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Empreededorismo

O que significa o termo empreendedorismo?

É uma livre tradução que se faz da palavra entrepreneurship. Designa uma área de grande abrangência e trata de outros temas além da criação de empresas:

  • geração do auto-emprego (trabalhador autônomo);
  • empreendedorismo comunitário (como as comunidades empreendem);
  • intra-empreendedorismo (o empregado empreendedor);
  • políticas públicas (políticas governamentais para o setor);

Exemplos do que seja um empreendedor:

  • indivíduo que cria uma empresa, qualquer que seja ela;
  • pessoa que compra uma empresa e introduz inovações, assumindo riscos, seja na forma de administrar, vender, fabricar, distribuir ou de fazer propaganda dos seus produtos e/ou serviços, agregando novos valores;
  • empregado que introduz inovações em uma organização, provocando o surgimento de valores adicionais.

Não se considera, contudo, empreendedor uma pessoa que, por exemplo, adquira uma empresa e não introduza qualquer inovação (seja na forma de vender, de produzir, de tratar os clientes), mas somente gerencie o negócio.

Acredita-se hoje que o empreendedor seja o "motor da economia", uma agente de mudanças. Muito se tem escrito a respeito, e os autores oferecem variadas definições para o termo. O economista austríaco Schumpeter [1934] associa o empreendedor ao desenvolvimento econômico, à inovação e ao aproveitamento de oportunidades em negócios. Iremos trabalhar com a definição de Filion [1991], por ser simples e abrangente: "Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões".
Mais para frente, iremos conhecer com mais com mais detalhes o que é uma visão.


Para que servem tais conceitos, definições?

São eles o ponto de partida dos pesquisadores para o estudo das condições que levam o empreendedor ao sucesso. É através desse entendimento que é possível ensinar-se a alguém a ser empreendedor. Por isso, o estudo do perfil de empreendedores é o tema central das pesquisas e tem sido de grande valia para a educação na área. Os empreendedores podem ser voluntários (que têm motivação para empreender) ou involuntários (que são forçados a empreender por motivos alheios à sua vontade: desempregados, imigrantes etc.). Timmons [1994] acha que "o empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revolução industrial foi para o século 20".

A importância das relações para o empreendedor

Nas pesquisas, verificou-se que os empresários de sucesso são influenciados por empreendedores do seu círculo de relações (família, amigos) ou por líderes ou figuras importantes, tomados como "modelos".

Esta admiração nos remete ainda a algumas perguntas, as mesmas que os grandes pesquisadores desta área se fazem:

Como alguém se torna empreendedor?

O empreendedor nasce pronto? Ou seja, é fruto de características genéticas?

É possível se ensinar alguém a ser empreendedor?

O empreendedorismo não é ainda uma ciência, apesar de ser uma das áreas onde mais se pesquisa e se publica. Isso quer dizer que ainda não existem paradigmas, padrões que possam, por exemplo, nos garantir que, a partir de certas circunstâncias, haverá um empreendedor de sucesso. Mas muita coisa pode ser dita sobre o empreendedor. Vamos lá.

Todos os pesquisadores acreditam ser possível a alguém tornar-se um empreendedor. Sabe-se que o empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto dos hábitos, práricas e valores das pessoas. Existem famílias mais empreendedoras do que outras, assim como cidades, regiões, países. Na verdade aprende-se a ser empreendedor através da convivência com outros empreendedores, em um clima em que ser dono do próprio nariz, ter um negócio, é considerado como algo muito positivo. Pesquisas indicam que as famílias de empreendedores têm maior chance de gerar novos empreendedores e que os empreendedores de sucesso quase sempre têm um modelo, alguém a quem admiram e imitam. (Filion [1991])

Consideremos agora três níveis de relações, o primário, o secundário e o terciário, no esquema abaixo:

1 Primário: familiares e conhecidos; ligações em torno de mais de uma atividade.

2 Secundário: ligações em torno de determinada atividade; redes de ligações.

3 Terciário: cursos, livros, viagens, feiras e congressos.

Podemos dizer que o nível primário é a principal fonte de formação de empreendedores. Mas os níveis secundário e terciário podem também ser importantes na geração de empreendedores. Um dos pontos básicos do ensino de empreendedorismo é fazer com que o aluno busque estabelecer relações que dêem suporte ao seu negócio.

