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O baritonista - Breve história da música

 

História da música


     As investigações históricas sobre a Antigüidade da música indicam a civilização egípcia como ponto de origem, encontrando-se nela vestígios mais exatos. Tais indícios se devem à contribuição das imagens, pois, teoricamente, foram os gregos que, posteriormente, determinaram o módulo, ou teoria, como pauta a ser seguida. Nos relevos egípcios da IV dinastia, ou seja, 4000a.c. Aproximadamente, já aparecem esculpidos os primitivos instrumentos, tais como os alaúdes e flautas, constatados nas mãos dos instrumentistas. A harpa também era um instrumento característico do povo egípcio; de enormes dimensões, fazia-se necessário tocá-la de pé. Era empregada especialmente no culto de Ísis, Osíris e Thot, considerados criadores da música. Assim os egípcios, os chineses tocaram instrumentos de corda e sopro, mas, preferencialmente os de percussão, como o King, digno de menção especial; era constituído de pedras suspensas e afinado que se tocavam através de martelos. Sob o ponto de vista ético, nenhum país antigo dedicou-se tanto à música para usufruir dela os benefícios da mais pura moral. É relevante o papel desempenhado pela música na assíria e babilônia, cujo instrumento característico, o saltério, espécie de cítara, tocava-se em posição horizontal através de uma varinha de marfim, ou seja, o plectro. Para os hebreus também era de importância este instrumento, aplicando-o como parte integrante do culto. O povo helênico, com os seus poemas épicos, criou o conjunto vocal, pois as odes de Píndaro ou de safo eram cantadas em público por coros polifônicos, através de seleção de vozes. Os gregos criaram a syrinx, uma gaita com a qual comumente se representa o deus pan. Os gregos atribuíam à música um sentido duplo:o de apaziguar e de excitar as paixões. Segundo esta interpretação, ela podia também suavizar os sofrimentos da alma, como corromper os sentidos. Platão, em sua obra república, chegou a perguntar se, na música, não repousava o elemento essencial da educação. Na antiga Roma, a música não desempenhava a mesma função que na Grécia. Consistia principalmente em divertimento. A sua execução ficava a cargo de escravos. Assumia grande relevância a música militar. A prática musical resultava de influência diversas:etrusca, grega, egípcia e outras. Com a cristianização da Europa surge, na música, a confluência de elementos hebraicos, gregos e germânicos, aproveitando-se melodias profanas sobre textos sacros. Música sacra era música essencialmente vocal e monódica. Somente a partir do século IX foi admitido na igreja, acidentalmente, o órgão. Durou muito tempo a luta do clero contra os instrumentos. O bispo de Milão, são Ambrósio, introduziu na liturgia antífonas e responsórios, assim como colecionou e codificou hinos já existentes; outros são de sua lavra. Introduziu-se o latim na música litúrgica do ocidente. Ao tempo do papa Gregório I, nos anos 590 a 604, conhecido como são Gregório Magno, havia na igreja ocidental, quatro liturgias:a romana, a milanesa, a galicana e a moçárabe. Sob a influência deste papa impôs-se, aos poucos, a liturgia romana. O canto gregoriano é de sua iniciativa, resultante da coleção e codificação dos melhores cantos litúrgicos. A igreja manteve, ao longo dos séculos, a unidade da música litúrgica, inclusive até o século XX. Por volta do século XIII estava quase completa a evolução dos primeiros ensaios para o contraponto, já dispondo este de suas regras fundamentais. O emprego do órgão generalizou-se, passando os compositores a descobrir novos recursos harmônicos, dispondo então a música profana de numerosos instrumentos. Envolvidos no anonimato até o século XII, somente no século XIV, apareceu um compositor, Guilherme de Machaut, considerado realmente notável, através da obra que dele subsistem. Ele personificou, na França, a nova liberdade criadora, movimento que seus fundadores denominaram ars nova. O motete passou então a