GLOBALIZAÇÃO
O que podemos entender por globalização é que o mundo se torne sem fronteiras, unindo todos os povos indiferentemente de raça, cor, crença e classe social, aumenta cada vez mais as diferenças sociais entre as pessoas, quem já tem muito, ganha muito mais e quem não tem nada continua perdendo. Os verdadeiros interessados na globalização são as pessoas que estão no poder. Dizem estar interessados em ajudar as classes baixas mas isto é apenas fachada para continuarem enriquecendo as custas de outras pessoas. A globalização não encurta as relações entre países, mas sim faz o contrário, faz com que os países tornem-se cada vez mais rivais. A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme.Na prática exigem menores custos de produção e maior tecnologia. A mão-de-obra menos qualificada é descartada. O problema não é só individual. É um drama nacional dos países mais pobres, que perdem com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico. A globalização vai deixar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres? Relatório sobre desenvolvimento humano, a ONU comprova que globalização está concentrando renda: países ricos ficam mais ricos, os pobres, mais pobres. Não se trata de um novo modismo dos gurus e espertinhos dos seminários e palestras internacionais, apesar deles também estarem metidos nisso. A globalização veio para ficar, ou melhor, sempre existiu, mas era quase despercebida. Não quero justificar nada nem defender pessoas ou governos, mas no Brasil vários eventos ocorreram ao mesmo tempo como a própria globalização internacional, as novas tecnologias, a melhoria da produtividade, as desregulamentações, as desestatizações, as mulheres procurando o mercado de trabalho e se empregando mais. Tudo começa a ficar mais claro quando nós olhamos a globalização do comercio mundial sobre a nova ordem estabelecida pelas telecomunicações, meios de transportes, e tudo que as novas tecnologias proporcionam à velocidade dos negócios e comunicação entre os seres humanos. Quando a crise de 29 quebrou o mundo, o tempo que as pessoas levaram muitos dias ou meses para detectar o início da crise, ou quando os negócios começarem a ficar ruins, até que os portadores de ações descobrissem que poderiam perder dinheiro, ou ficar pobres, se não vendessem suas ações rapidamente. Até mesmo para essas pessoas mais esclarecidas, foi de alguns dias para uns e semanas para outros. O telefone era o meio de comunicação mais rápido, mas demorava muito para se obter uma ligação local. A ligação internacional então demorava horas. Quando os países asiáticos começaram a dar sinais de quebra, em final de outubro de 1997, em algumas horas todo o mundo já sabia e alguns investidores venderam as suas ações em horas. Telefone celular, comunicação de bolsas de valores com clientes ligadas a cabo, tv a cabo, internet, agencias de notícias, bancos e financeiras ligadas 24 horas por dia. O dinheiro dá a volta ao mundo em minutos. Nos negócios ocorre um fato semelhante. Uma empresa globalizada de hoje é a mesma multinacional de ontem só que turbinada. Ela já era uma empresa com o capital sem pátria, com interesses próprios, seja lá em que país fosse sua sede, e o que importava, ou o que ainda continua importando é: produzir a menores custos, conquistar mercados e proporcionar aos seus acionistas (sei lá de que país eles são) o melhor lucro e valorização de suas ações. Voltando aos acionistas acima, que acabei de citar, não sabemos de que país eles tem origem, porque, em sua maioria, provém de fundos de pensão, isto é, trabalhadores, pequenos investidores, alguns mais ricos, e aposentados. A globalização é uma coisa boa para quem? Uma empresa globalizada que elege um país para investir quer seja para ampliar sua fábrica, quer seja para se instalar pela primeira vez no país, ou então para montar um centro de distribuição regional, estará sendo uma boa coisa para:
Então é uma coisa muito boa e não tem contra indicação? Não. Uma multinacional globalizada é uma potência que impõe suas condições de preços, condições de prazos e produção, qualidade total, entregas com padrões rígidos, e muito mais. Uma empresa globalizada tem seu centro de compras em Londres. Seus escritórios de compras em Nova York, Singapura, etc. Seu centro de produção no rio de janeiro, os programas e centro de computação em Los Angeles, e os produtos finais são vendidos no mundo inteiro com a mesma marca. Você compra um veículo Ford e pronto. Hoje importa que você tenha um tênis Nike americano, mas você não sabe onde ele foi fabricado. Globalização é isto e muito mais. Chegou para ficar com este nome, mas a sua estrutura iniciou-se desde a fundação da companhia das índias. Veio depois à companhia das índias ocidentais, etc. Globalização não é apenas fazer negócios com outros países. Envolve fazer negócios em todo o mundo, de maneira equilibrada as qualidades dos seus produtos ou serviços com necessidades específicas das diversas bases de clientes locais. Ela implica a demolição das características etnocêntricas mesquinhas que a maioria das empresas possui, seja qual for sua nacionalidade de origem. A globalização envolve, "reconhecer o gênio específico" dos funcionários de operações da empresa em qualquer parte do mundo, seja qual for sua nacionalidade e recompensá-los sua qualidades geniais e seus esforços de criação de uma empresa sem solução de continuidade. Fazer negócios dentro desse escopo implica determinar quem são os seus "consumidores globais" ou os "cliente globais" dos seus produtos e serviços. Esses consumidores globais podem ser grandes clientes com operações em muitos países, que querem contratos globais de vendas e de prestação de serviços, ou podem ser pessoas em todo o mundo que, através de seu acesso e infra-estrutura de informação global, passaram a desejar os mesmos produtos, independentemente do local em que vive (exemplo, o viajante global). Segundo John C. Daniels, ser global possibilita a empresa: Enfrentar a concorrência. As empresas mais bem sucedidas - sejam elas pequenas ou empreendedoras, de porte médio, em crescimento ou de grande porte ou internacionais - estão tentando expandir-se continuamente nesses mercados globais. Ficar atualizada em relação às novas tendências tecnológicas. Segundo John C. Daniels, praticamente todos os setores, a tecnologia está evoluindo em velocidades e locais diferentes.As empresas que estão tentando se