Antes de contar a história desses instrumentos, vou falar um pouco sobre a diferença entre eles.
Os instrumentos de metal apresentam campanas com formatos aproximadamente cilíndrico ou cônico. O trompete e o trombone aproximadamente são 2/3 cilíndricos, apresentando um som brilhante. A tuba é aproximadamente 2/3 cônica, possuindo um som cheio e jovial. O bombardino tem o som parecido com o da tuba (só que menos grave) enquanto que o barítono tem um som intermediário (campana meio cônica, meio cilíndrica) entre o bombardino e o trombone.
Posição do trombone de vara |
Posição dos pistos |
A nota fundamental é abaixada em |
1 |
Solto |
---------------------- |
2 |
2 |
½ tom |
3 |
1 |
1 tom |
4 |
1 e 2 (ou 3) |
1½ tons |
5 |
2 e 3 |
2 tons |
6 |
1 e 3 |
2½ tons |
7 |
1, 2, e 3 |
3 tons |
Os instrumentos
musicais fabricados antes do século XIX não possuíam o sistema de válvulas para
execução de várias notas, então eram instrumentos de chave (oficlide),
mais simples só com furos (flauta),
como a trombeta, que só executa notas fundamentais ou com vara (trombone). Mais
os antecessores do barítono e do bombardino são a serpente e o oficlide. A
serpente (à direta), que foi uma família de instrumentos inventada por Edme
Guillaume em 1590 na França, foi um dos primeiros instrumentos de bocal e
possuía vários integrantes - do mais agudo ao mais grave. Em 1817, Jean Hilaire
Asté faz um aprimoramento na serpente e cria a família dos oficlides (à
esquerda). O nome oficlide vem do grego ophis (serpente) e
kleis (serve para fechar-chaves), ou seja, serpente com chaves.
Com o aparecimento das válvulas no século XIX (um pouco depois do oficlide por volta de 1830) começa a aparecer os instrumentos que pareciam com o barítono moderno.



À esquerda uma espécie de horn tenor valvulado fabricado em 1860-1870 por John F. Stratton em Nova Iorque.
No centro outro horn tenor americano R. Wurlitzer & Bro., Cincinnati, OH. (esse já é mais parecido com um barítono).
Mais para direita temos um Sudrofone barítono foi por François Sudre em Paris (parece um oficlide valvulado).
Antes de continuar com mais história, vamos analisar a disposição das válvulas nos metais. Olhando o quadro acima, vemos que a 2ª válvula diminui a nota em 1/2 tom, a 1ª em 1 tom e a 3ª em 1 tom e 1/2. Então a disposição seguindo está linha ficaria com a 1ª sendo a segunda e vice-versa. Mas não é o que ocorre. Segundo as fontes que pesquisei, não se sabe o por que disto, só se sabe que é mais fácil colocar a válvula menor no meio (acho que é só uma questão de estética).
Voltando para a história, começa um problema: quem é o pai do barítono e bombardino modernos? Quando o filho é bonito, o que não falta é pai. Na Europa surgiram os verticais. Nos Estados unidos surgiram os horizontais ou de marcha. Mas a tese mais aceita é a de que os dois vêm da família dos saxhorns de Antoine Joseph, mais conhecido com Adolph Sax, o "inventor" dos saxofones (na verdade o saxofone é um aperfeiçoamento do oficlide só que no lugar do bocal temos uma boquilha). Aqui é que começa a confusão dos nomes, pois o barítono moderno é descendente direto do saxhorn tenor e o bombardino do saxhorn barítono - no Brasil nem tanto, mas na fora é um problema.
Existe também uma versão italiana antiga, montado por Ferdinando Roth, em Milan, do barítono, chamada de flicorno, que é enquadrado como um membro da família dos saxhorns.

Os Horns de Marcha
Os horns de marcha atuais são o melofone, o barítono de marcha e o bombardino de marcha (se alguém souber de outro em atividade, me avise para retificar esse possível erro).



Os horns de marcha são em sua maioria descendentes dos antigos horns de marcha americanos. Esses foram desenvolvidos durante a Guerra Civil Americana por Allen Dodworth em 1838. Eles eram colocados sobre os ombros e a campana ficava voltada para trás, como a banda ia na linha de frente, o som ecoava para o toda tropa que a seguia. Abaixo a família completa.

Um outro modelo de horn de marcha é o Centennial (barítono de marcha em Bb) que foi lançado no centenário da independência dos Estados Unidos, que foi concebido por Henry G. Lehnert em 1875.

Figura: O próprio Lehnert tocando o Centennial e o instrumento.
Mais fotos de barítono e bombardino
Veja também lá fotos dos bombardinos de duas campanas (double-bell Euphonium) que foram fabricados de 1880 à 1960. Neles tentava-se ter os sons do trombone e do bombardino num único instrumento, mais o que se acabou conseguindo foi ter um bombardino e um barítono. Eles possuíam uma válvula especial para jogar o som em uma das campana ou nas duas.