GLOBALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO
Automação: utilização de máquinas controladas por computador ou aprimoradas pelos avanços tecnológicos, que requerem menos tempo para produção de peças e um menor número de pessoas para operá-las. "Custo Brasil": a alta taxação dos produtos brasileiros decorre da carga tributária incidente no Brasil. As empresas e os cidadãos estão sujeitos a altos tributos. Além disso, o País não oferece as condições de infra-estrutura básicas e necessárias, como transportes, comunicações, energia, estradas, habitação, saneamento, dentre outras. Há também, um excesso de burocracia que entrava o desenvolvimento das empresas e encarece o processo. Empresa Multinacional ou Transnacional: empresa que tem filiais em diversas partes do mundo. Antigamente era denominada "multinacional"; hoje, é conhecida como "transnacional", pois tem atuação internacional.
Processo Centrífugo:
significa que é um processo amplo, abrangente, não restrito a um
determinado foco de atuação. A Globalização é um processo centrífugo, pois
não se restringe a um país ou a um conjunto de nações. Robótica: uso de robôs para facilitar ou substituir o trabalho humano.
ALCA: Área de Livre Comércio das Américas (FTAA-Free Trade Area of the Americas). APEC: Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico. ASEAN: Associação das Nações do Sudeste Asiático. CACM: Mercado Comum da América Central. CARICOM: Comunidade do Caribe e Mercado Comum. CECA: Comunidade Européia do Carvão e do Aço. CEE: Comunidade Econômica Européia. GATT: General Agreements on Trade ans Tariffs-Acordo Geral sobre Comércio e Tarifas. MCE: Mercado Comum Europeu. MERCOSUL: Mercado Comum do Sul. NAFTA: North American Free Trade Agreement-Acordo de Livre Comércio da América do Norte. OMC: Organização Mundial do Comércio. UE: União Européia.
LISTA DE ANEXOS ANEXO I - Entrevista.
1 INTRODUÇÃO Escolhemos o tema Globalização e Regionalização, por fazer parte do cotidiano do administrador de empresas, independentemente do tamanho e porte de sua organização. Como futuras profissionais, temos o "dever" de conhecer, estudar e analisar criticamente o contexto em que estamos inseridos, no qual sem dúvida, a Globalização e a Regionalização estão presentes, tornando-se uma preocupação vital e um problema, influenciando sobremaneira as empresas de nossa região. Desenvolveremos este trabalho procurando identificar e relacionar as principais oportunidades e ameaças que o comércio mundial trará às nossas empresas, mediante a aplicação de instrumentos de coleta de dados (entrevista e observação direta). Por se tratar de um trabalho acadêmico e devido à exigüidade de tempo, restringiremos nosso foco de atuação aos empresários do ramo industrial da Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente do setor metal-mecânico. Vale enfatizar que as empresas nacionais, em sua grande maioria, viveram décadas de estagnação, sucateamento do parque fabril, além de um protecionismo exagerado do governo, que não abria as fronteiras aos outros países. Na década de 90, deu-se o início do processo de abertura econômica no Brasil. Com este trabalho, objetivaremos fazer um breve histórico e uma conceituação sobre a Globalização e a Regionalização, apontando suas principais características, vantagens e desvantagens, mediante a utilização de pesquisa bibliográfica, visando dirimir as dúvidas que possam vir a surgir sobre o tema. Faremos um estudo junto às empresas de nossa região, especificamente do setor industrial e da categoria metal-mecânica, com o propósito de obter informações sobre o que as mesmas estão fazendo para enfrentar e competir nesta nova realidade imposta e irreversível. Procuraremos levantar informações sobre o que os empresários pensam deste novo ambiente mundial de comércio, além das ferramentas que dispõem para competir com empresas (concorrentes), a nível global, e o que se faz necessário para negociar de igual para igual. Embora nosso foco de atenção esteja voltado às empresas, é necessário destacar que a Globalização e a Regionalização afetam também pessoas, governos, entidades, sociedades, culturas, ..., ora apresentando vantagens, ora apresentando desvantagens e preocupações. É importante enfatizar que os processos de Globalização e Regionalização estão apenas começando e muito deverá ser feito, para evoluirem. Apesar de ser um processo irreversível, jamais será finito, pois sempre se adequará a modificações ambientais. Cabe às empresas adequarem-se a este cenário, o mais rapidamente possível, com estratégias bem definidas, se quiserem permanecer atuantes no mercado. Finalmente, esperamos que este trabalho torne-se um instrumento de auxílio aos empresários de nossa região, no que se refere ao fornecimento de dados que venham a contribuir para a formulação de estratégias e soluções que os levem a sobreviver nesta nova realidade.
