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E-Learning


OBJETIVO

Este trabalho tem como objetivo apresentar uma nova forma de ensino: o e-learning, mostrando sua definição, seus objetivos, vantagens e desvantagens, comparação com outras formas de ensino à distância, as dificuldades encontradas nesta forma de ensino e algumas siglas utilizadas. Atualmente o mercado de e-learning é mais abrangente nos EUA, porém o Brasil está seguindo este mesmo caminho e investindo nesta tecnologia.

 

CAPÍTULO 1

Introdução

E-learning é uma modalidade de ensino a distância que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes tecnológicos de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculado através da internet.

Alguns termos, apesar de apresentarem certa diferença conceitual, na prática são utilizados como sinônimos de E-learning. São eles: web training, web education, educação a distância via internet, aprendizado eletrônico, ensino mediado por tecnologia, ensino dirigido por computador, etc.

Antes de ser considerado um instrumental tecnológico com aplicabilidade pedagógica, deve-se considerar a influência cultural do E-lerning devido a sua capacidade de contribuir para a mudança no paradigma corrente relativo ao processo ensino-aprendizagem. Diferente de uma simples disponibilização de cursos pela internet ou videoconferência, o E-lerning refere-se à criação de hábitos de aprendizagem distintos daqueles incentivados pelo ensino presencial, principalmente no que diz respeito ao autodidatismo. A forte contribuição do E-learning para a mudança de paradigma educacional baseia-se na constatação de que a internet exige uma maior assertividade por parte do aluno, que deve conduzir o seu aprendizado. No sistema presencial é notória a passividade do aluno em relação à condução do processo ensino-aprendizagem.

Por mais paradoxal que possa parecer, diversas pesquisas indicam que os dois maiores obstáculos à disseminação do processo de e-learning são, primeiramente, o conservadorismo e acomodação quanto aos métodos tradicionais de aprendizagem e, segundo, a falta de hábito, de conhecimento, afinidade quanto ao uso das tecnologias utilizadas no e-learning.

De todas as modalidades de ensino a distância, o E-learning foi a que mais cresceu no último ano, com uma taxa de 50% de crescimento no mercado norte-americano. O ensino através de fitas VHS e CD ROM teve significativa queda no mercado no mesmo período.

CAPÍTULO 2

A Revolução do Ensino

O e-learning começou sendo utilizado mais na área tecnológica, para o aprendizado de softwares. Atualmente, sua principal utilização tem sido na área de gestão, incluindo todos os temas correlatos. Na área empresarial sua utilização para capacitação na área de vendas e atendimento ao cliente desponta uma das mais promissoras aplicabilidades. Na área do ensino tradicional, os cursos de extensão e pós-graduação são os que devem se beneficiar com maior intensidade das estratégias de e-learning.

Os objetivos do e-learning são:

  • Democratizar o acesso à educação;
  • Reduzir custos;
  • Aumentar a autonomia e independência do aprendiz;
  • Contextualizar o ensino;
  • Incentivar a educação permanente;
  • Aplicar recursos tecnológicos e de multimídia para o enriquecimento do aprendizado.

Em um programa de e-learning, o mais importante, segundo Marc Rosenberg, autor do livro "E-learning: strategies for delivering knowledge in digital age", é a qualidade dos conteúdos e o incentivo ao desenvolvimento de uma cultura de aprendizado permanente.

Os custos do desenvolvimento de um programa de e-learning é significativamente maior, quando comparado ao seu similar na modalidade tradicional. Entretanto, uma vez implementado, a continuidade da difusão do conhecimento através do e-learning apresenta um custo muito menor do que o modo tradicional. O e-learning permite transmitir mais conteúdos para mais pessoas em menor tempo e com menor custo.

Os programas de e-learning são mais ágeis e permitem um aprendizado mais rápido do que os tradicionais pelo fato do aluno poder avançar no conteúdo segundo seu próprio ritmo. Além disto, o aluno pode estruturar seu tempo, com um maior aproveitamento deste. Alguns especialistas acreditam que os programas de cursos através do e-learning são mais bem elaborados, do ponto de vista da agilidade, do que os tradicionais.

CAPÍTULO 3

Interatividade

Diversas relações estão presentes nos programas de EAD (Educação a distância) e com elas todas as dificuldades oriundas do processo interativo. As principais formas de interação são entre tutor e aluno, aluno e material instrucional, alunos e outros alunos, alunos e comunidade de especialistas. Considerando-se que o processo de e-learning se dá entre humanos, a interatividade, que deve ser considerada através das mediações pedagógicas, passa a exercer um papel crítico na aprendizagem efetiva.

Muitas críticas têm sido feitas ao e-learning quanto à ausência de contato humano direto e as deficiências geradas por tal fato. Defensores do e-learning argumentam, entanto, que o aprendizado baseado em tecnologia compensa a falta do contato humano direto com a criação de comunidades virtuais que interagem através de chats, fóruns, e-mails, etc, enriquecendo o processo relacional com pessoas com o mesmo interesse, mas com diferentes visões e localizadas em distintas regiões ou países.

