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A GLOBALIZAÇÃO E AS ORGANIZAÇÕES

 


Texto 1 - A Tecnologia e as Relações Entre o Capital e o Trabalho

As oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias, predominantemente as tecnologias da informação aplicadas à produção industrial e a teleinformática (telematics), foram usadas pelos grupos tanto para organizar seu processo de internacionalização quanto para modificar fortemente suas relações com a classe operaria, em particular no setor industrial. O aumento muito grande da produtividade no setor manufatureiro e nas atividades de serviço concentradas ("industrializadas"), assim com o reestabelecimento espetacular da rentabilidade do capital aplicado nesses setores, devem-se ao jogo combinado de fatores tecnológicos e organizacionais.

Fonte: Economia e Sociedade, Fracois Chanoy. Campinas, 1995.


Texto 2 - O homem se rende à máquina


A invenção do primeiro computador - o Eniac -, há pouco mais de 50 anos, é passado remoto na curta história da indústria da tecnologia, a vedete do final de século.

O ritmo é tão veloz que fica difícil acompanhar. Há pouco mais de meio século não existia sequer o transistor - o primeiro foi desenvolvido em 1947 -, muito menos os chips, processadores que são a alma da parafernália eletrônica que temos hoje à disposição. O primeiro computador - o Eniac, um monstro de dois andares, com 30 toneladas e mais de 17 mil válvulas - data de 1946 e levava horas para fazer operações que uma calculadora hoje executa em segundos. Uma incrível seqüência de inovações deixou um rastro de revoluções na indústria, todas transformadas em negócios hoje bilionários. Qual delas foi a mais significativa na construção do setor de tecnologia, que fecha o milênio movimentando mais de US$ 500 bilhões ao ano? A julgar pelo valor de mercado da empresa que a criou, a Microsoft, o principal marco da indústria de informática está em 1981, quando dois sujeitos de Seattle, no Noroeste dos Estados Unidos, apresentaram o sistema operacional MS-DOS, que tornava simples o uso dos microcomputadores. Em duas décadas, a Microsoft tornou-se a mais poderosa empresa do mundo, com um capital avaliado em US$ 600 bilhões. Bill Gates e Paul Allen, seus fundadores, lideram as listas dos homens mais ricos do planeta.

Basta mudar o critério e um novo fato desponta. Dependendo do ângulo em que se observa, o destaque poderia, facilmente, ir para potências como Intel, IBM, HP, Sun, Apple, todas referências na história do que hoje chamamos de tecnologia da informação. A gigante Big Blue, como é conhecida a IBM, por exemplo, tem origem muito antes do aparecimento do primeiro computador. Tudo começou com Herman Hollerith, um empregado de apenas 19 anos do United States Census Office, que inventou um equipamento para tabular os dados do censo americano de 1890. Sua pequena inovação cresceu tanto na indústria que, mais tarde, ele fundou a Hollerith Tabulating Machines. Em 1914, a empresa passou a se chamar Calculating-Tabulating-Recording (CTR) e, dez anos, depois renomeada para International Business Machines (IBM). A empresa reinou no tempo das grandes máquinas e foi a primeira a adotar o MS-DOS em seus PCs. Mas parece não ter levado a sério as pregações de Gates sobre a popularização do computador pessoal, deixando escapar de suas mãos o mais rico filão dos últimos 20 anos.

O prestígio da IBM, por sua vez, foi determinante para a escalada da Microsoft. Gates e Allen haviam fundado a Microsoft em 1975 e experimentavam o gostinho do sucesso alcançado com o programa desenvolvido para o Altair, uma espécie de avô dos PCs. Ao convencerem a Big Blue a utilizar o seu MS-DOS, ganharam projeção e, com o sucesso inicial do micro da IBM, acabaram conseguindo abrir as portas de outras companhias para o seu produto. O MS-DOS foi o primeiro sistema operacional a permitir que máquinas de fabricantes diferentes falassem a mesma língua. Quatro anos depois, Gates dava outra tacada de mestre, com a introdução do Windows, um programa que utilizava ícones e janelas. Em pouco tempo, o Windows se transformou em padrão de mercado, ocupando mais de 50% dos computadores existentes na época.

