A Família Especial

O que acontece quando o filho não corresponde às expectativas paternas, quando a criança já nasce com algum tipo de problema?

A partir do momento que uma criança chega em casa o clima emocional da família se transforma. Os integrantes dessa família passam por uma mudança significativa. As reações variam de casal para casal, mas em geral há um sentimento de muita tristeza e de uma perda muito grande, perda do filho sadío idealizado e tanto esperado.

O modo como a criança deficiente será aceita na família e o resultante do clima emocional, dependerão em parte da explicação inicial. A informação é vital, assim como é vital o clima emocional. A forma pela qual a notícia é transmitida aos pais pode causar influências em suas formas de reagir. A notícia deve ser dada ao casal, mostranto-lhe o que pode ser feito para auxiliar o filho.

A maior influência sobre aceitação ou rejeição da criança deficiente pela família, está relacionada com as atitudes da mãe. Se ela é capaz de aprender e lidar com o fato, de uma forma ajustada, a família será capaz do mesmo.

O grau de decepção frente ao nascimento desse filho não esperado será mais ou menos em função de:

- aceitação ou não da gravidez;

- nível de expectativa (quanto maior for a expectativa maior será a decepção);

- grande preconceito em relação ao portador de deficiência (quanto maior o preconceito maior será a dificuldade em relação ao filho).

A família passa por várias fases nesse processo de compreensão/adaptação/ aceitação desse filho deficiente. Nem todos passam necessariamente por todas elas. Assim, às vezes encontra-se pais com filhos adultos que ainda apresentam sentimentos que costumam predominar no momento do nascimento. As fases mais comuns são:

- Sentimentos negativos- Esses sentimentos dificultam uma interação com o filho. Os pais fecham-se em sua dor negando-se a contatos. Os sentimentos mais frequentes são:

- culpa, negação, inferioridade (95%);

- confusão e vergonha (90%);

- desejo de morte, raiva, culpar terceiros (80%);

- solidão (70%);

- não amadas (60%);

- desamparo (40%).

- percepção da criança: os pais começam a perceber as necessidades do filho. Começam a buscar informações, esclarecimentos e orientações;

- conhecimento mútuo: inicia um contato maior com a criança. Pais e filhos aprendendo a se conhecerem, começam a criar vínculos. Em geral, nessa fase os pais se tornam superprotetores;

- dúvidas quanto à evolução do filho: preocupação com o futuro. Momentos de angústia que se intensificam em algumas fases marcantes da vida (entrada na escola, puberdade, formatura de outros filhos, casamento de outros filhos, etc).

A presença de uma pessoa portadora de deficiência na família continuará a causar problemas a essa família, que exigirão de cada membro da mesma redefinição de papéis, mudanças de atitudes e valores e novos estilos de vida. A família não terá apenas que lidar com as pressões internas, mas também com aquelas exercidas por forças sociais externas.

A sociedade tem ainda dificuldades em conviver com essas diferenças e deixa de forma clara o modo como isola o portador de deficiência.

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