2 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Qual a influência dos processos de Globalização e Regionalização para as empresas industrias, do ramo metal-mecânico, da Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul?
3 ÁREA DE INTERESSE 3.1 IMPORTÂNCIA (JUSTIFICATIVA) Como futuras administradoras, necessitamos conhecer e analisar as mudanças ambientais que afetam nossas empresas. Neste contexto, escolhemos o tema "Globalização e Regionalização", pois esses processos passaram a fazer parte do cotidiano das Organizações, afetando-as tanto positiva quanto negativamente. A importância da pesquisa baseia-se no fato de que é fundamental prospectar os efeitos da Globalização e da Regionalização, possibilitando, com isso, a sobrevivência das Organizações e, por extensão, da Humanidade. 3.2 DELIMITAÇÃO Em se tratando de trabalho acadêmico e devido à exigüidade de tempo, restringiremos nosso foco de atenção aos empresários do ramo industrial, da Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, especificamente do setor metal-mecânico. 3.3 OBJETIVOS Esperamos que a realização deste trabalho nos permita atingir os seguintes objetivos: * Objetivo Geral: este trabalho visa enfatizar as diferenças entre Globalização e Regionalização, bem como analisar o seu impacto sobre o segmento industrial da Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, especialmente do ramo metal-mecânico. * Objetivos Específicos: -Identificar, junto aos empresários do segmento industrial-setor metal-mecânico-, as oportunidades e ameaças provocadas pelos processos de Globalização e Regionalização, mediante a aplicação de instrumentos de coleta de dados (entrevista e observação direta); -Conceituar, fazer um breve histórico, apontar as características, vantagens e desvantagens da Globalização e da Regionalização, através de pesquisa bibliográfica; -Fornecer dados que contribuam para a elaboração de estratégias e soluções empresariais; -Obter informações sobre o que os empresários do setor industrial metal-mecânico estão fazendo para enfrentar este novo contexto mundial, bem como as ferramentas que dispõem e o que esperam deste processo irreversível.
4 REVISÃO LITERÁRIA 4.1 GLOBALIZAÇÃO X REGIONALIZAÇÃO - CARACTERÍSTICAS E DIFERENÇAS 4.1.1 Globalização 4.1.1.1- Conceito: É conhecida também por Mundialização ou Internacionalização da Economia. A Globalização estimula os fluxos internacionais de mercadorias e os investimentos. Além disso, atua na eliminação de entraves à competição no cenário mundial. As empresas transnacionais concentram e centralizam capitais, desenvolvem novas fusões e integrações, visando a competição mundial (Magnoli & Araújo: 1996, 61). A Globalização é o movimento acelerado através das barreiras nacionais e regionais de bens econômicos. Ela inclui pessoas, produtos, capitais (tecnologia), controle de ativos. É um processo centrífugo, impulsionado pelas ações dos agentes econômicos individuais-empresas, bancos, pessoas. Essas ações são facilitadas ou não diante das ações governamentais (desregulamentação financeira, redução de barreiras comerciais) e desenvolvimentos nas áreas da tecnologia, transportes e comunicações. Ela reduz a distância econômica entre países e regiões, e entre os agentes econômicos, aumentando a interdependência econômica e tentando diminuir a soberania econômica dos Governos. A Globalização é impulsionada pelas ações dos agentes econômicos individuais, que buscam o lucro e são afetadas pelas pressões da competição (Velloso: 1992, 162). A atual Globalização é a interdependência de negócios, o mundo repartido segundo os critérios das elites, baseados na noção de que ele é um só negócio e um só mercado, espaço onde se processa uma dinâmica e instantânea troca de informações, visando produzir, vender, comprar, lucrar, decidir, dominar, controlar. Como o próprio nome indica, a Globalização tem alcance amplo e não apenas local ou nacional; ela abrange todas as dimensões da existência humana e não somente o campo econômico e financeiro. É um desafio, uma transformação cultural, psicológica, espiritual, bem como socioeconômica, política e institucional, envolvendo todas as pessoas. Tem como base o avanço do capital em busca de novos mercados e locais de investimento para além das fronteiras geopolíticas. Seu projeto é de modernidade e de uma humanidade orientada pela ânsia de consumir sempre mais e pela busca, através da competição, do máximo bem-estar individual. A Globalização é um conjunto de tranformações na ordem política e econômica mundial, que