Chuvas de Verão
Você viu a chuva de ontem à tarde? Ela me fez
pensar...
Na minha vida e na sua. Ontem foi mais um belo dia
de verão, decorado de luz, calor, cores...
Borboletas vadiavam por entre flores de todos os
matizes e passarinhos cantarolavam, rasgando
os ares.
Mas, de repente, nuvens escuras
borraram o azul do céu e grossos pingos
d'água surgiram dispostos a encerrar o
espetáculo da Natureza em festa. O ar
se fez abafado, o sol se perdeu nas
nuvens, as flores desbotaram na
sombra, as borboletas se esconderam...
Mas, curiosamente, estranhamente,
notei que os passarinhos, refugiados
nas copas das árvores, continuavam cantando!
Quantas vezes, diante dos obstáculos naturais da existência, nós nos
estendemos em longas lamentações ou num desânimo inútil e nocivo?...
Ou nos perdemos a maldizer a vida, a reclamar da sorte, a
condenar a Deus?...
Abafamos o calor do nosso sorriso num semblante marcado, triste,
destrutivo e auto-piedoso.
Esquecemos entre as nuvens o sol da esperança, desbotando a própria
personalidade nas sombras egoístas do: Por que comigo?
Quando deveríamos entender que estamos na vida para vivê-la, fruindo
suas alegrias, mas também passando por seus tropeços.
Passando por eles, não estacionando neles!
Bom seria que encarássemos a vida como as aves: percebendo os seus
obstáculos como chuvas de verão! Entendendo que, mesmo escondido entre nuvens
espessas, o sol radioso - esperança de dias melhores - continua a brilhar,
inatingível!
E que, mesmo que a chuva abençoada das privações nos impeça, por
hora, os passeios habituais, convidando-nos à viagem para dentro de nós
próprios,
mais tarde tudo se modifica, o sol volta a reluzir, as
borboletas ressurgem e a vida nos chama a vôos mais
altos! Saibamos então cantar nos momentos
chuvosos
como nas tardes ensolaradas...
Aprendamos que dificuldade é aprendizado,
sofrimento é prova e dor é oportunidade de
crescimento...
Depende de nós!
Cantemos à vida, sempre !