Ana
Carolina conduz Marina de volta ao palco
Bernardo Araujo
O Globo
Absoluta, fabulosa,
piramidal e outros adjetivos foram as palavras de ordem no ATL Hall na noite de
sábado, quando a cantora Ana Carolina se apresentou para cerca de quatro mil
pessoas. Além de cantar sucessos como "Garganta", "Armazém"
e "Retrato em branco e preto", esta de Tom Jobim e Chico Buarque, Ana
recebeu a visita de Marina Lima, em boa forma em sua primeira apresentação após
seis anos longe dos palcos.
Ana começou sozinha com a
guitarra, em sua versão próxima do blues para o clássico de Tom e Chico. O
cenário, de Luiz Stein, era um armazém estilizado. Logo entrou a afiada banda
que acompanha a cantora, em que se destacam a percussão de Marco Lobo e a
bateria e Mac William. Na hora de cantar "Armazém", Ana se fez
acompanhar inicialmente do pandeiro (mostrando bom domínio do instrumento) e
depois recebeu o reforço de cinco percussionistas, entre eles Marcos Suzano e
Jovi Joviniano. O show chegava ao fim quando ela anunciou a "maior
compositora do Brasil". Parte da platéia se levantou para receber Marina,
bem-humorada e toda de preto. As duas uniram as vozes em três canções, quando
se pôde perceber que Marina está curada dos problemas de voz. Não que se
compare à força dos pulmões ou ao alcance vocal de Ana Carolina: ela voltou a
ter a voz roufenha que é sua marca registrada. A reunião acabou com
"Deixa estar", apenas com vozes e teclados. Para encerrar, Ana cantou
"Garganta" e voltou para o bis com uma versão voz-e-violão de
"Vaca profana", de Caetano.