tornar globais estão avaliando e combinando capacidades tecnológicas. Somente se você souber para onde varia a tecnologia, seria possível ter uma visão suficientemente ampla para onde pode ir o seu negocio e prover-se do maior potencial possível. Criar e tirar vantagens do desenvolvimento de novas oportunidades de negócios. Obter um retorno adequado de seu investimento internacional exige, porém, um enfoque global desenvolvido a partir de uma visão e de uma arquitetura global da empresa. Participar do mercado global ajuda você a recuperar seus custos nessa época de ciclos de vida cada vez mais curtos e custos de desenvolvimento cada vez maiores. Além de ampliar a vida dos produtos , o acesso a recursos locais e a comunicações globais permite que a empresa elevem os recursos , criando assim novas oportunidades para o negócio . A idéia de modernidade urbana segundo a autoria Amália Inês de Lemos é a referência conceitual que usamos para contar a história Moderna. A idéia de modernidade surge junto com a de progresso e estão profundamente entrelaçadas. É no espaço da metrópole onde se conjugam e se produzem esses processos. A idéia da cidade como o espaço da civilização e o centro dinamizador da grande transformação nacional com que sonhavam as elites latino- americanas corresponde às imagens de vida que desejavam cristalizar a partir da Segunda metade do séc. XIX até as primeiras décadas do séc. XX. Inicia-se o processo de Metropolização nas pequenas cidades existentes, em meados do séc. XIX- entre elas Rio de Janeiro e Buenos Aires- ,onde o impacto dos processos socieconômicos alteraria o espaço urbano existente. As mudanças que se produzem ante os olhos de seus habitantes, com a aceleração que lhes permitem os implementos tecnológicos da produção e de transporte, fazem a cidade ser pensada e julgada a partir dessa materialidade que simbolizam as mudanças: o novo procurando atritar o velho. A partir desse momento a cidade venceu o mundo rural, imigração transcontinental proporciona uma nova base demográfica, é a mão de obra que o progresso exige, o avanço econômico cria um novo modelo simbólico. Este é o período que poderíamos denominar "desejo da cidade" para a América latina e em especial para seus intelectuais. A cidade como espaço ideal , não só foi um termo político como também literário e artístico em geral. A cidade, a metrópole, organiza o imaginário, as utopias sociais, os sonhos irrealizáveis, os debates histórico - político , as paisagens na arte... e o espaço se vai produzindo para materializar todas as idealizações. A cidade é vista percebida como um problema, uma paisagem inevitável, uma utopia e um inferno para os modernos (Sarlo). A cidade é a mais poderosa das máquinas criadas pelo mundo moderno. A cidade impõe um estilo de vida que varia de um ponto a outro na hierarquia das escalas sociais. Nesse simbolismo do "Desejo da Cidade" o espaço se apresenta como portador do mito do consumo e dos comportamentos, procurando semelhanças nas cidades do mundo industrializado. Mas na verdade, essa problemática cultural urbana é antes de tudo, a forma de que se vale o sistema industrial para atrair por sobre quaisquer outros valores o indivíduo consumidor. Nos transcursos dos anos posteriores à década de 60 , a cidade não resistiu à imagem de " modernizadora" e : civilizadora" com que a idealizaram as elites nacionais. Os grandes deslocamentos de populações do campo para as metrópoles trouxeram múltiplos efeitos e grandes problemas até hoje sem solução. A partir desse momento entra-se num discurso sobre a "prematura terceirização" que as cidades latinos- americanas apresentam. Iniciam-se os estudos sobre "os dois circuitos da economia"(Santos) e sobre os setores formal e informal da economia. A racionalização querendo explicar a grande massa de "citadinos" que não tem lugar no processo de produção e seus derivados. A década de 70 apresenta um outro momento da modernidade, a ordem e o progresso haviam produzido enormes áreas periféricas, onde o desejo da cidade se transforma agora no "Direito a cidade". Estamos atravessando o momento das crises de países modernos, com metrópoles modernas submersas em realidades de mudanças, esgotamento e profundas reformulações de mundos técnico- científicos, políticos, econômicos, simbólicos, onde se modificam as memórias, as representações , os significados das coisas. Para onde quer que olhemos a cooperação está se acabando. Considere essa evidência: Entre 1979 e 1985, o número de alianças entre empresas americanas, japonesas e da comunidade Européia cresceu trinta vezes. Na Europa Ocidental, os empreendimentos conjuntos dobram a cada ano. Na Índia , mesmo com a trágica memória de Bhopal ainda fresca, o governo estava promovendo ativamente associações com coorporações estrangeiras e forjando laços mais fortes com o mundo da ciência. Duas forças básicas estão por trás desses notáveis acontecimentos : o progresso da tecnologia e a globalização dos mercados. Esse novo impulso afeta todas as empresas, em todas as partes. As conseqüências são enormes. Nos anos 60, os plantadores de cítricos da Flórida estavam buscando meios para conter sucos líquido nos mercados nacionais, para competir mais diretamente com os refrigerantes. Eles haviam introduzido com sucesso o suco concentrado congelado dos anos antes, mas precisavam de um sistema refrigerado de distribuição mais intenso , para atender ao mercado mais amplo. Foi então que eles perceberam que as redes de varejo e de entregas a domicilio das empresas de laticínios eram perfeitas para essa finalidade. Seguiram-se alianças para distribuição, e hoje nós bebemos aquele que era no passado um produto improvável: suco de laranja em embalagens de cartão, iguais às de leite. A Independência é , em parte uma função da capacidade de uma empresa para depender de outros. Por exemplo, a dependência mutua da GE e da SNECMA tem aumentado com o passar dos anos ë contribui para o aprofundamento dos compromissos. Nenhuma das empresas teria confiado na outra no início como o faz hoje. É muito mais fácil cooperar quando os outros interesses da empresa são bem distantes. Por exemplo, a Dow Corning e a Ciba Corning Diagnóstics tem se beneficiado muito pela total ausência de conflitos entre suas empresas mães, as quais tem se mostrado perfeitamente dispostas a dividir com essas alianças todas as informações relevantes para elas. Não obstante trabalhar com