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Administração da Produção e Operações

 

Conceito de Produção

Podemos afirmar que é o processo de transformação de recursos (insumos naturais ou humanos) em bens ou serviços. Na teoria econômica, a função de produção representa a relação tecnológica que define o máximo de bens que podem ser produzidos por diversas combinações possíveis de recursos. Dados os preços dos insumos e a função produção, pode-se chegar à curva de custos de uma empresa (que mostra o custo da produção por unidade produzida); com base nestes números, e uma vez conhecidos os objetivos da empresa ( maximização dos lucros, por exemplo) e as condições de procura de seus produtos, determina-se seu nível de produção. Os chamados fatores de produção são todos os recursos necessários para a capacidade produtiva: capital, trabalho e matérias-primas, podendo-se acrescentar ainda o capital humano, gerado e aprimorado pela educação.


Planejamento Estratégico

A atividade corporativa de planejamento estratégico é o planejamento científico e profissional, a longo prazo, da direção a ser seguida pela empresa, é a identificação da oportunidade corporativa e a avaliação das principais decisões envolvidas nas alternativas disponíveis. Planejamento estratégico é a razão por que certas companhias sempre parecem ter o melhor produto ou serviço, uma linha de produtos ou serviços balanceada, seqüência de novos produtos ou serviços bem sucedidos e melhores lucros.

Para uma empresa ser bem sucedida a longo prazo, a contribuição de sua função produção é vital. Ela passa à empresa uma vantagem baseada em produção. Isto só será possível de alcançar através de "cinco objetivos de desempenho" (rapidez, confiabilidade, flexibilidade, custo e qualidade). Veremos a seguir as definições e alguns exemplos de cada um desses objetivos.

A Rapidez

O cliente já não pode esperar, tudo tem de ser rápido para ele. Existe uma necessidade de velocidade de resposta no meio comercial de hoje, quanto maior a velocidade, maior será a satisfação do cliente. Em alguns casos são necessários sistemas capazes de operar em "tempo real". Em vez de agir com base na antiga experiência ou expectativas em relação ao futuro, esses sistemas captam a realidade do momento, e trabalham rápido. Essa capacidade tem sido de incrível utilidade para os profissionais de marketing, que, de outra forma, teriam de depender das tradicionais e assincrônicas pesquisas de mercado. Tomemos como exemplo o que a Coca-Cola fez com suas 800 mil máquinas no Japão. Normalmente, as máquinas eram reabastecidas e verificadas por motoristas que iam passando, e, ao pararem, viam que em uma máquina não havia Diet Coke, digamos, ou Sprite. O que não se sabia era há quanto tempo esses produtos haviam terminado, ou se teria havido uma demanda maior por Sprite simplesmente porque os frustrados consumidores de Diet Coke optaram pelo produto como segunda alternativa. As novas máquinas no Japão fornecem esse tipo de informação em tempo real ao pessoal da Coca-Cola. Cada uma está equipada com um microprocessador que comunica as compras dos clientes a um centro de distribuição. Assim que o estoque de um determinado refrigerante diminui, o dispositivo solicita mais. A Coca-Cola possui dados da demanda por localidade, por hora do dia – a última palavra em segmentação de micromercado.

A Flexibilidade

É a capacidade de alterar a operação de alguma forma. Há a possibilidade de se mudar a operação, ou seja, pode-se alterar o que a operação faz, como faz ou quando faz.

Um grande exemplo disso é a rede de fast food Mc Donald´s, esta multinacional sempre procura lançar novos produtos, sejam sobremesas ou sanduíches, a empresa sempre busca mudar a forma de suas operações, tanto no atendimento ao cliente, quanto no modo como é feito o sanduíche, tudo isto para aumentar a velocidade no atendimento, e consequentemente agradar ao seu cliente conquistando a confiança deste, pois seu cliente irá notar as mudanças, não somente nas operações, mas também nos preços e na qualidade.