vem ocorrendo nas últimas décadas. Fundamenta-se na integração dos mercados em âmbito mundial, explorados pelas grandes corporações transnacionais. Os Estados abrem-se ao comércio e ao capital internacional, abandonando de maneira gradativa as barreiras tarifárias, que até então protegiam-nos da concorrência do produto estrangeiro. Acompanhando este processo, deu-se uma intensa revolução nas tecnologias de informação (telefones, computadores e televisão). As fontes de informação se uniformizam, em virtude do alcance mundial e crescente popularização da Internet e canais de televisão por assinatura. Desta forma, a Globalização ultrapassa os limites da economia e começa a provocar a homogeneização cultural entre os países (Almanaque Abril: 1997, 396). 4.1.1.2-Histórico: O termo Globalização é recente, mas o fenômeno não. Desde o fim dos domínios feudais e a crescente necessidade da burguesia de ampliar mercados para seus negócios, houve a Globalização. A integração econômica juntou-se à universalização de idéias, crenças e convicções. Com a Revolução Francesa impôs-se a noção de igualdade jurídica de todos os homens, sob o título de cidadãos. A emergência do socialismo no século XIX, deu outra noção à Globalização: a que ela atendesse os oprimidos. No final do século XIX e início do século XX, emanou a Globalização nos Estados Unidos e na Europa. A concentração e a centralização do capital levou empresas de diversos setores a buscar oportunidades de investimentos no além-mar, para desenvolver novas fontes de matérias-primas e novos mercados por todo o globo. Neste período houve o advento da corporação multinacional moderna e o crescimento dos investimentos diretos estrangeiros, principalmente na América Latina. Após a II Guerra Mundial, houve a fragmentação do mundo entre capitalismo e socialismo, originando a Guerra Fria. Os Estados Unidos colocaram-se no centro da Globalização (poderio econômico e militar, reservas de ouro, liderança tecnológica, dólar como principal moeda internacional). Houve, depois da Guerra, um colapso na Globalização. Porém, o poder e a liderança dos Estados Unidos renovaram a Globalização: ajuda bilateral, liberalização do comércio global, apoio ao estabelecimento de instituições internacionais (FMI, ONU). Entre tantas coisas negativas, a Globalização polarizada da Guerra Fria trouxe algo positivo para o Ocidente: o capitalismo precisou fazer concessões sociais para evitar que o povo passasse para o lado do socialismo. Nas décadas de 50 e 60, houve o crescimento do comércio internacional (queda das barreiras) e da empresa multinacional. A Globalização das décadas de 80 e 90 originou-se nos anos 70. Nos anos 80 o capitalismo mudou: investiu mais em tecnologia do que em mão-de-obra, desviou as indústrias que demandavam trabalho humano para regiões remotas e mais baratas (Tigres Asiáticos), terceirizou atividades. O desemprego aumentou, fragilizando o poder de barganha dos trabalhadores. O entrelaçamento econômico dos povos é um processo que começou ainda na pré-história, mas sempre progrediu em marcha lenta. Neste momento, está, porém, em altíssima velocidade. A Globalização da economia iniciada na década de 70 e o fim da União Soviética estão fazendo com que a década de 90 seja muito diferente da de 80. Com o aumento da competição internacional, as empresas brasileiras precisam preparar-se imediatamente para enfrentar a nova realidade: o fim das barreiras protecionistas e um comércio mundial. A Globalização é um processo que vem se desenvolvendo há muitas décadas. Baseia-se no avanço do capital para além das fronteiras nacionais. Nos últimos 15 anos, este avanço acentuou-se e envolveu além do comércio, a produção material, serviços, bens culturais. A humanidade orienta-se na busca do máximo bem-estar individual, consumindo sempre mais. 4.1.1.3-Características: A Globalização é um processo amplo e envolve as seguintes esferas: economia, cultura, comunicações, transportes, tecnologia, hábitos/costumes; ela não se restringe ao campo econômico, pois envolve pessoas, organizações, empresas, entidades e governos de todo o mundo, em todos os aspectos. Em busca de mão-de-obra mais barata, algumas empresas demitem seus funcionários e transferem suas operações para países menos desenvolvidos. Isto ocasiona o desemprego e a não-criação de novos postos de trabalho. Na Globalização, algumas economias são recessivas e outras são agressivas. Assim, surge a miséria e o atraso. Os empregos na indústria diminuem e surgem novas oportunidades nos setores do comércio e