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DAVID RICARDO: VANTAGENS COMPARATIVAS


Biografia

David Ricardo 1772-1823

David Ricardo nasceu na cidade de Londres em 18 de Abril de 1772. Era filho de um abastardo comerciante de origem judaica, o que fez com que ele crescesse no mundo dos negócios. Ainda jovem tornou-se operador da Bolsa de Valores de Londres, demonstrando familiaridade nas transações do capitalismo mais avançadas de sua época. Após ler a obra de Adam Smith, "A Riqueza das Nações", estudou e escreveu sobre questões de economia política, tornando-se sem sombra de dúvidas o seu legítimo sucessor.

Suas principais obras abrangem as seguintes áreas de economia; política monetária; teoria dos lucros; teoria da renda fundiária e da distribuição; teoria do valor e do comércio internacional, temas estes atuais nos dias de hoje.

A maior contribuição de David Ricardo para a economia, foi ter sintetizado as teorias da população e da renda numa doutrina geral do valor e da distribuição.

Suas principais obras são:

  • The High Price of Bullion, A Proof of the Depreciation of Bank Notes, 1810.
  • Observations on some Passages in a Article in the Edinburgh Review, on the Depreciationof the Pager Currency, 1811.
  • Replay to Mr Bosanquet’s Practical Observation on the Report of the Bullion Committee, 1811.
  • An Essay on the Influence of a Low Price of Corn on the Profits of Stock, 1815.
  • Propasals for an Economical and Secure Currency, 1816.
  • On Protection in Agriculture, 1822.
  • Mr Ricardo’s Speech on Mr Western’s Motin, for a Committee to consider the Effects produced by the Resumption of Cash payments, 1822.
  • Plan for the Establishment of a National Bank, 1824.


A TEORIA DAS VANTAGENS COMPARATIVAS E O COMÉRCIO INTERNACIONAL

Ricardo foi o primeiro economista a argumentar coerentemente que o livre comércio internacional poderia beneficiar dois países, mesmo que um deles produzisse todas as mercadorias comerciadas mais eficientemente do que o outro. Também foi um dos primeiros economistas a argumentar que, como o capital era relativamente imóvel entre as nações, era preciso elaborar uma teoria separada do comércio internacional, diferenciado do comércio interno do país.

Ricardo argumentava que um país não precisava de ter uma vantagem absoluta na produção de qualquer mercadoria, para que o comércio internacional entre ele e outro país seja mutuamente benéfico. Vantagem absoluta significa maior eficiência de produção ou o uso de menos trabalho na produção. Dois países poderiam beneficiar-se com o comércio, se cada um tivesse uma vantagem relativa na produção. Vantagem relativa significava, simplesmente, que a razão entre o trabalho incorporado às duas mercadorias diferia entre os dois países, de modo que cada um deles poderia ter, pelo menos, uma mercadoria na qual a quantidade relativa de trabalho incorporado seria menor do que a do outro país. O quadro abaixo é uma reprodução do exemplo de Ricardo para ilustrar o princípio das vantagens comparativas.

Número de Horas Necessárias para a Produção de uma Unidade de Tecido e de Vinho, na Inglaterra e em Portugal

 

Tecido

Vinho

Razão entre o preço do vinho e o preço do tecido

Razão entre o preço do tecido e o preço do vinho

Inglaterra

100

120

1,20

0,83

Portugal

90

80

0,88

1,12

Neste quadro, Portugal tem uma vantagem absoluta na produção de vinho e de tecido, quer dizer, são necessários menos horas de trabalho para produzir ambas as mercadorias em Portugal do que o número de horas necessárias para sua produção na Inglaterra. Se supusermos que os preços do vinho e do tecido são proporcionais ao trabalho incorporado a eles, tanto na Inglaterra como em Portugal as razões de ambos os preços, em cada país, serão idênticas à razão de horas de trabalho necessárias para a produção das mercadorias, em cada país.

Em Portugal, são necessárias 90 horas para a produção de uma unidade de tecido e 80 horas para a produção de uma unidade de vinho. Isso quer dizer que o vinho precisa apenas de 88% do trabalho exigido pelo tecido e que o preço do vinho equivale a apenas 88% do preço do tecido. Na Inglaterra, o trabalho incorporado ao vinho e seu preço equivalem a 120% do trabalho e do preço do tecido. Então, Portugal usa relativamente menos trabalho na produção de vinho, e o preço é relativamente mais baixo. Por outro lado, Portugal usa 112% do trabalho incorporado à produção de vinho para produzir tecido e, uma vez mais, o preço do tecido equivale a apenas 83% do preço do vinho. Assim, a Inglaterra usa relativamente menos trabalho para produzir tecido, muito embora use mais trabalho, em termos absolutos; portanto, a Inglaterra tem uma vantagem relativa na produção de tecido.

Agora, suponhamos que os portugueses só estejam produzindo vinho (a mercadoria que têm uma vantagem comparativa) e resolvam comprar tecido. Têm duas maneiras de conseguir tecido – desviando algum trabalho da produção de vinho para a produção de tecido ou trocando vinho por tecido com a Inglaterra. Suponhamos que, havendo comércio, ele seja feito com base na razão de preços da Inglaterra. Para produzir uma unidade de tecidos, serão necessárias 90 horas-homem. Isso quer dizer que os portugueses têm que interromper a produção de 1,12 unidade de vinho, para cada unidade de tecido que produzirem, mas se trocarem com a Inglaterra, à razão dos preços vigentes na Inglaterra, só precisaram abrir mão de 0,83 unidade de vinho para cada unidade de tecido. É óbvio que o comércio deixaria os portugueses com uma quantidade total maior de vinho e de tecido do que se eles produzissem ambas as mercadorias.

Analogamente, se a Inglaterra só estiver produzindo tecido, mas puder trocar à razão de preços de Portugal, não deverá produzir vinho. Para produzir vinho, teria que desistir de 1,2 unidade de tecido para cada unidade de vinho produzida, enquanto poderia abrir mão de apenas 0,88 unidade de tecido em troca de uma unidade de vinho, se comerciasse com Portugal.

É óbvio que ambos os países se poderiam beneficiar, se cada um deles pudesse comerciar à razão de preços do outro país. Ambos os países se poderiam também beneficiar, se comerciassem a uma razão de preços que fosse intermediária entre as razões de preços de cada país. A razão entre o preço do vinho e o preço do tecido é de 1,2, na Inglaterra, e de 0,88, em Portugal. Se ambos os países comerciassem na base de um por um, uma unidade de tecido por uma unidade de vinho, ambos poderiam consumir um total conjunto maior de vinho e tecido do que se cada um deles produzisse ambas as mercadorias.

Isto explica, então, a teoria das vantagens comparativas, de Ricardo. Com esta base, ele argumentou que o livre comércio seria benéfico para ambos os países. Toda ampliação do comércio "contribuiria bastante decididamente para aumentar a massa de mercadorias e os benefícios totais". Toda restrição ao comércio, portanto, reduziria a "soma dos benefícios". Este princípio era, então, outro elo no ataque generalizado de Ricardo às "leis dos cereais".


Bibliografia

HUNT, E.K. (1984) História do Pensamento Econômico – Uma Perspectiva Crítica. Rio de Janeiro. Editora Campus.

HOLANDA, Felipe Macedo de (1996) Principios de Economia Política e Tributação. São Paulo. Editora Nova Cultural.

www.economista.hpg.com.br

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