um concorrente oferece um tremendo potencial. Os produtos e a tecnologia de uma empresa, além dos seus recursos mercadológicos e operacionais, são mais semelhantes àqueles dos seus concorrentes do que aos de qualquer outra empresa. As alianças com concorrentes não podem ser postas de lado sem o sacrifício de importantes oportunidades. A maior parte das empresas aceitam a importância da aproximação , são mais confiáveis que as transações no mercado aberto .Elas reduzem os custos de marketing da empresa , ajudam a entregar um valor único e levam a uma participação maior nos negócios de cada cliente. Um segundo beneficio e um fortalecimento .As alianças com clientes provêm horizontes de tempo mais prolongado para que a empresa e seu cliente planejem e aprendam em conjunto aumentando o valor futuro de ambos .E atendendo as necessidades crescente do cliente , a empresa é mantida às suas fronteiras , porém as empresas não dependem apenas dos clientes. Mas o que seria a globalização?! Estabelecer relações entre diferentes grupos, diminuir as dificuldades para essas mesmas relações? Não é isto que acontece atualmente. A globalização aumenta cada vez mais as diferenças sociais entre as pessoas, quem já tem muito, ganha muito mais e quem não tem nada continua perdendo. Os verdadeiros interessados na globalização são as pessoas que estão no poder. Dizem estar interessados em ajudar as classes baixas mas isto é apenas fachada para continuarem enriquecendo as custas de outras pessoas. Constantes desentendimentos ocorrem devido a ganância, a necessidade de cada vez mais se adquirir poder e posses. Um exemplo claro é o FMI. O Fundo Monetário Internacional diz ajudar os países emprestando dinheiro a eles, mas não diz sobre as taxas de juros altíssimas, não diz que através desses empréstimos torna os países permanentemente dependentes dele. E quem esta por trás do FMI? Os Estados Unidos, que querem aumentar seu poder mesmo sabendo que estão acabando com outras nações. Ou seja, os Estados Unidos contribuem cada vez mais com as desigualdades. A mídia também contribui para essa desigualdade. Mostram sempre mais a individualidade da nossa sociedade extremamente capitalista. Explora cada vez mais a globalização, passam a imagem de uma coisa que ajuda a todos igualmente, mesmo sabendo quem eles são uns dos poucos que realmente recebem apoio. "A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, e1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar a Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outibro-novembro/97), levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis ao vivo e em cores, a globalização"(Clóvis Rossi – do Concelho Editorial – Folha de São Paulo "O furacão financeiro que veio da Ásia, passou pela Europa, Estados Unidos e chegou ao Brasil, teve pelo menos uma vantagem didática. Ninguém pode mais alegar que nunca ouviu falar da globalização financeira. Até poucos meses, é provável que poucos soubessem onde ficava a Tailândia ou Hong Kong. Hoje muita gente sabe que um resfriado nesses lugares pode virar uma gripe aqui. Especialmente se fizer uma escala em Nova York."(Celso Pinto – do Conselho Editorial – Folha de São Paulo) Mas, o que é essa globalização e como é que ela se manifesta ? Não há uma definição que seja aceita por todos. Ela está definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo tempo. Há a interligação acelerada dos mercados nacionais, há a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos, como ocorreu nas Bolsas de todo o mundo, há a chamada "terceira revolução tecnológica"( processamento, difusão e transmissão de informações). Os mais entusiastas acham que a globalização define uma nova era da história humana. Qual a diferença entre Globalização, Mundialização e Internacionalização? Globalização e Mundialização são quase sinônimos. Os americanos falam em globalização. Os franceses preferem mundialização. Internacionalização pode designar qualquer coisa que escape ao âmbito do Estado Nacional. Quando o mundo começou a ficar globalizado? Novamente, não há uma única resposta. Fala-se em início dos anos 80, quando a tecnologia de informática se associou à de telecomunicações. Outros acreditam que a globalização começou mais tarde com a queda das barreiras comerciais. Globalização é poder comprar o mesmo produto em qualquer parte do mundo? Não se pode confundir globalização com a presença de um mesmo produto em qualquer lugar do mundo. A globalização pressupõe a padronização dos produtos (um tênis Nike, um Big Mac) e uma estratégia mundialmente unificada de marketing, destinada a uniformizar sua imagem junto aos consumidores. Se as empresas globalizadas não tem país-sede, o que ocorre quando querem fazer um lobby? A rigor, as empresas globalizadas preocupam-se muito mais com marketing, o grosso de seus investimentos. Se em determinado país as condições de seu fornecedor se tornaram desfavoráveis - os juros aumentaram, o que implica no aumento dos produtos -, a empresa globalizada procura outro fornecedor em outro país. Ela não perderá tempo em fazer lobby sobre determinado governo para que o crédito volte a ser competitivo. Por que dizem que a globalização gera desemprego? A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns ganham muito, outros ganham menos, outros perdem. Na prática exigem menores custos de produção e maior tecnologia. A mão-de-obra menos qualificada é descartada. O problema não é só individual. É um drama nacional dos países mais pobres, que perdem com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico. O crescimento do sistema financeiro internacional constitui uma das principais características da globalização. Um volume crescente de capital acumulado é destinado à especulação propiciada pela desregulamentação dos mercados financeiros. Nos últimos quinze anos o crescimento da esfera financeira foi superior aos índices de crescimento dos investimentos, do PIB e do comércio exterior dos países desenvolvidos. Isto significa que, num contexto de desemprego crescente, miséria e exclusão social, um volume cada vez maior do capital produtivo é destinado à especulação. O setor financeiro passou a gozar de grande autonomia em relação aos bancos centrais e instituições oficiais, ampliando o seu controle sobre o setor produtivo. Fundos de pensão e de seguros passaram a operar nesses mercados sem a intermediação das instituições financeiras oficiais. O avanço