dos serviços. Porém, o operário não preparado não encontra ocupação. Embora possa causar ou criar soluções e riquezas num ritmo alucinante, a internacionalização também pode causar dor. Neste novo mundo, as economias nacionais não têm mais importância. Nos defrontamos com a tendência à automação irreversível, com o corte de vagas na indústria e a abertura de postos de trabalho no setor de serviços. A Globalização é uma mudança na indústria, no comércio, nas telecomunicações e nos transportes. As pessoas são contrárias, resistem às mudanças. Porém, ela não é uma opção tecnológica da direita para acumular mais capital às custas do trabalhador. É um processo irreversível, ao qual devemos nos adaptar (Neto: 1996, 86). Não nos resta, então, outra alternativa senão responder rapidamente e de maneira competente ao desafio da concorrência global, sob pena de vermos nosso empreeendimento sucumbir. O País que tem fonteiras fechadas possui pouco acesso a capitais, novidade tecnológica, perde competitividade, sua indústria envelhece, não produz coisas baratas e melhores, a inflação sobe e o desemprego também. O progresso econômico não vem com reservas de mercado, regulamentos e proteções alfandegárias. Antes, o Governo tinha peso enorme nas decisões políticas internas, pois determinava subsídios, financiamentos para o setor privado, suprimentos e o preço das matérias-primas, bem como realizava obras de infra-estrutura. Nos países que já aderiram à Globalização, os serviços de infra-estrutura não dependem do Governo. Alguns dizem que a Globalização, através do desemprego, concentra a fortuna na mão de poucos, deixando bilhões de pessoas na miséria. Porém, outros dizem que ela poderia dobrar o consumo do mundo. Para alguns, a Globalização é um processo novo, cheio de promessas, operando um milagre para a economia mundial. Entretanto, os mais descrentes consideram-na uma ameaça, um mal que deve ser eliminado. Seja lá como for, para ingressar no futuro e não ficar preso no passado, o Brasil deve abandonar seu isolacionismo e aderir à Globalização. Antes, as relações internacionais estavam baseadas em Estados tradicionais, mediante questões ideológicas-capitalismo x socialismo. Hoje, ganham força as questões do desenvolvimento econômico. A Globalização também baseia-se nas estratégias e no comportamento das empresas transnacionais: em vez de estarem orientadas para o desenvolvimento dos povos, nações e regiões do mundo, visam, acima de tudo, a maximização dos ganhos, da produtividade e da competitividade. Fazem parte do processo de Globalização, empresas multinacionais e bancos que atendem aos interesses de vários países. Conforme mencionado anteriormente, a Globalização é caracterizada pela existência e expansão das grandes empresas ou corporações transnacionais, que exercem um papel decisivo na economia "global". Em busca de mão-de-obra, matérias-primas baratas, incentivos fiscais, estas empresas instalam suas fábricas em qualquer parte do mundo, transferindo empregos dos países ricos (que possuem altos salários e benefícios) para nações industriais emergentes, como os Tigres Asiáticos. Isto faz com que o produto não tenha uma nacionalidade definida. Abaixo, apresentamos algumas características destas organizações:
Transações Financeiras: houve, nos últimos tempos, uma maior abertura dos países à entrada de recursos estrangeiros nos seus mercados de capitais e a sofisticação do sistema financeiro mundial. A riqueza acumulada nos países desenvolvidos é aplicada em operações complexas nos mercados de capitais do mundo inteiro. Com as inovações nas áreas da comunicação e da informática, a movimentação de recursos entre os mercados internacionais é instantânea. A rápida evolução e popularização das tecnologias da informação (computadores, telefone, televisão) foram fundamentais para agilizar o comércio e as transações financeiras entre os países (Almanaque Abril: 1997, 396). Até algumas décadas atrás, em função do pequeno desenvolvimento tecnológico, era difícil atingir a Globalização. Para alguns, a Globalização opõe-se ao desenvolvimento dos povos e das nações, pois sacrifica a diversidade e a soberania, globaliza às custas do nacional, do local, do diferente, do singular. Além disso, faz crescer o setor privado em detrimento da sociedade e do Estado. No plano econômico busca privatização, desregulamentação, abertura dos mercados, estabilização e crescimento. No plano político, o poder de decisão é transferido às instituições de esfera global e para a estabilidade política do consenso. Afeta comunidades e nações de ambos os hemisférios. Uma onda de incerteza e instabilidade atinge todo o hemisfério. Os avanços tecnológicos, a crise financeira, o crescimento econômico sem aumento da oferta de emprego, gera desespero nos trabalhadores, contribuindo para a criação de um abismo social nos países ricos (Arruda: 1995, 6). 4.1.1.4-Vantagens:
