Estava pensando o que � ser escritor e entendi que h� diversos tipos de escritores.
N�o quanto ao estilo, mas quanto � emo��o de escrever de ser lido e de ser entendido.
Muitas vezes interpreta��o � como hor�scopo que voc� se v� na defini��o de como � o nascido sob a �gide de Urano, Netuno, J�piter e outros astros.
Um hor�scopo � uma generalidade especifica.
Paradoxal?
Estranho?
N�o acho.
� apenas algo que � sempre igual, mas que ao lermos achamos que falam exatamente apenas de n�s.
Enfim � gen�rico, mas especifico no nosso entendimento.
Imaginem um circo com as mesmas pantomimas, o mesmo n�mero de trap�zio os mesmo bichos, mas que sobrevivem a milhares de anos.
Sabem por qu�?
Porque embora o espet�culo seja o mesmo as gera��es mudam.
O que seria de Shakespeare se apenas uma gera��o o tivesse lido. Ele nem existiria mais, pois todos de sua gera��o est�o mortos, mas ele se perpetuou, como hor�scopos, circos e bons escritores.
Tudo isso para dizer que nada que escrevo � novo, pelo contr�rio � velho, mais velho que eu como o palha�o o trapezista, o hor�scopo.
Esses contos s� se tornam reais porque eu os vivi, mas sei que todos vivemos algo parecido s� que eu sou um escritor e aprendi a por isso no papel como o compositor transforma o dia a dia em notas musicais e concertos deliciosos ou apenas modinhas maravilhosas.
Um bom compositor transforma uma guerra num poema em forma de som, mesmo guerras sendo ruins.
As Portas de Kiev n�o � uma Ave Maria, da mesma forma que A Abertura n�o � uma Sonata � luz do Luar, por�m todas criam emo��es inenarr�veis, incontest�veis, profundas e maravilhosas.
Um dos segredos da felicidade � extrair boas coisas de coisas ruins. Que o digam as marchas f�nebres, os r�quiens.
Um dia um tolo afirmou que eu lia textos estrangeiros e traduzia como meus.
Fiquei orgulhoso primeiro por ele me ler e depois dele me imaginar com essa capacidade.
Eu apenas vivi e um dia consegui escrever essa experi�ncia que muitos viveram, mas n�o sabem dizer da mesma forma que eu n�o sei ser trapezista, talvez um mau palha�o.
Nessa nossa lide algumas pessoas se tornam especiais at� pela sua capacidade de ser desastradas e ao contarmos seus feitos parece inven��o, mas em verdade � mera realidade de algu�m que veio ao mundo para virarem umas quase lendas felizmente lendas que mesmo erradas nos divertem e que poucos estragos causaram a humanidade.
Uma dessas pessoas � o Fon � Fon, cuja historia da �chave� j� narrei, mas que pela maneira simples de viver ser� objeto de outras deliciosas aventuras de um cara cuja mat�ria prima n�o existe mais recheada de bondade, pureza, simplicidade e amizade hoje extintas no ser humano e tremendamente desastrado como ver�o nos contos sobre ele.
Essa figura hil�ria, engra�ada, humana e cordial s� vivia se envolvendo em encrencas.
E uma dessas vou narrar agora para deleite de quem me honra ao me ler.
Fon-Fon envolvia-se em cada uma mesmo sem desejar, mesmo tentando acertar.
Por exemplo, em nossas peladas (jogo de futebol) em qualquer lugar ate na rua, era ele que jogava a bola debaixo do caminh�o e ela estourava, era ele que quebrava a vidra�a do vizinho fazendo todos correrem sendo xingados.
Era ele que soltava fogos e o foguete entrava debaixo da saia das meninas ou das senhoras.
Pegava o �nibus errado, trocava a hora dos jogos contra, enfim cada uma que at� hoje eu duvido e rio.
Numa dessas vezes olhem o que ele aprontou.
Eu cheguei do trabalho e a rua estava cheia.
Cheia de que?
De tudo.
Policia, bombeiros, reportagem, pessoas de todos os cantos.
Labaredas alt�ssimas subiam dos cantos dos meios-fios de dos bueiros todos sem tampa com as tampas amassadas e a distancia como se ali estivesse depois de uma erup��o de um vulc�o inesperadamente surgido do nada.
Fiquei at�nito e preocupado logo correndo para casa ver se algo grave havia acontecido
Meu pai n�o estava em casa e minha m�e falava pelos cotovelos culpando a ma educa��o do respons�vel que at� ent�o eu nem imaginava quem fosse at� porque nem sabia o que estava acontecendo.
Minha m�e n�o parava de falar criticando todo mundo sem nem sonhar que eu era pior que todos juntos, ou quase igual s� que menos idiota que a maioria.
Para ela o fim do mundo se iniciara por culpa de... De... De quem?
Era o apocalipse
E a besta fera tinha um nome, ou melhor, um apelido.
Sabem qual?
Leram a chave?
Pois �... O nome � FON-FON O DESASTRADO
Mais uma vez ele aprontou e dessa vez foi � hecatombe, um cataclismo, pelo menos parecia � primeira vista.
Acho que Vulcano, um filme Hollywoodiano foi filmado nesse dia, pelo menos o cen�rio era semelhante.
De quando em vez uma explos�o e todos corriam, sem saber para onde porque logo aonde chegavam nova explos�o ocorria.
Era enfim um caos.
Mas cad� o FON � FON
Sumira
Da rua do bairro e acho que do munic�pio ou mesmo do estado. Quem sabe do pa�s? Do planeta?
Bem ele foi abduzido
Durante meses n�o o vimos mais
Mas o que levara a isso
A rua em que mor�vamos era simples e pequena.
Nela passava um val�o que recebia o esgoto do bairro.
Das casas, do com�rcio das pequenas industrias caseiras e principalmente de um posto de gasolina bem na esquina.
Nessa �poca �ramos menos burocr�ticos e mais felizes, n�o havia FEEMA, nem IBAMA e nem anda desses �rg�os complicadores e in�teis de nossas vidas. �rg�os sempre foram perigosos.
E o posto jogava nesse val�o toneladas de �leo, graxa e diversos inflam�veis sem nenhum tratamento.
O triste � que o val�o entrava no meio da rua para receber de outras ruas os esgotos.
Adivinhem em que casa ele entrava?
Bingo!!! Na casa do Fon � Fon.
Que azar da humanidade.
Nesse dia o desgra�ado resolve queimar algum lixo como madeiras, jornais etc. etc. enfim tudo que pegava fogo rapidamente. E como foi r�pido
O fogo se alastrou pelo bairro fazendo com que os tamp�es fossem os predecessores das naves que levaram o homem ao espa�o e acho que pelo sumi�o Fon � Fon foi o primeiro ser a fazer essa viagem.
Os bombeiros evacuaram as ruas com medo que o posto explodisse apenas tentando achar o Fon � Fon para amarr�-lo no posto e bem que ele merecia.
Fon � Fon levou meses para aparecer novamente com bigode e cabelo pintado que para a �poca e um negro era muito estranho porem, menos perigoso.

 

 

WebDesign Isolda Nunes
Juliana� Poesias ���� - Copyrigth� ����
Todos os Direitos Reservados�
Melhor visualiza��o 800x600 ou 1024x768
Salvador - Bahia - Brasil

1
Hosted by www.Geocities.ws