ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES
Das três disciplinas filosóficas mais conhecidas: a Lógica, a Estética e a Ética, essa última é certamente a que tem atraído menos atenção da sociedade. E isso já faz um bom tempo. Pois se são muitos os interessados em economia, ciência e arte, num mundo onde o dinheiro, a tecnologia e a beleza aparecem como valores supremos, a moral tem sido colocada em plano secundário, se é que tem sido considerada em alguma escala. Na sociedade moderna, lamentavelmente, o sucesso econômico passou a ser a medida de todas as coisas. Apenas a riqueza e a beleza contam e separam os vencedores dos excluídos. O caráter não é conversível em moeda. Assim, o que é uma boa conduta e que condições devem cumprir as instituições humanas para moralizar o indivíduo são questões que não têm despertado interesse ou conquistado espaço num mundo em que a maioria das pessoas é materialista e individualista e, por isso, pouco responsável e solidária. Se a empresa, como espaço social, produz e reproduz esses valores, ela se torna importante em qualquer processo de mudança de perspectiva das pessoas; tanto das que nela convivem e participam quanto daquelas com as quais essas pessoas se relacionam. Assim, quanto mais empresas tenham preocupações éticas mais a sociedade na qual essas empresas estejam inseridas tenderão a melhorar no sentido de constituir um espaço agradável onde as pessoas vivam realizadas, seguras e felizes. O objetivo do tema - "Ética Empresarial" - é colocar a importância da reflexão ética no momento em que a sociedade brasileira passa por grandes mudanças; no momento em que as empresas se reformam e se transformam para sobreviver a essas mudanças e atender melhor seus consumidores. Aliás, se as empresas agissem sempre com ética os consumidores não estariam livres de problemas com os produtos e serviços que consomem, mas estariam seguros que tais ocorrências seriam sempre obra do acaso e não de qualquer ato de má fé. Assim, hoje, para terem sucesso continuado, o desafio maior das empresas é ter uma ética interna que oriente suas decisões e permeie as relações entre as pessoas que delas participam e, ao mesmo tempo, um comportamento ético inequivocamente reconhecido pela comunidade.
No início dos anos 90, a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social - FIDES realizou um Simpósio Internacional sobre "A ÉTICA NO MUNDO DA EMPRESA", com a participação de empresários, políticos, jornalistas e consultores do Brasil e do exterior. As contribuições desses participantes foram reunidas num excelente livro com o mesmo nome, publicado pela Livraria Pioneira Editora, em agosto de 1991. A pergunta chave, ou o cerne do debate sobre ética organizado pela FIDES, foi a seguinte: "É possível para a empresa definir e manter padrões éticos num país como o Brasil, em que ainda predomina a lei de tirar vantagem em tudo, e em que os próprios ocupantes de cargos públicos são os primeiros a violar as regras morais ?" Naquela época, antes que o país fosse tomado por uma onda de moralidade, ainda que barulhenta, superficial e passageira, que foi o momento do impeachment do Presidente da República Fernando Collor, as alentadoras conclusões/recomendações sintetizadas por Mário Ernesto Humberg foram as seguintes: I. "É preciso que se aumente a discussão de temas políticos, éticos, morais, culturais e não se fique apenas no debate econômico. Só assim vamos definir qual o país que queremos e quais são seus padrões éticos;" II. "A falta de uma ética vinda de cima não deve impedir que as pessoas e empresas tenham a sua. É um processo que vai se desenvolvendo e exige, acima de tudo, paciência e firmeza;" III. "Não basta a empresa fazer bem, ela precisa fazer o bem. Esta é a base ética, que se exige de uma empresa participativa. A solidariedade é o pilar sobre o qual se assentam os valores sociais, entre os quais a ética;" IV. "O empresário tem que pensar mais na visão social e na preservação do bem comum. E é nisso que eticamente ele está falhando, deixando de mostrar - pelo seu comportamento - o caminho da mudança;" V. "A empresa deve ser um veículo