REFLETINDO SOBRE O SUICÍDIO

 Izamara I. Silva - 06/2006

 

Na fantasia do suicídio, pensa o praticante que morrer seria uma maneira de livrar-se do medo de ficar louco, no estado de desestruturação e de aniquilamento em que se encontra. É morrer para livrar-se de uma situação insustentável. Pensa que irá para um mundo paradisíaco onde não há mais necessidades e, ainda, que nesse mundo encontrará pessoas queridas.

 

É possível que encontremos também, o suicídio inconsciente que advém do desregramento com que se abrevia  a vida - gastronomia, alcoolismo, tóxicos, etc.

 

Normalmente aquele que busca o suicídio é o necessitado de livrar-se de algo atormentador. Difícil de fazer uma análise do que o provoca. Dentre as prováveis causas podemos citar: razão econômica, culpa, remorsos, doenças incuráveis, doenças mentais, depressão, etc.

 

O suicídio, na maioria das vezes, traduz perfeitamente o apelo mórbido ao próximo. Em determinadas ocasiões a culpa do suicídio encontra-se na razão direta das desigualdades sociais.

 

O perfil daqueles que tentam o suicídio é normalmente: homens com mais de 55 anos, moradores de grandes cidades, agnósticos e socialmente isolados, fisicamente doentes, com antecedentes psiquiátricos e/ou alcoólatra moderado; mulheres jovens de boa saúde corporal, em situação de conflito evidente com o grupo familiar ou social mais imediato; idosos, em número bem menor, quase sempre ligados a doenças degenerativas ou incuráveis ou a psicoses depressivas e adolescentes.

 

Em pesquisa de por que os adolescentes se lançam ao suicídio, verificou-se como principais causas a separação dos pais, o alcoolismo e o envolvimento com a polícia.

 

A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Não se tem o direito de abreviar voluntariamente a vida porque não somos livres para pôr fim ao que possa ser nossos sofrimentos. Ao Espiritismo é reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio é uma falta por constituir infração da Lei Natural.

 

A Doutrina Espírita, com suas razões filosóficas e éticas, e através dos imortais, vem de há muito chamando atenção à construção das virtudes pelos homens, em relação com o bom senso, o raciocínio lógico, ao lado das atividades desenvolvidas no bem em qualquer setor da vida, colocando-se assim defeso ao suicídio.

 

É preciso que se mude, também, a visão deformada sobre o suicida no que diz respeito ao tratamento que os profissionais de saúde lhe prestam. É comum ouvir-se dizer que médicos e enfermeiros vêem com muito preconceito o suicídio, tratando os pacientes com agressividade e com adjetivos pejorativos, esquecendo-se de que estão lidando com pessoas muito doentes!

 

"O suicídio é o começo do maior tormento que a criatura humana possa sofrer, porque continua viva (apesar de morto o corpo) e sem receber socorro, nem ter alívio do seu padecer, pois esse alívio só a seu tempo terá lugar". (Almerindo Martins de Castro - O Martírio dos Suicidas)

 

 

 

FONTE: Revista Reformador, Ano 121, nº 2.094 - Setembro de 2003.

 

 

 

 

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