| Autor: Irm�o Rodrigo O. Matos, RS |
| S.:. M.:.? |
| S� me lembrava daquela forte dor no peito. |
| Como viera eu parar ali? |
| O ambiente era familiar. J� estivera ali, mas... quando? |
| Caminhava sem rumo. |
| Pessoas desconhecidas passavam por mim, contudo, n�o tinha coragem de abord�-las. |
| Mas... espere, que grupo seria aquele reunido e de terno preto? |
| L�gico! N�o estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia � t�o comum pessoas irem ao vel�rio com roupa preta. |
| � claro! S�o Irm�os! |
| Aproximei-me do grupo. Ao me verem chegar interromperam a conversa. |
| Discretamente executei o sinal de Aprendiz, obtendo resposta. A alegria tomou conta de mim. Estava entre amigos. |
| Identifiquei-me. Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo. |
| Responderam-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado. |
| Fiquei assustado; e a minha fam�lia, os meus amigos, como estavam? |
| Est�o bem, n�o se preocupe; no devido tempo voc� os ver�, responderam. |
| Ainda assustado, indaguei do motivo de suas vestes. |
| Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Ma��nico, foi a resposta. |
| Templo Ma��nico? Voc�s tem um? |
| Sim, claro. Por que n�o? |
| Senti-me mais a vontade, afinal sou um Grande Inspetor Geral e com certeza receberei as honras devidas a meu Grau. Pedi para acompanh�-los, no que fui atendido. |
| Ao fim da pequena caminhada divisei o Templo. Confesso que fiquei abismado. Sua impon�ncia era enorme. As colunas do p�rtico... majestosas. |
| Nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos. |
| Caminhamos em sil�ncio. |
| Ao chegar ao sal�o de entrada verifiquei grupos de Irm�os conversando animadamente, por�m em tom respeitoso. |
| O que parecia ser o l�der do grupo e que me acompanhava chamou um Irm�o que estava adiante: |
| -- Irm�o Experto! Acompanhai o Irm�o rec�m-chegado e com ele aguarde. |
| N�o entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no m�nimo, uma recep��o mais calorosa. |
| Talvez estejam preparando uma surpresa � minha entrada; para um Grau 33 n�o poderia se esperar nada diferente. Verifiquei que os Irm�os formavam o cortejo para entrada no Templo. |
| A dist�ncia, n�o pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos. Adentraram silenciosamente no Templo. Comigo ficou o Irm�o Experto. |
| De tanta emo��o n�o conseguia dizer nada. O tempo passou... N�o pude medir quanto. |
| De repente, a porta do Templo se entreabriu o Irm�o Mestre de Cerim�nias, encaminhando-se a mim, comunicou que seria recebido. |
| Ajeitei o palet�, estufei o peito, verifiquei se minha comendas n�o estavam desleixadas e caminhei com ele. Tremia um pouco, mas quem n�o o faria em tal circunst�ncia? |
| Respirei fundo e adentrei ritualisticamente ao Templo. Estranho... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riqueza. Verifiquei, rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. |
| Uma luz brilhante, vindo n�o sei de onde iluminava o ambiente. |
| Cumprimentei o Vener�vel Mestre e os Vigilantes na forma usual. Ningu�m se levantou � minha entrada. Mantinham-se calados... respeitosos. |
| N�o sabia o que fazer... Aguardava ordens... e elas vieram n�o voz firme do Vener�vel: |
| -- [...] |
| Reconhecendo a necessidade do trolhamento em tais circunst�ncias, aceitei respond�-lo. Estufei o peito, impetiquei o corpo e respondi: |
| -- [...] |
| Aguardei seguro, a pergunta seguinte. |
| Em seu lugar o Vener�vel Mestre, dirigindo-se aos presentes, perguntou: |
| -- Os Irm�os aqui presentes o reconhecem como Ma�om? |
| Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? |
| O silencio foi total. |
| Dirigindo-se a mim, o Vener�vel emendou: |
| -- Meu caro Irm�o visitante, os Irm�os aqui presentes n�o o reconhecem como Ma�om. |
| -- Como n�o?! Disse eu. N�o v�em minhas ins�gnias? N�o verificaram meus documentos? |
| -- Sim, caro Irm�o - retrucou solenemente o Vener�vel. |
| -- Contudo n�o basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas ou ins�gnias para ser um Ma�om. � preciso antes de tudo, ter constru�do o "seu Templo", e verificamos que tal n�o ocorreu com o Irm�o. |
| -- Observamos, ainda, que apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter galgado ao maior dos Graus, n�o absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi ef�mera. |
| N�o pude ag�entar mais. Retruquei: |
| -- Como ef�mera? Voc�s que tudo sabem n�o observaram minhas atitudes fraternas? |
| Fui interrompido. |
| -- Irm�os, vejamos ent�o sua defesa. |
| Automaticamente, desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televis�o e na imagem reconheci-me junto a um grupo de Irm�os, tecendo coment�rios desairosos contra a administra��o de minha Loja. |
| Era verdade. |
| Envergonhei-me. |
| Tentei justificar mas n�o encontrava argumentos. |
| Lembrei-me, ent�o, de minhas a��es beneficentes. Indaguei-os sobre tal. |
| E mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a m�o vazia no tronco de Benefic�ncia. Era fato e, costumeiramente, o fazia, por achar que o �bulo n�o seria bem usado... |
| Por n�o ter o que argumentar, calei-me e l�grimas de remorso brotaram-me nos olhos. Iniciei a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autorit�ria e ao mesmo tempo fraterna do Vener�vel. |
| -- Meu Irm�o. Reconhecemos suas falhas quando no orbe Terrestre e na Ma�onaria, contudo, reconhecemos, tamb�m que o Irm�o foi iniciado em nossos Augustos Mist�rios. |
| -- Prometemos em suas Inicia��es proteg�-lo e o faremos. O Irm�o ter� a oportunidade de consertar seus erros, afinal, todos n�s aqui presentes j� os cometemos algum dia. |
| -- Descanse nesse plano o tempo necess�rio e, ao voltar � mat�ria para novas experi�ncias, n�s o encaminharemos novamente a Ordem Ma��nica. Sua nova caminhada, com certeza, ser� mais promissora e �til. |
| Sa� decepcionado mas estranhamente aliviado. Aquelas palavras pareciam ter me tirado um grande peso. |
| Com certeza, ali eu desbastara um peda�o de minha Pedra Bruta. |
| Acordei, sobressaltado e suando muito. Meu cora��o disparado. |
| Levantei-me assustado, mas com certa alegria no peito. |
| Havia sonhado! |
| Dirigi-me ao guarda-roupa, meu terno ali estava. Instintivamente, retirei do palet� as medalhas e ins�gnias e as guardei em uma caixa. |
| Ainda emocionado e com os olhos molhados de l�grimas, dirigi-me � minha mesa e com as m�os tr�mulas e cheio de uma alegria enlevante, retirei da gaveta o Ritual de Aprendiz Ma�om. |
| Nota do editor: Trechos em [...] foram omitidos para melhor entendimento dos leitores. |
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