de desenvolvimento social das pessoas, e não apenas um gerador de lucros para seus proprietários e acionistas;" VI. "Embora raras, as empresas com preocupação ética são capazes de competir com sucesso e obter não apenas a satisfação pessoal de seus colaboradores, como também resultados econômicos compensadores." O primeiro desafio, para que a ética se instale no rol de preocupações das empresas e empresários brasileiros, é eles se convencerem, com tantos exemplos indicando o contrário, que ser ético é um caminho seguro para o sucesso. São muitos os empresários que acreditam que a empresa só tem chances de sobreviver se sonegar impostos, descumprir a legislação trabalhista, subornar fiscais, poluir o ambiente e enganar o consumidor. Tais empresários não conseguiram observar que, apesar de tantas práticas ilegais e anti-éticas, centenas de empresas entraram em decadência no país e desaparecem nos últimos anos. Isso porque muitas dessas empresas preferiram o caminho mais fácil da conduta anti-ética do que voltar seus esforços de gestão para objetivos mais nobres como aumentar a produtividade, a eficiência e a qualidade de seus produtos e serviços. Não se conscientizaram, em tempo, de que esse é o único caminho seguro para o desenvolvimento sustentado a longo prazo. Conforme bem observou no simpósio da FIDES o Consul Geral dos Estados Unidos em São Paulo, James Creagan: "O setor empresarial não é inerentemente uma 'selva' onde somente os mais cruéis e desumanos sobrevivem. E os lucros não são necessariamente ganhos através de exploração e fraude." Tanto isso é verdade que, ultimamente, temos assistido à ascensão de empresas cujas histórias indicam uma preocupação permanente com o cumprimento das leis, o pagamento de impostos, a assistência ao trabalhador, o cuidado com o ambiente e o respeito ao consumidor. O segundo desafio é mudar a idéia de que o Governo, apesar de toda a desregulamentação, redução da intervenção e abertura política, ainda é o condutor e responsável pelo estabelecimento de um novo padrão ético no país e pelo seu êxito econômico. Nesse sentido, com a prevalência do tráfico de influências, da troca de favores e do pagamento de propinas, fica difícil para as empresas alterar os procedimentos conhecidos e eficazes e passar a ter uma conduta ética de resultados duvidosos. Agora as chances de mudanças são maiores. A democracia pode não eliminar a corrupção - não conseguiu isso nem nos países em que está consolidada há longo tempo - mas cria um espaço para aperfeiçoar o comportamento ético da sociedade. Conforme observou o Consultor João Geraldo Piquet Carneiro: "Se a democracia não tivesse outros méritos, bastaria este - a possibilidade de se exigir abertamente adesão a valores éticos." É chegado o momento, portanto, das empresas se esforçarem para romperem o círculo vicioso da conduta anti-ética, ao invés de esperarem por pressões de fora. Não basta a mera mudança retórica sem alteração efetiva no comportamento cotidiano. Não basta, tampouco, como muitos pensam, criar códigos de conduta. "Na medida em que uma norma jurídica não encontra um mínimo de respaldo consensual nos padrões éticos dos agentes aos quais ele é dirigida, sua eficácia real será limitada." Aliás, os códigos de conduta foram originalmente publicados por empresas americanas no final da década de 70. Os resultados, porém, foram desanimadores. Lista de proibições, por mais bem elaborada que seja, não consegue melhorar o comportamento dos funcionários, até porque trazem uma imagem negativa e não construtiva da ética, que é seu verdadeiro propósito. A experiência já demonstrou que "a mudança de padrões de conduta ética é necessariamente um processo complexo, lento, dentro do qual o código escrito tem um papel limitado." Resta às empresas assumirem que, mudar o comportamento ético no Brasil é um desafio que precisa ser enfrentado corretamente, que é difícil e trabalhoso, mas que vale a pena. Soluções prontas não conseguem levar a uma melhoria ética da empresa. É preciso desenvolver uma nova perspectiva capaz de habilitar dirigentes e funcionários a lidarem com as questões de natureza ética.
