, não podemos nos esquecer da influência do meio e da cultura no desenvolvimento de nossa emotividade.
Emoções e sentimentos são simples e primários; são como são, não adianta enfeitá-los ou tentar explica-los. O desenvolvimento, porém, da nossa maneira de “sentir agindo” se forma de acordo com nosso grau evolutivo somado à nossa vontade e ao ambiente em que vivemos
Ninguém sente emoções somente em determinadas partes do corpo, mas sim em todo o organismo. No entanto, a mesma emoção pode provocar atitudes completamente diversas nas pessoas.
Os seres humanos são espíritos milenares que vivem temporariamente em corpos transitórios; essa a razão da diversidade de sentimentos.
Em caso de falecimento de entes queridos...
Porém, se aprendemos com adultos preconceituosos que “homem nunca devem chorar”, reprimimos nossas emoções naturais e passamos a criar barreiras psicológicas em nossa vida íntima. É saudável, pois, em certas circunstâncias, demonstrar tristeza; reprimi-la é doentio.
As lágrimas são mensageiras da saudade, são as águas cristalinas do coração, que surgem das profundezas de nossa alma.
As mutilações de qualquer gênero são sempre uma repressão cruel e violenta às leis naturais da vida.
Hora nascemos homens hora nascemos mulheres, encontramos diversividades nas áreas psíquicas, sociais e reencarnatórias.
Todas essas diferenças sofrem as pressões das regras sociais da educação vigente e dos costumes de uma época, juntamente com a ação das glândulas sexuais.
Os espíritos não tem sexo. Em todos há traços de masculinidade e feminilidade. Uma mulher com traços masculinos não é anormal, são os aspectos típicos diferentes em cada criatura.
Cada ser se distingue por determinadas peculiaridades no mundo afetivo e, por isso, a tendência emocional da criatura muitas vezes, difere e independe de sua morfologia orgânica.
Na infância os pais se encarregam de transmitir às crianças as primeiras noções sobre sexualidade, mas nem sempre um bom entendimento, fixam preconceitos que mais tarde geram desequilíbrios da libido. Adão e Eva (ler)
Adultos imaturos do ponto de vista espiritual reprimem os impulsos sexuais nas crianças, atribuindo malícia ou precocidade, por desconhecerem que as energias sexuais são forças criaturas inerentes aos seres humanos e importantíssimas para seu desenvolvimento psicoemocional.
Desconhecem ainda que somente pequena parte dessa energia age na atividade sexual propriamente dita. O restante dessa força criativa se generaliza nas manifestações das atividades sociais, intelectuais, físicas, emocionais e espirituais do indivíduo.
Ao inibirem um setor, estão comprometendo o todo, quer dizer, os seres humanos não funcionam por partes separadas, mas num processo de interdependência. Não podemos tocar num elemento sem afetarmos todo o crescimento psicológico em evolução.
A energia sexual pode trazer satisfação tanto nas atividades afetivas e emocionais quanto em quaisquer das atividades intelectuais, espirituais e orgânicas, proporcionando ao indivíduo uma sensação de bem-estar e facilitando sua criatividade.
A idéia de sexualidade proposta pela Doutrina Espírita encontra apoio nas modernas teorias psicológicas, leva o indivíduo a uma ótica transcendente do sexo e o faz abandonar essa visão simplista, biológica e materialista a que ele sempre foi relegado.
Entendemos por mutilação não somente a privação ou a destruição visível de partes do nosso corpo, mas também a ocorrida de forma imperceptível, oculta ou velada.
Podemos cobrir os impulsos sexuais com o manto da simulação. Substituímo-los por outros, inventamos desculpas e álibis convincentes para oculta-los de nós mesmos e dos outros, porém, eles não desaparecem.
As mutilações de qualquer gênero são sempre uma repressão cruel e violenta às leis naturais da vida, no entanto, todos nós somos convocados a planejar uma vida sexual equilibrada.
Abstenção imposta gera desequilíbrio, mas a educação aliada ao controle e à responsabilidade, será sempre a meta segura para o emprego respeitável e nobre das forças sexuais.
BIBLIOGRAFIA:
DORES DA ALMA - HAMMED