4.1.1.5-Desvantagens:
Para conseguir preços menores e qualidade mais alta, na guerra internacional contra os concorrentes, as empresas cortaram custos (empregos), aumentaram o seu índice de automação, liquidando mais postos de trabalho. A automação progressiva é uma das causas deste desemprego, onde máquinas ocupam o lugar dos operários. O desemprego estrutural é um processo cruel, pois as fábricas robotizadas e escritórios informatizados podem dispensar seus empregados. É diferente do desemprego provocado pela recessão. A Globalização surgiu para produzir coisas boas e baratas, vendidas em escala mundial, feitas por robôs. Porém, cortando o emprego das pessoas e, conseqüentemente a sua renda, questiona-se para quem as empresas venderão os seus produtos. Mas, a Globalização da economia não é, necessariamente, sinônimo de desemprego. Ele é alto nos países ricos, principalmente nos Estados europeus. Nos Estados Unidos, ocorreu apenas em alguns setores, pois algumas corporações tiveram que se adaptar a um sistema de concorrência mundial. Para isso, precisam produzir melhor e mais barato do que as concorrentes mundiais, principalmente do Oriente. Nos Estados Unidos o emprego está crescendo. No processo doloroso de adaptação, as empresas deslocam unidades industriais para outros países, terceirizam parte do trabalho, automatizam. No Japão, o desemprego deve-se ao fato de os empregos serem vitalícios. Na China e em outros Tigres Asiáticos, as taxas de emprego são grandes. Até agora, o problema está na Europa. No Brasil, o desemprego é uma conseqüência da não-adaptação das empresas ao Plano Real, uma vez que estavam acostumadas com os ganhos da inflação (Neto: 1996, 84). Os novos empregos exigirão cada vez mais um alto grau de qualificação profissional. Assim, o desemprego tende a se concentrar nas classes menos favorecidas, com baixa instrução escolar e pouca qualificação. As empresas buscam, cada vez mais, pessoas especialistas e experientes.
Muitos países, especialmente os Estados Unidos, criam barreiras protecionistas, não em termos econômicos (através da taxação das importações), mas sim, utilizando-se de barreiras não-tarifárias, ou seja, cobram aspectos de qualidade, padronização de processos e outras exigências, quase sempre não alcançadas pelos países exportadores. -Desaparecimento das fronteiras nacionais: os governos não detêm os movimentos do capital internacional. Assim, não conseguem mais controlar a política econômica interna, não conseguem mais proteger o emprego e as rendas das pessoas. Se o país estabelece uma legislação que protege e encarece a mão-de-obra, não receberá investimentos. A mão-de-obra européia é muito cara em virtude dos seus inúmeros benefícios. Assim, as empresas européias transferem seus negócios para fora do continente e seus governos não podem fazer nada (Neto: 1996, 86). -Perda do controle sobre a produção e a comercialização da tecnologia: a tecnologia, durante a Guerra Fria, estava ligada à soberania do país. Hoje, as empresas que operam em nível mundial, com inúmeros contratos para cumprir, em várias partes do globo, não se preocupam com a origem da tecnologia, da matéria-prima e da mão-de-obra, desde que o custo seja baixo e a qualidade alta (Neto: 1996, 86). -Rápida expansão do poder das grandes corporações econômico-financeiras transnacionais: que influem no comportamento de mercados internacionais e provocam efeitos, às vezes, terríveis e incontornáveis nas economias nacionais-exemplo: Crise do México. Os Estados estão perdendo sua soberania em função das empresas transnacionais, através do mercado internacional. Hoje, a perda do poder dos Estados acontece num contexto de perda de poder do sistema político institucional para o sistema econômico internacional. Embora existam menos obstáculos políticos para estabelecer relações de cooperação internacional, existe também uma perda de governabilidade política dos problemas globais, pois o poder está sendo deslocado, de forma gradual e firme, de antigas instâncias políticas e militares, definidas territorialmente, para instâncias econômicas e financeiras, desterritorializadas. Hoje, não podemos mais nos basear na representação territorial e na soberania nacional (Leis: 1996, 41). -O processo ou sistema global é considerado responsável pela miséria mundial: porém, ela não é conseqüência de uma intenção conspiratória; o domínio mundial do capital leva ao mesmo resultado com ou sem intenções. É intrínseco ao sistema de dominação econômica das minorias levar as maiorias à miséria. São características próprias de um sistema e não conspirações. -Clima de incerteza e instabilidade em todo o mundo. -O endividamento, as privatizações e a desregulamentação estão enfraquecendo os Estados e empobrecendo os povos. 