| Opress�o da Mulher III Ol�via de C�ssia Correia de Cerqueira * (O Di�rio - Quarta-feira 24.03.93) As sociedades em geral utilizam a partilha sexual das responsabilidades e a condi��o de reprodutora para limitar o papel da mulher no meio social em que vive. Isso n�o quer dizer que a reprodu��o seja a origem, no entanto passou a ser instrumento da opress�o da mulher, pelo uso que os homens fazem dessa condi��o. E existe uma rela��o profunda entre a situa��o da mulher , como membro da sociedade, da propriedade e dos meios de produ��o. A mulher � v�tima da explora��o que se iniciou antes do capitalismo, mais que neste sistema se desenvolveu de forma acentuada, o que a torna escrava, submissa, sobretudo a oper�ria. Estas mulheres t�m conhecimento da opress�o a que est�o submetidas, mas n�o possuem direcionamento de como lutar para que seja extinta essa opress�o. Acreditamos que � nesse momento que o intelectual org�nico, colocado por Gramsci, deve agir, considerando que �a inteireza dial�tica das rela��es entre ditas inst�ncias se consubstancia atrav�s do v�nculo org�nico assegurado por grupos sociais postos a servi�o da superestrutura�, como relata Safira Bezerra Ammann, em Ideologia do Desenvolvimento da Comunidades no Brasil - Editora Cortez. �Numa situa��o hist�rica global, ou seja, num bloco hist�rico, a classe dominante procura ocultar a contradi��o entre for�as produtivas e rela��es sociais de produ��o, e exerce seu poder no seio das classes subordinadas�, principalmente sobre as mulheres. A desvaloriza��o do trabalho feminino provocou a hostilidade dos trabalhadores homens contra o trabalho da mulher, pois a competi��o rebaixava o sal�rio geral. Assim, em determinados per�odos da hist�ria, surgiram restri��es � participa��o da mulher no mercado de trabalho, como em Londres, no ano de 1344, quando a corpora��o dos alfaiates proibiu seus membros de empregarem mulheres que n�o fossem suas esposas, conforme Branca Moreira Alves em O Que � Feminismo - Cole��o Primeiros Passos. Mas � na fam�lia que a domina��o se perpetua. Domina��o que � exercida contra a mulher, e no meio dela � que se reproduz a ideologia de castra��o difundida pela Igreja durante s�culos. A mulher, escravizada pelos afazeres dom�sticos fica debilitada, oprimida, humilhada, sendo isto a causa que faz com que ela n�o avance e n�o tenha acesso a atividades que tragam o crescimento de sua consci�ncia. Lu�sa Morais assinala que h� muitos obst�culos a serem superados para que a mulher se integre na luta revolucion�ria e �a escravid�o dom�stica a que est� submetida deixa-a com uma grande carga de atraso�, sendo que essas tarefas �obrigam-na a se isolar das atividades sociais, culturais e pol�ticas�. |