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Bom, hoje faço a análise da
música Pagu, de Maria Rita.
Essa música foi composta por Rita Lee, e Zélia Duncanm, homenageia as
mulheres que batalharam por um lugar ao sol, como Pagu e Joana D’Arc e
faz uma critica bem “escrachada” a mulheres que ganham a vida com uma
bunda grande e com peitos de silicone, além de uma profissão
modelo-atriz-dançarina. Para ouvir a música, temos de fazer um percurso
na recente história da nossa cultura brasileira e saber quem é Pagu.
Você
sabe quem é Pagu?

Patrícia Rehder Galvão
nasceu em 9 de julho de 1910, em São João da Boa Vista-SP. Em 1922 (ano
da Semana de Arte Moderna, criada pelos modernistas na época para
protestar contra o domínio cultural e artístico estrangeiro que se
alastrava no Brasil), aos doze anos, começava a aflorar os seus talentos.
Aos 15 anos, começou a
escrever no “Brás Jornal” com o pseudônimo de “Pathy”. Foi o
poeta Raul Bopp quem criou o pseudônimo “Pagu”, pensando que seu nome
fosse Patrícia Goulart. Nessa época, já conhecida no meio artístico,
Pagu foi apresentada ao grupo de modernistas composto por Oswald Andrade,
Mario de Andrade, Anita Malfati e também a mulher de Oswald, a pintora
Tarsila do Amaral.
Oswald fica encantado com Pagu,
apaixonado pelos pensamentos vanguardistas e pela beleza intrigante dela,
no que foi correspondido. O romance teve um início complicado, já que
Pagu tinha uma enorme admiração e amizade por Tarsila do Amaral. Nesse
período Pagu começa a escrever para a Revista Antropofágica (revista
editada pelos modernistas) e a fazer grandes obras como “Álbum de Pagu”
e “Diário a quatro mãos”.
Em 1930, com 20 anos de idade,
Pagu se casa com Oswald numa cerimônia simbólica e ao mesmo tempo
esquisita. Eles se casam no Cemitério da Consolação, em São Paulo. Em
31, ela e seu marido filiam-se ao Partido Comunista e publicam o jornal
esquerdista “O homem do Povo” no qual Pagu assinava a coluna feminista
“A Mulher do Povo”, instruindo a mulher brasileira daquela época a ir
à luta, ao trabalho e ao mundo. Ainda nesse ano, como militante política,
ela acaba sendo presa.
Liberada, Pagu começa a
viajar pelo mundo como correspondente dos jornais “Correio da Manhã”,
“Diário de Noticias” e “A noite”. Passou pelo Japão, pela Rússia,
pela França e acabou sendo a primeira repórter latino-americana a
presenciar a coroação do Imperador da Manchúria (China).
Após sua ida à Rússia, em
34, ela fica decepcionada com o Partido Comunista, o partido que ela amava
e pelo qual lutava. Com isso, acaba constatando que os ideais do partido não
batiam com a realidade daquele país. Em seguida, vai a Paris, estuda na
Universidade de Soborne, e acaba sendo presa como comunista, então volta
ao Brasil. Nessa época, o Brasil vivia o regime do Estado Novo (Getulio
Vargas). Aqui, sofre várias torturas.
Quando foi solta, seu físico
e seu emocional estavam em pedaços, se divorcia de Oswald, e também do
Partido Comunista. Dedica-se ao Jornalismo, e casa com o jornalista
Geraldo Ferraz, com quem tem seu segundo filho com o mesmo nome do pai.
Nos anos 50, tenta resgatar sua militância política concorrendo à
Assembléia Legislativa, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), mas não
foi eleita. Nessa época, ela começa a elaborar várias revistas de SP e
RJ e torna-se crítica de teatro e televisão.
Nos últimos anos de vida,
apesar do trabalho incansável pela cultura, Pagu começa a beber, andar
maltrapilha e com cabelos despenteados.
Em 62, viaja para Paris, para
cuidar de um câncer que a tomava. Sem sucesso, três meses depois seu
coração pára. Seu último texto, datado de 23 de setembro do mesmo ano,
diz: “Nada, nada, nada. Nada mais do
que nada. Abrir meu abraço aos amigos de sempre. Poetas que compareceram,
alguns escritores, gente do teatro, birutas de aeroporto, e nada”.
Encerro aqui minha coluna,
abraços.
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