A Confiabilidade

É a capacidade de realizar coisas em tempo, fazendo desta forma com que o cliente receba seus bens e/ou serviços no momento que lhe foi prometido.

Quando o cliente não recebe o produto e/ou serviço como foi acordado entre as partes, ele simplesmente aguarda o recebimento e posteriormente opta por uma outra empresa, ou ele entra na justiça. Esta última opção é a que vemos nos principais jornais do país, é só abrirmos um jornal e lá está uma reportagem sobre um cliente que se sentiu lesado por uma empresa que não cumpriu o prazo determinado.

A partir do momento que o cliente recebe o seu produto e/ou serviço no prazo prometido, ele com certeza irá retornar a fazer outros pedidos, pois estará satisfeito com o atendimento fornecido.

A Importância dos Custos

A contabilidade de custos destina-se, principalmente, a conhecer os custos unitários dos diversos produtos fabricados e/ou serviços prestados pela empresa e a compará-los com os custos-padrões, a fim de determinar se os produtos e/ou serviços dão lucros satisfatórios. Todos os outros objetivos de desempenho são importantes, mas este tem uma grande importância para a organização, pois para empresa que concorre diretamente em preço com outras, o custo será o seu principal objetivo de produção. Quanto menor o custo de produzir seus bens e/ou serviços, menor pode ser o preço a seus consumidores. Até as organizações que concorrem em outros aspectos que não preço estarão interessadas em manter seus custos reduzidos.

A Importância da Qualidade

Juran é bem sintético em sua definição. Para ele "qualidade é a adequação ao uso".

Na terminologia da ISO

"Qualidade é definida como a totalidade de características de uma entidade que lhe confere a capacidade de satisfazer as necessidades explícitas e implícitas" (ABNT, 1993).

As duas expressões "adequação ao uso" e "satisfação das necessidades explícitas e implícitas", retiradas das definições acima, acenam somente para uma direção, a qualidade voltada para o cliente.

A qualidade, conjunto e características do produto ou do serviço, tem caráter objetivo, que é a condição de poder mensurar essas características ou, na falta de medidas, a possibilidade de compará-las com aquelas de um modelo.

A finalidade dessas características é a satisfação das necessidades dos consumidores. A necessidade pode ser expressa quando o consumidor solicita um produto ou serviço sob medida, ou pode ser implícita ou potencial, cabendo à empresa tarefa de detectá-la através de pesquisas de mercado.

"A qualidade é determinada, apreciada, avaliada sempre em relação a uma referência, a um modelo. A referência pode estar contida em uma especificação contratual, ou em especificações estabelecidas pela empresa de acordo com seus estudos do mercado. O modelo, por sua vez, é concebido de forma mais ou menos clara na mente do potencial consumidor" (CRUCHANT, 1993).

A qualidade não significa a melhor performance, mas sim a performance especificada para responder a uma determinada necessidade. Assim, não tem sentido comparar a qualidade de um restaurante fast food com a de um restaurante de "alta classe", a de um hotel de "duas estrelas" com a de um "cinco estrelas". Pois somente pode-se comparar produtos e serviços dentro de uma mesma escala. Nesses casos categoria ou classe não são sinônimos de qualidade.

O consumidor do século XXI é caracterizado por um alto grau de exigência no que concerne à qualidade dos produtos e serviços que adquire. Esse aumento no nível de exigência é fruto do fluxo maior e mais veloz das informações, da diversificação nas opções de escolha e na crescente conscientização do conceito da ética, pressuposto norteador das relações sociais em geral.

Os consumidores têm conseguido forçar a elaboração de leis e códigos de proteção que os põem ao abrigo das violações dos seus direitos. Num mercado global, cada vez mais competitivo, uma ação isolada de um cliente pode comprometer seriamente a imagem corporativa até das maiores Organizações.