Assim, a convivência é muito importante nessa área. Existe um ditado no empreendedorismo que reza: "dize-me com quem andas que te direi quem queres ser. "Se há, portanto, empreendedores que nascem prontos, não é por razões genéticas, mas sim porque o nível primário de relações os influenciou. Há poucas décadas dizia-se o mesmo em relação a administradores, gerentes: "fulano tem o dom para administrar, ciclano nasceu assim, beltrano jamais saberá gerenciar". Hoje ninguém duvida que alguém pode aprender a ser administrador. O empreendedorismo, em termos acadêmicos, é um campo muito recente, com cerca de vinte anos.

 

O perfil do empreendedor

O empreendedor é um ser social, produto do meio que habita (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, então terá motivação para criar o seu próprio negócio.

É fenômeno regional, ou seja, existem cidades, regiões, países mais - ou menos - empreendedores do que outros. O perfil do empreendedor (fatores do comportamento e atitudes que contribuem para o sucesso) pode variar de lugar para lugar.

Tem espírito criativo e pesquisador, busca por novos caminhos e novas soluções, identificação das necessidades das pessoas. Busca de novos negócios e oportunidades, e a preocupação sempre presente com a melhoria do produto.

É otimista e busca o sucesso, a despeito das dificuldades. O empreendedor nunca deixa de ter a esperança de ver seus projetos realizados, porque é bem informado, conhece o chão que pisa e tem confiança em seu desempenho profissional.

Tem que assumir riscos, capacidade de conviver com eles e sobreviver a eles. Os riscos fazem parte de qualquer atividade e é preciso aprender a administrá-los. Arriscar significa ter coragem para enfrentar desafios, ousar a execução de um empreendimento novo e escolher os melhores caminhos, conscientemente.

Tem iniciativa e é independente. O empreendedor é capaz de tomar decisões corretas no momento exato, estar bem informado, analisar friamente a situação e avaliar as alternativas para poder escolher a solução mais adequada. Tem vontade de vencer obstáculos, iniciativa para agir objetivamente, e confiança em si mesmo. O empreendedor precisa soltar as amarras e, sozinho, determinar seus próprios passos, abrir seus próprios caminhos, decidir o rumo de sua vida, enfim, ser seu próprio patrão.

Sabe comunicar-se e conviver com outras pessoas, dentro e fora da empresa.

É organizado. O empreendedor tem senso de organização e capacidade de utilizar recursos humanos, materiais e financeiros de forma lógica e racional. A organização facilita o trabalho e economiza tempo e dinheiro.

Possui conhecimento do ramo e manter contatos com empreendedores do ramo, associações, sindicatos, etc.

Identificar e aproveitar oportunidades, pesquisar, seja no trabalho, nas compras, nas férias, lendo revistas, jornais, televisão, Internet. Sempre atento a qualquer oportunidade de conhecer melhor um empreendimento. Conhecer os pontos fortes e fracos, ou pelo menos algum dos funcionários tem que conhecer do negócio.

Na década de 60, David McClelland, psicólogo da Universidade de Harvard, identificou nos empreendedores de sucesso um elemento psicológico crítico, denominado por ele de "motivação da realização" ou "impulso para melhorar", desenvolvendo então o treinamento da motivação para a realização, cuja finalidade era melhorar tal característica e torná-la aplicável em situações empresariais. A Usaid (agência para o desenvolvimento internacional dos Estados Unidos), a consultoria Management Systems International (MSI) e a McBeer & Company (empresa de consultoria de McClelland), iniciaram em 1982 um projeto para estudos mais abrangentes do comportamento, a fim de criar meios mais eficazes de seleção e desenvolvimento de empreendedores.

