Argentina
Nome oficial: República Argentina. Capital: Buenos Aires. Nacionalidade: argentina. Língua: espanhol (oficial). Religião: cristianismo (católicos, 90%; protestantes, cerca de 2%). Datas nacionais: 25/5 (Revolução de 1810), 9/7 (Independência). Moeda: peso argentino (dividido em 100 centavos); cotação para 1 US$: 0,99 (9/1994). Tendo sido descoberta por Juan Díaz de Solis, em 1516, a Argentina passou, a partir daí, à condição de colônia do império espanhol. A capital Buenos Aires foi fundada em 1580 e até o final do século 19, a grande maioria dos nativos já havia sido assassinada pelos colonizadores. A nação alcançou a independência em 1816 e, após alguns distúrbios sociais vultuosos, o país passa a ser governado por um regime autoritátio e centralizado, tendo como presidente o General Juan Perón. Em 1955, Perón foi deposto por um golpe, mas foi novamente eleito em 1973. Quando morreu (10 meses depois), foi sucedido por sua esposa, Isabel, deposta em 1976. A partir daí o país mergulhou num período negro de ditadura, que resultou na morte de inúmeros cidadãos. A democracia voltou a ser realidade com a eleição de Raul Alfonsín, mas a economia, que já demonstrava sinais de esgotamento, faliu definitavemente em 1989, com a inflação chegando a 6000%. Com isso, a população elegeu um peronista, Carlos Menem, para governar o país.
A característica fundamento faz alívio argentino é ou contraste enorme que oferecem ás imensas planícies guia e para impressionante Cordilheira dois oeste de non de Passeio. Possui ou cume mais alto dão a América: ou Aconcágua, de 6.959 metros. Entre você rios o Paraná e Uruguai, para Mesopotâmia argentino (províncias de Missões, Correntes e Entre Rios) é formado por baixos de focinhos, lagoas e estuários. Existem rompe que favorecem fenômenos tão espetaculares como Cachoeiras de incomparáveis de ás do Iguazú. Eu não centro faça país a região de Os Pampas é para planície mais extenso e conhecida, com exploração agrícola intensiva e criação de gado: Localização: sul da América do Sul. Área: 2.766.889 km². Limites: Bolívia (N); Paraguai (NE); Brasil e Uruguai (L); oceano Atlântico (L e SE); Chile (O). Características: planícies do Pampa (Centro-Oeste), da Mesopotâmia (NE) e do Chaco (N), separadas por um planalto; Cordilheira dos Andes (O); mesetas escalonadas com depressões e cañadones (SE). Ponto mais elevado: pico Aconcágua (6.959 m). Clima: de montanha (NO, SO, O); árido tropical (NE); árido frio (SE); temperado continental (S); tropical (N); subpolar (extremo sul). Rios principais: da Prata, Paraná, Uruguai, Paraguai, Colorado, Negro, Chubut, Deseado, Pileumayo, Bermejo, Salado do Norte. Cidades mais populosas: Buenos Aires (2,96 milhões hab.); Córdoba (1,1 milhão); Rosario (1,07 milhão); La Plata (542,5 mil) (1991). Hora local (em relação à Brasília): a mesma. Demografia POPULAÇÃO - 37 milhões (2000); composição: europeus meridionais 85%, eurameríndios 7%, ameríndios 0,4% e outros 7,6% (1996). Idioma: espanhol (oficial). Religião: cristianismo 90,9% (maioria católica), outras 9,1% (1995). Densidade: 13,31 hab./km2. População urbana: 89% (1998). Crescimento demográfico: 1,3% ao ano (1995-2000). Fecundidade: 2,62 filhos por mulher (1995-2000). Expectativa de vida M/F: 70/77 anos (1995-2000). Mortalidade infantil: 22‰ (1995-2000). Analfabetismo: 3,1% (2000). IDH (0-1): 0,837 (1998). Densidade (hab./km²): 12,1 (1994). Composição demográfica: europeus, 85%; mestiços, ameríndios e outros, 15% (1986). Faixas etárias: 0-14: 29,9%; 15-59: 56,9%; mais de 60: 13,2% (1990). Crescimento demográfico: 1,2% (1991). Natalidade: 20 por mil (1991). Mortalidade: 9 por mil; mortalidade infantil: 31 por mil (1991). Fertilidade (no de filhos por mulher): 2,7 (1991). Expectativa de vida: homens: 68; mulheres: 74 (1991).
A Argentina pré-colombiana era cultivada por grupos indígenas sedentários como os Diaguitas e utilizada como terra de caça pelos nômades. As resistências indígenas inibiram as excursões dos Espanhóis e desmotivaram os assentamentos da Espanha. Buenos Aires só foi estabelecida com sucesso em 1580, e foi uma fonte de problemas durante 200 anos. Uma população indígena, em constante declínio e mal distribuída, a qual dificilmente era explorada pela mão de obra, levou à criação de enormes fazendas de gado, conhecidas como haciendas - o berço do legendário gaucho ( cowboy ) e a fonte de riqueza para poucos sortudos.
Buenos
Aires se converteu na capital do Rio da Prata em 1776, confirmando o fato
que a região tinha crescido na busca de independência política e econômica
da Espanha. A freqüente insatisfação com os espanhóis levou à revolução de
25 de Maio de 1810, e a eventual independência em 1816. A independência
trouxe à luz as diferenças que o governo espanhol tinha ocultado. Os
Federalistas do interior (donos de terras, apoiados pelos gauchos e classe
trabalhadora rural) queriam a autonomia da província, enquanto os
Unitaristas de Buenos Aires (investidores da cidade grande que recebiam de
braços abertos o capital europeu, os imigrantes e as novas idéais)
defendiam a autoridade de Buenos Aires. Depois do governo opressor e
autoritário do federalista Juan Manuel Rosas, o unitarismo prevaleceu em
Buenos Aires, dando lugar a uma nova era de crescimento e prosperidade com
a constituição unitarista de 1853. As primeiras décadas do século 20 se caracterizaram por governos civis fracos, decadência econômica e desinteresse por parte dos ingleses, isto levou ao golpe militar de 1943 que resultou na ascensão do ditador Juan Perón. Ele ganhou a presidência em 1946 e de novo em 1952. Com sua popular mulher Eva Perón, instituiu programas que focaram o social e a classe trabalhadora, mas deixando de lado a industrialização e crescimento produtivo do país. O partido peronista foi esmagado no golpe militar de 1955, levando ao exílio de Perón para a Espanha e iniciando 30 péssimos anos de governos militares. Perón retornou para governar por um curto período em 1973, morrendo em 1974 e deixando a sua terceira esposa, Isabel, no poder. Os freqüentes problemas econômicos e políticos trouxeram greves, seqüestros políticos e pequenos grupos guerrilheiros. O governo da Isabel caiu em 1976, e o novo governo militar instituiu um governo de terror. Os anos de 1976 à 1983 são conhecidos como os anos de Guerra Suja. A oposição e as críticas foram eliminadas por grupos para-militares que operavam com o apoio do estado, levando ao desaparecimento de 10 a 30 mil cidadãos. As vítimas mais famosas deste período foram as Mães da Praça de Maio, mulheres que de maneira corajosa procuravam publicamente pelos familiares desaparecidos e que com freqüência desapareciam também. Ironicamente, estes conflitos internos acabaram com a guerra das Malvinas. O general Leopoldo Galtieri invadiu as Malvinas Inglesas para distrair a atenção da crise econômica interna e a corrupção política. O crescimento do nacionalismo interno em ambos países fez com que os ingleses mandassem uma frota através do mundo para salvar um pequeno ponto inglês do mapa. A Inglaterra foi a eventual vencedora desta custosa guerra para os argentinos. O presidente atual, o peronista Menem, instituiu algumas mudanças econômicas, privatizando industrias nacionais e abrindo a economia para o investimento estrangeiro, o que reduziu a