das telecomunicações e da informática aumentou a capacidade dos investidores realizarem transações em nível global. Cerca de 1,5 trilhão de dólares percorre as principais praças financeiras do planeta nas 24 horas do dia. Isso corresponde ao volume do comércio internacional em um ano. Da noite para o dia esses capitais voláteis podem fugir de um país para outro, produzindo imensos desequilíbrios financeiros e instabilidade política. A crise mexicana de 94/95 revelou as conseqüências da desregulamentação financeira para os chamados mercados emergentes. Foram necessários empréstimos da ordem de 38 bilhões de dólares para que os EUA e o FMI evitassem a falência do Estado mexicano e o início de uma crise em cadeia do sistema financeiro internacional. Ao sair em socorro dos especuladores, o governo dos Estados Unidos demonstrou quem são os seus verdadeiros parceiros no Nafta. Sob a forma da recessão, do desemprego e do arrocho dos salários, os trabalhadores mexicanos prosseguem pagando a conta dessa aventura. Nos períodos "normais" a transferência de riquezas para o setor financeiro se dá por meio do serviço da dívida pública, através da qual uma parte substancial dos orçamentos públicos são destinados para o pagamento das dívidas contraídas junto aos especuladores. O governo FHC destinou para o pagamento de juros da dívida pública um pouco mais de 20 bilhões de dólares em 96. As empresas transnacionais constituem o carro chefe da globalização. Essa empresas possuem atualmente um grau de liberdade inédito, que se manifesta na mobilidade do capital industrial, nos deslocamentos, na terceirização e nas operações de aquisições e fusões. A globalização remove as barreiras à livre circulação do capital, que hoje se encontra em condições de definir estratégias globais para a sua acumulação. Essas estratégias são na verdade cada vez mais excludentes. O raio de ação das transnacionais se concentra na órbita dos países desenvolvidos e alguns poucos países periféricos que alcançaram certo estágio de desenvolvimento. No entanto, o caráter setorial e diferenciado dessa inserção tem implicado, por um lado, na constituição de ilhas de excelência conectadas às empresas transnacionais e, por outro lado, na desindustrialização e o sucateamento de grande parte do parque industrial constituído no período anterior por meio da substituição de importações. As estratégias globais das transnacionais estão sustentadas no aumento de produtividade possibilitado pelas novas tecnologias e métodos de gestão da produção. Tais estratégias envolvem igualmente investimentos externos diretos realizados pelas transnacionais e pelos governos dos seus países de origem. A partir de 1985 esses investimentos praticamente triplicaram e vêm crescendo em ritmos mais acelerados do que o comércio e a economia mundial. Por meio desses investimentos as transnacionais operam processos de aquisição, fusão e terceirização segundo suas estratégias de controle do mercado e da produção. A maior parte desses fluxos de investimentos permanece concentrada nos países avançados, embora venha crescendo a participação dos países em desenvolvimento nos últimos cinco anos. A China e outros países asiáticos, são os principais receptores dos investimentos direitos. O Brasil ocupa o segundo lugar dessa lista, onde destacam-se os investimentos para aquisição de empresas privadas brasileiras (COFAP, Metal Leve etc.) e nos programas de privatização, em particular nos setores de infraestrutura. O perfil altamente concentrado do comércio internacional também é indicativo do caráter excludente da globalização econômica. Cerca de 1/3 do comércio mundial é realizado entre as matrizes e filiais das empresas transnacionais e 1/3 entre as próprias transnacionais. Os acordos concluídos na Rodada Uruguai do GATT e a criação da OMC mostraram que a liberação do comércio não resultou no seu equilíbrio, estando cada vez mais concentrado entre os países desenvolvidos. A dinâmica do comércio no Mercosul traduz essa tendência. Na realidade a integração do comércio nessa região, a exemplo do que ocorre com o Nafta e do que se planeja para a Alca em escala continental, tem favorecido sobretudo a atuação das empresas transnacionais, que constituem o carro chefe da regionalização. O aumento do comércio entre os países do Mercosul nos últimos cinco anos foi da ordem de mais de 10 bilhões de dólares. Isto se deve em grande parte às facilidades que os produtos e as empresas transnacionais passaram a gozar com a eliminação das barreiras tarifárias no regime de união aduaneira incompleta que caracteriza o atual estágio do Mercosul. No mesmo período, o Mercosul acumulou um déficit de mais de 5 bilhões de dólares no seu comércio exterior. Este resultado reflete as conseqüências negativas das políticas nacionais de estabilização monetária ancoradas na valorização do câmbio e na abertura indiscriminada do comércio externo praticadas pelos governos FHC e Menem. O empenho das centrais sindicais para garantir os direitos sociais no interior desses mercados tem encontrado enormes resistências. As propostas do sindicalismo de adoção de uma Carta Social do Mercosul, de democratização dos fóruns de decisão, de fundos de reconversão produtiva e de qualificação profissional têm sido rechaçadas pelos governos e empresas transnacionais. A liberalização do comércio e a abertura dos mercados nacionais têm produzido o acirramento da concorrência. A super exploração do trabalho é cada vez mais um instrumento dessa disputa. O trabalho infantil e o trabalho escravo são utilizados como vantagens comparativas na guerra comercial. Essa prática, conhecida como dumping (rebaixamento) social, consiste precisamente na violação de direitos fundamentais, utilizando a superexploração dos trabalhadores como vantagem comparativa na luta pela conquista de melhores posições no mercado mundial. Nesse contexto, as conquistas sindicais são apresentadas pelas empresas como um custo adicional que precisa ser eliminado ("custo Brasil", "custo Alemanha" etc.). São distintos os impactos da globalização para os países da periferia do sistema capitalista. O grau de inserção desses países depende, em grande parte, do estágio de desenvolvimento industrial alcançado até os anos oitenta, das perspectivas de crescimento do mercado interno e de condições políticas que vão se constituindo internamente. Isto vale para os países da América Latina, cujos governos se