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VIDA E OBRA DE HENRI FAYOL

Henri Fayol, o fundador da Teoria Clássica da Administração, nasceu em Constantinopla, formou-se engenheiro de minas aos 19 anos e entrou para uma companhia metalúrgica e carbonífera, onde desenvolveu toda a sua carreira. Aos 25 anos foi nomeado gerente das minas e aos 47 assumia a gerência geral da "Compagnie Commantry Fourchambault et Decazeville", que no momento se encontrava em situação difícil. Em 1918 transmitiu a empresa ao seu sucessor, dentro de notável estabilidade. Fayol expôs sua Teoria de Administração em seu famoso livro "Administration Industrielle et Générale", publicado em Paris em 1916. Exatamente como Taylor, Fayol empregou seus últimos anos de vida à tarefa de demonstrar que, com previsão científica e métodos adequados de gerência, resultados satisfatórios eram inevitáveis. Assim como nos Estados Unidos a Taylor Society foi fundada para divulgação e desenvolvimento de sua obra, na França o ensino e o desenvolvimento da obra de Fayol deram motivo à fundação do Centro de Estudos Administrativos. Fayol faleceu em 1925.

O seu trabalho foi importante por duas razões: introduziu no conceito de gestão científica do trabalho o tema do papel dos gestores como supervisores do trabalho dos subordinados e analisou como é que uma empresa poderia organizar-se de forma mais eficaz. Fayol foi o pai da idéia da organização estrutural das empresas por funções. É um modelo que ainda hoje permanece válido. As seis funções ou áreas básicas eram: produção, comercial, financeira, contabilidade, gestão e administrativa e segurança.
A 'Teoria Clássica' preconizava uma estrutura hierárquica, que traduzia uma cadeia de comando clara, revelando uma orientação de natureza militar. Contudo, considerava que a função de gestão estava presente em todos os níveis hierárquicos, crescendo a sua importância nos níveis mais elevados. A função de gestão teria um papel de coordenação das cinco restantes, envolvendo prever, organizar, comandar, coordenar e controlar.

Os princípios para uma boa gestão também foram enunciados: divisão do trabalho, autoridade e responsabilidade, disciplina, unidade de comando, subordinação dos interesses individuais aos coletivos, centralização, ordem, iniciativa e espírito de corpo. É aqui que se pode encontrar a contradição da 'Teoria Clássica' e do contexto em que esta surgiu. Com uma enorme massa de trabalhadores, necessitados desesperadamente de emprego, sem poder reivindicativo nem instrução, e uma economia em expansão, o fundamental naqueles dias era produzir tanto quanto possível, tendo uma preocupação vital com o comando e a hierarquia, para fazer face às crises de crescimento das próprias empresas. Apesar disto, Fayol reconhecia nos seus princípios a importância da iniciativa e do espírito de corpo. Ficou por saber de que forma é que estes propósitos poderiam ser conciliados com o estilo autoritário de gestão que preconizava.

A abordagem que Henri Fayol propõe na sua 'Teoria Clássica' é eminentemente prescritiva e normativa. Propõe-se prescrever receitas, para conduzir os empresários ao sucesso e aos lucros. Os seus pontos de vista foram mais tarde retomados, pelos chamados autores neoclássicos (como Koontz e O'Donnel, Dale, Newmann e Albers, por exemplo), que procuraram reduzir a rigidez e mecanicismo originais da 'Teoria Clássica', utilizando conceitos de teorias mais recentes.

Outra teoria centrada na estrutura é da autoria do sociólogo alemão Max Weber (1864-1920). Trata-se da 'Teoria da Burocracia', que procura alcançar a máxima eficiência e racionalidade da organização formal. A 'burocracia' de Weber (que utiliza este termo sem a atual carga pejorativa) assenta na formalização, divisão do trabalho, hierarquia, impessoalidade, competência técnica, separação entre propriedade e administração e profissionalização do funcionário.

É evidente a semelhança entre a 'Teoria Clássica' e a 'Teoria Burocrática' em aspectos como a divisão do trabalho ou a hierarquia, pois ambas partem da estrutura formal da organização. No entanto, onde a primeira insiste na disciplina e no comando, a segunda aponta para a impessoalidade e o formalismo.

Um modelo deste tipo seria racionalmente perfeito e poderia ser aplicado virtualmente a qualquer tipo de organização, independentemente da sua natureza. Contudo, esquece a dimensão humana e informal das organizações, conduzindo a disfunções como a despersonalização do relacionamento no trabalho, o conformismo (que conduz ao declínio da criatividade e da qualidade de desempenho), o formalismo excessivo e uma enorme resistência à mudança.

A Burocracia pode ser, por isso, uma ameaça à própria sobrevivência de qualquer organização. Quando deixa que a realidade ultrapasse o quadro normativo estável que procura implantar ou que a indiferença e conformismo se instalem, está a destruir as capacidades fundamentais que uma organização deve possuir para, pelo menos, se adaptar à evolução do mundo que a rodeia.

