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Olhava da
varanda da minha casa e percebi algo se mexendo
no chão e atentando mais entendi que era um
pássaro.
Não custei a ver que era um filhote de sabiá que
caíra do ninho.
É comum nessa época do ano nascerem vários
pássaros nessa minha árvore secular e alguns
caem e morrem e outros nem nascem porque caem os
ovos ou são devorados por outros pássaros ou
ladrões de ninhos, mas enfim essa é a natureza
que dizem ser perfeita criada por deus. Pode ser
perfeita, mas é extremamente violenta embora eu
entenda que de perfeita ela nada tem.
Rapidamente antes que meus cães percebessem a
minúscula figura se debatendo socorri a infeliz
ave e como se tratava de um filhote resolvi
adotá-lo e alimentá-lo com conta-gotas com
frutas e outros alimentos que esses animaizinhos
consomem.
Embora seja inimigo de animais em cativeiro
exceto cães e assim mesmo eu os crio o mais
livre possível, arranjei com um vizinho uma
gaiola a ali pus o belo pássaro já se emplumando
e arremedando um piado que devia ser pedindo
comida.
Ao pô-lo na gaiola veio a minha mente um
pensamento estranho.
Fosse eu um passarinheiro com certeza estaria
tirando a liberdade desse animalzinho para
sempre. Minha intenção era criá-lo e quando ele
pudesse voar e sobreviver sozinho soltá-lo
Do contrário teria tirado sua liberdade mesmo
antes dele entender o que era a liberdade.
Liberdade!
O que é liberdade?
Ela existe realmente
Os filhos buscam a liberdade quando com os pais,
a mulher acha que pode ser livre dos irmãos dos
pais e até do seu homem e os homens idem e suas
mulheres ou se homo de seus outros homens
Liberdade é a maior de todas as utopias do
universo.
Nem nas democracias, nem nas anarquias, nem
longe de quem nos comanda somos livres.
A mulher quer ser livre, mas ser senhora. Os
filhos querem uma independência, mas querem a
boa vida que alguns pais lhes proporcionam.
Marginais querem ser livres, mas não se submetem
as leis.
Eu não sou livre, você não é livre enfim ninguém
seja racional ou irracional é livre, pois somos
prisioneiros de nós mesmos.
Os vegetais não são livres. Invadidos por
parasitas e pragas e pagam ainda um preço caro
pela sua longevidade, pois jamais podem se mexer
sem que sejam transladado por alguém que com
certeza lhes será o senhor.
Na tentativa de vivê-la muitas vezes jogamos a
felicidade pela janela e nem por isso nos
libertamos.
Estava consciente de que a liberdade não existe.
Depois de dois dias cuidando do filhote de sabiá
ao levantar deparei com algo que me entristeceu
muito,
Jazia no fundo da gaiola morto a bela avezinha.
Fiquei muito triste e a retirei da gaiola para
jogá-la fora.
Nesse momento se fez a luz.
A liberdade existe, mas pagamos por ela um
altíssimo preço e jamais mesmo livres a
contemplaremos e nem a viveremos por sequer um
segundo.
A verdadeira liberdade não existe paras ser
contemplada, vivida e curtida.
Nunca seremos livres por mais que lutemos por
isso.
O ser vivo não é livre, as nações não são
livres, nada é livre e nem nossos sonhos são
livres.
Ao tirar o pássaro da gaiola eu o libertei, mas
ele nem sabe disso porque o preço da liberdade é
a morte.
Espero que pelo menos ele voe em seus sonhos não
liberto, mas na busca eterna da liberdade que
ele nunca saberá que tem.


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