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Genealogia
| ONDINE.TK
Homenagem A Um AmigoQuem conviveu com Hellmuth Bruch e p�de ouvir as suas hist�rias teve a impress�o de que ele viveu 140 anos. Ele viveu somente a metade, 70. Mas viveu com a for�a e a energia de um homem que tinha como meta aproveitar todas as chances que a aventura da vida lhe ofereceu. Natural de Ara�atuba, filho de pais alem�es, passou uma parte de sua juventude na Alemanha em guerra, onde a conviv�ncia com as dificuldades mostrou-lhe o lado rude do ser humano: a maldade, o �dio, o medo. Aprendeu ali tamb�m a vulnerabilidade da vida, a sua fragilidade e sobretudo o quanto � transit�ria. Foram estas li��es que, processadas por sua intelig�ncia brilhante, moldaram o seu temperamento ousado e generoso. Terminada a guerra, de volta ao Brasil, fez-se um artista altamente t�cnico e criativo, virtudes que lhe abriram a oportunidade, mais de tarde, de firmar-se como um pr�digo inventor de ousados projetos, base de uma empresa saud�vel e cheia de oportunidades. Antes entretanto, aproveitou o ardor da juventude em aventuras dignas de Indiana Jones. Trabalhou no garimpo, conviveu com �ndios aprendendo-lhe as t�cnicas de sobreviv�ncia nas selvas, o caminhar silencioso e a exaustiva persist�ncia � espera do fruto da ca�a e da pesca. Aprendizado que carregou por toda a vida, aplicando-o em diversos momentos de sua conviv�ncia com uma juventude que o cercou enquanto viveu.Passou um longo per�odo no Chile onde semeou as t�cnicas que desenvolveu e aperfei�oou e, de volta ao Brasil, lan�ou as bases de seu maior sonho: uma empresa que tivesse como base a qualidade de vida de seus funcion�rios. Constituiu a empresa, a fez crescer e prosperar e a transformou em um ber��rio de profissionais altamente qualificados e dedicados. Hellmuth escolheu Igarat� para plantar o seu ideal. Comprou uma gleba de terras pr�xima � cidade e ali come�ou o que � hoje sua maior rel�quia. Construiu uma f�brica e diversas casas para seus funcion�rios. Criava gado, cultivava horta, semeou as primeiras defesas ambientais da regi�o. Recuperou matas, plantou esp�cies em extin��o. Na cidade ofereceu emprego e oportunidade a quem quer que o procurasse com projetos ou id�ias. Poucos foram os igarataenses que n�o tiveram a oportunidade de ver no "Alem�o" o homem exigente e perfeccionista, virtudes para alguns, defeitos para outros, mas sobre tudo amigo, parceiro e generoso.Foram a ciladas da economia nacional que dilapidaram suas iniciativas. Desistiu da f�brica de injetados de pl�stico e concentrou-se nos projetos pessoais. Desenvolveu diversos produtos para a ind�stria, alguns propiciando-lhe excelentes resultados financeiros. Sua �ltima iniciativa: o plantio da palmeira "Pupunha", planta produtora do palmito, que atualmente ocupa uma grande extens�o de suas terras. O seu pioneirismo na regi�o � celebrado e elogiado por todos que conhecem o projeto, atestando a sua vis�o inovadora e corajosa. Hellmuth faleceu no dia 17 de abril na Santa Casa de Jacare�. Em seu sepultamento, na manh� de domingo passado, chamava a aten��o o n�mero de jovens que se aproximavam em rever�ncia silenciosa. Eram amizades que Hellmuth soube conquistar com a sua vontade de ver cada um buscando objetivos a vencer. Nessa jornada ele apoiou o esporte, empresas, pessoas, fam�lias inteiras, institui��es e administra��o p�blica. A Prefeitura Municipal de Igarat� declarou luto oficial por tr�s dias e uma parte da cidade caminhou silenciosa at� o cemit�rio municipal acompanhando a fam�lia enlutada. Hellmuth deixou esposa, tr�s filhos e centenas de amigos e admiradores. Sua obra dar� ainda muito mais frutos do que sua breve vida. |