orientam pelas formas subordinadas de inserção preconizadas pelo chamado Consenso de Washington. A partir dos anos cinqüenta, num contexto de políticas desenvolvimentistas e populistas, consolida-se a divisão internacional do trabalho com a presença de empresas multinacionais operando em setores chaves da estrutura produtiva de países como Brasil, México e Argentina. Desde então, as elites políticas e econômicas desses países aceitaram a condição de sócias minoritárias na condução do capitalismo associado e dependente da região. Por meio dessa associação com o capital estrangeiro a burguesia industrial abdicou de qualquer pretensão à hegemonia na condução do desenvolvimento nacional, aceitando um papel subalterno na dinâmica do capitalismo dependente. O desenvolvimento industrial alcançado pela associação com o capital externo foi acompanhado de um padrão de financiamento que aprofundou a dependência desses países. Os empréstimos externos dos anos setenta resultaram no pesadelo da crise da dívida externa dos anos 80, provocada pelo aumento das taxas de juros internacionais impostos pelos EUA. Os planos de estabilização monetária e a reforma do Estado são as condições impostas pelas organizações financeiras internacionais para que esses países venham se inserir, num futuro remoto, à nova realidade econômica mundial. A baixa taxa de crescimento dos países latino-americanos é uma das faces desse modelo de estabilização (vide quadro 1). Mas as conseqüências perversas são imediatas, e se expressam na desindustrialização, no desemprego, no aumento da miséria, na privatização das empresas e dos serviços públicos, com corte nos gastos sociais em educação, saúde, moradia, previdência etc. O desemprego na Argentina, da ordem de 20% da força de trabalho, a informalidade do mercado de trabalho no Brasil, de cerca de 50% da PEA (população economicamente ativa), e o brutal arrocho dos salários que se seguiu à crise mexicana ilustram dramaticamente o preço que os trabalhadores latino-americanos estão pagando em nome da pretensa modernização econômica da região. A eliminação dos postos de trabalho representa o lado mais perverso da globalização. Duas conferências de cúpula do G-7 já trataram do problema mundial do desemprego e a posição dos chefes de Estado dos países mais ricos foi a mesma: nada a fazer, senão prosseguir os programas de ajuste com base no rigor fiscal e no equilíbrio monetário. Mesmo que isto implique a continuidade das medíocres taxas de crescimento da economia mundial dos últimos vinte anos( vide quadro das taxas de crescimento dos países do G-7). Abertura de mercados ao comércio internacional, migração de capitais, uniformização e expansão tecnológica, tudo isso, capitaneado por uma frenética expansão dos meios de comunicação, parecem ser forças incontroláveis a mudar hábitos e conceitos, procedimentos e instituições. Nosso mundo aparenta estar cada vez menor, mais restrito, com todos os seus cantos explorados e expostos à curiosidade e à ação humana. É a globalização em seu sentido mais amplo, cujos reflexos se fazem sentir nos aspectos mais diversos de nossa vida. As circunstâncias atuais parecem indicar que a globalização da economia, com todas as suas conseqüências sociais e culturais, é um fenômeno que, no mínimo, irá durar. O fim da bipolaridade ideológica no cenário internacional, a saturação dos mercados dos países mais ricos e a ação dos meios de comunicação, aliados a um crescente fortalecimento do poder das corporações e inversa redução do poder estatal (pelo menos nos países que não constituem potências de primeira ordem) são apenas alguns dos fatores que permitem esse prognóstico. O meio ambiente, em todos os seus componentes, tem sido e continuará cada vez mais sendo afetado pelo processo de globalização da economia. Os impactos da globalização da economia sobre o meio ambiente decorrem principalmente de seus efeitos sobre os sistemas produtivos e sobre os hábitos de consumo das populações. Alguns desses efeitos têm sido negativos e outros, positivos. Está havendo claramente uma redistribuição das funções econômicas no mundo. Um mesmo produto final é feito com materiais, peças e componentes produzidos em várias partes do planeta. Produzem-se os componentes onde os custos são mais adequados. E os fatores que implicam os custos de produção incluem as exigências ambientais do país em que está instalada a fábrica. Este fato tem provocado em muitos casos um processo de "migração" industrial. Indústrias são rapidamente montadas em locais onde fatores como disponibilidade de mão-de-obra, salários, impostos, facilidades de transporte e exigências ambientais, entre outros, permitem a otimização de custos. Como a produção de componentes é feita em escala global, alimentando indústrias de montagem em várias partes do mundo, pequenas variações de custos produzem, no final, notáveis resultados financeiros. O processo de migração industrial, envolvendo fábricas de componentes e materiais básicos, pode ser notado facilmente nos países do Sudeste Asiático e, mais recentemente, na América Latina. São conhecidas as preocupações dos sindicatos norte-americanos com a mudança de plantas industriais - notadamente da indústria química - para a margem sul do Rio Grande. O fortalecimento da siderurgia brasileira, além, é claro, de favoráveis condições de disponibilidade de matéria-prima, pode ser, em parte, creditado a esse fenômeno. Há uma clara tendência, na economia mundial, de concentrar-se nos países mais desenvolvidos atividades mais ligadas ao desenvolvimento de tecnologias, à engenharia de produtos e à comercialização. Por outro lado, a atividade de produção, mesmo com níveis altos de automação, tenderá a concentrar-se nos países menos desenvolvidos, onde são mais baratos a mão-de-obra e o solo e são contornadas, com menores custos, as exigências de proteção ao meio ambiente. Essa tendência poderá mascarar o cumprimento de metas de redução da produção de gases decorrentes da queima de combustíveis fósseis, agravadores do "efeito estufa", pois a diminuição das emissões nos países mais ricos poderá ser anulada com o seu crescimento nos países em processo de industrialização. Outro fator que tem exercido pressão negativa sobre o meio ambiente e que tem crescido com a globalização da economia é o comércio internacional de produtos naturais, como madeiras nobres e derivadas de animais. Este comércio tem provocado sérios