| O CASO BETON
Anos atrás o Dr. Klaybos foi procurado
por um pai desesperado, pois o seu filho de um momento para outro passou a
ignorá-lo, como se tivesse sido incorporado por uma entidade espiritual
que lhe absorvia toda a personalidade. Esse fato verdadeiro se deu por
volta de 1977 e se passou em São Paulo no bairro de Santana. Uma pessoa
amiga comum, apresentou o Cel. Antonio e sua esposa ao Dr. Klaybos e ela
aos prantos pediu-lhe ajuda sem entender o que realmente se passava com o
seu filho que na ocasião tinha uns dezessete anos.
Sem uma razão explicável o jovem
deixou o lar paterno para se amasiar com uma mulher muitos anos mais velha
que ele e foram residir numa cidade no interior do Estado de São Paulo.
Nas tentativas de aproximação com o filho, várias tentativas em vão
foram feitas e em todas elas, para a admiração dos pais, o jovem Alex,
dizia não conhecer aquelas pessoas que insistiam em afirmar que eram os
seus pais, e os enxotavam bruscamente.
Ciente daquele caso o Dr. Klaybos, a
pedido do Coronel, resolveu prestar a sua ajuda. Como não havia ainda
identificado qual o tipo de entidade havia envolvido o jovem Alex, pediu a
um amigo espírita que o auxiliasse nos trabalhos, emprestando o seu corpo
para que a entidade fosse chamada a se pronunciar. O Dr. Klaybos não é
espírita, mas precisou usar um expediente similar ao dos espíritas para
proceder na busca da solução.
Depois de algum tempo de meditação e
concentração num ambiente propício na residência da Dona Iracy (a
amiga comum) o amigo espírita começou a balbuciar umas palavras num tom
de voz completamente estranho que aos poucos ele foi conseguindo entender:
"Eu sou o Beton, venho de um
planeta que vocês não conhecem e estou usando o corpo do Alex para uma
experiência. Na verdade fizemos um intercâmbio e ele hoje usa meu corpo
lá em Tantos vivendo minha vida e aprendendo a coisas de lá. Há algum
tempo andamos nos contatando mentalmente e somente por esses dias foi possível
essa transferência."
O Coronel Antônio que presenciava a
reunião, sem se conter foi logo perguntando ao Beton: -- E quanto tempo
vai durar essa experiência de vocês?
A entidade ficou calada até quando o
Dr. Klaybos reformulou a pergunta e recebeu a seguinte resposta:
"Informe a esse senhor que o filho dele estará de volta dentro de
dezoito meses tão bem como sempre esteve. Devo deixá-los agora e não
retornarei mais por aqui." Na penumbra da sala onde era a reunião o
amigo que estava sentado numa cadeira bem na frente do Dr. Klaybos,
resfolegou e acordou como se fosse de um sono profundo.
O CASO BETON (Final)
A despeito de haver presenciado todo aquele trabalho de alta concentração
o Coronel Antônio permaneceu incrédulo. Assim que ele retornou a sala de
visitas, pude perceber que ao satisfazer a curiosidade de Da. Jacinta que
ali permanecera durante os trabalhos, que a reunião não passara de uma
mera manipulação com manifestações descabidas. A medida que ela, ávida
por entender, ia perguntando sobre o episódio, as respostas que eram
dadas pelo Coronel confirmavam a minha percepção. A expressão de
desapontamento foi tomando lugar da face esperançosa da gentil senhora
quando a vi ao chegar instantes atrás. Preferi permanecer calado e deixei
para o casal a decisão, se deveríamos ou não prosseguir com o assunto.
Eu particularmente senti que o Beton era verdadeiro. No exato momento que
o Pedrinho começou a falar naquela língua incompreensível, que para o
Coronel não passara de ruídos e grunhidos, como dissera para a esposa,
eu sentira uma forte vibração espiritual que confirmava ali a presença
de uma força alienígena. O Major Santos procurou em vão, justificar ao
Coronel, que às vezes o primeiro contato é sempre envolto em
desentendidos. Dona Iracy que como eu havia sentido a estranha vibração,
quis insistir com o Coronel para que mais uma tentativa fosse realizada,
muito embora o Beton não tivesse dado nenhuma esperança a respeito.
Naquela noite o assunto terminou daquela forma. Alguns minutos depois o
Coronel Antônio se levantou no que foi seguido por Da. Jacinta e pela
garota. Era visível em ambos um ar de desapontamento pelo que esperavam.
Mesmo assim, cordialmente se despediram e foram embora levando com eles
toda a descrença de não terem conseguido naquela noite um sinal que
explicasse o que se passava com o Alex. Eles realmente não entenderam,
nem poderiam ter entendido. Quem entenderia? Mas... O recado foi dado.
