Nada mais antigo que sonhar.
A ciência provou que o homem sonha antes de nascer.
Fico cismando que como pode isso se sonhos são expressões de informações que
vivemos e nossos sentidos deturpam, algumas vezes de forma maravilhosa e
outras de forma triste e desesperadas, pois pesadelos também são sonhos.
O sonho é um intermezzo entre a realidade que desejamos e a verdade que nos
apavora e nos atormenta
Sonhamos com quem já partiu dessa vida e às vezes com quem nem nasceu ainda.
Sonhamos com efemeridades que mal vimos na vida real e também com realidades que
vivemos no dia a dia.
Há sonhos lógicos e outros alucinados.
Há sonhos tão reais que nos perdemos neles e outros tão insanos que mesmo
dormindo temos a consciência de estarmos sonhando.
Alguns que nos manipulam e outros que manipulamos.
Há pequenos sonhos e sonho eternos.
Há sonhos tão tristes e sonhos muito felizes.
Há sonhos que se repetem e alguns que nem lembramos.
Ontem sonhei com você.
E foi o mais estranho e complexo sonho que já tive em minha vida.
A sensação era de que vivia numa guerra terrível com bombas, metralhadoras,
sangue e mortes.
Eu era um soldado e você a nação. Eu matava sem nem saber quem, só que matava.
Você estava nua, excitante, alucinante e eu te conquistara e tu eras toda minha.
penetrava em teu corpo com minha baioneta rígida e com ela arrancava das tuas
entranhas prazeres inimagináveis e excitadíssimo pelo prazer da conquista, da
posse o eu te invadia e te fazia minha escrava e você gemia, tremia e sangrava,
mas teu prazer e o meu não tinham limites.
Tu eras minha e eu era todo teu.
Imediatamente mudava o cenário. Você tranqüila, sem ser ameaçada, inimigos
vencidos e expulsos de tua nação ora independente.
Lembrei de todos heróis que lutaram por algo ou alguém e que morriam nessa luta
e que depois de conquistar o objeto, abriram mão dele para outros fins ou outros
invasores. Era como o príncipe do desejo te entregasse ao rei da ignorância que
te queira só pelo direito de dizer que eras deles.
Era o soberano do nada e eu o senhor de tudo Era o soberano do nada o te
impunhae eu o senhor de tudo te declinava.
Neste estranho sonho você dizia: conheci a liberdade, a independência não posso
mais ser tua como você deseja.
Eu te olhava e dizia: você não conquistou nada eu te dei esse presente para ver
você ser feliz e agora com eternos infelizes voltas ao eterno desencontro. Vá
então, não lutei por alguém assim.
O que você não entendeu é que sem meu domínio serás vazia como antes, um ser
estéril, infeliz cujos objetivos serão sempre secundários e que jamais te
realizarão.
Em meu sonho eu dizia; lamento, mas você me lembra a África do homem branco e a
África livre. Ela mesma se destruiu e você fará o mesmo.
Não foi por isso que lutei derramei sangue, tornei-me um matador, um déspota.
Tudo fiz por amor e paixão que você acaba de matar e que agora se foi perdido
nas tuas incertezas, nas tuas tolices e inconsciência.
Nada vale na liberdade sem a paixão, sem os objetivos sem metas.
Você será eternamente um deserto onde nada brotará e por você passarão todos
rapidamente, morrendo de sede, fome, cansaço, desespero e sofrimento e poluindo
com seus corpos imundos tua branca areia e te fazendo cada dia mais triste e
distante da felicidade, pois tua felicidade tem um nome: o meu nome.
Não te conquistei para isso e te digo que preferia ter morrido nessa luta do que
ter conquistado algo sem valor, sem emoção pior que essa vitória, pior que a
Vitória de Pirro.
Nesse momento acordei e chorava. Chorava pela felicidade de um sonho que me
levou a lutar com todas minhas forças e chorava pela tristeza de ter conquistado
nada, absolutamente nada e ter que deixar tanta luta no chão sem fazer nem a mim
e nem a você feliz.
Esse foi sem duvida o mais estranho sonho de minha existência e a mais triste
compreensão dele.
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