Ao contrário do que muitos pensam, a Ética, apesar de ser uma disciplina filosófica, é uma disciplina prática e não teórica como o é a Lógica. Quando se observa: - "Não basta a empresa fazer bem, ela precisa fazer o bem." - fica clara a realidade objetiva da ética. Ocorre que na maioria das empresas quando as grandes decisões são tomadas a perspectiva ética nunca é utilizada. Os tomadores de decisões, tanto quanto aqueles que as executam, estão sempre preocupados em fazer bem feito. Isso envolve, necessariamente, os aspectos econômicos, financeiros, operacionais e legais, mas nada se questiona quanto à ética. Na verdade, "trazer à luz as dimensões morais da vida organizacional" requer uma perspectiva nova que leve à reflexão ética. Se essa perspectiva vier a se impor, novas perguntas passarão a ser feitas dentro do processo decisório, no momento em que forem julgadas as alternativas possíveis, antes de se escolher um curso de ação. Perguntas do tipo -"Estou sendo responsável para com os outros ?" Haverá algum dano ao meio ambiente?; A comunidade será beneficiada ?; Quais as conseqüências para o pessoal, a longo prazo ?; - só têm sentido se a administração adotar uma perspectiva ética que supere a visão imediatista corrente. O que se espera, dentro da perspectiva ética, é que as pessoas tenham uma postura ativa e não passiva. Existe uma diferença fundamental entre "se comportar bem" e "agir bem". No primeiro caso, "uma pessoa 'bem comportada' faz o que é certo devido ao condicionamento prévio e não por uma decisão sua"; no segundo, "a pessoa age porque ela decidiu que era a coisa certa a fazer". "A ética assume que as pessoas têm a liberdade e poder de responder - isto é, a liberdade e o poder de considerar diferentes opções, de analisar os pontos fortes e os pontos fracos das opções e de escolher uma opção entre as outras com base em seus méritos". Essa premissa tem muitas implicações práticas. A primeira é que a grande responsabilidade pelo padrão ético das empresas é da alta administração, pois são os dirigentes que detém maior liberdade e poder de decisão. De que forma um funcionário, sem liberdade e poder, pode mudar uma decisão anti-ética vinda de seu superior ? A segunda implicação, que decorre da primeira, é que a conduta ética será tanto mais aperfeiçoada quanto mais descentralizadas forem as decisões ou, alternativamente, quanto mais participação houver no processo decisório. Precisa-se considerar, é claro, que nesse processo as conseqüências do ponto de vista ético sejam sempre avaliadas. A terceira implicação é que sem confiança interna dificilmente será possível a existência de um padrão ético. Se existir a pressuposição que as pessoas tendem a cometer desvios em suas decisões e ações, é impossível um comportamento ético desejável. Nesse sentido, a quarta implicação, é que todo processo de qualidade total é essencialmente um processo ético. Assim, como quinta implicação, as empresas que não assumirem um comportamento ético adequado estarão, automaticamente, impedidas de adotarem processos de qualidade seja do tipo ISO 9000, seja de qualquer outro. Por tudo isso, fica claro que a reflexão ética é um processo de aprendizagem permanente, que exige participação integral e intensiva de todos que estão na empresa, tanto como o é a busca da qualidade. No simpósio da FIDES, Hugo Marques da Rosa, Presidente da Corporação Método, observou curiosamente: "Na nossa empresa não dizemos 'vestir a camisa', chamamos de 'vestir a cabeça'." .O objetivo dessa forma de gestão é acentuar a sensibilização dos empregados para práticas questionáveis e os valores básicos da empresa tais como compromissos com a honestidade, qualidade do produto, serviço ao cliente, preservação do ambiente e respeito às leis. É uma mudança que requer que os funcionários sejam treinados para assumirem uma perspectiva ética, pois tais preocupações raramente estiveram presentes em seu pensamento nas suas atividades diárias. Vale a pena conhecer a opinião de Hugo Marques da Rosa, exposta no simpósio FIDES, sobre esse tema, pois ele foi enfático: "Temos um programa de desenvolvimento individual, já que temos como filosofia uma política de desenvolvimento grande das pessoas. Achamos que as pessoas têm que ser agentes do seu próprio desenvolvimento. Queremos um processo de montagem de planos individuais de desenvolvimento. Cada pessoa explicita - ainda não desenvolvemos a nível da empresa toda, estamos introduzindo num grupo já bastante grande e significativo de pessoas - o que ela pensa em termos de desenvolvimento social, que tipo de futuro profissional ela pretende e, de outro lado, a empresa explicita o que pensa para aquele funcionário." E complementa: as empresas "montam uma série de cursos e querem que as pessoas freqüentem esses cursos e tenham um bom aproveitamento, mas não perguntaram às pessoas o que querem ser na vida." É assim que se cria uma perspectiva ética numa empresa. O sr. Hugo Marques da Rosa não falou como poeta, revolucionário ou sonhador. Embora sua fala possa ser considerada filosófica, antes de tudo, falou como empresário que depende de lucro para sobreviver. Ao responder à pergunta que lhe formularam : "O comportamento ético da empresa é importante ?" - deu uma demonstração inequívoca de que a ética é uma questão eminentemente prática e que diz respeito às pessoas. Por isso ele prossegue em sua exposição: "Estou dando muita ênfase em relação aos funcionários, mas estou absolutamente convencido de que a satisfação dos clientes depende fundamentalmente da satisfação dos funcionários. É impossível imaginar que uma empresa vá satisfazer os clientes em termos de qualidade, se não tiver um bom ambiente interno e seus funcionários não estiverem satisfeitos ! Damos mais ênfase na satisfação interna da relação com os funcionários do que propriamente com os clientes". Sobre a questão do lucro ele foi ainda mais direto: "Achamos que o lucro é ético na medida em que ele tem um destino social. Na medida em que a empresa está reinvestindo o lucro no sentido de criar melhores condições de trabalho para seus funcionários, melhorar a remuneração, esteja crescendo e gerando novas oportunidades de empregos, melhorando a qualidade de seus produtos." Parece-nos que uma perspectiva dessa natureza atende às aspirações da sociedade, criando um novo padrão ético nas empresas.