Por outro lado, a 'Teoria da Burocracia', tal como a 'Teoria Clássica' ou a 'Teoria da Organização Científica do Trabalho', ignorou ostensivamente a dimensão humana das organizações. Cada pessoa, mesmo enquanto elemento de uma organização, nunca deixa de ser comportar como um indivíduo, cujo desempenho depende da sua motivação. A parcialidade destas abordagens não podia deixar de suscitar o seu contraponto com o surgimento de uma nova corrente dialética da teoria da gestão.

TEORIA CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO

I - AS GRANDES FIGURAS DA TEORIA CLÁSSICA:

HENRI FAYOL: FUNDADOR E PRICIPAL FIGURA DA TEORIA CLÁSSICA.
LYNDALL. URWICK: AMPLIOU E DIVULGOU O TRABALHO DE HENRI FAYOL ( INCLUSIVE AS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS).
LUTHER GULICK: CONSIDERADO O MAIS ERUDITO DOS PERSONAGENS DA TEORIA CLÁSSICA, TAMBÉM TEVE COMO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO A DIVULGAÇÃO E AMPLIAÇÃO DO TRABALHO DE FAYOL.

II - PRINCIPAIS CONCEITOS DESENVOLVIDOS POR FAYOL:

CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO:

Para aclarar o que sejam as funções administrativas, Fayol define o ato de administrar como sendo:

1. Prever: visualizar o futuro e traçar o programa de ação 2. Organizar: constituir o duplo organismo material e social da empresa 3. Comandar: dirigir e orientar o pessoal 4. Coordenar: ligar, unir, harmonizar os atos e esforços coletivos 5. Controlar: verificar que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas.

Estes são os elementos da administração que constituem o chamado processo administrativo, e que são localizáveis em qualquer trabalho do administrador em qualquer nível ou área de atividade da empresa. Em outros termos, tanto o diretor, o gerente, o chefe, o supervisor, o encarregado - cada qual em seu nível - desempenham atividades de previsão, organização, comando, coordenação e controle, como atividades administrativas essenciais.

2. PROPORCIONALIDADE DAS FUNÇÕES AMINISTRATIVAS:

Para Fayol existe uma proporcionalidade da função administrativa, isto é, ela se reparte por todos os níveis da hierarquia da empresa e não é privativa da alta cúpula. Em outros termos, a função administrativa não se concentra exclusivamente no topo da empresa, nem é privilégio dos diretores, mas é distribuída proporcionalmente entre os níveis hierárquicos. à medida que se desce na escala hierárquica, mais aumenta a proporção das outras funções da empresa e, à medida que se sobe na escala hierárquica, mais aumenta a extensão e o volume das funções administrativas.

3. PRINCÍPIOS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO PARA FAYOL:

Divisão do trabalho: consiste na especialização das tarefas e das pessoas para aumentar a eficiência.

64195. Autoridade e responsabilidade: autoridade é o direito de dar ordens e o poder de esperar obediência. a responsabilidade é uma conseqüência natural da autoridade e significa ter o dever de prestar contas.

64196. Disciplina: depende da obediência, aplicação, energia, comportamento e respeito às normas estabelecidas.

64197. Unidade de comando: cada pessoa deve receber ordens de apenas um superior. é o princípio da autoridade única.

64198. Unidade de direção: uma cabeça e um plano para cada conjunto de atividades que tenham o mesmo objetivo.

64199. Subordinação dos interesses: os interesses gerais devem sobrepor-se aos interesses individuais.

64200. Remuneração do pessoal: deve haver justa e garantida satisfação para os empregados e para a organização em termos de retribuição.

64201. Centralização: refere-se a concentração da autoridade no topo da hierarquia da organização.

64202. Cadeia escalar: é a linha de autoridade que vai do escalão mais alto ao mais baixo.

64203. Ordem: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. é a ordem material e humana.

64204. Equidade: amabilidade e justiça para alcançar lealdade do pessoal.

64205. Estabilidade do pessoal: a rotatividade do pessoal tem um impacto negativo sobre a eficiência da organização. quanto mais tempo uma pessoa permanecer num cargo melhor.

64206. Iniciativa: a capacidade de visualizar um plano e assegurar pessoalmente o seu sucesso.

64207. Espírito de equipe: harmonia e união entre as pessoas são as forças da organização.

III - TEORIA DA ORGANIZAÇÃO:

1. ADMINISTRAÇÃO COMO CIÊNCIA:

Os autores da teoria clássica afirmam que se deve tratar a administração cientificamente, substituindo o imperismo e a improvisão por técnicas científicas. Fayol afirmava a possibilidade e a necessidade de um ensino organizado e metódico da administração. sua posição era a de que, sendo a administração uma ciência como as demais, o seu ensino nas escolas e universidades era possível e necessário.

