Semana Integrada do Meio Ambiente

             A Cooperativa de Ensino Dr. Zerbini (COOPEN) já estava há alguns anos se preocupando com a educação ambiental e, por isso, participou da semana integrada do Meio Ambiente, colocando à disposição, além dos alunos do Ensino Médio, uma equipe de professores que desenvolveu palestras para os alunos presentes, quarta-feira, dia 2 de junho de 2004, na Câmara Municipal de São José do Rio Preto.
          A COOPEN, pelo que se pôde perceber, já vinha procurando maiores informações sobre educação ambiental na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), por meio de professores relacionados com o programa “religando saberes”, e na Universidade Estadual Paulista, UNESP. Conseguiu, com isso, que todos seus professores se envolvessem com projetos relacionados à educação ambiental, buscando, então, levar maiores e melhores informações aos alunos.
          A coordenadora e professora Simone Buchala iniciou a palestra falando sobre o envolvimento da COOPEN na semana do meio ambiente e apresentando, através de banners, atividades desenvolvidas na escola. Ressaltou que, desde o início da cooperativa os professores formados e especializados na área ecológica têm feito visitas monitoradas a locais onde os alunos possam pôr em prática o que viram em sala de aula, além de interagir com diferentes culturas e ambientes. O projeto abrange desde a 5ª série até o 3º colegial.
          Buchala, em parceria com professor da UNESP, criou um projeto que estuda a influência das artes na educação ecológica. O projeto foi apresentado em Lisboa, o que acabou levando o nome da escola até lá. Com esse estudo, disciplinas como história da arte e literatura, que aparentemente não tinham relação com o meio ambiente, entraram em vários projetos.
          Todas as áreas se envolveram no projeto, as ciências biológicas em busca da ação e as humanas atrás da conscientização e sensibilização dos alunos.
          Após a fala da coordenadora, o professor de Biologia e membro fundador do grupo PACA (grupo de alunos preocupados com a causa ambiental), Rodrigo, apresentou dados estatísticos relacionados com a questão do Lixo. Os dados comprovam uma triste realidade: a produção desenfreada de poluentes.
          Com as informações o professor Rodrigo sensibilizou o público e mostrou o lado da COOPEN no que tange ao tratamento de lixo. Logo após isso, o professor Alexandre Martins apresentou um clipe musical (da banda Pearl Jam, com a música Do the Evolution) e explicou o porquê da presença de um professor de português num seminário sobre o meio ambiente, alegando que seu envolvimento nisso era conseqüência de um eixo condutor que havia entre as ações de todos os professores do ensino médio da cooperativa.
          Para os educadores da área de língua portuguesa, disse Martins, é impossível compreender o indivíduo fora de seu meio, assim, as relações estabelecidas entre as pessoas acabam modificando o meio em que elas vivem. Analisar essas relações, muitas vezes estruturadas sobre concepções errôneas de linguagem, é a matéria da disciplina de português. A principal diferença entre o ser humano e os outros seres não é a simples comunicação, mas sim a comunicação consciente, que possibilita a expressão de sentimentos através da arte.
          No caminho de mão dupla entre o ser e o meio passam as mudanças, compreendendo isso, pode-se analisar as propagandas, que acabam gerando consumismo desenfreado, que por sua vez aumenta o lixo. Por isso deve-se ver as propagandas, apesar de seu valor na sustentação da democracia, com “olhos críticos”, verificando se o produto apresentado é realmente necessário.
          A forma sempre foi algo muito valorizado no “mundo do descartável”, já que se dá mais valor ao novo, que é a palavra do momento, do que ao que é realmente útil. Exemplo: todo ano várias pessoas trocam de modelo de carro, não porque o anterior já não andava mais, mas sim pela busca do mais novo. Tudo isso agrava o problema ambiental, já que aquilo considerado obsoleto é transformado em lixo. Mas o novo, apesar de na propaganda gerar o descartável e agravar o problema do lixo, na arte provoca reflexões sobre o estado das coisas do mundo. Terminada a sua análise sobre propaganda, o professor Alexandre passou a palavra ao educador de filosofia: Arnaldo.
          O professor Arnaldo afirmou que apesar de todos dizerem que estão a favor do meio ambiente, querem o “meio ambiente” no ambiente do outro; ninguém realmente assume ter o meio ambiente no próprio ambiente. Por isso, é necessário unir sabedoria e ação, porque sem ação não há verdadeira sabedoria, comentou.
          O filósofo afirmou ainda que na questão ambiental não existe neutralidade, o próprio silêncio significa consciência e acomodação sobre aquilo que está acontecendo ao seu redor. A salvação do planeta deve ser pensada globalmente, mas feita localmente.
          Para o professor de filosofia, o lixo produzido em grande parte das cidades do país é “rico” e os catadores de lixo tentam aproveitar essa “riqueza”. Mas, numa ação que os deixa sem rumo, algumas prefeituras pagam para enterrar o “rico” lixo produzido, impedindo o trabalho das pessoas que vivem dessa “riqueza” alternativa. Depois dessa afirmação, o professor Arnaldo deixou a palavra para o professor de Biologia.
          O professor Fábio começou falando sobre os 3 Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), logo depois fez algumas perguntas que levou todos a refletir sobre o consumismo. Em seguida, explicou que o desenvolvimento econômico tem como conseqüência uma maior produção de lixo. Os países chamados subdesenvolvidos procuram alcançar o patamar econômico dos considerados desenvolvidos, mas estes nunca param de evoluir economicamente e isso se torna uma busca sem fim. Se poluir é sinônimo de evoluir, então países como os Estados Unidos da América (EUA) nunca irão querer parar de agredir o meio ambiente.
          Para um “mundo perfeito” seria necessária a igual distribuição de riquezas, os países desenvolvidos deveriam parar de evoluir até que todos os outros alcançassem o mesmo patamar econômico.
          O professor de Biologia ainda abriu um parêntese sobre evolução explicando que é preciso perder a crença de que o índio é atrasado. Pois, mesmo que ele continuasse evoluindo, nunca se tornaria como é o homem da cidade, isso porque ele não cria novas necessidades, ou seja, ele vive em uma sociedade estagnada evolutivamente. Mas isso está mudando por causa do contato do índio com a cidade.
          Voltando à questão do meio ambiente, devemos lembrar que talvez não soframos as conseqüências da falta de consciência ambiental, mas sim nossos herdeiros. Por isso surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, que é o desenvolvimento em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou seja, existir e viver bem de acordo com suas necessidades.
          A política dos 3 Rs tem como principal ação a Redução, ou seja, diminuir o consumo, depois Reutilização, ou seja, usar de novo e, somente depois, Reciclagem, ou seja, reaproveitar o material.
          Para finalizar sua participação, Fábio apresentou a fala de uma índia, que reflete bem o problema do meio ambiente:
          “Um dia a Terra vai adoecer, os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer, os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão seu espírito, mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí então, todos as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris”.

“Olhos de Fogo”, índia Cree.

Fernando Hattori e Rafael Sanches

Veja também os textos dos alunos André Faim e Luiza Rey, e Jacob Said Neto e Lucas Carareto

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