Depois que eles se partiram, percebi também um certo ar de desapontamento
por parte de Da. Iracy, pelo fato do Coronel ter duvidado do nosso
trabalho. Não foi pequena a sua alegria quando, antes de me retirar, lhe
assegurei que aquele assunto ainda não estava encerrado.
Duas ou três vezes por semana era comum falarmos pelo telefone. Da. Iracy
agia como um filtro dos casos que apareciam para serem vistos. Era uma
pessoa bondosa e muito meiga e gostava de me relatar o andamento de cada
caso pausadamente. No meio de uma daquelas nossas conversas, lembrei-me de
indagar a respeito do Coronel e como estava o "Beton". Da. Iracy,
como disse, controlava todos os casos, brincando disse-se que estava
guardando as notícias do Coronel para o fim. Queria me fazer suspense.
Esperei paciente até que ela começou a dizer que o Coronel e a Da.
Jacinta estava tentando por todas as maneiras resolver o assunto que
permanecia da mesma forma. Contou-me a boa senhora, que ambos estiveram
visitando um poderoso "Pai-de-Santo" e numa sessão, um espírito
que "incorporou" naquela noite, informou que eles estavam
envolvidos numa situação muito complicada, fora do alcance dele (Do espírito).
Como o assunto permanecia nebuloso, aos olhos do Coronel, ficou ela
sabendo e logo me informou, que o Coronel estava, através do seu
advogado, entrando com um processo na justiça contra a mulher que morava
com o Alex, alegando que ela havia desencaminhado o seu filho pelo uso de
drogas. Na ação proposta, pedia entre outras coisas um rigoroso exame
anti-doping.
Naquela noite resolvi retomar o caso Beton. Esperei que pelo silêncio da
noite e após um período de concentração iniciei um processo de
comunicação com o alienígena que ocupava o corpo do Alex. Por instantes
mantivemos contato e fiquei sabendo que eles estavam morando em Ribeirão
Preto e não em Rio Preto como dissera o Coronel e ele disse que gostaria
de me ver pessoalmente para nos conhecermos melhor. Transmiti a ele que a
satisfação seria recíproca. No dia seguinte logo pela manhã, liguei
para a Da. Iracy e lhe contei o resultado da minha comunicação e pedi
para ela obter junto ao Coronel o endereço na verdadeira cidade que o
Alex estava e que ele bem o sabia, e não na localidade que ele havia
dito. Da. Iracy era despachada, à noite quando cheguei já havia recado
para eu ligar para ela. Antes de me passar o endereço que havia obtido,
contou que o Coronel havia ficado super intrigado como eu descobrira a sua
farsa. Embora fossem amigos de longa data, Da. Iracy não deixou de lhe
passar uma descompostura. Apesar de preferir aguardar o desfecho da petição
que fizera ao Juiz de Ribeiro Preto, o Coronel depois do inesperado pedido
de Da. Iracy, não se negou a colaborar muito embora julgasse que pouco o
quase nada eu pudesse fazer, pois eu não conhecia o seu filho
pessoalmente. Esqueceu-se certamente o Coronel que eu não iria falar com
o seu filho e sim com o Beton.
Importantes acontecimentos se desencadearam me levando em direção a
Ribeirão Preto. O primeiro foi o aparecimento de três marcas de naves de
extraterrestres que deixou sinal de pouso na zona rural de Serrtãozinho.
O segundo foi a solicitação de um amigo que morava em Cravinhos, para
que eu visitasse a mãe de um amigo dele que estava muito adoentada e
precisava de uma ajuda e o terceiro motivo, ficou sendo sem dúvidas, a
visita que pretendia fazer ao Beton. Num dia seguinte a conversa com Da.
Iracy, o meu amigo e eu partimos logo após o almoço, rumo a Ribeirão
Preto. Meu amigo sabia da minha força espiritual, testemunha que fora num
evento anterior. Entretanto ele não sabia do meu relacionamento
extraterrestre e nem ficou sabendo disso durante a viagem que fazíamos no
meu fusca. A visita ao local das marcas da nave ficou descartada devido a
hora que chegamos a cidade. Eram umas oito horas da noite e estávamos
sendo esperados pelo amigo dele, cuja mãe sofria de um terrível mal e
padecia de dores horríveis. Assim que cheguei a casa procurei dizer que a
cura nem sempre acontece e que se dependesse da minha força de vontade,
procuraria fazer o máximo. Passei ali pelo menos uma meia hora aplicando
na pobre mulher o melhor da minha vibração magnética. Eu já havia
prevenido o meu amigo que ele deveria me ajudar a chegar no endereço que
o Coronel havia informado. Ele que havia nascido em Cravinhos mas que
estudara em Ribeirão Preto, não encontrou nenhuma dificuldade em me
orientar da casa do Beton. Assim que saímos da casa do seu amigo,
enquanto nos dirigíamos até a próxima parada, contei a meu amigo a razão
daquela visita e gostaria que ele estivesse ao meu lado como testemunha
daquele encontro, a fim de me prevenir contra eventuais mal entendidos com
o Coronel. Tal qual o Coronel meu amigo não entendeu nada do que lhe
contei, embora tivesse dito em outras ocasiões que acreditava em
extraterrestres, Ufos, naquele momento diante do que pudesse ouvir,
mostrou-se um tanto cético. Eu não havia dito ao Beton, naquela nossa rápida
comunicação mental qual o dia ou se algum dia iria vê-lo pessoalmente.