inflação de 5000% a só 4%. Menem se converteu no primeiro presidente argentino depois de 40 anos a vencer eleições consecutivas, ganhando facilmente em Junho de 1995. Cultura As influências dos europeus marcaram a arte, arquitetura, literatura e o estilo de vida na Argentina. Na literatura em particular, a Argentina tem produzido escritores de fama internacional como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Manuel Puig e Osvaldo Soriano. Com a educação de muitos argentinos no continente europeu, Buenos Aires em particular tem adotado as culturas européias no campo das artes, música e arquitetura. Como resultado, existem muitos museus e galerias importantes de arte na cidade, e existe uma grande comunidade teatral. O cinema argentino também tem um nível internacional, sendo utilizado como veículo para exibir os horrores da Guerra Suja. O tango é a manifestação da cultura argentina mais conhecida, uma dança e música que tem capturado a imaginação de românticos em todo o mundo. O esporte é extremamente importante e o futebol é uma obsessão nacional, muito mais que um jogo. A Argentina ganhou a Copa do Mundo em 1978 e 1986, liderados por Mario Kempes em 78 e pelo incrível Diego Armando Maradona em 1986. Para muitos, Maradona, que também atuou no popular clube Boca Juniors é o melhor jogador de todos os tempos, mas é melhor não começar a discutir isso. A carne domina os cardápios argentinos, e carne significa bife. As parrilladas são muito conhecidas, onde servem-se pedaços de praticamente todas as partes do animal. Os pratos mais conhecidos são o bife de chorizo e asado de tira, normalmente acompanhados de um bom vinho tinto. Existem outras alternativas agradáveis que incluem principalmente as massas. Outra influência italiana , o sorvete ( helado) também merece destaque especial. DUAS DATAS HISTÓRICO - 25 de maio de 1810. Constituir-você para Primeira Meeting de Governo Pátrio. 9 de julho de 1816. Proclamação dá Independência que você dá para Províncias Together do Rio da Prata. Fundação dá para República a Argentina. SIMBOLOS - Bandeira de A é composta para faixas de três: uma um de com de branca central põem ao sol dourado e laterais de duas, celestial azul. Para flor nacional é para florescer de "ceibo." Para pedra nacional é para ou de rodocrosita "rosa de Inca o." Ou condor andino, ou ser aquele he/she vive e mais de voa mundo de non alto, é ou símbolo animal dá a Argentina. Majestoso, guarda, poderoso e mais ao vivo, ele símbolo de é dá liberdade e he/she dá natureza. FOLCLORE - Folclore de El é o espírito da raça. É a ressonância que he/she acredita a emoção da pátria que cria o orgulho cívico e fertiliza o sentimento com emoções fundas que eles encorajam o homem para a concepção e coroando das companhias grandes do bem, do progresso, da sabedoria, da honra. CONSIDERAÇÕES DE BREVES NO FOLCLORE ARGENTINO - Aunque que os investigadores dizem que o tango deve sua origem à alquimia levada a cabo pelos colonos espanhóis, ninguém discute o tango desde que é argentino. O professor Saviour Fracassi dos expressos de Grade nos que o tango entrou em todos os bairros que cantam suas dores e misérias. O tango como danças e eu como canção que foi imposto nas salas de estar onde só foram admitidas na moda o vieneses de valsas, Boston e outras danças. Os primeiros grupos típicos foram formados por violões, violino e flauta. Então os violões foram suprimidos e o piano foi somado, e quando a flauta foi considerada desnecessária, um instrumento foi introduzido com som de órgão: o bandoneón que deu a estes grupos seu sino inconfundível. Os sócios das orquestras começaram a preocupar para obter a educação musical maior. Professores grandes freqüentaram, eles levaram a cabo instrumentation de mérito e eles deram ao tango a hierarquia que hoje tem. Eles foram constituídos grupos sinfônicos aos fraudes presentes e de máquina fotográfica e he/she é oferecido às audições qualificadas públicas pelo rádio, o cinema, o teatro e a televisão. O que é cantado e já dançou nas regiões variadas do he/she de Pátria tem fisionomia altamente a Argentina. MÚSICA ARGENTINA - Cuando Cristóvão Colombo pisou as terras de Domingo Sagrado, as civilizações maias, astecas, Toltecas e Quechua eles praticaram a música. É muito possível que a civilização Agarrada é penetrada lá, ou para as ilhas Aleutianas para a América do Norte, ou levado pelo marina correntes aos custos ocidentais de América do Sul. A certa coisa é que o pentatónica de balança (de 5 sons) de rede Agarrou filiação, era praticou no Peru o mesmo ás na China e Egito. As características dos nativo, os monumentos arquitetônicos deles/delas, as figuras registraram em paredes, colunas, etc., eles demonstram uma penetração oriental na América.
COLONIAL ENGANA
Junto
com os soldados da Espanha e as famílias deles/delas, vieram os padres do
Catolicismo. Estas brigas devidas para destruir as convicções, rito,
ídolos e monumentos de pagamentos do aborígine. O culto Cristão,
especialmente sua liturgia musical, foi implantado para civilizar muitas
destas cidades. O culto que creó Cristão educa de artes e ocupações, he/she
ensinado aos índios para fabrica instrumentos, sinos, etc. Os missionários
levaram a cabo para trabalho notável de cultura, e o catequización de
indígena por meio do he/she de música teve uma importância enorme. Os
índios tiveram presentes naturais surpreendentes, principalmente eles eram
possessos de para ritmo e de condicionar para assimilar a canção
gregoriana da música Cristã. Em seguida a expulsão do Jesuíta Missionário
para Carlos III, o trabalho que estes tinham cumprido sacrifício tanto foi
diluído e foram destruídas muitos documentos e outras fontes históricas. A
música e o teatro tiveram a desenvolvimento reduzido durante os primeiros
anos da Colônia. Porém, durante os anos 1747 às 1770 foi levado fora
algumas funções teatrais em fases improvisadas no Quadrado maior (hoje
Quadrado de maio no Buenos Aires). Com razão da coroação de Fernando VII,
aconteceu várias representações teatrais, em não lugares muito
apropriados. Pelo ano Opera 1757 arado acreditado o Teatro de você e
Comédias que não foi dado boas-vindas com entusiasmo e durante o
viceroyalty de Vértiz, he/she coloniza o Teatro do Domicílio. Durante o
Governo do Vice-rei Ceballos é formado grupos de certo número de
instrumentistas e em 1789 e 1790, uma orquestra de atos de músicos
municipais. Engane depois chega no Buenos Aires o músico catalão Blas
Parera famoso que será levado carga de pólvora pela Assembléia do ano de
XIII de compor a música do Nacional de Vicente Hino López e Planos. GOVERNO FORMA DE GOVERNO E CONSTITUIÇÃO - País de O é organizado através de uma o Representante de República Federal e com Democrático 23 províncias e para Capital Federal, Buenos Aires que três de reconhece dá poder a: executivo, legislativo judicial e. Ou ser capaz a executivo exercido de é descasca he/she de Presidente dá Nação, escolhido para quatro de um comandam anos. Ou ser capaz para representado legislativo descasca he/she de Congresso dá Nação tem duas câmaras. Para Câmara de Deputados, com 254 membros e para Câmara dois com de Senadores 72 membros. Gozam de províncias de ás de autonomia e escolhem suas próprias autoridades. Ou Governador mostra a representação de máximo provinciana.