danos ao meio ambiente e colocado em risco à preservação de ecossistemas inteiros. A existência de um mercado de dimensões globais, com poder aquisitivo elevado e gostos sofisticados, é responsável por boa parte do avanço da devastação das florestas tropicais e equatoriais na Malásia, Indonésia, África e, mais recentemente, na América do Sul. A tradicional medicina chinesa, em cuja clientela se incluem ricos de todo o mundo, estimula a caça de exemplares remanescentes de tigres, rinocerontes e outros animais em vias de extinção. Mercados globalizados facilitam o trânsito dessas mercadorias, cujos altos preços estimulam populações tradicionais a cometerem, inocentemente, crimes contra a natureza. Na agricultura e na pecuária, a facilidade de importação e exportação pode levar ao uso, em países com legislação ambiental pouco restritiva ou fiscalização deficiente, de produtos químicos e técnicas lesivas ao meio ambiente, mas que proporcionam elevada produtividade a custos baixos. É o caso, por exemplo, de determinados agrotóxicos que, mesmo retirados de uso em países mais desenvolvidos, continuam a ser utilizados em países onde não existem sistemas eficientes de registro e controle. Os produtos agrícolas e pecuários fabricados graças a esses insumos irão concorrer deslealmente com a produção de outros países. A medida mais eficaz para evitar ou minimizar os efeitos deletérios dessas e de outras conseqüências da globalização sobre o meio ambiente seria a adoção, por todos os países, de legislações ambientais com níveis equivalentes de exigências. O fortalecimento das instituições de meio ambiente, principalmente dos órgãos encarregados de implementar e manter o cumprimento das leis é igualmente fundamental. Para isto, seriam necessárias, além de ações dos governos dos países em desenvolvimento, assistência econômica e técnica das nações mais ricas. Estas são preocupações expressas em vários documentos, como a Agenda 21, resultante da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. No entanto, interesses econômicos imediatos, aliados ao grave problema do desemprego, que hoje assola boa parte do mundo, têm dificultado o avanço de acordos e ações efetivas nesse sentido. A globalização da economia, pelo menos na fase de transição que impõe a todos os países, cria um contingente de mão-de-obra desativada, via eliminação de empregos em setores nos quais o país não consegue competir. O estímulo à mecanização da agricultura, dispensando mão-de-obra, por outro lado, acelera o êxodo rural. Essa massa de excluídos do processo de integração da economia acaba por provocar grave degradação ambiental, principalmente no ambiente urbano, criando invasões de áreas não urbanizadas e favelas. A degradação do ambiente urbano - destruição de atributos naturais, poluição da água, perturbações da segurança e da saúde pública, prejuízos na estética urbana, etc. - resulta na perda da qualidade de vida, tanto dos novos como dos antigos moradores urbanos. O ressurgimento de epidemias e endemias supostas extintas é um dos ângulos mais visíveis desta questão. Para uma transição menos traumática para uma economia globalizada, a sociedade deveria estar disposta e preparada para prover condições mínimas de subsistência aos que, provisória ou definitivamente, não se adaptassem às novas condições de acesso ao mercado de trabalho globalizado. Seria o preço a pagar pela tranqüilidade pública, por usufruir os benefícios materiais que a nova ordem econômica pode trazer àqueles mais aptos a obter os bens de consumo, o luxo, a comodidade e o conforto material que o sistema capitalista pode prover. Sem essa disposição da sociedade em dividir resultados, o meio ambiente como um todo sofrerá graves conseqüências, afetando profundamente nossas vidas e comprometendo o nosso futuro. Mas a globalização da economia oferece também perspectivas positivas para o meio ambiente. Até pouco tempo era comum a manutenção, até por empresas multinacionais, de tecnologias ultrapassadas em países mais pobres e com consumidores menos exigentes. A escala global de produção tem tornado desinteressante, sob o ponto de vista econômico, esta prática. É o caso, por exemplo, dos automóveis brasileiros. Enquanto a injeção eletrônica era equipamento comum na maior parte do mundo, por aqui se fabricavam motores carburados, de baixa eficiência e com elevados índices de emissão de poluentes. Com a abertura do mercado brasileiro aos automóveis importados, ocorrida no início desta década, a indústria automobilística aqui instalada teve que se mover. Rapidamente, passou-se a utilizar os mesmos motores e os mesmos modelos de carrocerias usadas nos países de origem das montadoras. É claro que isto causou impacto sobre a indústria nacional de autopeças, pois uma grande quantidade de componentes, principalmente os mais ligados à eletrônica, passaram a ser importados, o que antes não era possível, dado o caráter fechado que até então dominava o nosso mercado interno. Os efeitos sobre a emissão de poluentes dos veículos foram notáveis. Dados da CETESB e da ANFAVEA mostram que os automóveis fabricados em 1996 emitem cerca de um décimo da quantidade de poluentes que emitiam os modelos fabricados em meados da década de 80. Os efeitos não são ainda notados na qualidade do ar das grandes cidades, porque a maior parte da frota de veículos em circulação é antiga, com sistemas precários de regulagem de motores. O mesmo efeito sentido na indústria automobilística estende-se a uma gama de outros produtos, como os eletrodomésticos. A globalização da produção industrial está levando à rápida substituição do CFC, em refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, por gases que não afetam a camada de ozônio. Isto está ocorrendo em todos os países, pois não é interessante, economicamente, a manutenção de linhas de produção de artigos diferenciados de acordo com os países que os vão receber. Outro efeito positivo da globalização da economia sobre o meio ambiente é a criação de uma indústria e de um mercado ligados à proteção e recuperação ambiental. Nesta lista incluem-se equipamentos de controle da poluição, sistemas de coleta, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos e líquidos, inclusive lixo e esgoto urbanos, e novas técnicas de produção. São setores que movimentam fortes interesses econômicos, os quais acabam por influenciar os poderes públicos para que as leis ambientais sejam