Assim que chegamos ao portão de uma bonita casa térrea, vi através de
uma grande vidraça da janela da frente, um vulto de mulher alta se
aproximando de uma abertura e nos olhou sem nada perguntar. Não demorou
dois minutos e por uma porta lateral, saiu um rapaz alto e alourado que
calmamente caminhou até ao portão onde estávamos. O portão e todo o
muro fronteiriço da casa era de uma altura que não passava de um metro e
meio. Ele por suas razões não nos convidou para entrar, preferiu
conversar comigo ali mesmo onde estávamos. Assim que se aproximou foi
logo me saudando, mencionando o meu nome que o meu amigo que ali estava
nunca tinha ouvido antes: "Oi Klaybos, pensei que não viesse!"
"Tinha que vir. O pai do Alex não está compreendendo o que está se
passando." Respondi.
"O velho deve parar de interferir, pois como disse naquele primeiro
contato,. essa transferência não foi feita por imposição e deve durar
um tempo previsto." Alegou.
"Quem começou essa estória?" Insisti.
"É uma longa estória e acredito que não poderei lhe explicar
agora..." Respondeu, dando a entender que a presença do meu amigo
ali era inoportuna para tocar naquele assunto.
Percebendo a predisposição dele em não prolongar sobre o caso, mudei de
assunto: "Por acaso foi o seu pessoal que andou por aqui dias atrás?"
"Era sim. Vieram ver se tudo corria bem comigo, principalmente depois
que contei a eles que você tinha entrado no assunto." Retrucou
sorrindo.
Meu amigo não dizia nada, como lhe havia pedido. Limitava-se a ouvir um
estranho dialogo que jamais poderia imaginar que fosse testemunhar algum
dia.
"Não creio que eles tenham vindo por aqui apenas para isso. Afinal
de contas não pretendo interferir nem um pouco no seu trabalho, nem no
seu acordo com o Alex." Retruquei.
"Infelizmente preciso encerrar o nosso contato. Por favor diga ao
Coronel que o filho dele voltara dentro do prazo combinado e que é impossível
promover qualquer alteração. Se ele insistir poderá acontecer coisas
desagradáveis". Em seguida nos despedimos e tomamos o caminho de
volta para São Paulo. Boa parte da noite passamos na estrada.
Os dias se passaram e sem que eu soubesse a Da. Iracy havia informado ao
Coronel o que havia se passado em Ribeirão Preto. Ele não acreditou em
nenhuma das suas palavras e resolveu por iniciativa própria por as coisas
em "pratos limpos". Fiquei sabendo que quando ele viajava em
companhia de Da. Jacinta pela via Anhangüera em direção ao interior o
carro que estavam, dirigido pelo Coronel sofreu um violento acidente
ficando reduzido a monte de ferros retorcidos, mas o casal, para a
surpresa dos policiais que atenderam a ocorrência não sofreram nenhum
arranhão.
Finalmente o Coronel e sua esposa após esse violento acontecimento
desistiram de vez de contatar o jovem Alex.
O tempo passou...
Como estava previsto, após ao prazo determinado, num belo domingo quando
todos na casa do Coronel se preparavam para o almoço eis que soa a
companhia. "Quem poderá ser?" Indagou curiosa Da. Jacinta ao
mesmo tempo que o Coronel se aprestava em atender. Boquiaberto e diante
dos olhares estupefatos, eis que surgem risonha a figura do jovem Alex:
"Oi pai! Oi pessoal! Como estão?"
O Coronel sem saber como a reagir, a primeira coisa que fez foi tomar dos
braços do filho o seu netinho que alheio a tudo, foi logo pulando para o
colo do vovô e dali a instantes todos estavam felizes a volta da mesa
partilhando o inesquecível almoço.
Dias depois o Coronel me ligou me agradeceu e se desculpou por ter
duvidado da veracidade daquilo que se passou, sem nenhuma explicação
plausível, dentro da sua própria casa.
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