República presidencialista
Principais partidos: Justicialista (PJ), União Cívica Radical (UCR),
Frente do País Solidário (Frepaso) Legislativo: bicameral – Senado, com 72
membros eleitos por Assembléias Provinciais para mandato de 6 anos; Saúde Leitos hospitalares: 1 por 205 hab. (1987); médicos: 1 por 326 hab. (1988). Educação Analfabetos: 4,7% (1990). Alunos de 1o e 2o graus: 6,8 milhões (1988); professores: 512 mil (1988). Alunos no ensino superior: 755 mil (1987); professores: 75 mil (1987). Investimento: 9,3% do orçamento (1988). Transportes Rodovias: 215,3 mil km; 27% pavimentados (1986); no de veículos: comerciais: 1,5 milhão (1990); automóveis: 4,3 milhões (1990). Ferrovias: 42,4 mil km (1989). Portos: Buenos Aires, Quequen, Rosario, Bahia Blanca. Linhas aéreas: Aerolíneas Argentinas, LAPA (vôos internacionais e domésticos); ALA, LADE (domésticos). Comunicações Receptores de rádio: 1 por 1,5 hab. (1991). Receptores de TV: 1 por 4,5 hab. (1991). Linhas telefônicas: 1 por 8,1 hab. (1989). Jornais: 159 diários (1990); no de exemplares por mil hab.: 88 (1988). Defesa Efetivo total: 65 mil (1992); exército: 35 mil; marinha: 20 mil; força aérea: 10 mil; outros: 17 mil paramilitares. Investimento: 14,3% do orçamento de 1994. IDIOMA Ou idioma oficial dá para República Argentina é ou espanhol. Em Buenos Aires adota ás forma faz "lunfardo", gíria fazem portenho. Em algumas regiões fala-você guarani ou, ou quéchua, ou aymará e próprias de línguas de ás dão minorias indígenas. RELIGIÃO Na Argentina existe liberdade de culto total, ainda que para religião oficial é para romano Apostólico católico. Praticados de São aprenderam ás de outros ou Protestantismo, ou Judaísmo, ou Islamism, para religião grega ortodoxo, para religião russa ortodoxo e outras. Política
Campanha eleitoral -
O Congresso e a Suprema Corte consideram inconstitucional a candidatura de
Menem a um terceiro mandato consecutivo. Em março de 1999, ele desiste de
recandidatar-se. O governista PJ escolhe como candidato para as eleições
presidenciais o governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde.
Seu adversário é o prefeito de Buenos Aires, Fernando de la Rúa (UCR), da
oposicionista Aliança. Nas eleições gerais de outubro de 1999, De la Rúa
vence Duhalde no primeiro turno, com 48,5% contra 38,05% dos votos. O
pleito elege também 130 dos 257 ocupantes da Câmara de Deputados e os
governadores de seis províncias. Com o resultado, a Aliança fica com 127
cadeiras na Câmara - a apenas duas da maioria - e o PJ com 101. O PJ
conquista o governo da província de Buenos Aires, a mais importante do
país, ao eleger Carlos Ruckauf. Os peronistas vencem também nas províncias
de Jujuy e La Pampa, enquanto a Aliança chega ao governo em Chubut, Entre
Ríos e Mendoza. Renúncia & calote - Na última semana antes do natal de 2001, uma dívida externa próxima a 150 bilhões de dólares, recessão de 43 meses, descontrole da economia, desemprego e insatisfações populares, fazem com que o Ministro da Economia Domingo Cavallo e o Presidente Fernando de La Rua renunciem. O substituto tem uma tarefa duríssima: o desmonte do sistema que faz o peso valor um dólar. O governador da Província de San Luís, Adolfo Rodriguez Saá, assume como presidente interino, por escolha do partido peronista, que tem a maioria no Congresso. O presidente interino iria governar por 90 dias e convocar eleições diretas para 03 de março de 2002, para um novo presidente com "mandato-tampão" até Dezembro de 2003 - quando encerraria o mandato de de La Rua. Imediatamente após assumir a presidência, Saá, anunciou o calote da dívida externa (o não pagamento) por tempo indeterminado, determinou feriado bancário até o dia 26.12 inclusive e diversas outras medidas de contenção de despesas, remessa de dólares ao exterior e garantia de empregos à população revoltada. Gigantes multinacionais e bancos somaram enormes prejuízos, como US$ 720 milhões do HSBC, por exemplo. Entretanto até meados de Janeiro de 2002, 4 Presidentes ja haviam assumido o poder em menos de 2 meses e nada estava definido a curto prazo ainda. A população revoltada, num constante quebra-quebra tumultuava ainda mais o problema, em razão do confisco da moeda. O novo direcionamento da política externa Argentina A Argentina, assim como o Brasil, procurava um caminho de adaptação, não apenas ao regime democrático interno, mas também de maior inserção internacional já durante o governo do presidente Raúl Alfonsín. Contudo, vários analistas consideram que foi com o início do governo Menem que ocorreu uma mudança mais radical em relação à definição da política externa, na tentativa de estabilizar a economia, retomar o crescimento e participar mais ativamente da construção do novo cenário internacional, tendo como ponto fundamental para atingir tais objetivos, o fortalecimento da relação com os Estados Unidos. A Argentina adotou um modelo para a condução da política externa, denominada de "realismo periférico". O cientista político Carlos Escudé define muito claramente esta política: "essa política chamada realismo periférico está fundamentada no fato de que um país dependente, vulnerável e pouco estratégico para os interesses vitais dos Estados Unidos, como a Argentina, deve eliminar suas confrontações políticas com as grandes potências. (...) A política exterior de um país deve ter, portanto, o perfil mais baixo possível e deve adaptar seus objetivos políticos aos da superpotência dominante na sua região"1 , neste caso os Estados Unidos. A questão é que a Argentina iniciava também uma política de maior aproximação com o Brasil, tentando superar os longos anos de rivalidade, principalmente a partir do impulso determinado pela política de expansão comercial, mas havia um claro interesse em se aproximar do Nafta, mais especificamente dos Estados Unidos. Porque sua integração ao bloco do Norte era encarada como um passo decisivo para modernizar a economia e aumentar sua eficiência e competitividade. A integração com o Brasil através do Mercosul significava, então, a possibilidade de aumentar o poder de barganha para futuras negociações com os EUA. Não apenas analistas e políticos argentinos, mas também brasileiros viam a alternativa dos Estados Unidos como a mais viável para a Argentina naquele momento, em detrimento da prioridade à aproximação com o Brasil. Podemos confirmar isso através da afirmação do então deputado, José Serra: "só os Estados Unidos podem dar à Argentina aquilo que ela desesperadamente necessita: uma injeção maciça e prolongada de investimentos que reforcem o câmbio, equilibrem a balança de pagamentos e consolidem em definitivo o programa econômico Menem-Cavallo". Essa política indicava, como afirma Carlos Escudé, a aceitação da liderança dos Estados Unidos no hemisfério ocidental no mundo pós-Guerra Fria e não era considerada uma política de "alinhamento automático" às decisões norte-americanas. Ao contrário, era a forma encontrada pela Argentina de ocupar um espaço no cenário internacional, através de uma percepção que reconhecia o seu poder efetivo e o seu papel no mundo. Nesse contexto, tínhamos o fortalecimento do Mercosul como a possibilidade de aumentar o poder de negociação da Argentina com os Estados Unidos. Porém, a ampliação de uma zona de preferencialização com este país colocava uma perspectiva de integração assimétrica, onde haveria custos setoriais de ajustamento e custos de adesão. Essa relação comercial entre os Estados Unidos e os países do Mercosul, de forma geral, implicaria em admitir que os custos dos ajustes necessários à aproximação recairiam, desproporcionalmente, sobre os países latino-americanos. Com a aprovação do Nafta pelo Congresso norte-americano, em janeiro de 1994, temia-se pelo comprometimento do Mercosul, já que a Argentina era considerada hesitante nos compromissos com este segundo processo, sendo que o principal objetivo da sua estratégia política era a aproximação com os Estados Unidos. Isto quer dizer que o Mercosul simplesmente representava uma boa opção para a Argentina, na medida em que permitisse a extensão das negociações com o Nafta (GUILHON ALBUQUERQUE, 1994). Ainda no início de 1994, o Chanceler argentino Guido Di Tella confirmava a prioridade da política externa argentina em reforçar o relacionamento com os Estados Unidos. Isso, de certa forma, entrava em conflito com o processo do Mercosul. Por um lado, Menem não poderia deixar de lado o Mercosul e a aproximação com o Brasil que já vinha produzindo resultados positivos no que se referia ao