Relendo um conto meu chamado: “O preço da liberdade”, atentei para algo que escrevi e questionei o porquê desse fato.
Lá eu digo que a liberdade: é a maior utopia do universo.
A maioria sabe que “UTOPIA” é o maior clássico da literatura mundial que preconiza a sociedade perfeita entre súditos e dirigentes.
Thomas More ao escrever esse livro nunca imaginou que esse tema seria perpétuo e sinônimo de impossibilidade, absurdos.
More como todo humanista odiava as classes guerreiras, militares sem considerar que não são militares que fazem a guerra e sim os políticos. Militares apenas vão matar e morrer nelas e assim sobrevivem não pelo seus valores mas pela necessidade de existirem.
Desprezava o poder e a riqueza, como Licurgo e defendia da mesma forma a idéias que os bens devem ser usados para o bem estar da sociedade numa integração entre reis e súditos também esquecendo que o povo precisa da guerra como incentivo ao progresso. Manter-se livre como se isso acontecesse, pagando com vidas por algo tão sem lógica.
Países do pós guerra mesmo derrotados prosperam mais que os pacíficos.
Por que as guerras?
Pelo choque não de seres, mas de idéias. Sim, de idéias.
Então fez-se a luz para mim.
Entendi algo simples ,mas verdadeiro e determinante.
Somos infelizes não por nos chocarmos com outros seres mas sim com suas idéias.
O maior exemplo disso é a paixão e o amor.
Nos entregamos na cama as mais loucas orgias em nome da paixão e do amor
Ali gozamos em estado de êxtase de desejo intenso.
Corpos unidos com insanos gritos e gemidos.
Gritamos socorro pelo medo de morrermos de prazer de loucura de devaneio.
Nos ajoelhamos, nos mordemos, nos sugamos sem pudor, sem vergonha, sem nojos,
sem temores, raiamos o absurdo, a insanidade.
Em nossos espelhos assistimos algo impensável. Em nosso banho corpóreo nos banhamos nos líquidos que fluem de todas as partes do corpo de quem desejamos e amamos e dos nossos próprios corpos. E com que prazer fazemos isso.
É uma guerra onde somos os políticos e os guerreiros, os reis e os súditos numa relação perfeita. Nela somos gigantes, invencíveis.
Essa relação resiste a tudo, ao nosso medo, nosso nojo, nosso pudor, tudo que aprendemos e que a sociedade paterna nos ensinou ali desprezamos.
Mas, não resiste a uma pequena coisa. Tão pequena como uma bactéria, mas tão poderosa quanto o efeito devastador que ela causa. Um ser ínfimo que derruba um gigante chamado paixão.
Esse ser ínfimo se chama: IDÉIA DE LIBERDADE.
Essa é a maior e pior UTOPIA que nem More previu.
Que paradoxo terrível.
Que mal infeliz.
Renunciamos a tudo que amamos em nome da liberdade. Ela já nasce contida porque tolhe nossa entrega total que tanto desejamos.
Não nos submetemos por contrariar nossas idéias, não nos mostramos verdadeiramente nus para não ferir princípios já que submissos e nus estaremos na cama.
Nossa estupidez nos torna infelizes, nas sombras, distantes jogando a vida fora.
Então compreendi que jamais haverá liberdade pelo simples fato de que nascemos, crescemos e morreremos PRESOS EM NÓS.
 

 

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