4.1.2 Regionalização 4.1.2.1-Conceito: A Regionalização é o processo que visa erguer barreiras entre os blocos, protegendo esferas de influência e diminuindo os custos de produção no interior de cada uma das grandes zonas econômicas. A Regionalização é um patamar da Globalização (Magnoli & Araújo: 1996, 61). É um processo centrípeto e um movimento acelerado de duas ou mais sociedades no sentido da integração ou conjugação de sua soberania, para fortalecê-las coletivamente. A Regionalização pode assumir várias formas, desde um acordo de comércio preferencial ou união aduaneira, chegando até a vinculação de moedas, harmonização de políticas e legislações, reconhecimento mútuo de normas e regulamentos, unificação econômica, monetária e política. Esse processo pode ser uma decisão voluntária por parte dos seus membros e envolver um maior ou menor grau de hegemonia de um dos membros. Pode também abranger sociedades com níveis parecidos de desenvolvimento ou unir economias dessemelhantes. Ela é impulsionada por forças políticas e busca eliminar, ou reduzir, barreiras à movimentação de bens, capitais e pessoas. Porém, pode ser impulsionada também pelas forças econômicas que estimulam a Globalização. A Regionalização é a formação política de um agrupamento ou bloco econômico, visando fortalecer um ou mais dos seus membros, reduzindo barreiras intra-regionais à atividade econômica. Porém, a Regionalização pode ser também um processo econômico e não apenas um processo político, pois neste, há apenas um pequeno aumento do comércio através das fronteiras, dos investimentos e dos fluxos migratórios no interior da região. Enquanto a Globalização é impulsionada por forças centrífugas e microeconômicas, a Regionalização é um fenômeno político, impulsionado por forças centrípetas. Porém, elas se reforçam mutuamente. Quando forças microeconômicas impulsionam a Regionalização, forças políticas buscando a Regionalização institucional poderão aparecer para consolidar ou aprofundar o processo (Velloso: 1992, 162). Para enfrentar o processo de Globalização e cooperação internacional, os países mais desenvolvidos procuram formar blocos de influência direta: áreas sobre as quais exerçam domínio e permitam seu fortalecimento no cenário mundial. Surgem então, os blocos regionais. Blocos Econômicos são associações de países de uma mesma região geográfica, que estabelecem relações comerciais privilegiadas entre si e atuam de forma conjunta no mercado internacional (Almanaque Abril: 1997, 173). Segundo Oliveira, quando se fala em blocos políticos "entende-se a referência a uma específica definição estrutural das relações políticas internacionais, pela qual Estados diferentes, geralmente próximos geograficamente ou com afinidades culturais, associam-se para enfrentar um inimigo comum" (1993, 17). Bloco inclui a idéia de conjunto, organização. Os blocos de poder se expressam através de organizações e acordos supranacionais, além de laços comerciais, político-militares e culturais menos formais. 4.1.2.2-Histórico: Nas décadas de 50 e 60, houve renovação da integração regional. Na Europa, as preocupações econômicas e de segurança, levaram à formação da CECA-Comunidade Européia do Carvão e do Aço, em 1952, que evoluiu até a atual União Européia. Portanto, o primeiro bloco econômico surgiu na Europa, em 1957, com a criação da CEE (Comunidade Econômica Européia) embrião da atual UE (União Européia) e cujo núcleo formador foi a CECA. Surgiram muitos acordos regionais entre os países em desenvolvimento, porém muitos fracassaram pois ao assinar os acordos, as nações queriam atingir economias de escala na produção e adequar o tamanho das fábricas ao modelo fordista. Nesta época houve também, a substituição das importações, beneficiando os Blocos Econômicos. A Regionalização dos anos 80 e 90 teve sua origem na década de 70. Hoje, existem movimentos para formar importantes agrupamentos econômicos regionais, formando blocos comerciais, mais ou menos