Oriundi Avanti !





Você sabia?

Você sabia que há atualmente no Brasil milhões de italianos?
Sério, mesmo, milhões de italianos no Brasil.
Para se ter uma idéia da quantidade, em equivalência, mais que toda a população do estado do Rio de Janeiro, ou quase toda a população de todos os 11 estados, somados, da região norte e centro-oeste, enfim, mais de um terço da população da própria Itália, veja você! E essa concentração de italianos no Brasil nem é distribuída de forma equilibrada em todo o território nacional, a maior parte está nas regiões sul e sudeste.

Opa!
Então estamos sofrendo uma invasão italiana?!
Não, nada disso.
Aliás, pelo menos não atualmente.

Entre 1870 e 1920 muitos italianos emigraram para outros países (principalmente Estados Unidos, Argentina, Brasil, Australia, Canadá, Uruguai, Venezuela, Alemanha e França).
Essa diáspora italiana aconteceu num momento histórico peculiar.
Antes de 1815 a Italia esteve sob domínio francês. Em 1815, com a queda de Napoleão, a Italia consistia de oito Estados distintos, a maioria deles estava sob o controle direto ou indireto da Áustria, e os que não estavam eram governados por reis absolutistas. Eram províncias antigas, habitadas por vários grupos étnicos.
A partir de 1848 toma força o Risorgimento, movimento pela unificação da Itália, causando diversas rebeliões e revoluções (onde destacam-se Garibaldi, Mazzini, Cattaneo, Manin, Carlos Alberto, Vitor Emanuel, Pisacane, Pallavicino, Cavour, Crispi, entre tantos outros italianos nacionalistas).
Entre 1860 e 1870, após várias guerras e alianças (envolvendo principalmente piemonteses, franceses, austríacos, ingleses, sicilianos, prussianos e lombardos) as províncias foram unificadas, formando o reino da Italia.
Os problemas eram enormes, pois além de toda a mobilização em prol da unificação e sua consequente demanda (a Italia foi o último dos grandes países da europa ocidental a se constituir), havia o crescimento populacional desestruturado, a pequena área territorial (com topografia acidentada), e principalmente, uma economia atrasada, baseada predominantemente na agricultura (a industrialização farta e corrente de países como Inglaterra e França era algo impensável nos primeiros anos do reino da Italia).
A população da Italia, naquela época, vivia em condições da mais abjeta pobreza e ignorância (estima-se que não mais de 12% das pessoas eram alfabetizadas), pagava impostos sobre quase tudo e em proporções e objetos de tributação absurdos; provavelmente por isso ainda não totalmente leal ao novo reino, como à família, à Igreja e à aldeia. A concentração das terras cultiváveis, sempre nas mãos de poucos proprietários que reduziam o número de empregos (utilizando maquinário importado e métodos de produção que exploravam os trabalhadores com pequenos salários e falta de segurança/estabilidade), causava também a queda do pequeno produtor.

O que importa saber é que na terra anteriormente conhecida como o poderoso Império Romano (que já chegou a deter sob seu comando quase todo o mundo conhecido de sua época), muita gente (famílias inteiras, cidades inteiras até) saiu de seu lugar, de seu lar, em busca de um futuro melhor, em outro lugar, completamente novo e desconhecido.
A emigração inclusive foi incentivada pelo próprio governo italiano, que via assim um jeito de amenizar seus problemas.

A primazia no fornecimento de mão de obra emigrante italiana ao Brasil pertenceu principalmente ao Veneto (região do norte da Italia que somente passados mais de cinco anos da unificação passou a integrar o reino da Italia). Outras regiões de origem emigratória são Lombardia, Trentino, Piemonte (as 3 do norte), Campania, Calabria e Sicilia (essas 3 últimas do sul).

Enquanto na Italia existia pobreza e desigualdade, nos chamados países emergentes (EUA, Brasil, Argentina, Canada, Australia...) havia a necessidade de obter mão de obra qualificada e farta (também por razões peculiares).

No Brasil, depois de 1840, o café começa a substituir o açucar como principal produto de exportação. Com a expansão da lavoura cafeeira, sobretudo no estado de São Paulo, a necessidade de mão-de-obra aumenta.
O trabalho nas lavouras de café era executado pelos escravos oriundos da Africa.
A proibição do tráfico de escravos (1850), a Lei do Ventre Livre (1871) e o crescimento da campanha pela abolição da escravatura - que aconteceu em 1888 - foram os principais fatores para a criação e desenvolvimento de uma política de atração de imigrantes, como alternativa em substituição ao trabalho escravo. Assim, e também visando povoar e colonizar vazios demográficos, investiu-se em propaganda e financiamento de passagens para os emigrantes interessados.