aumento das exportações. Mas o que o governo argentino realmente pretendia era o reconhecimento americano ao plano de estabilização e ajuste econômico do ministro Cavallo. O convite para ingressar no Nafta, que significava ganhar a credibilidade norte-americana, era tudo o que os argentinos queriam. A Argentina: do Nafta ao Mercosul Entretanto, a partir de 1994, a Argentina modificou o direcionamento da sua política externa, no sentido de dar prioridade ao Mercosul, compatibilizando esta posição com a proximidade dos Estados Unidos. Isso aconteceu, basicamente, com a evolução e fortalecimento do Mercosul, superando diversas assimetrias (embora várias delas ainda permaneçam) e mostrando números que marcavam com muito destaque, o incremento do intercâmbio comercial. O Mercosul consolidou-se, ao se tornar cada vez mais atraente aos investimentos externos. O setor empresarial, considerado o motor propulsor do processo de integração (tomado no sentido da negociação inicial de uma zona de livre comércio), não apenas aumentou sua participação, incrementando o intercâmbio comercial, mas também negociando temas relevantes como aumento da competitividade internacional e transferência de tecnologia. No início do processo, havia uma realidade que mostrava o Mercosul como um projeto promissor no que dizia respeito à expansão dos negócios, mas pouco se acreditava na sua consolidação como estratégia política governamental. Como procurei destacar, o Mercosul era visto, pela Argentina, apenas como um instrumento para aproximação dos Estados Unidos e não era visto como um projeto em si mesmo, portanto a perspectiva inicial do projeto de integração do Mercosul era uma forma dos países membros atingirem outros objetivos considerados de caráter prioritário ou mais adequado aos seus interesse mais imediatos. Durante os quatro anos de existência, o Mercosul avançou de forma bastante rápida, afirmando-se como processo político e não apenas econômico. Isto modificou a atitude da Argentina em relação ao Mercosul e, consequentemente, aos Estados Unidos. Não mais mantendo uma política de "alinhamento" aos EUA, a Argentina passou a ver o Mercosul como um processo de afirmação do país no contexto internacional a partir da inevitabilidade da cooperação. Como bem avaliou José Augusto Guilhon Albuquerque, "a carta principal do governo argentino, no plano do comércio exterior e da cooperação econômica ainda é o Mercosul ou, mais precisamente, o Brasil". E a Argentina parece ter percebido isso. É interessante notar a dependência entre a definição das estratégias de política externa e das políticas domésticas. Atualmente há dificuldades de se prever o que vai acontecer com a política nacional argentina; o que se pode verificar é que o governo percebeu que o processo de integração regional está diretamente relacionado com os planos de estabilização da economia. Neste contexto, a Chancelaria argentina, buscando a inserção internacional como global trader, procura adaptar a política externa à nova realidade interna de estabilização econômica. (TACHINARDI, 1995). É possível verificar a mudança não somente nas atitudes governamentais, mas também na avaliação dos analistas políticos e nos discursos oficiais: mudou o direcionamento da política externa argentina e a política de estabilização interna da economia (na Argentina e no Brasil) mostrou-se necessária à própria continuidade da política de integração regional. O governo argentino, após ter alcançado a estabilização da economia e conseguido o aval norte-americano, viu a inevitabilidade de se aproximar do Brasil, para fortalecer sua presença internacional: "O alinhamento da Argentina com os EUA tem um caráter claramente instrumental com respeito ao plano de estabilidade e transformação da economia executado por Domingo Cavallo. É uma das chaves da mudança experimentada pelo país nos últimos cinco anos. Agora deve alcançar um grau superior de sofisticação. Isso faz parte de um jogo triangular no qual a presença do Brasil é iniludível. (...) Os protagonistas da política externa, em primeiro lugar Carlos Menem, conceberam o alinhamento com os Estados Unidos com um caráter instrumental relativamente ao programa econômico de tranformação" (CASTRO, 1995). De acordo com J.A. Guilhon Albuquerque, embora se tenha certeza de que as necessidades de negociação e de ajustes serão permanentes, o Mercosul alcançou um estágio de interdependência que se tornou difícil de reverter e que força a cooperação4 , particularmente com o Brasil. Tanto que o avanço nas negociações do Mercosul indicou uma mudança importante no direcionamento da agenda de política externa argentina que, desde o início dos trabalhos da Reunião Ministerial de agosto de 1994, quando se negociou a Tarifa Externa Comum, mostrou o interesse maior pela integração com o Brasil, verificando a inevitabilidade do processo e a necessidade de aproximar-se de forma mais permanente ao Brasil, agora não visando apenas à integração posterior ao Nafta, mas admitindo a possibilidade de maior inserção internacional, dentro das características do atual cenário de mudanças. A Argentina, desde então, tem cumprido as normas adotadas pelo Conselho do Mercado Comum e tem se empenhado nas negociações. Mesmo tendo setores que foram afetados de forma negativa pela integração, particularmente por não serem competitivos com os produtos brasileiros (como o caso da cana-de açúcar e papel e celulose), o governo argentino deu início a um processo de reconversão dessas indústrias, normalmente caracterizadas por serem empresas de médio e pequeno portes e totalmente defasadas em termos de tecnologia quando comparadas ao nível brasileiro. O que é importante notar é a clara diferença entre as atitudes brasileira e argentina no que se refere à condução do Mercosul. Em várias entrevistas feitas com pessoas do governo e empresários argentinos e brasileiros, pude verificar que existe uma interação entre os diplomatas argentinos que negociam as pautas do Mercosul, os empresários e técnicos especializados em cada tema setorial. Além disso, na Argentina, cada tema é discutido antecipadamente às reuniões de negociação, tornando os trabalhos mais fáceis. É interessante verificar a percepção, tanto do governo quanto do empresariado argentino em relação ao Mercosul: essa percepção é positiva, principalmente diante da implantação do Plano Real e da eleição de Fernando Henrique Cardoso à presidência da República em 1994. O que vale observar é que os atores argentinos viam esses dois fatos como a possibilidade definitiva da Argentina cooperar com o Brasil, dentro de um relacionamento mais estável e previsível, isto é, o Mercosul - e conseqüentemente o relacionamento com o Brasil - era percebido positivamente. O fortalecimento do Mercosul tornou-se patente a partir do momento em que outros países como Chile, Bolívia e Venezuela e também a União Européia mostraram-se interessados em intensificar os acordos que permitiriam maior proximidade do bloco e posterior ingresso no projeto integracionista aos países da América do Sul. Este fato acabou por mostrar a credibilidade e a importância do Mercosul. Na realidade, para os argentinos, o fato do Chile, um país que deu certo no seu processo de liberalização econômica e estabilidade política e foi o primeiro a ser aceito na lista dos Estados Unidos para ingressar no Nafta, estar interessado no Mercosul dava uma espécie de endosso ao processo. Assim, a Argentina tornou a integração regional uma prioridade do governo, conseguindo adaptar o seu relacionamento com os Estados Unidos à busca da sua pretensa posição de global trader e sabe que precisa do Mercosul (particularmente do Brasil) para afirmar-se não apenas no próprio Cone Sul, mas também internacionalmente, isto é, a Argentina percebeu que a melhor estratégia para ocupar essa posição frente às negociações com os Estados Unidos seria apostar na consolidação do Mercosul. Portanto, o Mercosul tornou-se, não apenas pelo impacto econômico que produziu, mas também pelo avanço político que representou, uma necessidade e um projeto importante para a Argentina, assim como para o Brasil. Não se pode negar a importância de manter relações multilaterais, mas é preciso também manter uma prioridade clara no que se refere à política externa. É neste sentido que o Mercosul deve ser visto como a via mais fácil para os países do Cone Sul se afirmarem no plano internacional e negociarem com países de outras regiões que também caminham para a consolidação de blocos regionais de comércio.