O consumidor normalmente aspira a muito pouco: receber o produto que comprou ou ver executado o serviço que contratou. Considerando que em ambos os casos ele pagou corretamente ao fornecedor, é direito dele ser atendido exatamente no que foi especificado como sendo "produto" ou descrito como sendo "serviço". Embora isso pareça muito simples, foi preciso a promulgação de um Código de Defesa do Consumidor para que muitas empresas viessem a se preocupar com exigências tão banais e o consumidor pudesse acreditar que é seu direito ver suas aspirações atendidas. O tema está estritamente relacionado à ética empresarial pois os casos mais extremos de desrespeito ao consumidor são praticados por empresas que não têm a mínima postura ética em relação à sociedade que deveriam se esmerar em servir. É claro que existem, também, consumidores sem ética que se aproveitam dos direitos que lhe são conferidos pelo Código de Defesa do Consumidor para tentar chantagear empresas através de fraudes. Mas se este instrumento nasceu, certamente foi para coibir abusos praticados por muitas empresas que, face às imperfeições e morosidade dos processos ordinários, desrespeitavam impunemente os consumidores. E, lamentavelmente, o desrespeito era tanto maior quanto mais humilde fosse o cliente. Na medida em que o comportamento das empresas e empresários mudar no Brasil, ou seja, na medida em que a ética permear as preocupações desses empresários, o Código de Defesa do Consumidor será utilizado esporadicamente e exatamente para punir os poucos marginais que sobrarem no mercado. É provável que até que tenhamos condições de vivenciar este estágio decorra ainda um longo tempo, mas é importante ter consciência de que é possível o aperfeiçoamento ético das empresas, se dirigentes e funcionários se engajarem nesse processo.
A sociedade moderna está requerendo uma mudança muito forte de seus valores porque a economia não pode e não deve ser a medida de todas as coisas. Analistas de todas as filiações ideológicas são unânimes: é impossível a sustentação do modelo atual de mundo caracterizado pelo materialismo individualista, pela destruição do ambiente, pela concentração de renda e pela exclusão de muitos milhões de seres humanos dos benefícios do progresso tecnológico e econômico. Este modelo precisa ser superado por outro em que o bem comum seja o novo paradigma do progresso. Se os negócios funcionam como o motor das sociedades modernas, o que parece ser verdade inconteste, as empresas têm a desempenhar um papel preponderante na construção do futuro da humanidade. Nesse sentido, são muitas as transformações que as empresas brasileiras necessitam realizar em seus valores básicos e na forma de gerir seus negócios. A empresa tem uma responsabilidade grande na invenção do novo ser humano que a sociedade necessita para melhorar pois, "a maioria das pessoas, no mundo industrializado, passa o seu tempo dentro das empresas". Mais uma vez, melhorar a sociedade, é uma questão prática que requer um comportamento ético das empresas, comportamento este plenamente consistente com a estratégica de sobrevivência de qualquer delas e com o enfoque sistêmico que deve nortear um negócio que pretenda ser bem sucedido. Alguns dos valores que caracterizam o comportamento ético são: Para o Empresário, como líder inovador - i. busca do bem comum; ii. atuação a nível político; iii. responsabilidade social e iv. visão de futuro; Para a Empresa, como comunidade e agente moral - i. administração participativa; ii. transparência; iii. diálogo e negociação; iv. destino social do lucro (reinvestimento); v. respeito ao funcionário e ao consumidor e vi. preservação do ambiente natural. Há quase 7 anos (out/89), um dos executivos mais bem sucedidos do mundo, o presidente da General Eletric, Jack Welch certamente surpreendeu os economistas, analistas, estudiosos e tecnocratas brasileiros quando disse numa entrevista à revista Exame: "Recentemente, uma revista de negócios publicou uma pesquisa sobre a GE listando nossas atividades e classificando a empresa em primeiro ou segundo lugar em todas. Daqui a dez anos, queremos que as revistas descrevam a GE como um lugar aberto e feliz, onde cada um sente que o que faz é importante". Não é por acaso, portanto, que em 1995, a General Eletric tenha sido considerada a terceira empresa de maior valor de mercado, segundo a Business Week. Se os líderes empresariais não emergirem da rotina, da busca incessante e desesperada do lucro imediatista, da vantagem pessoal pura e simples, e da falta de solidariedade social, suas empresas submergirão no mar de suas contradições morais. Atualmente, se a mídia eletrônica, rápida e global pode ser utilizada para enganar o consumidor incauto e subtrair-lhe alguns trocados pode, também e felizmente, ser o veículo que irá decretar o fim de uma corporação, por práticas anti-éticas, mesmo que levadas a cabo num longínquo lugar do planeta.