mais exigentes e haja instituições mais eficientes para torná-las efetivas. A tendência histórica à globalização - fiquemos com o termo atual - é um fenômeno que, no Ocidente moderno, tem suas raízes na era do Renascimento e das Grandes Navegações, quando a Europa emergiu de seus casulos feudais. Paralelamente no início da globalização, traduzida na europeização da América, tivemos a criação da imprensa (1455). À tecnologia que permitiu ao europeu expandir a sua civilização, correspondeu a tecnologia que lhe possibilitou expandir a informação. Até a Revolução Industrial, no entanto, o processo de globalização foi acanhado pouco afetou Ásia e África. Resultava mecanismo predatório e ainda incipiente da apropriação. Com a Revolução Industrial e a liberação do Capitalismo para suas plenas possibilidades de expansão, a globalização deu um salto qualitativo e significativo. Para entender este salto, é preciso ter presente que; é intrínseco ao Capitalismo a apropriação e, por suposto, a expansão. A ampliação dos espaços de lucro conduziu à globalização. O mundo passou a ser visto como uma referência para obtenção de mercados, locais de investimento e fontes de matérias-primas. Num primeiro momento, a globalização foi também o espaço para o exercício de rivalidades intercapitalistas e daí resultaram duas guerras mundiais. Simultaneamente à globalização da apropriação e da opressão, tentou-se a globalização dos oprimidos, o que levou ao surgimento das Internacionais de trabalhadores. Imaturos para se unirem e cooptados pelas rivalidades dos opressores, os oprimidos não conseguiram criar uniões duradouras e estáveis. Ao longo do século XX, a globalização do capital foi conduzindo à globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo. Isso se deveu não apenas ao progresso tecnológico, intrínseco à Revolução Industrial, mas - e, sobretudo - ao imperativo dos negócios. A tremenda crise de 1929 teve tamanha amplitude justamente por ser resultado de um mundo globalizado, ou seja, ocidentalizado, face à expansão do Capitalismo. E o papel da informação mundializada foi decisivo na mundialização do pânico. Ao entrarmos nos anos 80/90, o Capitalismo, definitivamente hegemônico com a ruína do chamado Socialismo Real, ingressou na etapa de sua total euforia triunfalista, sob o rótulo de Neo-Liberalismo. Tais são os nossos tempos de palavras perfumadas: reengenharia, privatização, economia de mercado, modernidade e - metáfora do imperialismo - globalização. A classe trabalhadora, debilitada por causa do desemprego, resultante do maciço investimento tecnológico, ou está jogada no desamparo, ou foi absorvida pelo setor de serviços, uma economia fluida e que não permite a formação de uma consciência de classe. O desemprego e o sucateamento das conquistas sociais de outros tempos, duramente obtidas, geram a insegurança coletiva com todas as suas mazelas, em particular, o sentimento de impotência, a violência, a tribalização e as alienações de fundo místico ou similar. No momento presente, inexistem abordagens racionais e projetos alternativos para as misérias sociais, o que alimenta irracionalismos à solta. A informação mundializada de nossos dias não é exatamente troca: é a sutil imposição da hegemonia ideológica das elites. Cria a aparência de semelhança num mundo heterogêneo - em qualquer lugar, vemos o mesmo McDonald`s, o mesmo Ford Motors, a mesma Mitsubishi, a mesma Shell, a mesma Siemens. A mesma informação para fabricar os mesmos informados. Massificação da informação na era do consumo seletivo. Via informação, as elites (por que não dizer: classes dominantes?) controlam os negócios, fixam regras civilizadas para suas competições e concorrências e vendem a imagem de um mundo antisséptico, eficiente e envernizado. A alta tecnologia, que deveria servir à felicidade coletiva, está servindo a exclusão da maioria. Assim, não adianta muito exaltar as conquistas tecnológicas crescentes - importa questionar a que e a quem - elas servem. A informação global é a manipulação da informação para servir aos que controlam a economia global. E controle é dominação. Paralelamente à exclusão social, temos o individualismo narcisístico, a ideologia da humanidade descartável, o que favorece a cultura do efêmero, do transitório - da moda. De resto, se o trabalho foi tornado desimportante no imaginário social, ofuscado pelo brilho da tecnologia e das propagandas que escondem o trabalho social detrás de um produto lustroso, pronto para ser consumido, nada mais lógico que desvalorizar o trabalhador - e, por extensão, a própria condição humana. Ou será possível desligar trabalho e humanidade? É a serviço do interesse de minorias que está a globalização da informação. Ela difunde modas e beneficia o consumo rápido do descartável - e o modismo frenético e desenfreado é imperativo às grandes empresas, nesta época pós- keynesiana, em que, ao consumo de massas, sucedeu a ênfase no consumo seletivo de bens descartáveis. Cumpre à informação globalizada vender a legitimidade de tudo isso, impondo padrões uniformes de cultura, valores e comportamentos - até no ser "diferente" (diferente na aparência para continuar igual no fundo). Por suposto, os padrões de consumo e alienação, devidamente estandardizados, servem ao tédio do urbanóide pós-moderno. Nunca fomos tão informados. Mas nunca a informação foi tão direcionada e controlada. A multiplicidade estonteante de informações oculta a realidade de sua monotonia essencial - a democratização da informação é aparente, tal como a variedade. No fundo, tudo igual. Estamos - e tal é a pergunta principal - melhor informados? Controlada pelas elites que conhecemos, a informação globalizada é instrumento de domesticação social. Globalização implica uniformização de padrões econômicos e culturais em Âmbito mundial. Historicamente, ela tem sido indissociável de conceitos como hegemonia e dominação, da qual foi, sempre, a inevitável e previsível conseqüência. O termo globalização e os que o antecederam, no correr dos tempos, definem-se a partir de uma verdade mais profunda, isto é, a apropriação de riquezas do mundo com a decorrente implantação de sistemas de poder. A tendência histórica à globalização - fiquemos com o termo atual - é um fenômeno que, no Ocidente moderno, tem suas raízes na era do Renascimento e das Grandes Navegações, quando a Europa emergiu de seus casulos feudais. Paralelamente no início da globalização.
