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A nutricionista de Bagé
Eram quatro colegas de trabalho de uma renomada empresa aérea brasileira, que não nos cabe agora divulgar. Coincidentemente estavam todos em processo de litígio com a comida, ou seja, tentando perder peso. Ao comentarem um com o outro sobre a consulta que iriam fazer a nutricionista da firma, descobriram que todos, por obra do destino, marcaram a tal revisão médica para a mesma data.
Quando o tal dia chegou, dois deles que tinham um compromisso urgente pouco depois da consulta, convenceram o terceiro amigo de baia, a partirem juntos para o serviço médico.
Ao chegarem na sala de espera, quando já iram pedir à secretária que tentasse um atendimento imediato, deram de cara com a tal nutricionista nazista. Era uma lourinha bonitinha, novinha e cheia de energia. A tal doutora olhou para eles e desferiu suas armas:
- Barbaridade! Vocês são todos pacientes meus, tchê?
- Sim, e estamos com problema de horário, somos amigos de outro paciente seu, o Dori. Será que você poderia nos atender agora?
- Mas é claro! Entrem todos que eu vou fazer uma consulta conjunta, tchê!
Os prisioneiros, digo pacientes, entraram rápido na sala, sem saber do perigo que corriam. A primeira a sofrer, digo, ser atendida foi a única menina do grupo. Nossa cavaleira dos pampas partiu logo para aquela tal pergunta que nenhuma mulher gosta de responder.
- Báh! Quantos anos você tem, tchê?
- Isso eu não posso falar na frente dos meus amigos, você compreende, né?
- Quê isso, tchê? Que frescura? Escreve aqui pra mim então!
Os outros dois amigos riam da cobaia, quer dizer paciente. A nutricionista seguiu então o seu ritual de terror.
- Barbaridade ! Essa gordura nas vísceras é a pior que tem, mata logo, tchê!
O gordinho e o Gugu riam da coitadinha, sem saber o quê estava ainda por vir. A dieta que a paciente recebeu foi de dar dó. A médica prosseguia seu ritual macabro, sutil como uma elefanta, digo, uma gatinha nazi-fascista, afinal ela tinha um corpinho de violão.
- Báh! Eu estou falando assim, por quê não suporto esses gordos que vêem aqui falar comigo. Os homens são deste tamanho, oh! E mentem descaradamente, dizendo pra min que não comem quase nada. Ah, eu estou cansada dessa falsidade, tchê!
Quando chegou a hora do gordinho Vavá, aí é que ela não perdoou.
- Tu estas gordinho, tchê! Quantos anos você tem?
- Trinta e oito, por quê?
- Tu tá muito novo pra estar tão gordo, se continuar comendo assim, vai acabar virando um toucinho! Tu tens filho, tchê?
- Tenho, dois por quê?
- Coitado deles, tchê! Báh! Vão perder o pai cedo, cedo!
Bombardeou o pobre do homem, que olhava para seus amigos, rindo da tal maluca, digo nutricionista. Mesmo assim ela não pestanejava.
- Bah! Posso saber qual o teu peso e tua altura?
- Cento e cinco quilos e um metro e setenta e oito de altura!
- Tens seguro de vida, tchê?
- Não por quê?
- Barbaridade, tchê! É melhor tu saíres daqui e fazeres um logo! Pois se não entrares numa dieta logo, deixarás os filhos prá coitada da esposa?
Novamente Vavá olhava para os amigos e ria da tal torturadora. Mas sua dieta foi mais rigorosa ainda do que a da primeira paciente.
- Você tem alguma doença crônica na família?
- Meu tio morreu de ataque cardíaco!
- Não falei, tchê! Barbaridade! Não falei? Tu és um sério candidato a passar dessa pra melhor!
Ao chegar então a hora da dissecação da terceira vítima, os dois primeiros derrotados, digo, pacientes, abandonaram o cativeiro às pressas, inventando desculpas para a mulher do SNI, digo, a tal nutricionista de Bagé.
Depois, souberam das torturas que o Gugu sofreu e riram do amigo.
Mais tarde, ao comentarem a situação para o quarto colega de empresa, os pacientes entenderam o motivo de tanto rancor da doutora. O Dori, quarta pessoa a adentrar ao campo nazista da torturadora de Bagé lhes contou que havia discutido há um mês atrás com a dita cuja, e trocaram até farpas, com nosso amigo colocando-a no seu devido lugar e acabando por acatar seus convincentes argumentos.
É por isso que eu sempre digo e agora repito: "Numa mulher não se bate nem com uma flor", ou ainda, mulher acuada é pior que bicho no cio, sua vingança tarda, mas não falha! E viva a nutricionista nazista de Bagé! Barbaridade, tchê!

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