A vida nada mais é do que uma fantasia e como fantasia tem momentos que rimos e momentos que choramos.
A emoção do ser humano sempre é extrema mesmo que não percebamos.
Indiferentes são insanos e mais insanos serão quanto maior for sua indiferença.
Essa emoção nos atinge de diversas formas. Por exemplo se dirigimos em uma estrada em alta velocidade e nos deparamos com um grave acidente, durante algum tempo arrefecemos nosso louco ímpeto de correr como se desejássemos ultrapassar nossos pensamentos que sempre estão á nossa frente,
Contemo-nos até esquecermos as cenas que nos chocaram como se para viver equilibradamente tivéssemos que nos pautar pelos acontecimentos ruins.
O que ora narro ainda me choca como se fosse algo que eu vivesse sempre, como se estivesse acontecendo.
Quando meu filho em seu leito no hospital Hemo Rio em um tratamento difícil de anemia aplástica, uma doença rara e gravíssima onde os glóbulos vermelhos param de ser fabricados se podemos dizer assim, pela medula óssea e como consequência o corpo perde suas defesas levando-o a inanição e normalmente á morte.
Cada dia era um dia de terror para toda família e seus amigos.
Tudo que podíamos fazer era cuidar muito bem dele o que sua mãe fez com tal intensidade que ouso dizer que ela foi no mínimo cinquenta por cento de sua cura e restabelecimento, já que felizmente ele se curou.
Em não bastando cuidar de nosso filho ela ainda na ausência de parentes de outros pacientes os atendia como se uma religiosa fosse com carinho, amor, paciência e tudo que reveste uma pessoa boa e solidária.
Um desses pacientes cujo nome criarei e chamarei de Vitor estava muito doente e não dava sinais de melhoras.
Com todo sofrimento que nosso filho nos causava, minha mulher ainda ajudava Vitor cujo sonho era conhecer determinado jogador do Vasco e ter uma camisa autografada pelo time.
Eu soube desse desejo e como era ligado a alguns profissionais desse time inclusive ao presidente, sem prometer mandei dizer que faria tudo para conseguir essa visita e essa camisa.
Era seu sonho era sua fantasia.
Sonhos e fantasias todos temos alguns impossíveis outros simples demais.
Esses não eram nem impossíveis e nem simples, porém realizáveis.
E eu consegui.
Cheguei no hospital as 15 horas e subi com o uniforme escondido pois era rigorosa a proibição de entrada de algo que viesse de fora devido ao risco de contaminação.
Entrei na enfermaria e o leito estava vazio.
Imaginei que ele tivesse ido fazer algum exame pois era contumácia no hospital essa rotina de exames.
Corri ao leito de meu filho e vi minha mulher chorando.
Entrei em desespero imaginando o pior com meu filho.
Ela me viu me olhou e disse: amor o Vitor morreu.
Tristemente senti um alívio seguido de profunda tristeza e quase remorso.
Quedei inerte com a camisa na mão e a notícia embargada no peito de que não só um , mas vários jogadores viriam visitá-lo.
Eu não fui ao seu enterro. Era muito sofrimento mas, entreguei seu sonho á sua família.
Dentro do caixão contaram-me que a camisa do Vasco protegia seu corpo apodrecido.
Sobre o caixão a bandeira do clube que ele tanto amava.
Ele realizara de estranha maneira seu sonho e nesse ambiente mental veio á lembrança uma das mais belas composições de Chopin, que retratava bem a trajetória de Vitor.
Fantasia Interrompida.

 

 

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