Não é segredo para ninguém que Gates inspirou-se em um concorrente para desenvolver o Windows. O modelo de janelas e ícones foi criado por outra mítica dupla do mundo da informática, Steve Jobs e Stephan Wozniack. Aos olhos de milhões de tecnófilos, é deles a responsabilidade pelo maior salto da indústria de tecnologia. Em 1976, trancados na garagem da casa dos pais de Jobs, em Cupertino, na Califórnia, eles produziram 50 unidades do que viria a ser o primeiro PC popular, o Apple I. Eles investiram tudo o que tinham no projeto - uma Kombi e uma calculadora programável de Wozniack. Pode-se dizer que deu certo e errado. Os computadores da Apple ainda hoje são cultuados por milhões de adeptos do sistema MacIntosh, aquele que serviu de modelo para Gates. Jobs falhou, no entanto, ao não permitir que concorrentes usassem o sistema operacional em suas máquinas. Assim, perdeu espaço para a Microsoft e hoje tem de se contentar com o papel de alternativo na indústria que ajudou a embalar.

Até quando vai durar o domínio de Gates? Por enquanto os PCs com processadores Intel e sistema operacional Windows dominam amplamente a cena. Mas já começam a perder espaço com a proliferação do uso de sistemas eletrônicos em praticamente todas as áreas de produção - em especial nas telecomunicações. Com mais de 200 milhões de computadores espalhados pelo planeta, a indústria da informática passa, neste final de século, por outra revolução, a explosão da Internet. Com previsão de chegar em 2001 com 700 milhões de pessoas conectadas ao redor do mundo, movimentando cifra superior a US$ 100 bilhões, a grande rede não caberá apenas nos computadores.

(Fonte: Revista Istoé Dinheiro, edição 123 de 05.01.2000).


Texto 3 - Economia, Empresas e Sociedade Digital.

Em recente entrevista à revista brasileira Exame, o guru da administração, o austríaco-norte-americano Peter Drucker, apresenta sua visão sobre as mudanças na economia e no mundo empresarial, decorrentes da Revolução da Informação. Drucker começa sua análise dizendo que "o impacto revolucionário da Revolução da Informação está apenas começando a ser sentido". Este impacto será causado pelo comércio eletrônico – a emergência explosiva da Internet, como importante canal mundial de distribuição de bens, serviços e até mesmo de empregos. Novas indústrias vão surgir, embora de difícil previsibilidade. Uma delas, com certeza, será a da biotecnologia (nos próximos 50 anos a criação de peixes pode transformar caçadores marinhos em pecuaristas marinhos, por exemplo).

Segundo Drucker a Revolução da Informação será semelhante à Revolução Industrial, ou seja, vai seguir os mesmos caminhos em termos de inovação e mudanças econômicas. O computador e o microchip representam hoje o que foram à máquina a vapor e a máquina de tear da industria têxtil para a Revolução Industrial. Em síntese, a Revolução Industrial avançou tão rápido quanto a Revolução da Informação e no mesmo espaço de tempo (primeiro 50 anos) A revolução Industrial transformou a economia, criando a figura do empreendedor, assim como a Internet está modificando a economia de hoje.

A Revolução Industrial causou forte impacto sobre a família, deixando de ser nuclear, afastando os membros da família de perto uns dos outros. E, com todos seus efeitos, a Revolução Industrial em seu primeiro meio século, apenas mecanizou a produção de bens já existente. Aumentou a produção e diminuiu os custos. Criou tantos consumidores quantos bens de consumo, embora os bens já existissem de maneira artesanal e não manufaturados. O segundo marco da Revolução Industrial foi o surgimento da ferrovia, um produto inusitado que transformou para sempre a economia, a sociedade e a política e alterando, principalmente, a geografia mental. Pela primeira vez as pessoas tinham mobilidade real - o horizonte delas se ampliou.