fechados, que erguem barreiras ao comércio e afetam a Globalização. Os Blocos de Poder têm suas raízes na Ciência Política. Eles teriam sido articulados após a II Guerra Mundial, em decorrência da rivalidade entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética. Como conseqüência desses fatos, houve a divisão da Europa entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia (Oliveira: 1993, 16). As iniciativas de formação de "mercados comuns" proliferam no mundo inteiro. Hoje, não se admite a idéia de países atuando de forma isolada no mercado internacional, mas sim, em blocos econômicos. Num futuro não muito distante, as negociações no cenário global serão feitas bloco-a-bloco e não país-a-país ou empresa-a-empresa. Os países adotarão a Regionalização, unindo-se em blocos econômicos, mas poderão atuar em qualquer país do mundo (Globalização). Após a II Guerra Mundial, a economia capitalista viveu um período próspero. Tal prosperidade, porém, foi interrompida com a elevação dos preços do petróleo, na década de 70, decorrentes de "dois choques" protagonizados pela OPEP, em 1973 e 1979. A euforia do pós-Guerra, com o crescimento dos ramos industriais de consumo energético intensivo, deixou espaço à recessão e ao desemprego, nas economias desenvolvidas. Esta recessão geraria mudanças estruturais no modelo industrial vigente nas décadas passadas. Era o início da revolução tecnocientífica dos países desenvolvidos. Surgem a automatização e a robotização, reduzindo a necessidade de mão-de-obra, porém, aumentando a produtividade. Para se manter atuante neste cenário, é preciso o domínio de tecnologias, o conhecimento de informática, robótica, biotecnologia, imprescindíveis na luta pelos mercados mundiais (Magnoli & Araújo: 1996, 60). Os blocos econômicos surgiram das transformações estruturais ocorridas nos anos 70 e se aprofundaram nas décadas seguintes, ganhando força e importância nos anos 90, com o aumento da Globalização da Economia.. A tendência de regionalização da economia é fortalecida nos anos 90: com o fim da Guerra Fria, houve a formação de zonas independentes de livre-comércio, um dos aspectos do processo de Globalização. 4.1.2.3.-Características: Os Blocos Econômicos representam o processo de Regionalização. Seu principal objetivo é desenvolver o comércio de uma região, eliminando as barreiras alfandegárias. Os blocos econômicos podem apresentar as seguintes formas ou etapas de constituição:
Alguns fatores podem ocasionar uma oposição ao processo de Regionalização, como:
Os blocos econômicos mais importantes são:
Os blocos aumentam a interdependência das economias dos países-membros. Uma crise no México afeta os Estados Unidos, assim como a política brasileira influi nas finanças e decisões da Argentina. Na formação dos blocos econômicos, um dos aspectos mais importantes é a redução ou eliminação das alíquotas de importação, visando a criação de zonas de livre comércio. Os processos de unificação econômica são irreversíveis, apesar dos desafios que ainda estão por vir. Os reflexos dos blocos econômicos na vida das empresas e dos consumidores são bastante visíveis e não acontecem de uma hora para outra. Pelo contrário, ocorrem de forma gradual e as mudanças se sucedem cada vez de forma mais profunda. As relações comerciais a nível mundial são reguladas pela OMC (Organização Mundial do Comércio), que substitui o Acordo Geral sobre Comércio e Tarifas (GATT), criado em 1947. A OMC vem promovendo o aumento no volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. Esse movimento é acompanhado pelo fortalecimento dos blocos econômicos que buscam manter maiores privilégios aos países-membros (Almanaque Abril: 1997, 173). 4.1.2.4-Vantagens: A Regionalização poderá trazer as seguintes vantagens:
4.1.2.5-Desvantagens: Por outro lado, a Regionalização pode apresentar as seguintes desvantagens:
5 INDICAÇÃO DE VARIÁVEIS -A preparação e a busca de conhecimentos sobre os processos globais e regionais, podem diminuir o seu impacto sobre as nossas empresas. -Se o Custo Brasil for repensado por nossas autoridades, teremos condições de competir de igual para igual, tanto dentro dos Blocos Econômicos onde estivermos inseridos, quanto no contexto mundial. -A nova era global traz um sem-número de oportunidades para as empresas que, se adequadamente aproveitadas, podem aumentar a sua competitividade internacional. -As empresas que não se adequarem à nova realidade mundial, sentir-se-ão ameaçadas pelos processos de Regionalização e Globalização e correm o risco de sucumbir.