MOEDA - A argentino moeda oficial é ou peso, cujo avaliaram é equivalente a dólar de um de Estados Unidos e ele de com de flutua. Existem nota 1, 2, 5, 10, 20, 50 e 100 pesos e moedas de 1, 2 e 5 pesos e também de 1, 5, 10, 25 e 50 centavos. O PAÍS - A Argentina possui a mais elevada renda per capita e um dos melhores índices de desenvolvimento humano (IDH) da América do Sul . Mas enfrenta sérios problemas, como o desemprego, cuja taxa dobrou na última década. No oeste de seu território, o segundo maior do continente, está a cordilheira dos Andes, onde se localiza o ponto mais alto das Américas, o pico Aconcágua. No norte, encontram-se as férteis e quentes planícies do Chaco e da Mesopotâmia (área entre os rios Uruguai e Paraná). No centro, predominam os pampas, pólo agropecuário. No sul, a Patagônia, região árida e fria, abriga uma variada fauna marinha, que inclui pingüins, leões-marinhos e baleias. Cerca de um terço dos argentinos vive na capital e na província de Buenos Aires. A maioria é de origem européia, sobretudo espanhola, italiana, alemã e eslava. No norte do país, quase 50% da população é formada por mestiços de índios e europeus. Essa diferença étnica se reflete na cultura: enquanto o tango é o ritmo de Buenos Aires, no interior destacam-se vários tipos de música folclórica, de influência indígena. Grande produtora de carne e cereais e rica em minérios, a Argentina é a principal parceira do Brasil no Mercosul. Economia Composição: agricultura: 7,3%; indústria: 27,6%; mineração: 2,3%; serviços: 54,2% do PIB (1993). Agricultura: trigo, milho, sorgo, soja. Pecuária: bovinos, ovinos, suínos. Pesca: 640,6 mil t (1991). Indústria: alimentícia, química, equipamentos de transporte e papel. Minerais: petróleo, gás natural, carvão, linhita. Exportações: US$ 13,1 bilhões (1993); produtos: cereais, óleos e gorduras, óleos de petróleo, autopeças (1993). Importações: US$ 16,8 bilhões (1993); produtos: bens de capital, automóveis, químicos, minerais (1993). Parceiros comerciais: Brasil, EUA, Holanda (Países Baixos), Itália e Espanha. Pesos e medidas: sistema métrico decimal. Produto Interno Bruto (PIB): US$ 253 bilhões (1993); renda per capita: US$ 6.050 (1992); Inflação anual: 7,4%, índice de preços ao consumidor (1993). Dívida externa: US$ 60 bilhões (dezembro de 1993). Força de trabalho: 12,5 milhões (1993). Desemprego: 9,6% (1993). O mundo inteiro sentia que a Argentina, um dos mais importantes países da América Latina, vivia uma série crise, sem poder atender às exigências draconianas do FMI e dos credores internacionais e que vinha sacrificando, de forma excessiva, as condições de vida de sua população, a fim de atender aos seus avaros credores. Fernando de la Rúa, que havia sido eleito com a esperança de que a conduzisse, com altivez e equilíbrio, pelos caminhos difíceis a percorrer, lançou-se nos braços dos credores internacionais, passou a adorar o Deus "mercado" e chamou o ministro Cavalo, que fora homem forte no Governo Menem, para dirigir a economia argentina. Homem de confiança do FMI, poderia sacrificar o povo argentino para atender às exigências dos seus patrões. Mas a paciência do povo tem limites e a população de Buenos Aires saiu às ruas, como fizera a de Paris, em 1789, em direção à Bastilha e marchou para a Praça de Maio e a Casa Rosada, exigindo o respeito do homem que havia sido eleito, dois anos antes, presidente, mas que se mostrara subserviente diante das organizações financeiras internacionais. E mais uma vez, o povo unido não foi vencido pela violência governamental, e o presidente, mas que se mostrara subserviente diante das organizações financeiras internacionais. E mais uma vez, o povo unido não foi vencido pela violência governamental, e o presidente foi forçado a renunciar. Esse episódio, porém, pode ser uma redenção, se os novos governantes tiverem a vontade política de servir ao povo, de atender aos seus reclamos, ao invés de se prostar diante do mercado, do capital financeiro internacional. Por mais que se queira disfarçar, os brasileiros olham preocupados para os fatos que se desenrolam na Argentina. Todos nós tememos que o Brasil seja a próxima vítima e esperamos que a doutrina monetarista e neo-liberal seja afastada da política brasileira, a fim de que se possa sobreviver. Ao observarmos os problemas argentinos, sentimos que a mídia se mostra dividida; há os que procuram atribuir o desastre argentino ao populismo, ao peronismo que nos anos 50 concedeu uma série de direitos ao povo, procurando alicerçar um sistema de assistência médico-social e de educação, dos mais eficientes da América do Sul. Por outro lado, há os que admitem que a crise foi provocada pelas perturbações políticas, com golpes militares nos principais países latino-americanos, como o Brasil, o Uruguai, o Chile, a Venezuela, a Bolívia e, como não podia deixar de ser, a Argentina foi também atingida por esta desestabilização e pela quebra da constitucionalidade, muito simpática, na ocasião, às grandes potências mundiais. Os regimes fortes trouxeram com eles a violência, o desrespeito aos direitos humanos, o desequilíbrio econômico e a queda das condições de vida da população, estimulando a corrupção e permitindo a queda do padrão de vida da mesma. Os capitais internacionais financeiros passaram a acelerar a exploração dos países do Terceiro Mundo que possuíam um certo nível de industrialização, e a Argentina tornou-se vítima da cobiça internacional, do capitalismo na sua fase mais acentuada, a do globalismo, que vem sucedendo o imperialismo. Os governos auto-denominados de democráticos foram dóceis às imposições globalizadoras, alegando que a globalização era inevitável, e passaram a retirar do povo os direitos que ele havia conquistado em lutas contínuas, passando a tomar medidas que enfraqueciam os movimentos sindicais, abolindo, depois as conquistas sociais, como estabilidade no emprego, indenização por tempo de serviço, limitação das férias anuais remuneradas e licença-maternidade etc. Procuraram anular as vantagens concedidas aos aposentados, reduzindo os seus proventos, destruir o ensino público e os trabalhos de pesquisa, alegando estar contribuindo para tornar o país mais produtivo e mais rico. A participação política do povo foi cerceada para que as oligarquias melhor se organizassem e impusessem a sua vontade. Só faltou restabelecer legalmente a escravidão, porque a escravidão disfarçada já ocorre e é denunciada em vários países sul-americanos. A nós cabe olhar com simpatia e solidariedade o que está ocorrendo na Argentina, que luta ferozmente para ser ela mesma, e fazer votos de que essa luta seja um ponto de partida, uma advertência, para que se ponha um paradeiro no sistema neo-liberal, no controle social.