Da mesma forma que a Revolução Industrial a Revolução da Informação, desde a década de 40, não fez mais do que transformar processos já existentes. Facilitou e tornou rotineiros processos tradicionais, reduzindo os tempos de processos de forma drástica. O comércio eletrônico representa para a Revolução da Informação o que foi a ferrovia para Revolução Industrial. Empresas perdem mercado da noite para o dia, devido à concorrência globalizada. Na geografia mental criada pela ferrovia a humanidade dominou a distância. Na geografia mental do comércio eletrônico a distância foi eliminada. E a cada dia o comércio eletrônico apresenta surpresas: nos EUA, a área que mais cresce em e-commerce é no setor de empregos para funcionários administrativos, gerentes e executivos – setor que sequer era considerado comercio propriamente dito. Nos próximos 20 anos vamos assistir ao surgimento de uma serie de novas industrias. Ao mesmo tempo, é quase certo que poucas delas vão sair da tecnologia da informação, do computador, do processamento de dados ou da Internet, pois assim têm mostrado a historia.

E aquilo que está sendo chamada de Revolução da Informação é, na realidade, uma revolução do conhecimento. O software é a reorganização do trabalho tradicional baseado em séculos de experiência por meio da aplicação do conhecimento e, especialmente, da analise lógica e sistemática. A chave, portanto, não é a eletrônica, mas sim a ciência cognitiva. Isto significa que o ponto central para manter a liderança na economia e tecnologia emergentes será a posição social e aceitação social dos trabalhadores do conhecimento, assim como ocorreu com os tecnólogos na Revolução Industrial. Cada vez mais o desempenho das novas industrias baseadas no conhecimento vai depender das instituições serem administradas de maneira a atrair reter e motivar os trabalhadores do conhecimento, transformando empregados em sócios do negócio.

(Fonte: Revista Exame, edição 710 de 22.03.2000 p.112-126).


ANALISE CRÍTICA

Nos textos que antecedem essas linhas, vemos a trilogia das transformações sofridas pelo emprego e, conseqüentemente nas relações do trabalho e na sociedade.

A legenda "globalização" e tudo mais que envolve o fenômeno, nos fez de simples artesãos a operadores de PC’s. Assim como, ajudou a duplamente excluir os que não acompanharam esse inevitável processo mercantilista. Pois agora além de ser escrachado por nascer e/ou ser pobre, também somos por não termos acesso aos PC’s ou a internet.

O trabalhador ontem peça fundamental, hoje não passa de reles coadjuvante num processo produtivo totalmente automatizado. Em contra partida, no texto da Revista Exame, vemos uma nova roupagem nas relações trabalhistas, onde um administrador e detentor do conhecimento da informação, passarão a ser tratados e terão poderes de sócios.

É realmente curiosa essa tal "globalização", primeiro abre mercados, depois os fecha com um estalar de dedos; investe pesado em um país e depois inventa uma crise econômica e o quebra; desestatiza as estatais sob a promessa de gerar e/ou garantir empregos, mas demite e em alguns casos – TELEMAR – presta um péssimo serviço e o consumidor é lesado de forma flagrante e ninguém faz nada; hoje em dia podemos comprar uma calcinha pra namorada nas lojas da Sunset Boulevard sem precisar nem assinar a fatura do cartão de crédito, sob o risco de um hacker clonar esse mesmo cartão com a ajuda da mesma fonte de "integração" dos paises a internet.

Estamos diante de um impasse, ou seguimos a linha da evolução, mesmo sem ninguém dar incentivo pra que isso aconteça; ou paramos no tempo, somos excluídos desse processo evolutivo e passaremos a ser tratados como macaco de novo. Então, vamos nos inserir nessa opera regida por Bill Gates e companhia, pois voltar a viver nas árvores deve ser bem pior.

 

 

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