A História da Riqueza do Homem
Introdução O texto faz comparações entre o dinheiro que é capital e o dinheiro que não é capital, ou seja, ele se torna capital quando é investido na compra de mercadorias com a intensão de revendê-las, gerando um lucro, e o dinheiro não é um capital quando é usado para comprar algo para seu próprio consumo, que é a forma pré capitalista. Antes de surgir esta era Capitalista o capital era acumulador principalmente atravéz do comércio. O início da organização capitalista deu-se por volta dos séculos XIII e XIV. Este sistema juntamente com o comércio e colônias e também as primeiras fortunas dos comerciantes europeus. O autor faz um diagnóstico, passando por várias etapas e situações vividas pela Europa e como começou, o que desencadeou e influenciou passando década a década, século a século a limpo a história da riqueza e de onde vem o dinheiro e como o capitalismo influenciou tudo isto.
Os capitalistas eram os donos dos meios de produção como edifícios, máquinas, matéria-prima, etc.; compravam a força de trabalho e com a união das duas ocorre a produção capitalista. Uma vez iniciada uma indústria moderna obtém seus lucros e acumula seu capital muito depressa. Poderíamos dizer que o capital necessário para iniciar a produção capitalista veio da classe trabalhadora onde trabalhavam duro para que os outros vivessem, gastaram apenas o indispensável e juntaram as economias aos poucos. Mas não foi desta forma que se concentrou a grande massa de capital. Antes da idade capitalista, o capital era acumulado principalmente através do comércio, significando não apenas a troca de mercadorias, mas também a conquista, pirataria, saque exploração. Não foi em vão que as Cidades-Estados italianas ajudaram a europa ocidental nas Cruzadas. O término destas guerras "religiosas" encontrou Veneza, Gênova e Pisa, controlando um rico império. Por maior que fosse esse império do Oriente, não era bastante. Para que a idade da produção capitalista realmente pudesse começar era necessário maior capital. Foi a partir do século XVI que se começou a reunir capital em volume bastante grande para satisfazer a essa necessidade. Para acumular um grande capital, os Holandeses despovoavam e devastavam, foi assim que a Holanda acumulou o dinheiro que precisava para se tornar a principal nação capitalista do século XVII. Para que os Ingleses se tornassem a segunda maior força capitalista, eles desembarcaram naquelas terras apenas para vender seus produtos, e assim tomaram dos nobres todo o seu poder e sua riqueza. Para que sua riqueza aumentasse os Ingleses compraram todo o arroz disponível na época e só vendiam por um preço bastante alto. Foi na Inglaterra que se desenvolveu o capitalismo em grande escala, os camponeses foram obrigados a deixar suas terras e tornaram-se mendigos ou ladrões, assim passou a existir uma classe trabalhadora livre e sem propriedades. Para que esta classe sobrevivesse foi necessário que eles vendessem sua força de trabalho em troca de salários, isto fez com que eles fossem para as indústrias, por outro lado os novos proprietários das terras não estavam interessados apenas na força de trabalho barata, mas sim de tirar maiores lucros das terras. Com isso a religião passou por mudanças indispensáveis, no feudalismo o lucro era pecado dizia a igreja católica pois era ela a "dominadora". A acumulação de capital que veio do comércio primitivo mais a existência de uma classe trabalhadora sem propriedades prenunciavam o início do capitalismo industrial. O sistema fabril em si proporcionou a acumulação de uma riqueza ainda maior. Os donos dessa nova riqueza , educados de que o reino dos céus era deles, se economizassem e reinvestissem suas economias, empregavam novamente seu capital em fábricas. Assim o sistema moderno, tal como conhecemos, começou a existir.
Em 11 de Maio de 1776 o sr. Watt, inventou a primeira máquina a vapor, esta invenção teve grande importância e utilidade. Com isso iniciou-se sistema fabril em grande escala, aumentando relativamente a população Inglesa; Com os médicos se aperfeiçoando cada vez mais e a Agricultura com processos surpreendentes fez a população Inglesa se multiplicar. A revolução Agrícola foi tão importante quanto a industrial, pois com as novas tecnologias agrícolas as condições de vida das pessoas melhoraram, a taxa de mortalidade da época caiu bruscamente, ocasionado principalmente pela alimentação tanto das pessoas quanto dos animais. Foram realizadas várias experiências para melhorar a qualidade das raças de gado na época tendo êxito no melhor peso do animal, tendo assim uma venda mais lucrativa. A revolução na Indústria e na agricultura foi acompanhada pela revolução nos Transportes, com a produção de uma maior quantidade e mais rápida de mercadorias e as colheitas cada vez maiores e melhores, são inúteis a menos que possam ser levadas as pessoas que dela necessitam. Para isso foi preciso implantar um sistema de transporte barato, rápido e regular. A estrada de macadame ( John McAdam, engenheiro ) que conhecemos surgiu no começo do século XIX, e a ela se seguiram a ferrovia e o navio a vapor. Em meados do século XVIII deram início a aberturas de canais e novas estradas. Isso não só possibilitou a ampliação do mercado interno em todas as direções, como também abriu as portas para o mercado externo. O crescimento da população, as revoluções no transportes, agriculturas e indústria, tudo isso estava correlacionado. Agiam e reagim mutuamente. Eram forças abrindo um novo mundo.