A Argentina (1) Segundo maior parceiro comercial do Brasil, depois apenas dos Estados Unidos; (2) Segundo país em em extensão territorial da América Latina; (3) A grande vítima da globalização, graças a aplicação de uma política de manutenção da taxa de câmbio, em paridade com o dólar, e a privatização dos bens nacionais, como resultado de sua submissão a política do FMI; (4) País mais consciente de suas origens européias; (5) Possui forte produção agrícola de trigo, milho e carne, produtos altamente valorizados no mercado externo; (6) Expressivo produtor de petróleo; (7) conseguiu suplantar as grandes divergências entre a cidade de Buenos Aires e suas províncias; (8) conseguiu uma expressiva renda per capita e um expressivo nível de escolarização, levando os argentinos a se achar superiores aos seus vizinhos sul americanos por muitos anos. O orgulho argentino levou a evitar a sua participação em conclaves de países da América do Sul; 9) A dolarização entre os países na América Latina teve início em 1991 na Argentina, tendo adeptos da paridade cambial no Equador, Panamá, El Salvador e Guatemala. Lições e números da crise Argentina O Brasil tem 3 vezes a extensão da Argentina e 4,3 a sua população. Mas há 40 anos, éramos apenas 3,5 vezes mais populosos (75 e 21 milhões, em números redondos). Aconteceu que a gente brasileira mais do que duplicou até a virada do milênio, e a Argentina só cresceu 60%. Uma curiosidade: Buenos Aires (com seus arredores) tinha, dos anos 50 a 60, mais habitantes do que São Paulo e Rio juntas. Hoje, a Grande São Paulo bate Buenos Aires por mais de 4 milhões de habitantes. Esses dados não têm muito a ver com os elementos jurídicos dos quais são importantes para que se compreenda por que fracassaram até aqui, as previsões de que a crise Argentina levaria o Brasil a situações tão difíceis quanto as que abalam o país do sul. Há uma diferença a considerar: a renda per capita anda por lá na casa dos US$ 8 mil e aqui ainda não atingiu US$ 5 mil, mesmo sabendo-se que nosso Produtos INterno Bruto vai para uns US$ 800 bilhões e o deles poderá chegar a algo como US$ 300 bilhões. No fim da primeira metade do século passado, 70% da população brasileira vivia na zona rural, em índice reduzido para 20% em 2000. Na Argentina ,apenas 10% da População mora no campo. E mais de um terço de todos os argentinos mora na Grande Buenos Aires. Não é muito difícil entender porque a Argentina está do jeito que está. O país misturou o populismo irresponsável do então presidente à época da dolarização, Carlos Menem, com um servilismo irrestrito ao neoliberalismo . Sucateou boa parte de uma sólida infra-estrutura estatal e abriu a porta ao desemprego. Para piorar esse coquetel Molotov, ainda optou por uma política cambial suicida. Há 25 anos, 9 % dos argentinos viviam em estado de pobreza. Hoje são 38%. Não é a toa que a Argentina é o país que concentra a maior quantidade de protestos populares da América do Sul Uma análise sobre a crise econômica na Argentina. Um dos grandes obstáculos ao encaminhamento de soluções para a crise Argentina é a persistente fragilidade fiscal que acompanha o país há décadas. Não são "dificuldades para zerar o déficit", mito a que se procurou reduzir o debate sobre finanças públicas nos últimos anos. O problema é mais amplo: o Estado tem baixa capacidade fiscal e financeira para atuar de modo contracíclico nas crises e para absorver e refinanciar os passivos gerados por crises cambiais em economias dependentes. A receita do setor público é pequena, menos de 20% do PIB nos últimos anos (contra mais que 30% do PIB no Chile e no Brasil), e tende a cair com a desaceleração econômica, dado o peso exagerado dos impostos indiretos. É difícil obter receitas extraordinárias em momentos de crise; além da rigidez da estrutura tributária, as dimensões reduzidas do mercado financeiro doméstico dificultam a colocação de dívida adicional, a não ser por meios compulsórios. Resulta daí a tendência à imobilização do setor público nos momentos em que deveria se antecipar às crises. A inusitada resistência da conversibilidade se explica em boa medida pela ausência de instrumentos que permitam ao setor público lidar com os violentos desequilíbrios financeiros que acompanham uma desvalorização. Além de sofrer perdas patrimoniais consideráveis, empresas e indivíduos que devem em dólares e têm receitas em pesos poderiam ser levados à inadimplência e arrastar o sistema bancário. O problema não desapareceria com a "pesificação" prévia, a conversão compulsória dos contratos para pesos antes de flutuar o câmbio. Essa parece ser a proposta mais razoável e justa, pois eliminaria boa parte dos problemas imediatos das pessoas e das empresas pequenas e médias endividadas em dólar. Os problemas ficariam concentrados nos bancos e nas empresas endividadas no exterior. Também não seriam pequenos os riscos daí decorrentes. A experiência das últimas décadas reafirmou que crises cambiais em economias dependentes tendem a ser acompanhadas por crises financeiras cujo equacionamento demanda forte intervenção do Estado para arbitrar a assunção das perdas, estabilizar o sistema bancário e viabilizar a reciclagem dos passivos. Tudo requer capacidade fiscal e financeira do Estado. O sistema financeiro argentino tem em empréstimos e financiamentos concedidos, mas de 78% são em dólares. Na mais de uma década que a conversibilidade sobreviveu no país, se tornou normal as pessoas contraírem dívidas atreladas ao dólar. Grande parte dessa dívida em dólares é formada por financiamentos hipotecários. A dolarização à taxa de um peso por um dólar representou aferrolhar a Argentina a uma economia de alto custo, tornando suas exportações menos competitivas. O sistema conhecido como conversibilidade, matou a hiperinflação, mas veio a ser amplamente criticado por conduzir a Argentina a uma recessão ainda mais profunda, que já está em seu quarto ano. A difícil transição argentina. Mais que a taxa de câmbio, é todo o sistema de preços que precisará ser reconstruído, com graus variados e ainda incertos de intervenção estatal. Os critérios de reajuste das tarifas públicas serão desdolarizados? as empresas do setor forma privatizadas e desnacionalizadas. Tomaram dívidas em dólar. É o equilíbrio financeiro e portanto a própria viabilidade operacional dessas empresas que está em jogo com o abandono da política ultraliberal. A guinada intervencionista, no entanto, também pode ter custos fiscais. Um congelamento de tarifas ou a renegociação de dívidas de concessionárias de serviços públicos geram pressão para que o governo compense com subsídios à custa da arrecadação futura. Mas qual será essa arrecadação, se o ajuste fiscal depende também do grau de sacrifício a que se conseguirá submeter os credores que emprestaram ao governo em dólares? A paralisia no sistema de preços provoca a paralisia dos mecanismos de distribuição. A retenção de produtos e o surgimento de mercados negros são reações inevitáveis. Embora as dificuldades para mudar um regime cambial sejam enormes, fica a impressão de que finalmente o paciente começa a ser tratado. Não é verdade que a Argentina se recusou a adotar medidas duas. Mas de nada adianta esbanjar coragem e determinação amputando a mão errada. Remédios amargos como0 a redução de salários nominais e o bloqueio de depósitos (o famigerado "corralito") foram adotados durante a administração De La Rúa sem que no entanto se eliminasse o artificialismo do câmbio sobrevalorizado. Pelo menos o pacote submetido ao Congresso retira o excesso de rigidez do regime cambial anterior - paridade 1 peso = 1 dólar - e não padece de inconstância. Por sua vez, a disposição de angariar apoio interno mediante um governo de união nacional e apoio externo por meio da retomada de negociações com os organismos unilaterais constituiu condição necessária para o sucesso do programa. Todavia, está longe de representar uma condição suficiente. A maior dificuldade da transição é evitar que as inevitáveis perdas decorrentes da mudança do cambio desorganizam ainda mais o sistema econômico. · o primeiro problema é a ultrapassagem da taxa de cambio, uma vez liberada, a cotação da moeda estrangeira tende a atingir níveis superiores àquele que deveria ser seu equilíbrio no longo prazo. · o segundo problema é a pressão inflacionária que virá de duas fontes principais: do repasse da taxa de cambio, que vai encarecer os produtos do comércio exterior, em particular os importados, em proporção direta do grau de ultrapassagem da taxa de cambio. · o terceiro problema está associado ao ajuste de preços contratuais dos vários setores regulados que forma privatizados sob regimes de concessão. Na maioria dos casos, os regimes tarifários embutiam a paridade com o dólar. · o quarto problema consiste em arbitrar perdas entre devedores e credores. Qualquer excesso em favor de um grupo ou de outro pode levar à quebra do sistema. · o quinto e de longe o mais difícil problema reside no descompasso entre o imperativo de austeridade monetária e fiscal no curto prazo e as legítimas expectativas de retomada da economia por parte da população.
