Pinga-fogo - Parentela Espiritual e Parentela Corporal

 

Qual a diferença entre "família espiritual" e "família corporal"?

A família espiritual é a verdadeira família, aquela que traduz a afinidade entre os espíritos. A família corporal é aquela tradicional, feito de pai, mãe, ou seja, dos membros da célula considerada máter da sociedade.

 

Considerando que nossa origem é única, isto é: fomos criados unicamente por Deus, podemos afirmar que a única parentela que possuímos é a de sermos irmãos? E assim sendo, todos os tipos de parentescos como mãe, pai, tio, primo, etc, são criações dos encarnados?

Sim, todos nós somos irmãos e o amor fraterno é o que deve ser encarado entre todos os membros de uma família, mesmo entre marido e mulher, pais e filhos, porque supõem-se que o amor fraterno não contém aquela possessividade que, geralmente, ocorre nos outros "amores".

 

Sabemos que a parentela corporal possui laços muito frouxos entre os encarnados, que facilmente se partem, tornando-se, muitas vezes, inimigos. Por que tal fato acontece?

Justamente porque na parentela corporal, geralmente, estão envolvidos espíritos que necessitam de algum reajuste mútuo, no que diz respeito à Lei de Causa e Efeito. Isto é, geralmente é na família que se reúnem espíritos que, um dia, ou foram inimigos, ou desafetos, marcando assim a sua passagem pela Terra com a convivência com quem nem sempre lhe é agradável. Com o Espiritismo, sabemos que precisamos aproveitar a oportunidade na vida familiar para transformar os laços de parentela apenas corporal em parentela espiritual, aumentando assim a nossa família espiritual.

 

A família espiritual tem origem no momento em que Deus cria os Espíritos, ou esta vai se formando à medida dos encontros e desencontros da vida no plano carnal e no plano espiritual?

Somos irmãos, porque somos todos filhos de um mesmo Pai. Entretanto, a convivência na vida terrena é que vai desenvolver os verdadeiros laços de amor que fixarão em nós a verdadeira fraternidade.

 

Como se pode reconhecer em alguém que chega à nossa família  - um amigo ou uma nova criança, por exemplo - o parente de outras vidas, o familiar espiritual?

 

Isso é imediato. O amor nos diz quem ele é. A alegria de os termos nos braços, o prazer de conversarmos com ele e tudo o que vai se desenvolvendo ao longo do nosso convívio. É como se encontrássemos um antigo colega de colégio que não víamos há muito tempo.

 

Se escolhermos estar num determinado ambiente familiar, devemos o tempo todo tentar melhorá-lo, modificá-lo, sem desistir, ou cada um deve descobrir, por si só, o momento certo de proceder sua reforma interior, que beneficiará a todos como conseqüência?

Nós vamos melhorar o ambiente em que vivemos através do nosso próprio exemplo da melhoria íntima com que vamos contagiando o ambiente onde vivemos. A natureza não dá saltos. É impossível forçar uma melhoria. Podemos construí-la, isso podemos!

 

Um laço de família pode nascer pela primeira vez, como espíritos encarnados, ou este sempre tem seu marco inicial na espiritualidade?

Sim, ele pode nascer pela primeira vez como encarnado. Muitas vezes, espíritos desconhecidos se reúnem pelo mesmo tipo de necessidade evolutiva e a partir daí iniciam um laço familiar.

 

Pensando nessa "família espiritual", o que você nos poderia dizer a respeito de almas gêmeas?

O Espiritismo não adota a teoria de almas gêmeas defendida pelos filósofos e que consiste nas metades eternas, atravessando as reencarnações em busca uma da outra. Na verdade, tal teoria se contrapõe a certeza da nossa individualidade espiritual. O que acontece é que as conhecidas almas gêmeas são, na verdade, espíritos que, durante muitas reencarnações têm vivido juntas, desenvolvendo as afinidades, os gostos, juntas. De tal maneira que, a cada vez que se reencontram, é aquela emoção, aquela alegria. O ideal é que amemos tanto aos nossos semelhantes que, no futuro, tenhamos tanta alegria de reencontrá-los a todos como se fossem nossas almas gêmeas.

 

Pode existir a parentela dos viciados, vaidosos, ou seja, tribos que se agregam por suas doenças, como no hospital??

Sim, e existem DE VERDADE. A afinidade existe e aproxima os espíritos. E essa lei de atração pode ser para o bem, como para o mal. Por isso, nós precisamos aproveitar a nossa reencarnação para treinarmos o bem, facilitando a aproximação do bem para as nossas vidas.