No final de 1989 a Pan Am, em anúncio de página inteira publicado em jornais americanos, assumia ter cometido um erro básico em sua política mercadológica: envolvida em assuntos corporativos, simplesmente esquecera os seus clientes nos últimos anos. Foi o então presidente da empresa, Thomas Plaskett, quem assinava a confissão pública (SZWARC, 1990).

O anúncio foi inócuo e não conseguiu salvar a sexagenária companhia da falência. Seus executivos sistematicamente vinham desprezando os escores que as revistas especializadas publicavam mensalmente sobre os principais indicadores de desempenho das companhias aéreas, como problemas de cancelamento e atrasos de vôos, falhas mecânicas, perdas e danos de bagagens, mau atendimento, má qualidade dos serviços de terra e de bordo. Em agosto de 1987, a Pan Am ocupava a quinta posição entre as dez maiores companhias aéreas americanas em relação ao número de queixas por passageiros transportados. No mês seguinte subia para a quarta posição no total de queixas e para a primeira, no item referente a atrasos de vôos (ROSANDER, 1989).

A história da falência da Pan Am é a comprovação de que não existe imunidade nem cura, quando a doença diagnosticada revela um comportamento crônico de maus serviços prestados e desprezo pelos clientes.

JIT (Just In Time)

O JIT é uma expressão ocidental para uma filosofia e uma série de técnicas desenvolvidas pelos japoneses. A filosofia está fundamentada em fazer bem as coisas simples, em fazê-las cada vez melhor e em eliminar todos os desperdícios em cada passo do processo. O JIT surgiu no Japão, em meados da década de 70. O líder deste desenvolvimento foi a Toyota Motor Company. Pode-se dizer que as origens do JIT estão na reação da Toyota a "Crise do Petróleo", a qual aumentou o preço do produto no início dos anos 70. Sem dúvida os desenvolvimentos da Toyota e de outras empresas japonesas foram incentivados pela cultura e pelas circunstâncias econômicas da nação. A atitude japonesa em relação ao desperdício, juntamente com sua posição de país superpovoado e com escassez de recursos, formaram condições ideais para o desenvolvimento de uma manufatura que enfatiza pouco desperdício e alto valor agregado.

Podemos afirmar, então, que no estudo do planejamento estratégico, a filosofia JIT visa a otimização da produção, satisfazendo às necessidades dos clientes, ou seja, entender e responder aos anseios dos clientes, fornecendo produtos de qualidade no momento em que for solicitado.


A Filosofia do Kaizen

A palavra japonesa Kaisen significa uma contínua melhoria e se aplica à melhorias incrementais nos processos de uma empresa. Ela se aplica e se confunde com a ferramenta principal de promoção e geração de melhorias, o tratamento das "anomalias" do trabalho.

Chamamos "anomalia" a qualquer resultado indesejado de um serviço ou tarefa, de modo que os principais alvos para a geração de melhorias através do Kaisen podem ser, por exemplo:

·        Atrasos;

·        Defeitos;

·        Inutilização de materiais;

·        Desperdícios de toda sorte;

·        Paradas imprevistas;

·        Faltas de materiais, etc.

Em todos os casos, se bem aplicada a técnica, cada causa será eliminada e os resultados serão os melhores possíveis e, muitas vezes, surpreendentes!

Através do Kaisen, as pessoas aprendem a buscar as causas, ao invés dos "culpados", conseguindo-se com isto soluções efetivas e, de quebra, um ambiente de maior entendimento e melhores relacionamentos entre a equipe.

Com o Kaisen, abate-se a cultura de "varrer a sujeira para debaixo do tapete", a cultura da tolerância com as falhas e perdas de todo tipo. Mobiliza-se toda a equipe para o combate aos erros e aos desperdícios, em todos os aspectos e por toda a organização.

Ao contrário do que se supõe normalmente nas empresas, os erros são muito mais de responsabilidade da chefia e gerência, que simples descuido ou indolência do pessoal operacional. Notoriamente, verifica-se que as causas estão, na maioria absoluta dos casos, numa destas categorias:

·        Falta de método de trabalho;

·        Método inadequado de trabalho; ou

·        Falta de treinamento no método.