Está faltando liderança na ofensiva da sociedade contra a corrupção. A atual situação brasileira com denúncias diárias de corrupção é mais grave do que a norte-americana naquela época, mas ainda está faltando quem assuma a liderança desse processo de afirmação dos valores éticos. A divulgação extensiva dos casos tem feito a população ficar cada vez mais cansada dos aplicadores das leis de esperteza ou simplesmente da máxima de que os fins justificam os meios, adotada por economistas no governo e por coordenadores de campanhas eleitorais. Sinal desse cansaço é que até políticos que se notabilizaram ao longo dos anos pelo tráfego de favores e outras formas de corrupção hoje pregam pelo menos sua redução. A classe empresarial tem, por isso, uma ótima oportunidade e uma grande responsabilidade, a de liderar essa mudança ética do País, o que alguns já vêm fazendo, sensibilizados para essa necessidade de adotar princípios éticos nos seus negócios. O fundamental é que cada um comece a mudança pelo microuniverso em que sua presença é determinante e os resultados são facilmente comprovados - ou não. Não basta fazer declarações genéricas ou dizer que os políticos, governantes ou fiscais são corruptos. Isso é, no geral, meia verdade, porque na maioria das vezes eles são a parte passiva do processo. Mesmo que tenham exigido, sua ação é receber a propina, o jabaculê, a comissão, o p.f., a caixinha. A parte ativa do processo é normalmente um dirigente empresarial que dá o dinheiro, seja para vender produtos ou serviços aos governos - de simples guarda-chuvas a grandes barragens -, para apoiar candidatos que defendam seus interesses, ou para esconder falcatruas. A POSTURA ÉTICA NA EMPRESA AJUDA A ASSEGURAR OS NEGÓCIOS NO LONGO PRAZO O começo da mudança é a disposição para adotar procedimentos éticos explícitos, a partir de uma definição de valores da empresa. Não se trata de escrever 10, 12 ou 15 pontos, como fossem os mandamentos, e distribuí-los aos funcionários. A ética empresarial só é efetiva se refletir valores praticados, estimulados e visíveis, a partir do comportamento dos dirigentes, para que atinja e seja aceita nos demais níveis. Se não houver meios para questionamento, respostas e transparências, ela torna-se discurso vazio, como tantos que o País tem visto. Definir e adotar posturas éticas na empresa é certamente um caminho para assegurar os negócios no longo prazo, como mostra o Primeiro Mundo. É também a contribuição que a sociedade espera dos dirigentes empresariais para que a atual situação comece a mudar. A chave do futuro está, pois, nas mãos dos empresários e de sua ética. * Consultor, diretor da CL-A Comunicações e da Editora CL-A Cultural. É presidente da Associação Brasileira de Empresas de Relações Públicas (Aberpe) e coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE).