Com a revolução Industrial as condições de trabalho impostas pelas indústrias eram péssimas, os funcionários trabalhavam dia e noite em máquinas e ao invés de facilitar, o serviço só piorava. Mas como eles precisavam de um trabalho para sobreviver se submeteram a todo tipo de Exporação possível. Eles tiveram que se adaptar a disciplina das fábricas, comprar nos armazéns da companhia e morar com suas famílias nas "vilas industriais". Os patrões pagavam o menor salário possível, buscando sempre o máximo da força de trabalho, mulheres e crianças também foram "obrigados" a entrar nessa rotina de trabalho para ajudar em casa, o que era bom para os donos que pagavam menos para eles. Nas fábricas tinham crianças desde os 7 anos trabalhando em pé numa rotina que ia das 5 da manhã até as 8 da noite, acidentes eram comuns de acontecer, e ainda se durmissem apanhavam do capataz. A família morava em porões escuros, insalubres e superlotados. As doenças e a morte assolavam as pessoas que tinham que viver nessas condições. Nessa época se determinava a média da vida pelo local em que se vivia. Os ricos nem se comoviam com essa situação sub-humana, eles se consolavam com o que dizia na bíblia, liam apenas o que queriam ler e escutavam apenas o que queriam escutar. Com o passar do tempo os pobres trabalhadores começaram a se revoltar com esse sistema. Passaram a lutar por seus direitos, mas como a justiça sempre estava do lado dos mais ricos a solução encontrada por eles foi a destruição das máquinas, mas eles viram que não é a máquina seu inimigo, mas sim o dono dela. Para derrubar seus verdadeiros inimigos, a única solução foi enviar centenas de pedidos ao parlamento de que nada adiantou, pois as leis no papel eram diferentes da ação. A solução então foi tentar conquistar o direito do voto pois poderiam pressionar os legisladores a fazer um governo de e para muitos. E esse direito veio em consequência de muita luta. Talvez que o fator mais importante na conquista de melhores condições para os trabalhadores, lutando na defesa de seus próprios interesses surgiu o Sindicato. O Sindicato é uma das formas mais antigas dos trabalhadores se organizarem, antes eram as coorporações que lutavam para conseguir melhores condições, agora se transformou nos sindicatos. Com a revolução Industrial o sindicalismo deu grandes passos. Mas em toda parte do mundo houve uma guerra contra o Sindicato. Mas apesar de todos os esforços, legais ou ilegais para esmagá-los, os Sindicatos resistiram. A mais de um século um grande poeta se dirigiu aos "Homens da Inglaterra". Seu poema pode servir como um sumário sobre as condições que se seguiram a revolução Industrial, e a reação dos trabalhadores as tais condições. "...A semente que semeais, outro colhe; A riqueza que descobris, fica com outro; As roupas que teceis, outro veste; As armas que forjais, outro usa; Semeai – mas que o tirano não colha. Produzi riqueza – mas que o impostor não a guarde. Tecei roupas – mas que o ocioso não as vista. Forjai armas – que usareis em vossa defesa."1
Como podemos ver, apesar dos assuntos serem um pouco diferentes sempre falamos de pessoas, sobre as dificuldades que as pessoas tiveram que passar para que pudessem sobreviver num mundo onde, quem não tinha dinheiro e terras era obrigado trabalhar duro, muitos trabalhavam não apenas para servir os donos das terras mais também para sua própria sobrevivência, suas dificuldades nunca eram vistas. As maiores riquezas daquela época queriam apenas aumentar seu capital independentemente de como conseguiriam. Com o passar do tempo surgiram as primeiras máquinas à vapor, melhorando um pouco a condição de trabalho. Com a era fabril os Capitalistas acumularam um capital muito rapidamente, explorando crianças e mulheres que chegavam a trabalhar até 15 horas por dia, muitos moravam em porões onde as doenças e a morte estava constantemente junto a eles. Devido a estas condições precárias o povo se uniu e obrigou os Legisladores a fazer um governo voltado para todos, inclusive a população trabalhadora, surgiu então o Sindicato, que lutava pelas melhores condições de vida do povo, brigando consideravelmente pelos direitos e melhorias nas condições de vida da população. O texto nos mostra que naquela época todos queriam formar suas riquezas muito rapidamente, escravizando as pessoas incluindo crianças e mulheres.
HUBERMANN, Léo. História da Riqueza do Homen, Ed. Guanabara, Rio de Janeiro: 1986.
|