Rico como um argentino – ou, em sua concepção original, em francês, riche comme un argentin. Assim eram definidos os turistas que, ao desembarcar em Paris, no início do século XX, gastavam dinheiro sem pudor, fossem eles platenses ou não. Era uma definição extraída do modo de vida de um país que vivia muitíssimo bem. As estatísticas da Argentina contam um pouco daquele tempo de fausto, em que as exportações de carne e trigo a transformaram na sétima economia do mundo. Com dinheiro britânico, ergueu-se uma vasta malha ferroviária. Em 1915, eram 35 mil quilômetros de trilhos – a oitava rede do planeta e a terceira do Ocidente, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá. O Teatro Colón rivalizava com a Ópera parisiense. A Avenida 9 de Julho era mais larga que a Champs-Élysées, um feito e tanto. Os argentinos da oligarquia, que saíam do campo para viver na cidade, tinham em média US$75,7 depositados nos bancos, segundo dados de 1913. A média brasileira era de US$ 9,4. Mais de 85% das empresas privadas pertenciam aos imigrantes europeus que decidiram fazer a América ao sul. O escritor inglês James Bryce, diplomata e homem de letras, ao retornar de uma viagem a Buenos Aires, definiu a Argentina com uma comparação sucinta: "São os Estados Unidos do Hemisfério Sul". A queda argentina, a passagem da riqueza à bancarrota, é um dos grandes enigmas históricos dos últimos 100 anos. Por que, afinal de contas, uma nação fértil, de território produtivo, com a população alfabetizada e orgulhosa, inicia o novo século como símbolo do fracasso? Por que uma das nações mais ricas de 1900 caiu para o 34o posto do ranking estabelecido pelo Banco Mundial com base no PIB? "As respostas são múltiplas, mas todas elas convergem para a incompetência da classe política", diz o sociólogo Atílio Boron, secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais. Boron atribui os passos erráticos da Argentina a uma desastrosa herança deixada pela polarização entre o peronismo e o não-peronismo. Depois de 1950, nenhum dos presidentes eleitos pela União Cívica Radical – de oposição ao Partido Justicialista, inspirado nas idéias de Juan Domingo Perón – terminou o mandato. Raúl Alfonsín, da UCR, renunciou cinco meses antes da posse do presidente eleito, Carlos Menem, em 1989, devastado por uma inflação de 5.000%. Fernando de la Rúa arrumou as gavetas ao completar dois anos de mandato, em 19 de dezembro passado, derrotado pelo panelaço e pela falência do modelo econômico da paridade de 1 dólar para 1 peso. O raciocínio de Boron, ancorado no peronismo, peca num ponto específico e fundamental. A divisão do país não impediu que a Argentina chegasse aos anos 60 como uma nação em que o modo de vida em muito se assemelhava ao da Europa. Perón pode ter rachado o país – mas a política de pleno emprego e os benefícios do Estado provedor imaginados pelo caudilho pavimentaram a estrada para que a Argentina se transformasse em modelo de sucesso no continente. As taxas de analfabetismo são quase nulas, num sistema escolar calcado no modelo britânico. Ruas limpas, cafés elegantes e vastas livrarias fazem de Buenos Aires uma cidade que se compara a Paris. A Argentina dá-se ao luxo de ter o maior número de psicólogos e psicanalistas per capita do planeta. Na América do Sul, ela sempre foi exemplo de vitória – e, mesmo nos atuais dias de caos, Buenos Aires permanece de cabeça em pé. O problema, percebe-se hoje, foi não ter acertado as contas com a modernidade no final do século XX. A rigor, a derrocada de 2001, ao fim de uma década da convertibilidade, é menos produto das tristes mazelas peronistas e mais o resultado de uma fraude conservadora dos monetaristas de Chicago. A sensação de farsa, com peronistas que mudam de cor e radicais que são meros fantasmas, num teatro cínico, é fruto da impressão de que os destinos da nação estavam sendo resolvidos além de suas fronteiras, em bancas internacionais. Foram anos de ilusão que culminaram numa fratura. O relacionamento com os Estados Unidos, durante os dois governos de Carlos Menem, de 1989 a 1999, foi uma espécie de lua-de-mel em que o parceiro que falava inglês ditava os passos daquele que se expressava em castelhano. O país ajustou-se em torno da visão econômica de Washington. Ela consistia em privatizar as empresas estatais e desregular a economia de mercado. A Argentina se aproximou tanto dos Estados Unidos, em relações definidas pelo chanceler Guido di Tella como "carnais", que Fidel Castro chegou a alcunhar o país de "lambe-botas dos americanos". A convertibilidade do 1 a 1 foi invenção de Domingo Cavallo, e não dos Estados Unidos. "É certo que, ao não impor um determinado mecanismo, os Estados Unidos não foram os responsáveis, de forma direta, pelos problemas da Argentina", diz Manuel Pastor, professor da Universidade da Califórnia. "Mas é inegável que os americanos ofereceram a toda a América Latina a liberalização e a privatização da economia. Receitaram os remédios, mas esqueceram de preparar o soro no caso de eles se mostrarem tóxicos. Foi o que aconteceu." O namoro com os Estados Unidos nem sempre foi amistoso. Nos anos 70, a preocupação do presidente americano Jimmy Carter com os direitos humanos pressionou os governos militares argentinos, que chegaram ao poder com o golpe de 1976. Mais tarde, quando a administração de Ronald Reagan se opôs aos esforços dos generais argentinos na reconquista das Ilhas Malvinas, na guerra de 1982, encerrada depois de 72 dias com uma derrota humilhante, os militares argentinos ficaram acuados. Perderam o poder para os radicais de Raúl Alfonsín. Aherança dos oito anos da ditadura inaugurada pelo general Jorge Videla até hoje sangra a Argentina. Foram 30 mil mortos ou desaparecidos, bebês roubados de prisioneiras grávidas e inúmeros casos de corrupção. Ao autoritarismo carniceiro dos militares somou-se uma conduta econômica que ajudou a empurrar o país para o abismo. Segundo o ministro da Economia, Martínez de Hoz, fiel escudeiro econômico de Videla de 1976 a 1981, "dava no mesmo produzir aço ou caramelos". Com ele, a indústria argentina quase virou sucata. Encolheu 23% em cinco anos. A dívida externa triplicou de 1979 a 1980, chegando aos US$ 29 bilhões. O escritor Jorge Luis Borges, já falecido, um dos grandes nomes da literatura de língua espanhola, para muitos um criador da estatura de Miguel de Cervantes, atravessou dezenas de crises econômicas argentinas e mudanças de câmbio. Em um texto de 1950, "A História do Tango", ele preferiu colar os desmandos econômicos ao comportamento do argentino médio, que, "diferentemente dos americanos do Norte e de quase todos os europeus, não se identifica com o Estado". Borges, ferino, foi ainda mais longe: "O Estado é impessoal. O argentino só concebe uma relação pessoal. Por isso, para ele, roubar dinheiro público não é crime". O comentário irônico de Borges ajuda a compreender um pouco da personalidade argentina – e, de alguma forma, induz a imaginar que o zelo com o dinheiro público nunca foi prioridade do país. Por isso ele teria atravessado os 100 últimos anos numa gangorra econômica. É uma idéia provocativa, que tenta encaixar o povo numa categoria única – mas a História demonstra que a Argentina, nos últimos anos, olhava o espelho e não enxergava a si mesma. As panelas avisam que chegou a hora de achar um novo caminho para o país. Pobreza na Argentina A pobreza aumentou na Argentina e já alcança 53,8% da população, o que equivale a mais de 19 milhões de pessoas do total de 36 milhões de habitantes. Esses pobres vivem em lares onde o rendimento médio é inferior a 600 pesos (US$ 167). E a tendência é o quadro piorar: estudos prevêem que o número de pobres chegue a 23 milhões (63% da população) em 2003. Uma pesquisa realizada pelo Sistema de Informação, Monitoramento e Avaliação de Programas Sociais (Siempro) do Governo argentino revelou que 8,4 milhões de argentinos vivem na indigência, com rendimentos familiares inferiores a 300 pesos (US$ 84). Os menores de 18 anos na pobreza são 8,6 milhões. Corrientes, a 950 quilômetros de Buenos Aires, uma