A configuração definitiva do programa foi lançada oficialmente pela ONU em 1988 na Argentina, sendo em seguida aplicado no Chile, Uruguai, Venezuela, Gana, Nigéria, Zimbábue e a partir de 1990 no Brasil com bons resultados, por meio do convênio do Sebrae com a ONU, pelo programa Empretec. O sucesso empresarial não consiste apenas no desenvolvimento de habilidades específicas, tais como finanças, marketing, produção, etc; na concessão de incentivos creditícios e/ou fiscais, mas também nas atitudes empreendedoras.

Um dos campos centrais da pesquisa na área do empreendedorismo concentra-se fundamentalmente no estudo do ser humano e dos comportamentos que podem conduzir ao sucesso. Por outro lado, o conjunto que compõe o instrumental necessário ao empreendedor de sucesso, ou seja, o know-how tecnológico e o domínio de ferramentas gerenciais, é visto como uma conseqüência do processo de aprendizado de alguém capaz de atitudes definidoras de novos contextos: o empreendedor. Em outras palavras, o indivíduo portador das condições necessárias para empreender saberá aprender o que for necessário para a criação, desenvolvimento e realização de sua visão. No ensino do empreendedorismo o ser é mais importante do que o saber: este será conseqüência das características pessoais que determinam a sua própria metodologia de aprendizagem.

A seguir apresenta-se um resumo das características dos empreendedores, segundo pesquisadores da área (Timmons [1994] e Hornaday [1982]):

1 O empreendedor tem um "modelo", uma pessoa que o influencia.

2 Tem iniciativa, autonomia, autoconfiança, otimismo, necessidade de realização.

3 Trabalha sozinho.

4 Tem perseverança e tenacidade.

5 O fracasso é considerado um resultado como outro qualquer. O empreendedor aprende com os resultados negativos, com os próprios erros.

6 Tem grande energia. É um trabalhador incansável. Ele é capaz de se dedicar intensamente ao trabalho e sabe concentrar os seus esforços para alcançar resultados.

7 Sabe fixar metas e alcança-las. Luta contra padrões impostos. Diferencia-se. Tem a capacidade de ocupar um intervalo não ocupado por outros no mercado, descobrir nichos.

8 Tem forte intuição. Como no esporte, o que importa não é o que se sabe, mas o que se faz.

9 O empreendedor precisa ter talento e uma certa dose de inconformismo diante das atividades rotineiras para transformar simples idéias em negócios efetivos.

10 Tem sempre alto comprometimento. Crê no que faz.

11 Cria situações para obter feedback sobre o seu comportamento e sabe utilizar tais informações para o seu aprimoramento.

12 Sabe buscar, utilizar e controlar recursos.

13 Sonhador realista. É racional, mas usa também a parte direita do cérebro.

14 Líder. Cria um sistema próprio de relações com empregados. É comparado a um "líder de banda", que dá liberdade a todos os músicos, deles extraindo o que têm de melhor, mas consegue transformar o conjunto em algo harmônico, seguindo uma partitura, um tema, um objetivo. O empreendedor define objetivos, orienta a realização de tarefas, combina métodos e procedimentos práticos, incentiva pessoas no rumo das metas definidas e produz condições de relacionamento equilibrado entre a equipe de trabalho em torno do empreendimento.

15 É orientado para resultados, para o futuro, para o longo prazo.

16 Aceita o dinheiro como uma das medidas do seu desempenho.

17 Tece "redes de relações" (contatos, amizades) moderadas, mas utilizadas intensamente como suporte para alcançar os seus objetivos. A rede de relações internas (com sócios, colaboradores)  é mais importante que a externa.

18 O empreendedor de sucesso conhece muito bem o ramo em que atua.

19 Cultiva a imaginação e aprende a definir visões.

20 Traduz seus pensamentos em ações.

21 Define o que deve aprender (a partir do não-defino) para realizar as suas visões. É pró-ativo diante daquilo que deve saber: primeiramente define o que quer, aonde quer chegar, depois busca o conhecimento que lhe permitirá atingir o objetivo. Preocupa-se em aprender a aprender, porque sabe que no seu dia-a-dia será submetido a situações que exigem constante aprendizado de conhecimentos que não estão nos livros. O empreendedor é um fixador de metas.

22 Cria um método próprio de aprendizagem. Aprende a partir do que faz. Emoção e afeto são determinantes para explicar o seu interesse. Aprende indefinidamente.