Quanto maior for a interatividade, maior será a qualidade do aprendizado.

Os cursos através do e-learning não podem ser meras adaptações dos conteúdos ministrados em cursos presenciais. Textos muito longos devem ser transformados em diversas unidades menores de conteúdo e as formas com que estas unidades serão apresentadas deverão ser individualizadas a ponto de atender aos diferentes estilos de aprendizagem, geralmente utilizando interfaces interativas mais eficazes. O feedback dos alunos é um importante instrumento para auxiliar na formatação dos demais cursos.

O perfil, o nível e as necessidades do público-alvo devem nortear a elaboração do programa de e-learning. A pesquisa a respeito das características e das necessidades da clientela-alvo do curso ou programa fornecerá subsídios que orientarão o planejamento do processo ensino-aprendizagem.


CAPÍTULO 4

Vantagens e desvantagens

Vantagens do e-learning:

  • Rápida atualização dos conteúdos;
  • Personalização dos conteúdos transmitidos;
  • Facilidades de acesso e flexibilidade de horários;
  • O ritmo de treinamento pode ser definido pelo próprio usuário;
  • Disponibilidade permanente dos conteúdos de treinamento;
  • Custos menores quando comparados ao treinamento convencional;
  • Redução do tempo necessário para o aprendizado;
  • Possibilidade de treinar um grande número de pessoas ao mesmo tempo;
  • Diversificação da oferta de cursos.

Desvantagens do e-learning:

  • A tecnofobia ainda está presente em significativa parcela da população;
  • Necessidade de maior esforço para a motivação dos alunos;
  • Exigência de maior disciplina e auto-organização por parte do aluno;
  • A criação e o preparo do curso on-line é, geralmente, mais demorado do que a do treinamento.
  • Não gera a possibilidade da existência de determinados in-sites e vínculos relacionais, que somente o processo de interação presencial permite.
  • O custo de implementação da estrutura para o desenvolvimento de programas de e-learning é alto;
  • Dificuldades técnicas relativas à internet e à velocidade de transmissão de imagens e vídeos;
  • Limitações no desenvolvimento da socialização do aluno;
  • Limitações em alcançar objetivos na área afetiva e atitudinal, pelo empobrecimento da troca direta de experiência entre professor e aluno.


CAPÍTULO 5

Comparação entre as outras formas de mídias utilizadas no Ensino à Distância.

Mídias para EAD

Características

Vantagens

Desvantagens

CD Rom Conteúdo teórico do curso incrementado com o uso de imagens, sons e outros recursos multimídias. Compactação da informa-ção. Utilização de va-riadas fontes de estímulo, através de animações com sons e imagens. Não permite atualizações rápidas. Baixa interativi-dade.
DVD Conteúdo teórico do curso incrementado com o uso de imagens, sons e outros recursos multimídias. Compactação da informa-ção. Utilização de va-riadas fontes de estímulo, através de animações com sons e imagens. Maior resolução e velocidade em imagens, principalmente em vídeos. Não permite atualizações rápidas. Baixa interativi-dade. O número de usuá-rios de DVD é ainda muito pequeno. Só 5% dos usuá-rios de CD têm também DVD.
Internet Conteúdo teórico do curso incrementado com o uso de imagens, sons e outros recursos multimídias, que são transmitidos através da web e disponibilizados de forma on-line. Atualização permanente. Maior interatividade. Pos-sibilidade de direciona-mento direto para outros endereços com informa-ções complementares. Limitações técnicas para o envio de imagens e vídeos. Exige conexão com a internet, conta de e-mail e conhecimentos sobre navegação.
Intranet Conteúdo teórico do curso incrementado com o uso de imagens, sons e outros recursos multimídias, dis-ponibilizados na rede da empresa e acessado atra-vés de senha. Facilita o controle dos usuários. Atende a uma clientela com perfil mais definido. Não implica cus-to de acesso para o usuá-rio. Limitada ao espaço corporativo.
Teleconferência e Vídeoconferência Conferência transmitida na forma de programa de TV, em circuito fechado, via satélite, com cobertura nacional ou internacional. Evita o deslocamento de pessoas, que podem Assis-tir à conferência sem sair do seu local de trabalho. As possíveis dúvidas po-dem ser esclarecidas de imediato, através de per-guntas ao palestrante via telefone ou fax. Alto custo de implan-tação. Médio grau de inte-ratividade. Demanda a mesma organização de um evento presencial.
Vídeo-aula Aula gravada em vídeo, geralmente em estúdio, reproduzida em VHS e distribuída em larga es-cala. Flexível, pois permite o controle do aluno sobre o ritmo do aprendizado. Grande capacidade de re-cursos multimídia. Lentidão na difusão. Cus-tos de duplicação e repro-dução. Baixa interativi-dade.
Teleaula Aula transmitida, via satélite, por TV aberta. O Telecurso da Rede Globo é o exemplo mais conhe-cido. Difusão imediata com lar-ga abrangência de pes-soas. Baixo custo de dis-tribuição. Grande capaci-dade de recursos multi-mídia. Pouco flexível. Não per-mite o controle do aluno sobre o aprendizado. Bai-xa interatividade.