Nas comemorações dos 500 anos do Brasil o IBGE apresentou dados oficiais sobre a imigração no país, segundo os quais cerca de 1,5 milhões de italianos escolheram nosso país como segunda pátria. A maior parte entrou nos estados de São Paulo (disparado na frente), Rio grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espirito Santo, (ha registros de entrada de italianos também em Minas Gerais e alguns outros estados, porém em menor número).

A imigração italiana foi tão forte no Brasil que, segundo os dados oficiais, podemos afirmar que durante seu período (e por consequência desde 1870 até hoje), a influência italiana no Brasil chegou a ultrapassar a influência portuguesa, tendo sido registrada a entrada de mais pessoas de nacionalidade italiana (34% do total) que de nacionalidade portuguesa (28%), enquanto que todas as outras nacionalidades juntas (espanhóis, japoneses, alemães, sírios/turcos, etc) somam os 38% restantes.

Claro que esses italianos que por aqui permaneceram constituíram família (muitas vezes entre si) e acabaram influenciando os costumes brasileiros (houve época que cerca da metade da população da cidade de São Paulo era de origem italiana, e falava-se contemporaneamente o português e o italiano nas ruas), porém o contrário ocorreu em maior proporção e intensidade (o que era de se esperar, afinal era outro país), os italianos foram se "abrasileirando" de tal forma que hoje apenas podemos encontrar vivos costumes e tradições italianos em locais afastados das grandes cidades, principalmente nos estados da região sul e São Paulo.

E o que tudo isso tem a ver conosco?
Procure perguntar aos seus pais e/ou avos os sobrenomes deles e de onde vieram.
Quase com certeza você encontrará algum sobrenome italiano no meio.

Eu faço parte desses milhões de italianos que estão no Brasil, apesar de não ter nascido na Italia.
Se você tem algum sobrenome de origem italiana em sua família, você pode fazer parte também.

Por que?
Simples.
A constituição Italiana, conjunto de leis máximo da nação, garante a cidadania/nacionalidade italiana aos descendentes de italianos, com algumas particularidades. O que dá suporte a esse princípio é o direito jure sanguinis (obra de Julio Cesar, em 43ac), no qual a Itália se baseia, considerando italiano todo aquele que tem sangue italiano, ou seja, todo aquele que tenha origem italiana.
O Brasil, por exemplo, se baseia no direito jure solis, considerando brasileiro todo aquele que nasce em território brasileiro, mesmo que de pais estrangeiros (por exemplo, se uma criança, de pai e mãe brasileiros, de famílias inteiramente brasileiras, nascer na Argentina, por qualquer motivo, não será brasileira e sim Argentina, segundo o direito jure solis; se uma criança de pai e mãe italianos, de familia italiana, nascer no Brasil, será brasileira segundo o direito jure solis, e italiana, segundo o direito jure sanguinis).

Para se obter o reconhecimento da cidadania italiana é necessária antes de mais nada a verificação dos documentos familiares do interessado (há algumas regras específicas) e aí sim requerer o reconhecimento formalmente ao consulado italiano mais próximo de sua residência, que mediante um processo realiza as alterações necessárias para que seja possível para o interessado ter a dupla nacionalidade.

Sim, o interessado se beneficia justamente por poder usufruir dos direitos das duas nações (por exemplo o passaporte da comunidade européia). Apesar de que tudo isso demanda direitos e deveres, claro.

Cada interessado tem sua própria motivação para o reconhecimento da cidadania italiana. Penso eu que a principal motivação para um descendente requerer o reconhecimento da cidadania italiana é resgatar seus laços familiares e culturais, redescobrir sua origem e expandir seus horizontes.

Até março de 2002 cada consulado italiano tinha uma metodologia de atendimento peculiar e independente (o consulado de Curitiba, dizem, era o melhor).
Então foi definido (pela Embaixada Italiana em Brasilia) que os consulados deveriam ter uma metodologia de atendimento padronizada para buscar um atendimento mais preciso e sem tanta burocracia e lentidão (pois sim, o atendimento era muito lento e burocrático, cheio de pré-requisitos extras, esperas sem previsão e exigências intransigentes, o que custava muito dinheiro e principalmente muito tempo, anos e anos, aos interessados (descendentes)).





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