província limítrofe com Brasil e Paraguai, onde foram denunciados casos de crianças que comem terra, lidera o ranking com 71% de seus habitantes vivendo abaixo da linha da pobreza, seguida da vizinha Formosa (70,5%) e Chaco (70%), todas no nordeste, segundo o site do Siempro na Internet. Nunca o índice de pobreza foi tão alto e o de ocupação tão baixo na Argentina, país que registra a pior crise econômica em um século. Quase seis milhões das 14 milhões de pessoas na faixa da População Economicamente Ativa (PEA) têm problemas em relação ao trabalho. São 3 milhões de desempregados (21,5%) e 2,6 milhões de subempregados (18,6%) que trabalham menos de 35 horas semanais para a subsistência, segundo dados oficiais. Desde que começou a recessão, em 1998, a pobreza cresceu 74,8% na Argentina enquanto que o incremento da indigência alcançou 303%. O Governo reconhece que a desvalorização do peso em 70% desde janeiro passado gerou uma espiral inflacionária (34,7% nesse período), o que causou um forte impacto nos lares mais humildes devido a um maior aumento dos preços dos produtos de primeira necessidade. "A desvalorização produziu uma retomada da inflação que teve seqüelas muito mais graves nos lares com menores recursos: o aumento de preços dos produtos básicos foi maior que o de outros bens", admitiu o Governo. Tudo isso, num país que produz 75 milhões de toneladas de alimentos, que lhe garantem o lugar de primeiro produtor mundial per capita, com condições de alimentar 200 milhões de pessoas (mais de três vezes a população da França), segundo Fernando Vilela, reitor da Faculdade estatal de Agronomia de Buenos Aires. Segundo Vilela, "a Argentina produziu na última colheita cerca de 70 milhões de grãos, quatro a seis milhões de toneladas de carnes, frutas e verduras, o que representa dois milhões de toneladas de alimentos por habitante" "Isso corresponde a seis vezes o necessário para a alimentação adequada de uma pessoa (2,5 mil a 3 mil calorias diárias)", disse ele à imprensa, lembrando um estudo apresentado num seminário da universidade com o nome sugestivo, Fome no Celeiro do Mundo. Segundo o economista Claudio Lozano, do Centro de Estudos da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), que faz oposição ao Governo, a situação social vai piorar em 2003. No próximo ano, de acordo com ele, a estimativa é que haverá 23 milhões de pobres e entre eles, 10,8 milhões de indigentes. O Governo, através do Siempro, calcula que, para solucionar a emergência social, precisará de 21,2 bilhões de pesos (US$ 5,9 bilhões), dos quais 18 bilhões seriam destinados à eliminação da pobreza e o restante, aos indigentes. 53,8% do total da população na Argentina são considerados pobres. Isto equivale a 19 milhões de pessoas do total de 36 milhões de habitantes do país em 2002. O rendimento médio nestes lares é inferior a 600 pesos (US$ 167) Estudos prevêem que o número de pobres chegue a 23 milhões (63% da população) em 2003.
Calcula-se que nos últimos anos, aproximadamente 150 mil argentinos deixaram o país. Mas, a partir de dezembro passado, há filas permanentes nos consulados estrangeiros para solicitar vistos e 76% da juventude declara desejo de emigrar. Os trabalhadores estrangeiros de países vizinhos – especialmente bolivianos, paraguaios, peruanos e uruguaios – começaram a retornar aos seus países. A comunidade judaica argentina (uma das maiores do mundo) também sofre um êxodo inusitado. Muita gente prefere viver no clima de guerra e insegurança de Israel a enfrentar a falta de trabalho e perspectivas na Argentina. Ainda é cedo para saber o movimento migratório ao Brasil, mas é visível o fluxo maior nas fronteiras e nos pedidos de visto. Também é notória a mudança de humor da Polícia Federal brasileira que, quando os turistas argentinos gastavam seus dólares no país, costumava conceder sem problemas vistos de 90 dias. Hoje, nas fronteiras terrestres, em muitos casos é exigida a apresentação de dólares em dinheiro vivo para decidir a entrada ou não no país e os vistos são de dez, 30 ou 90 dias, dependendo do funcionário de plantão. Hermanos pobres não são bem-vindos.
O ministro da Fazenda Domingo Cavallo chegou ao governo com uma bagagem de objetivos. O central era incrementar a competitividade. Os estudos sobre competitividade ressentem-se da ausência de consenso quanto à definição do conceito e, conseqüentemente, quanto às metodologias mais adequadas de avaliação. Muitos estudos costumam tratar a competitividade como aumento nacional das características de desempenho ou de eficiência técnica apresentadas por empresas e produtos. Assim, quanto maior o volume das exportações, maior é a competitividade. De fato, é uma visão muito limitada quanto ao fenômeno mesmo, pois precisa-se enfatizar as insuficiências apresentadas em capturar a essência da competitividade. Desempenho e eficiencia são visões estáticas, não se elucidam as relações causais que mantêm com a evolução da competitividade. Imagina-se que a taxa de câmbio melhora favoravelmente para a Argentina (uma devaluação). Simplesmente, o volume das exportações tem que aumentar mais que as importações. Agora, é mais custoso o produto estrangeiro e mais barata nossa produção para o resto do mundo. Melhorou nossa competitividade! Não, melhorou a relação dos preços relativos dos produtos nacionais e estrangeiros. A análise da competitividade tem que ter uma qualidade dinâmica e social, só assim a Argentina poderá fazer uma mudança verdadeiramente revolucionária e não só uma miragem. O novo ponto de vista terá que considerar as atividades de gestão, de inovação, de produção das empresas, além do mais importante, os recursos humanos. Nesse último ponto, deverão ser contempladas condiçoes que caracterizam as relações de trabalho, qualificação e flexibilidade de mão-de-obra. São aspectos que influenciam a produtividade. No plano social, não é certo que uma queda nos salários melhore os custos da produção, acrescentando a competitividade. Certo é que os custos se vêem melhorados, mas a capacidade de compra do mercado interno tem que involuir, além do malestar social. Redução da demanda e malestar social não é o melhor cenário para aumentar a competitividade, nem a redução dos custos da produção através dos salários. A Argentina e seus "brilhantes" ministros tem muita afinidade pelos mecanismos de ajuste dos custos da produção. Cavallo não é a exceção. Ele é o principal responsável da atualidade argentina e da recessão aguda, da desocupação e da delinqüência. Agora, ele tem a última oportunidade para a mudança. Mas, não vire seu olhar, senhor Cavallo! É agora ou nunca, não faça mais uma análise estática, tem que olhar a realidade. Competitividade? Certo! Mas não acrescentando a desocupação. Só um planejamento estratégico-social faz uma competitividade genuína. Na Argentina precisa-se disso, senhor Cavallo, não esqueça. BIBLIOGRAFIA BOBBIO, Noberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. 12ª ed. Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1983. SEN, Amartya. Desenvolvimento com Liberdade. São Paulo, Editora Companhia das Letras, 2000. RELEA, Francesc. "Entrevistas en elpais.es". El País de España, 21-JAN-02, p.01. PANIZZA, Francisco. "Classe média protagoniza a revolta argentina". 22-DEZ-01, British Broadcasting Corporation (BBC), www.bbc.com Octavio, Ianni – A formação do Estado Populista na A América Latina . Prado, Maria Lígia – O Populismo na América Latina ( Argentina e México ). Weffort, Francisco Corrêa – O Populismo na Política Brasileira . Mota, Carlos Guilherme ( Org.) – Brasil em Perspectiva . Koshiba, Luiz – História do Brasil . Aquino, Rubim Santos Leão de – História das Sociedades – Das Sociedades Modernas as Atuais. Ferreira, José Roberto Martins – História : 8ª série . Tota, Antonio Pedro – O Estado Novo . Gomes, Angela de Castro – O Populismo e as Ciências Sociais no Brasil . Fausto, Boris – Pequenos Ensaios de História da República : 1889 – 1945 . Fausto, Boris – A revolução de 1930 * historiografia e História .
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