CAPÍTULO 6

Dificuldades encontradas nesta forma de ensino

Estelionato:

Em diversos municípios brasileiros podemos encontrar propaganda de instituições que prometem a obtenção de diplomas de ensino fundamental e médio em apenas 30 dias através do ensino à distância. Algumas destas instituições têm o aval do Conselho de Educação de seu Estado, outras, no entanto são totalmente clandestinas e irregulares. Em comum, além de não apresentarem nenhum compromisso com a qualidade do ensino e o aprendizado real, cobram valores que variam de R$ 500,00 a R$ 900,00 por um mês de "curso".

Massificação:

A Faculdade de Administração de Brasília lançou recentemente o primeiro curso não-presencial de graduação em Administração de Empresas do Brasil, autorizado pelo MEC. Foram ofertadas 750 vagas, divididas em 10 cidades do país, com mensalidade de R$ 456,00. A divisão em 10 cidades foi com o objetivo de facilitar o local para realização de provas, que continuarão sendo presenciais.

Desistência:

Pesquisas realizadas por institutos independentes afirmam que a incapacidade das instituições de ensino no Brasil de desenvolverem em seus alunos a capacidade de aprenderem a aprender, com a conseqüente falta de autodidatismo que permanece durante toda a vida, pelo menos para grande parte dos brasileiros, deve ser considerada como o principal fator responsável pelo alto índice de evasão percebido nos cursos de ensino à distância que, segundo as mesmas pesquisas, varia de 20 a 85% de desistência dependendo da característica do curso.

 

CAPÍTULO 7

Algumas siglas utilizadas em e-learning

AVA:

Significa Ambiente Virtual de Aprendizagem e é o "espaço" onde se desenvolve a aprendizagem nos programas de e-learning. Este ambiente compreende um conjunto de softwares integrados com o objetivo de gerir o aprendizado on-line de forma interativa. Todos os ambientes virtuais de aprendizagem incluem algum tipo de software de autoria para o desenvolvimento do conteúdo dos cursos.

ASP:

Significa Application Service Provide ou Provedor de Serviços Aplicativos. É a organização que oferece aplicativos de softwares que podem ser acessados pela Internet, sem que a empresa que compra estes serviços precise possuir o software.

CBT:

Significa Computer Based Training ou Treinamento Baseado em Computador. É um programa de computador multimídia que possibilita um aprendizado interativo. Ou seja, durante o processo de aprendizado, o computador apresenta uma série de orientações e estímulos que devem ser respondidos pelo usuário.

VRML:

Significa Virtual Reality Modeling Language, é uma linguagem para que um desenvolvedor distribua ambientes virtuais na Web, possibilitando a manipulação de objetos tridimensionais.

 

CONCLUSÃO

Através deste trabalho podemos concluir que o e-learning é um projeto didático-pedagógico muito sólido, que desenvolve estratégias motivacionais para eliminar a resistência ao treinamento. Existe também uma interface atraente e facilmente navegável. No e-learning podemos utilizar o máximo possível de recursos de animação, vídeo, música, locução, fotos e etc. Ele nos oferece um suporte tutorial durante todas as etapas do programa, criando mecanismos dinâmicos de avaliação e mantendo o registro de todas as ações.

Um grande problema a ser superado é que a atual geração de professores não se encontra preparada para atuar dentro do paradigma estipulado pelo e-learning. O autodidatismo passa a ser o elemento chave dos programas de e-learning. A maioria dos MBA’s do Brasil já oferece parte de seu programa através de recursos da tecnologia da informação. Estes recursos estão se tornando semi-presenciais. O MBA da USP, por exemplo, que há cinco anos era totalmente presencial, foi agregando gradativamente estratégias de e-learning e, atualmente, já apresenta mais de 60% de seu conteúdo de forma não presencial.

Mais de um milhão de estudantes americanos já cursaram uma ou mais disciplinas de cursos de graduação na forma não presencial. Com a portaria 2.253 do MEC, que autoriza as instituições de ensino superior a ministrarem 20% do currículo de graduação de forma não presencial, tudo indica que o Brasil seguirá o mesmo caminho que os americanos, culminando com cursos de graduação mistos, ou seja, uma parte presencial e outra parte não presencial.

As seis maiores empresas de e-learning no setor corporativo são: LOTUS, XEROX, PROMON INTELIGENS, MICROPOWER, NORSUL e LEARNING SOLUTIONS. Essas empresas absorvem quase 50% da receita do setor e devem movimentar mais de US$ 10 milhões neste ano.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 – Braga, Ryon; "E-learning: a revolução do ensino", Revista @prender, Número 04, Janeiro/Fevereiro de 2002.

2 – Trechos capturados via internet – www.elearningbrasil.com.br – em 26/03/2002.

 

 

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