 

Poderia nos dizer se existe casos de obsessão familiar, em que um espírito ou grupo de desencarnados, obsidiem uma família toda?

Sim, existem, motivadas por ódios do passado que não foram superados. E esses espíritos que não perdoaram procuram destruir o que perseguem, bem como os seus afetos. Isto, naturalmente, facilitado pela invigilância ou pela sintonia de todos eles com os obsessores.

 

Existe alguma possibilidade da nossa interferência na escolha da família carnal em face de uma nova reencarnação? Uma família nascer na Bahia ou na Sibéria tem um planejamento para isso??? Se vai ser branca, negra, índia, etc??

Toda reencarnação obedece aos princípios da necessidade evolutiva de cada espírito. O lugar onde nascemos, a família, o tipo do corpo físico, os defeitos, a beleza, a inteligência, nada é por acaso.

 

Sobre o filho problema numa família equilibrada; quer dizer que se a família não conseguir levar. Esse filho a um caminho melhor, estará contraindo dívidas. Para outras encarnações?

Não! Diz-nos Kardec que, quando após exemplos dignos, dedicação e todo esforço para orientarmos um filho, se este permanecer rebelde, refratário às nossas orientações, ele será entregue ao seu próprio livre-arbítrio, sendo que os pais estarão isentos de qualquer tipo de débito.

 

Li certa afirmação. Onde dizia ser a família local de encontro de espíritos endividados mutuamente, a fim de se reconciliarem. Ocorre que possuo dois filhos e uma esposa que realmente nos amamos em todas as situações da vida. Creio não nos enquadramos na afirmação inicial. Está correto este entendimento?

Está e você é uma pessoa feliz. Certamente, nas Suas necessidades evolutivas não estão incluídos os sofrimentos familiares. Aproveite para distribuir este amor que você já mereceu em benefício daqueles que ainda não o tem.

 

Como devemos vê a parentela espiritual e a parentela corporal na próxima fase de nosso planeta, como planeta de regeneração, ou seja, os nossos relacionamentos futuros?

Eu as vejo como cada vez mais próximas. Como certamente seremos um planeta em regeneração, estaremos mais afeitos ao amor e, portanto, com mais capacidade de transformar a simples parentela corporal em parentela espiritual.

 

A princípio, podemos entender que a afinidade que mantemos com pais, amigos etc. aqui na Terra, é indício de parentela na espiritualidade?

Certamente. E Deus nos abençoa com essa alegria para que tenhamos mais condições de enfrentar as outras dificuldades que, certamente, ainda merecemos.

 

Com referência à adoção, gostaria de saber se a minha responsabilidade do acolhimento fraternal a um irmão abandonado poderia ser feita a distância, independente de sua convivência em meu lar?

O atendimento fraterno aos espíritos a quem não devemos individualmente é sempre uma obrigação do espírito consciente. A adoção supõe a convivência que vai nos constranger ao exercício da paciência, da abnegação, da renúncia, da formação do caráter, do estímulo ao progresso, da comunicação do bem, o que seria impossível se separados. Acredito que um caso não invalida o outro.

 

Por que eclodem na adolescência os maiores conflitos entre pais e filhos?

Porque, na adolescência, é que os espíritos completam a sua reencarnação, passando a manifestar o seu verdadeiro caráter, as suas tendências e até a sua animosidade para com os pais.

 

Minha mulher pergunta: aos 18 anos fiz um aborto. Hoje aos 42 tenho 2 filhos perfeitos do primeiro casamento. No segundo casamento, meu marido trouxe consigo 2 filhas, que tem mãe viva, as quais cuido como se fossem minhas. Alguma dessas crianças poderia ter relação com o passado que eu rejeitei?

Claro! O espírito que não conseguiu vir pelas portas da maternidade física, veio pelas portas da maternidade moral. E que bom que isso tenha acontecido, porque evita deixar para amanhã o que já está sendo resolvido hoje. Amor neles!!!!!

 

Tenho uma menina maravilhosa adotada. Ela se dá maravilhosamente com a minha esposa, mas comigo tenta sempre me agredir com palavras e gestos violentos. Será que estamos juntos para resgatar alguma coisa de vidas passadas? Ah, esqueci: ela tem 4 aninhos.

Claro que sim! Envolva-a com muito amor, com compreensão, buscando, apesar da sua pouca idade, informá-la quanto aos verdadeiros laços de família; ao parentesco espiritual, para que ela vá arregimentando recursos para elaborar um melhor relacionamento com você, superando as dificuldades do passado.

 

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