ter vozes todas diferentes. A renascença que no século XV atingia o apogeu na Itália, repercutiu também na arte musical, grandemente influenciada pela tendência geral do renascimento italiano em procurar a beleza, a proporção clássica, acrescido do efeito impressivo, característico da escola polifônica do norte. Os italianos procuraram transformar o motete gótico, no seu madrigal. A tendência geral da música italiana para a melodia pura, deu lugar à substituição de vozes em algumas partes, por instrumentos. Todavia, a polifonia franco-flamenga continuou a dominar a música alemã. Durante a reforma, a música evoluiu assim sem contato com o espírito pagão e renascentista da Itália. O coral alemão, cultivado por Lutero, prosseguiria depois com Bach. No século XV, o florescimento da música italiana atraiu para aquele país muitos músicos, entre outros, Josquin des Prés e Orlando di Lasso, da escola franco-flamanga. Aqueles dois compositores, bem como João Palestrina e o espanhol Tomás Luís de Victória assinalaram o ápice da música renascentista, aliando o amor italiano da clareza à perícia polifônica do norte. No mesmo século, o desenvolvimento atingiu também a Inglaterra. O período inicial da ópera, começa em Florença, no século XVI, embora o gênero resultasse também de tentativas anteriores e posteriores àquele período. Foi Cláudio Monteverdi, compositor de extraordinária imaginação dramática, quem reuniu os elementos da ópera italiana. Iniciado o período barroco, por volta de 1600, se desenvolvem paralelamente a lírica oratória e a sucessão rítmica, seguindo-se a divisão dos compassos. O desenvolvimento do sentido harmônico conduz à monodia e ao contraponto, despertando simultaneamente o oratório e a cantata. Entre outros, são principais representantes:os italianos Carissimi Frescobaldi, Torelli, Corelli, Vivaldi, Marcelo, o alemão Schultz, o inglês Purcell, o francês Lully e o espanhol Hidalgo. Os instrumentos de corda se identificam em importância ao de sopro. A  Alemanha lidera então o primeiro plano com:Praetorius, Scheidt e Buxtehude, e na escola clássica surgem os franceses Couperin e Rameau. O barroco musical culmina com Handel e principalmente j. S.Bach, expoente máximo da música religiosa alemã. Ocorre em 1722 o primeiro tratado de harmonia. A música assume formas exuberantes até então desconhecidas. Assim, a de Handel haveria de exercer sensível influência na formação de uma escola musical inglesa. Bach, embora sua obra fosse admirada por uns poucos, entre os quais Mozart e Beethoven, exerceram influência mais ampla somente após a publicação de suas composições no século xix. O período melódico restrito de Schubert se atenua em Schumann e Brahms e se dilui através de Liszt e Wagner numa, fundamentada nas óperas de Weber, Bruckner e outros, se baseia na propensão universalista do romantismo. Os impressionistas franceses Debussy e Ravel, não menos que o alemão Richard Strauss, até 1900, prescindem da harmonia clássica funcional e da melodia limitada, com a introdução da tonalidade ampliada, característica da nova música representada por Schoenberg, Hinegger e outros. Através desta, o elemento rítmico adquiriu maior liberdade. Dentre outros grandes músicos, citam-se:Johann Strauss, Peter Tchaikowski, Rimsky-Korsakoff, Anton Dvorak, Eduard Grieg, Strawinski, Cesar Cui, Balakirev, Borodine. A música do século XX caracteriza-se pela sensível influência do jazz sobre a música clássica erudita. Não somente o jazz , como ritmos de povos primitivos e de povos antigos, tais como hindus, árabes, chineses e até africanos, foram largamente empregados por compositores europeus e americanos. O continente americano no passado, pouca ou nenhuma importância se revestia no cenário da música internacional. Atualmente a hegemonia da Europa na criação musical terminou, não obstante suas conquistas espalhadas pelo mundo, constituindo a música propriedade de todos os continentes.

Fonte:Grande Enciclopédia Continental  Vol VI

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