As empresas têm motivos de sobra para atuarem de maneira ética interna externamente. Está provado que práticas cidadãs podem ser um diferencial competitivo. Por outro lado, empresas cuja conduta é questionável, sofrem boicotes. Prova disso aconteceu na Grã-Bretanha, onde 44% da população evitaram comprar produtos vistos como não éticos no ano passado, segundo uma pesquisa do instituto Mori. A organização alemã Fairtrade Labelling Organizations International (FLO) concede o selo do comércio justo para empresas que pagam mais do que a média de mercado aos fornecedores, não utilizam trabalho escravo ou mão-de-obra infantil e não são prejudiciais ao meio ambiente. O interessante é notar que os produtos com o selo FLO cresceram 60% nos últimos três anos. O café "ético" chegou a crescer 51%, mesmo custando até 25% mais.
Não só a carreira, mas a imagem da empresa pode ser sujada por uma atitude anti-ética. Nos Estados Unidos, a Coca-Cola foi acusada de discriminação racial por antigos e atuais funcionários da empresa. A empresa prometeu investir mais de 1 bilhão de dólares para amenizar os estragos das denúncias.
Atitudes anti-éticas não são bem-vistas pelos investidores. Quando o presidente da Telefonica foi acusado de usar informações privilegiadas em benefício próprio, as ações da empresa despencaram 5,5%. Diante de uma acusação, os investidores preferem colocar o dinheiro em outro lugar.
Qualquer deslize pode
estragar uma carreira para sempre. Quando o executivo José Ignácio López
trocou a General Motors pela Volkswagen, foi acusado de roubar os
documento da sua antiga empresa.
Em visita a empresa Difusão Marcas e Patentes S/C Ltda., estabelecida a Rua São Bento, 329 - 6º Andar – São Paulo/SP., para fazer uma pesquisa de como essa a empresa desenvolve sua "ética" em todos os seus departamentos. A empresa tem buscado ao máximo ser ética com seus cliente, fornecedores, ou seja, em qualquer lugar em que a empresa esteja fazendo parte, buscando sempre a satisfação de todos. Nos dias de hoje, tem se tornado cada vez mais difícil ser ético, diz o diretor Mauro Souza, pois, em um país em que a concorrência é cada vez maior, é necessário ter algumas estratégias para que a empresa não sofra nenhum dano. Quando a empresa tem que tomar alguma decisão importante, quase nunca lembramos da ética, pois, estamos preocupados com os aspectos econômicos que a empresa estará envolvida, enfim, queremos o bem da empresa. Mesmo com tantos obstáculos, temos buscado a qualidade total, tudo isso envolve também a ética, quando somos éticos quer dizer que há transparência, pois, todos gostam de saber como a empresa funciona. Enfim, ética é essencial dentro de qualquer organização, pois quando estamos trabalhando com pessoas há uma necessidade de desenvolvermos um trabalho de valorização em que as pessoas se sintam importantes e respeitadas, ou seja, que além de tudo tenha certeza de que a empresa é ética em tudo o que faz. Mauro Souza Diretor
Uma empresa com consciência democrática, que entende sua responsabilidade social, tem transparência e abertura no diálogo com a sociedade. Parece óbvio, mas seria importante ressaltar a participação decisiva das empresas no desenvolvimento de um País, como fonte geradora de riquezas, de emprego e de renda e na vida cultural e social da comunidade. Por tudo isso, e, mesmo que as excluíssemos, as empresas tem o direito e dever de divulgar suas informações, seus ponto de vista, suas atividades e reivindicações. Uma empresa moderna relaciona-se, durante 24 horas por dia, com seus vários públicos, de empregados a consumidores, passando por fornecedores e distribuidores. Para todos, precisa prestar informações corretas, honestas e verdadeiras. Pode-se dizer que a relação com a imprensa é a ação mais aberta. Uma empresa com consciência que age com responsabilidade, considera-se perfeitamente ética, por isso, pode ser transparente e aberta.
Gazeta Mercantil – Terça Feira, 20 de Agosto de 1996, página A-2 Welch Jr., John – "Não Basta Apenas Ser o Primeiro" – Revista Exame, 18/10/89. Rosa, Hugo Marques da – "O Comportamento Ético da Empresa é Importante?" – em "A Ética no Mundo da Empresa" – Livraria Pioneira editora, 1991. Brown, Marvin T. – "Ética nos Negócios"- Makron Brooks Editora Ltda., 1993. Greagen James – "A Ética-Parte Essencial do Setor Empresarial" – Livraria Pioneira Editora, 1991. Revista Você s.a. (pesquisa no site) Internet: www.radix.com.br Relatório Técnico/Empresa: Difusão Marcas e Patentes S/C Ltda.
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