23 Tem alto grau de "internalidade", que significa a capacidade de influenciar as pessoas com as quais lida e a crença de que pode mudar algo no mundo. A empresa é um sistema social que gira em torno do empreendedor. Ele acha que pode provocar mudanças nos sistemas em que atua.

24 O empreendedor não é um aventureiro; assume riscos moderados. Gosta do risco, mas faz tudo para minimizá-lo. É inovador e criativo. (A inovação é relacionada ao produto. É diferente da invenção, que pode não dar conseqüência a um produto.)

25 Tem alta tolerância à ambigüidade e incerteza e é hábil em definir a partir do indefinido.

26 Mantém um alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-a para detectar oportunidades de negócios.


Funções de um Líder

1 Função educativa/cultural: promover a integração da sua equipe à luz das verdades e crenças que orientam as políticas e estratégias empresariais e contribuir na cultura organizacional.

2 Função estratégica: esclarecer os objetivos empresariais para sua equipe e negociar metas de produção, considerada a conjuntura, de modo a tornar todos motivados e co-responsáveis pelos resultados.

3 Função integradora/educativa: formar equipes integradas, harmônicas e coesas. É a explicitação mais visível de seu papel de educador e a garantia da continuidade, tanto em relação à eficiência quanto a eficácia de seu grupo.

4 Função instrutora: disponibilidade do líder em ministrar instruções e promover o estímulo e auto-desenvolvimento. Delegação de autoridade e reuniões são dois instrumentos gerenciais imprescindíveis à ação de liderança no trabalho.

5 Função Inovadora: manter a equipe motivada, integrada, coesa e criativa é a missão de uma gerência verdadeiramente líder e eficaz. Quando as transformações se tornam radicais e irreversíveis, quem não mantém mente aberta às inovações torna-se rapidamente obsoleto e substituível. Só a criatividade e a renovação asseguram a continuidade numa sociedade em mudança.

6 Função estratégica da Qualidade total: o Cliente é a referência essencial do negócio e a justificativa da empresa. Sem ele, perde sentido qualquer organização. Há pouco este tema vem sendo difundido e se tornando um novo paradigma. É pouco provável que organizações que não satisfaçam as necessidades de seus empregados, consigam "encantar o Cliente". Qualidade total significa que não bastam bons serviços e bons produtos, mas que a empresa deve ser essencialmente boa.

Características de um líder

1 Ambição: baseada na obtenção do sucesso e do poder, mas quando não administrada corretamente gera Demagogia.

2 Valores: diretamente ligada a busca de ideais e a existência de um comportamento ético que quando não sustentada por uma dose de ambição e de competência, se transforma em Ideologia.

3 Competência: agrupa capacidade e habilidades profissionais juntamente com ambição e valores. A divergência desses fatores poderia gerar um tecnocrata. Para o sucesso de um líder é necessário estar positivamente em evidência, apresentando propostas estimuladoras e soluções confiáveis.

Liderança e Visão Estratégica

Para se encontrar um "empreendedor" de sucesso é necessário avaliar sua visão estratégica, ou seja, não bastam audácia, coragem em enfrentar riscos e persistência: É preciso saber pensar estrategicamente.

Posturas habituais no contexto dos negócios:

  • Centrar a visão no problema e em suas consequências;
  • Fixar-se nas oportunidades como um sonho bom, todavia sem base;
  • Perceber as oportunidades, gerando meios e recursos para transformá-las em realizações, agindo assim estrategicamente.

"Um exército de cervos chefiados por um leão é mais temível do que um exército de leões liderados por um cervo". A natureza da liderança. Sabe-se que a liderança é um fator inevitável e necessário para o desenvolvimento da vida humana, apesar de ainda não ser bem compreendido.


Administração X Liderança

Administração e liderança caminham lado a lado, porém, afirma-se que para os administradores, o importante é manter o funcionamento da organização, enquanto que para os líderes, iniciar e promover uma nítida visão de mudança, é mais compensador.