6 METODOLOGIA Para a realização deste trabalho, utilizaremos a Pesquisa Histórico-Descritiva. Com relação à Coleta de Dados, faremos uso da Pesquisa Bibliográfica, pois levantaremos opiniões de autores sobre o tema Globalização e Regionalização, analisando e lendo as várias obras publicadas (trabalhos, livros, artigos,...) sobre o assunto. Além disso, aplicaremos os seguintes Instrumentos de Pesquisa: -Entrevista: nosso foco de pesquisa serão os empresários do ramo industrial da Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul (População), restringindo nossa atenção ao setor metal-mecânico (Amostra). Assim, pretenderemos identificar as principais oportunidades e ameaças provocadas pelos processos globais e regionais, bem como saber o que os empresários estão fazendo para enfrentar este novo cenário, conhecendo as ferramentas disponíveis e o que esperam desta realidade imposta e irreversível. -Observação Direta: enquanto estivermos entrevistando nosso público-alvo, observaremos as reações e o comportamento dos empresários ao responderem as questões propostas, avaliando e verificando a veracidade das mesmas. Finalmente, após concluirmos a coleta ou levantamento de dados, utilizaremos métodos estatísticos para a tabulação e a análise das informações obtidas.
7 CRONOGRAMA E ORÇAMENTO 7.1 CRONOGRAMA
7.2 ORÇAMENTO Para desenvolver esta Pesquisa, necessitaremos dos seguintes recursos: -Humanos: contaremos com a colaboração de 06 (seis) pessoas, treinadas e recrutadas no Curso de Administração de Empresas da Universidade de Caxias do Sul: *duas, para realizar o Projeto de Pesquisa, a Pesquisa Bibliográfica e a posterior Tabulação e Análise dos Dados; *quatro pessoas para fazer a Coleta de Dados junto aos empresários, aplicando as Entrevistas, acompanhadas de Observação Direta, bem como para auxiliar em outras etapas da Pesquisa. -Materiais: computador, impressora, folhas, cartuchos de tinta, formulários, ônibus, material de expediente (caneta, lápis, borracha, grampeador, perfurador,...), dentre outros. -Financeiros: o custo financeiro total será de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) e compreenderá: *a remuneração do pessoal envolvido, com transporte e alimentação; *o pagamento dos gastos com materiais; *os custos de divulgação e publicação. BIBLIOGRAFIA 1-ALMANAQUE ABRIL, 23a. edição, São Paulo: Editora Abril, 1997. 2-ARRUDA, Marcos. Globalização e Ajuste Neoliberal: Riscos e Oportunidades. Revista Tempo e Presença/Nova Fase, n.284. Rio de Janeiro, nov./dez. 1995. 3-JORGE, Miguel. A Charada da Globalização. Revista Exame, n. 21. São Paulo, 08 out. 1997. 4-KÖCHE, José Carlos. Fundamentos da Metodologia Científica. Petrópolis: Vozes, 1997. 5-LEIS, Hector Ricardo. De Rio-92 a Berlim-95: Os Problemas Globais de uma Sociedade Contemporânea. Revista de Divulgação Cultural, n. 59. Blumenau, mai./ago. 1996. 6-LOPEZ, Luiz Roberto. A Globalização. Caderno do Vestibular-Jornal Zero Hora, n. 12. Porto Alegre, 18 jul. 1996. 7-MAGNOLI, Demétrio, ARAÚJO, Regina. A Nova Geografia: Estudo de Geografia Geral. São Paulo: Editora Moderna, 1996. 8-MAIA, Jayme de Mariz. Economia Internacional e Comércio Exterior. São Paulo: Editora Atlas, 1995. 9-NETO, Antenor Nascimento. A Roda Global. Revista Veja, n. 14. São Paulo, 03 abr. 1996. 10-OLIVEIRA, Ariovaldo U. de (Coord.). Blocos Internacionais de Poder. São Paulo: Editora Contexto, 1993. 11-UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Normas para Apresentação de Trabalhos. Parte 2. Curitiba: Editora UFPR, 1995. 12-VASSALO, Cláudia. Classe Mundial, Privilégio de Poucos. Revista Exame, n. 17. São Paulo, 13 ago. 1997. 13-VELLOSO, João Paulo dos Reis (Coord.). A Nova Ordem Internacional e a Terceira Revolução Industrial. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1992.
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