| P�scoa Esp�rita
J� estamos na hora de mudar nossos paradigmas e por fim as encena��es teatrais de adora��o onde as pessoas dizem ir ao culto, as sinagogas, igrejas adorar a Deus, mas menosprezam o mesmo Deus nas ruas, como se este, tivesse criado uma linha divis�ria entre o templo e a oficina. A verdade � que ningu�m pode separar suas horas perante si e dizer esta hora � para Deus esta � para mim, esta a��o � para Deus esta � para mim. Toda a terra � seu altar de ora��o por louva-lo nos templos e despreza-los nas ruas � que temos naufragado mil vezes. Mais uma p�scoa se aproxima e a simonia corre solto como em todas as outras festas religiosas, a Sexta-feira Santa chega e a humanidade desperta da sua letargia profunda, mas � apenas por algumas horas. Pois assim que o sol se p�e, a humanidade retorna aos seus caminhos tortuosos. A cada Sexta-Feira Santa as pessoas param com seus afazeres para contemplar uma sombra coroada de espinhos, espinhos estes, que estas mesmas pessoas n�o quiseram tirar. Os homens interrompem seus neg�cios para dirigir-se ao templo pedir ao cristo, mais lucros e confessar seus desenganos, mas o rito nem bem termina e o telefone toca chamando para mais um neg�cio proveitoso e as promessas ditas a pouco perdem seu valor de imediato. As mulheres distra�das pelo brilho da vida, apaixonadas por j�ias e vestidos, saem na Sexta Feira Santa para de suas casas para as prociss�es. Mas mal acaba a cerim�nia e todos voltam aos seus caminhos entre risadas e coment�rios desairosos. Foi apenas mais uma cerim�nia religiosa assim como outras tantas, e nisto se resume �s religi�es em cerim�nias onde ningu�m cogita, ningu�m raciocina, para que serve isto? Onde vamos chegar com estas encena��es teatrais? De adora��o exterior onde as pessoas levantam suas m�os em dire��o aos c�us, mas seu cora��o jaz adormecido nas trevas pantanosas da maledic�ncia, da inveja, do ci�me, e da falsidade. De que adianta aceitar a religi�o, mas n�o praticar? Bradar bem alto para todos ouvir Jesus, Jesus, mas o continuar com os ouvidos do cora��o surdos para suas mensagens? Aonde tudo vai bem se tem milagres, onde Jesus paga contas atrasadas, onde Jesus � propriet�rio de carros, da casa, da isto aquilo e o crente s� precisa para usufruir todas as regalias, contribuir com o D�ZIMO. Que interessa o que ele disse sobre a humildade, amor ao pr�ximo, f� do tamanho de um gr�o de mostarda etc, etc. Se esta igreja n�o tiver o que eu busco existe mil outras para eu garimpar. E assim seguem os garimpeiros dos milagres saltitando de igreja em igreja, de religi�o em religi�o em busca de conforto material. Por isto a Doutrina Esp�rita segue seu caminho meio que no anonimato, pois n�o faz milagres, n�o promete curas, n�o oferece um lugar especial no c�u � �nica coisa que oferece e uma escolha: ou ficar no passado apegado ao materialismo dos rituais, dos mitos e da voracidade carnal, ou buscar o esp�rito e seu poder na espiritualidade pura que a Doutrina oferece. O Espiritismo tem por finalidade libertar o esp�rito humano do visco da mat�ria, para que ele possa al�ar o v�o da transcend�ncia. A religi�o esp�rita n�o comporta lamurias e ladainhas, nem exige de seus adeptos atitudes formais, voz modulada, gestos artificiais e estudados. A religi�o verdadeira n�o est� nos templos, nas Igrejas, mas no cora��o do homem, na forma de uma lei fundamental da natureza humana - a Lei de Adora��o, que leva o homem a adorar a Deus no recesso de si mesmo, sem alardes nem fantasias. A verdade � que o mundo celebra o nome de Jesus e as tradi��es que os s�culos teceram em volta de seu nome, mas ele permanece um estrangeiro percorrendo o mundo e atravessando as religi�es sem encontrar entre os povos que compreenda a sua verdade. |