Executivos X Liderança

Como os executivos identificam e classificam os líderes:

Nos nomes citados como líderes pelos executivos, estão entre outros, Hitler, Napoleão, Martin Luther King, surgindo até nomes como Jesus e Buda. Todos de uma maneira geral, transmitiram confiança, personalidade forte, mobilizaram seguidores, tinham uma visão clara e eram bom comunicadores.


Generais ou Políticos

Durante uma crise, a imagem do líder vem em forma de generais e políticos, ou seja, pessoas que por ocuparem tal posição, tem como dever esperar por conflitos e se encarregar de solucioná-los.


Liderança x Decisão

Não se pode confiar em uma pessoa cujo poder de decisão deixa a desejar, ou seja, é necessário agir rapidamente.

Se analisarmos a história, veremos que muitos dos líderes agiram de maneira a se alto promover, ou seja, eles criaram e administraram crises em que a liberdade de controlar os acontecimentos estavam unicamente em suas mãos.


Liderança x Domínio

Por gerarem confiança, os líderes assumem um papel perante a sociedade que pode ser confundido com domínio: o domínio é uma característica que cria invasão, constrangimento e autoritarismo, o que pode ser tolerado por algum tempo, mas que de modo sutil acaba sendo destruída.

Associa-se o nome Ferro, Margareth Thatcher a "Dama de Ferro", à força que este metal exerce na Natureza. Apesar de duro e frio, pode-se fundir e moldar para criar objetos utéis a vida humana. O que isso se aplica ao ser humano? Será que no ferro não existe um ponto de ferrugem que o impede de ser tão perfeito? "Se a única ferramenta que você tem é um martelo, então tudo começa a se parecer com um prego".


Liderança x Coragem

O combustível básico para o sucesso como líder, é ter coragem.

Líderes correm riscos, almejam destaque, obtém energia, tanto positiva quanto negativa do meio onde agem.


Ter visão clara

Visão não é somente aplicada como faculdade de ver.

Estipular o que é objetivo e ter uma direção para os outros seguirem, é o que mais define ter uma visão clara, ou seja, ver o futuro longínquo com notável clareza.


Ter uma mensagem simples

O que faz o líder, na maioria das vezes, ter sucesso, é o modo como ele expressa suas mensagens. Ter uma mensagem clara e brilhante, pode ser o ponto chave para conseguir a aprovação de seus subordinados.


Concentração x Obstinação

Concentrar-se em uma mensagem simples, ajuda a atrair, fundir e canalizar energias para alcançar metas. Líderes concentrados em alcançar seus objetivos tem como base uma dedicação muitas vezes direcionada, obsessiva e compulsiva.


Comunicação

Evidente que uma boa comunicação não depende somente de quem conduz, depende também da mensagem e do ouvinte. Pessoas com alto poder de persuasão, diante de pessoas predispostas a ouvir, geralmente obtém sucesso.


Lideranças não-integradas

Uma estratégia de empresa não-consensual, não compreendida, não assumida, leva cada dirigente a uma postura feudal, realizando-se o que denominamos arquipélogo organizacional: ilhas de poder desagregadoras minando o todo, fracionando a organização. A verdade bíblica da "casa dividida": Em Buda, a imagem da ave de duas cabeças. Uma comia um fruto saboroso. A outra, por competição, por inveja, come uma erva venenosa. E todo o corpo morre. As lideranças de um sistema integram-se por idéias, não por tecnologias. Essa afirmação, na prática é disvirtuada a todo momento. Vivemos uma era de supervalorização do Ser Tecnológico em detrimento do Ser Humano.

As qualidades que o empreendedor bem-sucedido deve apresentar, ou ter que desenvolver ou apenas aprimorar são:

  • 1 Buscar oportunidades
  • 2 Perseverar
  • 3 Comprometer-se
  • 4 Atuar com qualidade
  • 5 Correr riscos, mas calculados
  • 6 Estabelecer metas objetivas
  • 7 Buscar informações
  • 8 Planejar e monitorar de forma sistemática
  • 9 Persuadir e manter contatos
  • 10 Ter confiança e independência

Outro ponto importante é que todo negócio bem-sucedido deve estar apoiado num Plano de Negócio, a bíblia do empreendedor, com as estratégias do negócio, recursos humanos, análise dos dados e seleção das informações, gestão dos processos operacionais e de apoio, tudo com a intenção de atender bem o cliente, suas necessidades e expectativas, e com resultados favoráveis à empresa.

