JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES (CAUSAS ATUAIS E ANTERIORES)
Por Izamara Intra Silva - fevereiro/2007
“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.” (São Mateus, cap. V, v. 4, 6 e 10)
As compensações que Jesus promete aos aflitos da terra ocorrerão na vida futura.
Muitos se perguntam: Por que uns sofrem mais do que os outros? Por que uns nascem na miséria e outros na opulência, sem nada terem feito para justificar essa posição? Por que para uns nada dá certo, enquanto que para outros tudo parece sorrir?
Se Deus é soberanamente bom e justo, não pode agir por capricho, nem com parcialidade. As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa.
Causas Atuais das Aflições
As vicissitudes da vida são de duas espécies: umas têm sua causa na vida presente, outras fora dela.
Que todos aqueles que são atingidos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida interroguem friamente sua consciência; que remontem à fonte dos males que o afligem, e verão se, não podem dizer: Se eu tivesse, ou não tivesse, feito tal coisa eu não estaria em tal situação.
A quem devemos culpar por todas as nossas aflições senão a nós mesmos?
A lei humana alcança certas faltas e as pune; o condenado pode dizer que suporta a conseqüência do que fez; mas a lei não alcança e não pode alcançar todas as faltas; ela atinge aqueles que prejudicam a sociedade. Mas Deus quer o progresso de todas as suas criaturas, por isso, Ele não deixa impune nenhum desvio do caminho reto; não há uma só falta, por pequena que seja, uma só infração à Sua lei, que não tenha conseqüências forçadas e inevitáveis mais ou menos tristes.
Se no início da vida nós soubéssemos o que sabemos agora, quantas faltas teríamos evitado; se fôssemos recomeçar, nós faríamos tudo de outro modo.
Causas Anteriores das Aflições
Se há males dos quais o homem é a causa primeira nesta vida, há outros, pelo menos na aparência, que lhe são completamente estranhos, e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal é, por exemplo, a perda de seres queridos e a de arrimos de família; os acidentes que nenhuma providência poderia impedir; os flagelos naturais e as enfermidades de nascimento, entre tantos outros.
Aqueles que nascem em semelhantes condições, seguramente, nada fizeram nesta vida para merecer uma sorte tão triste. Por que, pois, seres tão infelizes, ao passo que ao seu lado, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos sob todos os aspectos?
Em virtude do axioma que todo efeito tem uma causa, essas misérias são efeitos que devem ter uma causa, desde que se admita um Deus justo, essa causa deve ser justa. Deus não podendo punir pelo bem que se fez, nem pelo mal que não se fez, se somos punidos, é porque fizemos o mal; se não o fizemos nesta vida, fizemos numa outra.
O homem são é sempre punido, ou completamente punido na sua existência presente, mas não escapa jamais às conseqüências de suas faltas.
Os sofrimentos por causas anteriores são, freqüentemente, como os das faltas atuais, a conseqüência natural da falta cometida; o homem suporta o que fez os outros suportarem.
Assim se explicam, pela pluralidade das existências, e pela destinação da Terra como mundo expiatório, as anomalias que apresenta a repartição da felicidade e da infelicidade entre os bons e ou maus neste mundo.
As tribulações da vida podem ser impostas aos Espíritos endurecidos, ou muito ignorantes para fazerem uma escolha com conhecimento de causa, mas são livremente escolhidas e aceitas pelos Espíritos arrependidos, que querem reparar o mal que fizeram e tentar fazer melhor.
As provas da vida adiantam, quando bem suportadas; como expiações, elas apagam as faltas e purificam; é o remédio que limpa a chaga e cura o enfermo; quanto mais grave é o mal, mais o remédio deve ser enérgico.
FONTE: - Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V - Bem-aventurados dos Aflitos.