Através do Kaisen obtém-se a redução de custos pelo envolvimento de todo o pessoal na melhoria contínua das rotinas, transformando todo o quadro de funcionários em "solucionadores" de seus próprios problemas. Aumento do senso de responsabilidade do pessoal.

Sistemas CIM, CAD e CAM

Sistema CIM Þ Manufatura integrada por computador, visa integrar o planejamento e o controle das atividades de um sistema de produção, suportado por uma rede de sistemas computacionais, formada basicamente por computadores, softwares, banco de dados e controladores programáveis, o sistema CIM visa coordenar as atividades técnicas e operacionais necessárias ao sistema de produção e manter registros acurados de dados.

Sistema CAD Þ Projeto auxiliado por computador, é um sistema computacional empregado para a elaboração de desenhos, lista de materiais e outros conjuntos de instruções para as atividades de produção, como uma base de dados gráfica de peças, desenhos, simulação gráfica interativa, armazenamento e acesso a documentos, edição de documentos, etc.

Sistema CAM Þ Manufatura auxiliada por computador, o sistema CAM desenvolve as atividades de geração, transmissão e controle de execução de programas de comando numéricos aplicados a máquinas – ferramentas e robôs, sistemas de manipulação de materiais, inspeção e teste da produção.


Conclusão

Pode-se afirmar que estratégia de produção visa a integração da manufatura com as outras funções dentro da organização. Visa também determinar de forma realística como a empresa tenciona competir no mercado e, desta forma, procura criar as condições para que esforços sejam focalizados e recursos de manufatura sejam orquestrados de modo a auxiliar a empresa a obter um melhor desempenho.

Todas as decisões tomadas dentro da organização, têm, com maior ou menor, impacto estratégico. Assim, toda e qualquer decisão tomada deve levar em conta os objetivos estratégicos da organização. Diferentes sistemas de administração terão distintos potenciais de atingir variados conjuntos de objetivos. As necessidades a serem providas por um sistema de administração variam com a natureza do processo de produção envolvido, com as expectativas dos clientes e com as necessidades dos tomadores de decisões.

Todas as partes de qualquer empresa têm seus próprios papéis para desempenhar a fim de se chegar ao sucesso. O papel de cada função está refletido em seu nome. Por exemplo: A função marketing posiciona os produtos e serviços da empresa no mercado. A função finanças monitora e controla os recursos financeiros da empresa. Já a função produção produz os bens e serviços demandados pelos consumidores.

A produção deve apoiar a estratégia desenvolvendo objetivos e políticas apropriados aos recursos que administra, fazendo a estratégia acontecer, transformando decisões estratégicas em realidade operacional e devendo fornecer os meios para a obtenção de vantagem competitiva.

Para que qualquer organização seja bem sucedida a longo prazo, a contribuição de sua função produção é vital. Ela dá à organização uma "vantagem baseada em produção" A função produção contribui para se atingir essa idéia de vantagem baseada em produção através de cinco objetivos de desempenho. São eles:

·        Fazer certo na primeira vez, isto é, não cometer erros. Se a produção for bem-sucedida em proporcionar isso, a empresa ganhará em qualidade.

·        Fazer as coisas com rapidez, minimizando o tempo entre o consumidor solicitar os bens e serviços e recebê-los. Com isso, a empresa ganhará em rapidez.

·        Fazer as coisas em tempo para manter os compromissos de entrega assumidos com os consumidores. Se a produção fizer isso, proporcionará aos consumidores vantagem de confiabilidade.

·        Estar em condições de mudar rapidamente para atender às exigências dos consumidores. Fazendo isso, a empresa ganha em vantagem de flexibilidade.

·        Fazer as coisas o mais barato possível, produzindo bens e serviços a custo que possibilite fixar preços apropriados ao mercado e ainda permitir retorno para a organização, representando vantagem de custo aos consumidores.

 

 

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