Idéias e oportunidades

"Há uma grande diferença entre uma idéia e uma oportunidade"

Não saber distinguir entre uma idéia e uma oportunidade é uma das grandes causas de insucesso. A confusão entre idéia e oportunidade é muito comum entre os empreendedores iniciantes. Identificar e agarrar uma oportunidade é, por excelência, a grande virtude do empreendedor de sucesso. É necessário que o pré-empreendedor desenvolva essa capacidade, praticando sempre. Atrás de uma oportunidade sempre existe uma idéia, mas somente um estudo de viabilidade, que pode ser feito através do Plano de Negócios, indicará seu potencial de transformar-se em um bom negócio.

Fontes de idéias:

  • 1 Negócios existentes - Pode haver excelentes oportunidades em negócios em falência. É lógico que os bons negócios são adquiridos por pessoas próximas (empregados, diretores, clientes, fornecedores).
  • 2 Franquisas e Patentes.
  • 3 Licença de produtos - Uma fonte de boas idéias é assinar revistas da área. Corporações, universidades e institutos de presquisa não-lucrativos podem ser fontes de idéias.
  • 4 Feiras e exposições
  • 5 Empregos anteriores - Grande número de negócios são iniciados por produtos ou serviços baseados em tecnologia e idéias desenvolvidas por empreendedores enquanto eram empregados de outros.
  • 6 Contatos profissionais - Advogados de patentes, contadores, bancos, associações de empreendedores.
  • 7 Consultoria - Dar consultoria pode ser uma fonte de idéias.
  • 8 Pesquisa universitária
  • 9 A observação do que se passa em volta, nas ruas.
  • 10 Idéias que deram certo em outros lugares.
  • 11 Experiência enquanto consumidores.
  • 12 Mudanças demográficas e sociais, mudanças nas circunstâncias de mercado.
  • 13 Caos econômico, crises, atrasos (quando há estabilidade, as oportunidades são mais raras).
  • 14 Usa das capacidades e habilidades pessoais.
  • 15 Imitação
  • 16 Dar vida a uma visão.
  • 17 Transformar um problema em oportunidade.
  • 18 "Descobrir" algo que já existe: melhorar, acrescentar algo novo na idéia já existente.
  • 19 Combinar de uma forma nova.

 

Sobre a oportunidade

Ela deve se ajustar ao empreendedor. Algo que é uma oportunidade para uma pessoa pode não ser para outra, por vários motivos (know-how, perfil individual, motivação, relações etc.)

É um alvo móvel. Se alguém a vê, ainda há tempo de aproveitá-la.

Um empreendedor habilidoso dá forma a uma oportunidade onde outros nada vêem, ou vêem muito cedo ou tarde.

Idéias não são necessariamente oportunidades (embora no âmago de uma oportunidade exista uma idéia).

A oportunidade é a fagulha que detona a explosão do empreendedorismo.

Há idéias em maior quantidade do que boas oportunidades de negócios.

Características da oportunidade: é atraente, durável, tem uma hora certa, ancora-se em um produto ou serviço que cria, ou adiciona valor para o seu comprador.

Apresenta um desafio: reconhecer uma oportunidade enterrada em dados contraditórios, sinais, inconsistências, lacunas de informação e outros vácuos, atrasos e avanços, barulho e caos do mercado (quando mais imperfeito o mercado, mais abundantes são as oportunidades).

Reconhecer e agarrar oportunidades não é uma questão de usar técnicas, checklists e outros métodos de identificar e avaliar; não há receita de bolo (a literatura tem mais de 200 métodos), mas depende da capacidade do empreendedor.