Globalização e Espaço Latino Americano ( 3º Edição ) Autor: Hucitec – Anpur. Cultura Global ( 2º Edição ) Autor: Leatherstone Mike Mundialização e Cultura Autor: Ortiz Renato Aliança Estratigicas Autor: Leyis Jordan Internet Novembro de 2003
Comente as Conseqüências Sociais Científicas Decorrentes da Relação entre a Ciência, Economia e Sociedade a Partir do Atual Contexto Brasileiro
Como as empresas devem lidar com esse fato??? As revoluções de maior impacto para a sociedade ( humanidade ) acontecem, num primeiro momento, sem que as pessoas se dêem conta de sua profundidade... Foi assim na época das grandes navegações e nas duas fases da revolução industrial ( primeiro com a máquina a vapor depois com a eletricidade). Esta sendo assim, novamente, com o que vários "cientistas" denominam de revolução da informação, um termo que abrange o uso de computadores, a globalização, a desregulamentação e mesmo uma esperada segunda fase revolucionária, a era da biotecnologia. Já se tornou uma espécie de "lugar comum " dizer que o mundo que vivemos hoje é caótico, mas é da própria natureza das revoluções reordenar o funcionamento das coisas e nessa reorganização criar um período de instabilidade já permeia toda a sociedade. A proposta desta matéria é mostrar às empresas nacionais que a necessidade de competirem no mercado internacional, está produzindo a primeira geração de multinacionais brasileiras. Tal ocorrência em maior número poderia impulsionar a economia brasileira em seu progresso através de competitividade e agressividade para reverter a atual situação, fazendo com que novas empresas conquistem um mercado global. Quando se abandonam algumas rotinas o mundo pode parecer ameaçador. E as rotinas estão definitivamente mudando. Podemos enumerar 8 grandes mudanças no ambiente corporativo causados pela globalização:
Tudo isto é ameaçador, mas na mesma medida muito promissor. Estes são dias de milagres e maravilhas e não adianta chorar. As empresas precisam cuidar de seus ativos. acontece que os ativos mudaram. O bem mais valioso da nova economia é a inteligência. Não que a inteligência não fosse importante antes, ela sempre foi o fator que determinou a vida ou a morte das empresas. O que mudou agora, é que, pela primeira vez na história, a mente humana é a força direta de produção, não um elemento decisivo no sistema produtivo. Hoje não se criam apenas informações que agem sobre a tecnologia, criam-se tecnologias para agir sobre a informação. O mundo dos negócios apresenta-se instável e a maior riqueza das empresas é um "bem intangível" ( o conhecimento ) a economia está se globalizando, as relações de negócios e trabalhos são marcadas pela flexibilidade, o ritmo das inovações desafia as mais brilhantes estratégias e a sociedade desafia mais as empresas. Embora seja praticamente inquestionável que a nova economia representa um progresso, há um problema sério: a falta de sincronia , "abismo cultural"; que acontece principalmente no mercado de trabalho. Quando uma indústria é substituída por outra, em geral essa nova gera mais riqueza. Se não fosse assim a nova indústria não suplementaria a primeira - e, a história humana, desde a revolução da agricultura, comprova esse raciocínio quase que tautológico. O problema é que o trabalho nessa nova indústria é de natureza diferente do anterior. Há mais oportunidades, mas para os indivíduos moldados pela realidade antiga, a adequação é na maioria dos casos difícil e dolorosa. Várias vezes impossível. É o que o economista May Keynes definia como desemprego tecnológico: quando a eficiência técnica se desenvolve num ritmo mais rápido que a capacidade da economia de demandar novos usos para o trabalho. Surge daío paradoxo ao progresso. Ele é intensamente bom, senão não seria progresso, mas não necessariamente bem, para os sus contemporâneos. Há toda uma indústria de nostalgia que se baseia nossa falta de sincronia. O reinado do conhecimento como principal ativo, pode ser descrito como uma evolução histórica. O que há de diferente em um mercado em que a cultura se elaciona com cultura em que o conhecimento não é apenas uma forma de modificar produtos, mas um produto em si mesmo??? Eis algumas diferenças:
O que funciona segundo essa lógica? Nessa lógica, a concorrência não se dá mais no espaço, e sim no tempo. A disputa é para determinar quem faz as descobertas primeiro. Não é só uma questão de glória, é uma questão de garantir investimentos para continuar ( por isso a rapidez a uma característica essencial para os futuros empresários). Quando o produto pertence ao reino do conhecimento, a regra deve ser inovar ou formar-se "commodity" e essa concentração de valor é claramente percebido pelo mercado financeiro. Fórmulas de sucesso não duram muito. As vantagens são facilmente copiadas ou ultrapassadas por competidores. Ninguém fica esperando preparar-se para assumir riscos, e é por isso que a tomada de risco é algo diferente de uma alegre revisão de possibilidades contidas no presente. A matemática dos riscos não oferece segurança e a psicologia da tomada de risco, foca bastante racionalmente no que pode ser perdido. Em um mundo estável o aprendizado é a essência da sobrevivência. A história da vida de qualquer projeto obedece a uma curva Sigmóide (em forma de S) - " Começamos lentos, experimentais e vacilantes, crescemos e depois declinamos ". A hora certa de iniciar um segundo projeto não é quando o primeiro apresenta sinais de declínio, mas quando ele está chegando perto do ápice. Seria interessante que as empresas (e também as pessoas) começassem a traçar a segunda curva durante o bom período da primeira. Se esta segunda curva se revelasse em engano, nada se perderia, pois só a fase exploratória teria sido posta em prática, manter duas curvas funcionando tornar-se-á um hábito. O modo de iniciar a segunda curva é fazer perguntas, desafiar as hipóteses subjacentes aos projetos para conceder alternativas, espalhar idéias e possibilidades. As melhores hipóteses deve ser testadas, na teoria e na prática. "Por bem ou por mal todas a companhias terão que se render às mudanças que a nova economia está trazendo". O mercado global deve ser o foco! E as empresas brasileiras deveriam se adequar a este, a fim de contribuir com o desenvolvimento e o progresso econômico (e conseqüentemente social) de nosso país.
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