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Toda mulher que deseja ser mãe sabe a frustração e a dor de querer e não poder conceber a mãe natureza, como toda mãe, sábia, proporciona àquela mulher o bálsamo para que essa dor tão "doída" seja amenizada através de uma afinidade com um "serzinho", como compensação.
Euzinha fui agraciada coma a chegada de um desses espíritos de luz que vem para iluminar, amenizar, compensar. Um casal parente, com os quais resido há 25 anos, Iracema/Antônio Medeiros...(Além do parentesco material, somos irmãos pela fé, afinidade, amizade e amor). Esse casal, já com dois filhos crescidos, resolveu adotar uma menina. Já tinha até nome, seria Saccha.
O grande dia chegou. Deus a enviou através de mãos amigas e iluminadas. Ficamos extasiados. Mudou a nossa rotina de vida. Eu, particularmente, me sentia a verdadeira mãe, pois a felicidade sentida com a chegada daquele serzinho. Foi uma emoção tão grande que até hoje me lembro, tinha certeza que era Deus me devolvendo um tesouro. E acertei mesmo.
Os meses se passaram, ela sentou, engatinhou, deu os primeiros passinhos, o seu primeiro dentinho (31/07/83), enfim tudo bem. Veio o seu primeiro aniversário foi lindíssimo, o segundo outra festa, mais linda ainda. Não andava sem apoiar-se em algo. Levamos ao médico, "é normal", há crianças que andam até os dois anos e meio.
O tempo foi passando e nada acontecendo de diferente. Começamos a percorrer...ortopedista, neurologista, enfim detectado paralisia cerebral e nada sabíamos informar aos médicos sobre a gestação, pré e pós parto. Tudo era uma caixinha de surpresa. Foi um choque muito grande, porém sem deixá-la perceber o nosso sofrimento. Hospital, fisioterapia...tudo tentamos. Ela andou com bengalas uns 3 anos e a cada ano seus movimentos iam degenerando, já não se equilibrava com as bengalas, mas acreditávamos que o nosso amor, mais fisioterapia, natação pudéssemos vencer a tal paralisia cerebral.
O nosso amor continua cada dia maior, mas infelizmente ainda não conseguimos que ela se equilibre com seus próprios pés, porém, temos a certeza que o seu equilíbrio está na sua certeza de que a amamos muuuuuuuuito, como ela é. Ela se tornou para todos os familiares um símbolo de ternura e amor. O seu sorriso é de uma meiguice indescritível, conquista a todos por onde "anda". Não nos acomodamos, mas infelizmente tivemos que colocá-la numa cadeira de rodas, para que ela tivesse inclusive mais "liberdade", no sentido de não mais depender dos nossos braços, pois até os seus 13 anos a carregávamos no colo.
Nos seus 15 anos (09/1997) não medimos esforços e realizamos o seu sonho, uma festa digna de uma princesa, no seu trono. Hoje, com 17 anos, estuda, faz a sétima série (desde a quinta série que faz a metade das disciplinas em cada ano, ou seja, dois anos para cada série) e gosta de matemática. O seu intelecto nada sofreu. Tem dificuldades em escrever e na fala.
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Quero aqui, deixar o meu agradecimento a Deus por "ter me devolvido" a minha princesa, que, mesmo na sua cadeira de rodas curte a vida da forma que lhe é pemitida. Passeiamos muito, não saio sem ela, viajamos nas férias todos os anos.
Enfim amigos, o meu relato é para dizer-lhes que o amor por um filho não é necessariamente por ter sido gerado dentro de nós. Aprendi que o coração tem a mesma semelhança/capacidade do útero, no sentido do amor, pois é a afinidade entre os seres da criação Divina que proporciona encontro/reencontro de almas queridas de um passado ou não, para juntos cumprirem suas etapas que deixaram pendentes em outras vidas. Os motivos? Pouco interessam agora, interessa sim, reparar os erros cometidos e viver intensamente cada momento.
A cada dia me convenço que uma criança que adotamos não nos chega por simplesmente chegar. Há uma história Divina por trás desse gesto, pois o acaso não existe, com certeza. Peço a Deus que a cada dia "Ele" envie para cada família a "Saccha" que cada um merece e seja bem amada como a nossa. Que essa(s) família(s) acredite(m) na força do amor, que tudo vence e pode.
Enfim, só temos a agradecer a Deus pela estrela que "Ele" tirou da sua constelação e nos enviou, a qual demos o nome de Saccha, para iluminar as nossas vidas que, depois dela, todos nós em casa mudamos e aprendemos a dar mais valor à própria existência, vendo sempre com os olhos da razão, para tentar não repetir os erros do pretérito.
Sou suspeita para falar, mas acredito que o amor é um sentimento único/universal, portanto faz sentido e é necessário que adotemos crianças. Mas acredito que ninguém adota uma apenas por adotar...há uma história Divina por trás de cada gesto, pois nenhuma folha que cai de uma árvore é sem a permissão da lei do universo. Em outras palavras, não exixte o "acaso".
A cada dia eu agracio a Deus pela minha lindinha, como o acaso não existe, se ela não fosse assim, não cumpriríamos o nosso compromisso assumido diante das leis do universo, tanto eu (sua madrinha), como seus pais e irmãos. Só peço a Deus que nos dê a cada dia a sabedoria para conduzir esta situação sempre com o amor que brota de nós para ela e dela para nós.
Obrigada "Mestre Amigo", novamente, pela oportunidade que me concedestes de reparar meus erros passados ao lado da minha princesinha. Posso fazer um pedido? Dê uma olhadinha "Mestre", nos nossos registros e estude com carinho a possibilidade para que eu possa conceber os meus passos para ela. Entendo os motivos, claro, mas o Senhor sabe o quanto já "andei" nesta encarnação, já dancei muito...enfim, nada alterará para mim continuar andando ou não...Perdoa Senhor, mas é um pedido que com certeza todos nós lá em casa gostaríamos de fazer, mesmo entendendo os motivos. Pedir não custa...
No útimo diagnóstico neurológico, o médico acha provável ser doença hereditária/degenerativa. "Ataxia precoce ou ataxia de Friedereich, (?) que leva à lesão miocárdica difusa"(?). Ele explicou como será a vida dela e a nossa daqui para frente, mas graças a Deus eu preferi esquecer e acreditar que ele está completamente enganado e acreditar que o amor vencerá, concedendo a cada um de nós, em casa, todas as forças que precisamos para seguirmos em frente. Sem medo do desconhecido, ou seja, o que nos aguarda o futuro. A preocupação de cada um de nós é proporcionar-lhe momentos de felicidade.
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