 

Visão, Idéias e o Empreendedor

Formação e desenvolvimento da "visão" do empreendedor

A teoria visionária de L. J. Filion [1991] ajuda-nos a entender como se forma uma idéia de produto e quais são as condições para que ela surja. Ela diz que as pessoas motivadas a abrir uma empresa vão criando, no decorrer do tempo, baseadas na sua experiência, idéias de produtos. Tais idéias, a princípio, emergem em estado bruto e refletem ainda um sonho, uma vontade não muito definida. Ou seja, ainda não sofreram um processo de validação, podem ainda não ser um produto.

O futuro empreendedor, para aprofundar-se em sua idéia (ou idéias) emergente, procura pessoas com quem possa obter informações para aprimorá-la, testá-la, verificar se é um bom negócio. Procura também ler sobre o assunto, participar de feiras, eventos. Ao obter tais informações, a pessoa vai alterando a sua idéia inicial, agregando novas características, mudando alguma coisa, descobrindo ou inventando novos processos de produção, distribuição ou vendas. E, ao modificar o produto, vai atrás de novas pessoas, livros, revistas, feiras etc. É um processo contínuo de conquistas de novas relações. E esse processo é circular, na medida em que tais relações irão contribuir para melhorar o produto, alterando-o e ... assim por diante.

Para Filion, essas idéias iniciais são visões emergentes. Prosseguindo em sua busca, vai chegar um dia em que o empreendedor sente que encontrou a forma final do produto e já sabe para quem vai vendê-lo. Nesse momento, ele acaba de dar corpo à sua visão central, ou seja, tem um produto bem definido e sabe qual é o mercado para seu produto.

Esse é  processo de formação da visão. Visões emergentes levam a novas relações (nos níveis secundário e terciário) que, por sua vez, contribuem para aprimorar a visão emergente inicial (o produto). Novas relações são estabelecidas em função do novo produto, e assim por diante, até que seja atingida a visão central, que pode ser fruto de uma ou várias visões emergentes.

Mas para desenvolver o processo de formação da visão, o empreendedor tem que se apoiar em alguns elementos. O principal deles são as chamadas Relações. Mas tem ele que trabalhar intensamente, sempre voltado para os resultados. O alvo não é o trabalho em si, mas o resultado que dele advém. Filion chama isso de Energia.

Deve o empreendedor ser uma pessoa com autonomia, autoconfiança, tem que acreditar que pode mudar as coisas, que é capaz de convencer as pessoas de que pode ainda possuir a capacidade de convencer as pessoas de que sua idéia é ótima e de que todos vão beneficiar-se dela. Enfim, deve saber persuadir terceiros a ajudarem-no a realizar o seu sonho. É o que Filion chama de Liderança.

E, lógico, exige-se de tal pessoa Conhecimento do Setor em que vai atuar.

Por fim, Filion fala da Visão Complementar, que trata da gerência da empresa, da organização e controle das diversas atividades administrativas, financeiras, de pessoal etc. Através da visão complementar é que vai ser criada a estrutura para que o produto seja vendido aos clientes, da forma mais eficar possível, gerando os resultados esperados: viabilidade, consolidação, crescimento, altos lucros. 


Como os conhecimentos obtidos através das pesquisas podem ajudar a quem quer abrir uma empresa ?

Presume-se que, se uma pessoa tem características e aptidões mais comumente encontradas em empreendedores de sucesso, terá ela melhores condições para empreender. Como se sabe, são as características comportamentais básicas pelas quais o candidato a empreendedor deve se pautar. Por outro lado, sem tais características, a pessoa terá dificuldades em obter sucesso. Tais características são examinadas posteriormente.

No estágio atual de conhecimento sobre empreendedorismo, sabe-se como ajudar os empreendedores em potencial e os empreendedores de fato a identificar as características que devem ser aperfeiçoadas para obterem sucesso.

A tese de que o empreendedor é fruto de herança genética não encontra mais seguidores nos meios científicos. Assim, é possível que as pessoas aprendam a ser empreendedores, mas dentro de um sistema de aprendizagem especial, bastante diferente do ensino tradicional.

O que ainda não se pode fazer no estágio atual de conhecimento na área de empreendedorismo:

  • 1 determinar com certeza se uma pessoa vai ou não ser bem sucedida como empreendedora;
  • 2 garantir que as pessoas possuidoras das características essenciais ao empreendedor terão sucesso.

 

 

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