2. TEORIA DA ORGANIZAÇÃO:

A teoria clássica manteve a concepção antiga de organização tradicional, rígida e hierarquizadas, baseada nas organizações militares e eclesiásticas, por esse motivo não contribuiu muito para teoria da organização, embora tenha contribuído muito para tirar a organização industrial do caos primitivo.

a teoria clássica concebe a organização em termos de estrutura, forma e disposição das partes que a compõem, além do inter-relacionamento entre essas partes, sendo portanto, estática e limitada. a estrutura organizacional caracteriza-se pela cadeia de comando, ou seja, pela linha de autoridade que interliga as posições da organização e especifica quem se reporta a quem. a cadeia de comando, também denominada cadeia escalar, baseia-se no princípio da unidade de comando, que significa que cada empregado deve se reportar a um só superior.

3. DIVISÃO DO TRABALHO E ESPECIALIZAÇÃO:

A organização caracteriza-se por uma divisão do trabalho claramente definida, partindo do pressuposto de que as organizações com elevada divisão do trabalho seriam mais eficientes. a divisão do trabalho conduz à especialização e à diferenciação das tarefas, ou seja, a heterogeneidade.

Para a teoria clássica a divisão pode dar-se em duas direções a saber:

64215. Verticalmente, segundo os níveis de autoridade e responsabilidade, definindo os diferentes escalões de autoridade. Esta aumenta à medida que se sobe na hierarquia da organização é a hierarquia que define a graduação das responsabilidades , não de acordo com as funções, mas conforme os graus de autoridade.

64216. Horizontalmente, num mesmo nível hierárquico, cada departamento ou seção passa a ser responsável por uma atividade específica e própria.

Assim, a homogeneidade é obtida por meio da deparamentalização por função , por processo, por clientela ou por localização geográfica. de acordo com este princípio da homogeneidade Gulick achava possível departamentalizar qualquer tipo de organização. a idéia básica era a de que quanto melhor departamentalizada uma organização tanto mais eficiente ela será.

4. Coordenação:

Fayol incluiu a coordenação como um dos elementos da administração, enquanto outros autores clássicos a incluíram nos princípios de administração. para Fayol a coordenação é a reunião, a unificação e a harmonização de toda a atividade e esforço. para Gulick, se a divisão do trabalho é indispensável, a coordenação é obrigatória.

5. Conceito de linha e de staff:

Fayol se interessou pela organização linear, que constitui um tipo simples de organização. A organização linear se baseia nos princípios de : unidade de comando, unidade de direção, centralização da autoridade e cadeia escalar.

Os autores clássicos distinguem dois tipos de autoridade: a de linha e a de staff. Na autoridade de linha os gerentes tem o poder formal de dirigir e controlar os seus subordinados. a autoridade de staff é atribuída aos especialistas de staff em suas áreas de consultoria e de prestação de serviço. ela é mais estreita e inclui o direito de aconselhar, recomendar e orientar.

IV – ELEMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO:

1. ELEMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO PARA GULICK:

 

Planejamento

É a tarefa de traçar as linhas gerais das coisas que devem ser feitas e dos métodos de fazê-las, afim de atingir os objetivos.
Organização É o estabelecimento da estrutura formal de autoridade, por meio da qual as subdivisões do trabalho são integradas.
Assessoria É a função de preparar e treinar o pessoal e manter condições de trabalho.
Direção É a tarefa de tomar decisões e incorporá-las em ordens e instruções específicas e gerais e ainda de liderar a empresa.
Coordenação É a função de estabelecer relações entre as várias partes do trabalho.
Informação É o esforço de manter todos informados a respeito do que se passa, esforço que pressupõe a exist6encia de registros, documentação, pesquisa e inspeções.
Orçamento É a função que diz respeito à elaboração, execução e fiscalização orçamentárias.

QUADRO RESUMIDO

TEORIA CLÁSSICA

Ênfase Concepção

da

Organização

Relações

Administração

Empregados

Sistema de

Incentivos

Concepção

da

Natureza

Humana

Resultados
Na estrutura Organização

Formal

Identidade

de Interesses

Incentivos

Monetários

"Homo

Economicus"

Máximos

BIBLIOGRAFIA DE FAYOL:

1916 – Livro: Administration Industrielle et Générale

Fontes de pesquisa:

Sites:

www.fte.com.br

www.clidard.org

www.argo.com.br

www.uniestadm.hpg.ig.com.br

www.intercorp-conssultoria.com.br

www.visualbyte.com.br

www.infonet.com.br

www.manuelgrilo.com.br

Livros:

Administração Industrial e Geral Ed. Atlas

Introdução a Teoria Geral da Administração Ed. Campus

 

 

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